quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

COLÔNIA DO RANCHÃO

Texto Adriano da Rocha
Foto Ivonei Salla


   1957...Ainda ontem... Vista parcial da famosa Colônia do Ranchão na Usina Ester, derrubada pelo “progresso canavieiro” a mais de 40 anos. Umas das primeiras colônias construídas em alvenaria, para ser morada de colonos italianos escolhidos pelo Major Arthur Nogueira na região de Veneto. Segundo o Major os melhores para o trabalho rural, principalmente para a formação dos primeiros canaviais da Usina no inicio do século 20, “lavrados” depois da derrubada de milhares de pés de café da antiga Fazenda do Funil.

   Colônia do Ranchão famosa pelas lindas colonas, as italianinhas do Ranchão, perdição dos boiadeiros. Colonia de pirangueiros, habilidosos pescadores que não temiam nem correnteza, fosse na “chumbada” ou no anzol, eram os mais famosos nas pescarias e nas “histórias de pescador”.

   Colônia de famosas “lavadeiras” da Usina, que buscavam serviço na Vila trazendo em enormes trouxas na cabeça pelos trilhos da Cia Sorocabana. Roupa bem “clarada” e limpinha. Serviço de primeira feito nas águas do manso regato que cortava a Colônia, de tão cristalino e pura suas águas eram as preferidas das “táias”das cozinhas das Bepas.

   Velho Ranchão das concertinas em serenata, ecoando, vibrando por toda a Usina nas noites de saudade ao som de "Vieni Sur Mar". Colônia de muitas histórias vividas, e muitas histórias de vida começadas nesta saudosa colônia. Colônia do Ranchão que o “progresso” levou e nem seu rastro no chão ficou.

   No chão talvez não, os canaviais sem piedade tudo transformaram, já nos corações dos colonos do Ranchão... Este rastro ainda é latente, é cortante como picada de carro de boi em terra orváiada, é um rastro de saudades que acompanham cada colono para a eternidade...
Texto Adriano da Rocha
Foto Ivonei Sala


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