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quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Parabéns Cosmópolis 👏

👏❤
🗓 Aniversário de fundação da 'Villa Cosmópolis' 🏡
Nesta quarta-feira (17), são completados 123 anos de fundação da 'Villa Cosmópolis', sendo oficialmente estabelecido o dia 17/01/1901, como o marco de criação do projeto urbano cosmopolense.


A data é uma correção histórica, formalizada após anos de estudos e pesquisas para a criação do livro 'Cosmópolis de Fazenda Funil à cidade universo', apresentado ao Legislativo Municipal pelo historiador Mano Fromberg.

Os estudos documentais têm como base principal, regimentada como certidão de nascimento de Cosmópolis, a planta de criação e loteamento da 'Villa Cosmópolis', registrada em 17/01/1901, projeto da sociedade agrícola e empreendimentos 'Arthur Nogueira & Cia'.

A planta urbana dos lotes da Fazenda Funil, regulamentada e aprovada pela Prefeitura de Campinas, é o primeiro registro oficial das terras com o nome Cosmópolis, a qual somente tornou-se distrito de paz em 1906.

Aprovada pela Câmara Municipal e oficializada como lei nº 3.116, em 04/05/2009, a data foi instituída como o 'Dia da fundação de Cosmópolis'.

Outras datas na história
A lei estabelece como fundadores de Cosmópolis os responsáveis pela criação da 'Villa', loteamento e desbravamento das terras, o Cel. José Paulino Nogueira Ferraz, Major Arthur Nogueira Ferraz, Sidrack Nogueira Ferraz, Cel. Antonio Carlos da Silva Telles e Paulo de Almeida Nogueira.

☑Anteriormente, a data oficial de fundação era 04/01/1896, supostamente o marco de criação do Núcleo Colonial Campos Salles, então instituído como lei municipal nº 2.198.

Com as pesquisas do livro, sustentadas historicamente pelos documentos da Câmara Municipal de Campinas, Acervo Público de São Paulo, dentre diários e registros da família Nogueira, proprietários das terras, foi comprovado que o núcleo oficialmente surgiu em 04/12/1897.

Para a instituição da fundação de Cosmópolis, em mais de 77 anos de história política e administrativa municipal, várias datas passaram pelos estudos da Câmara de Cosmópolis; como a fundação da Fazenda Funil, em fevereiro de 1830, início das obras da Carril Agrícola Funilense, em 1890, inauguração da estação ferroviária da Funilense, em 1899, ao marco de compra das terras do Funil, em 1898, para construção da Usina Ester.

🔎Olhar na foto
🗓1905 - Visita da comitiva do Cel. Bento Quirino do Santos em Cosmópolis, acompanhado de inúmeras autoridades políticas da época, notabilizando o presidente do Estado de São Paulo, atual cargo de governador, Jorge Tibiriçá Piratininga e secretários.

No centro usando seus típicas roupas de linho branco, o Major Arthur Nogueira Ferraz recepciona a comitiva nas obras do complexo industrial da Usina Ester, à sua esquerda segurando o chapéu, é o Cel. Bento Quirino, à sua direita, os irmãos Sidrack Nogueira Ferraz e Cel. José Paulino Nogueira Ferraz.

O Major está conversando com o Dr. Carlos Botelho, secretário de Estado, e uma das maiores autoridades públicas da época.

Ao fundo de Sidrack, está o governador Jorge Tibiriçá, ao lado do Cel. José Paulino, o Senador Francisco Glicério. Estão no histórico registro o Dr. Francisco de Araújo Mascarenhas, prefeito de Campinas, o arquiteto Dumont Villares, sobrinho do inventor Santos Dumont, e responsável pelas obras do complexo industrial da Usina, o arquiteto e engenheiro Ramos de Azevedo, Cel. Silva Telles, dentre outras autoridades e familiares dos Nogueira.

Texto Adriano da Rocha
Foto Acervo Usina Ester

terça-feira, 2 de março de 2021

“AO PAI DA USINA, COSMÓPOLIS E REGIÃO”

 MEMÓRIA

USINA ESTER 123 ANOS

 Por meio do idealismo de um paulista, visionário e desbravador pela ascendência bandeirante, nasceu uma das maiores usinas canavieiras do mundo, e nas suas margens, uma das regiões mais prósperas do Brasil.

Foto pintura paulista do Major Arthur Nogueira Ferraz


Nome de cidade, praças públicas, imponente edifício e conjunto comercial paulistano, referência industrial e agrícola do passado. Ao completar os 123 anos de fundação da Usina Ester, oficialmente inaugurada em 02 de março de 1898, nossas reminiscências ao Major Arthur Nogueira Ferraz, entre os principais responsáveis pelo estabelecimento deste singular grupo agroindustrial, bem como, o desbravamento e colonização de várias cidades da região.

MAJOR DA USINA E COSMÓPOLIS

1916 - Complexo industrial da Usina Ester, gestão do Major Arthur Nogueira, destacando a chegada dos trenzinhos canavieiros da Carril Agrícola Funilense

Um personagem emblemático, sempre recolhido ao trabalho e empreendimentos, raramente fotografado e relatada sua história pessoal, reservada em raros documentos pelos familiares.

O título major foi estabelecido por uma carta-patente do presidente Campos Salles, seu primo e amigo, a mesma que intitulou coronel o irmão José Paulino Nogueira.

 Os títulos militares na primeira república, sendo a família Nogueira Ferraz uma das proclamadoras, assemelhavam-se  as antigas nomeações monárquicas de Barão, Conde e Visconde. Basicamente, Major era um representante direto do poder paulista, estado e prefeitura, e coronel do poder federal.

1938 - Edifício Arthur Nogueira, em destaque, ao lado o Edifício Esther, localizados na região central de São Paulo

Nos documentos públicos, como os acervos dos jornais Correio Paulistano e Estado de São Paulo, os quais foi acionista e um dos responsáveis pelos custos das fundações, são noticiados sua liderança nos comandos da nascente Usina Ester.


Outras inúmeras citações nos jornais, constantes nos primeiros anos de 1900, são as viagens para a Europa. Não eram passeios, turismo ou luxos garantidos por uma das maiores fortunas de São Paulo, mas sim, buscando trabalhadores para a Usina Ester e fazendas da família.


1899 - Major Arthur Nogueira Ferraz, Cel. Silva Teles e Sidrack Nogueira Ferraz, em viagem pela Itália, possivelmente Vêneto.  


O próprio Major Arthur Nogueira fretava navios, gigantescos vapores, financiando o transporte dos imigrantes ao Brasil, e até custeando as alimentações dos futuros colaboradores. Tinha predileção pelos italianos, sobretudo de Vêneto e região, os quais considerava os mais semelhantes ao povo paulista, devido a simplicidade e honradez aos trabalhos.

Nas viagens em busca de trabalhadores italianos, apoiadas pelo governo estadual e federal, estreitou a amizade do Brasil com a Itália, sendo um dos principais responsáveis pela imigração de milhares de italianos ao estado de São Paulo.


1900 - Cartão postal divulgando terras cosmopolenses na Itália, propaganda paulista para atrair imigrantes  para o Estado.

A Usina Ester, como seus grupos agrícolas e industriais, nasceram do empreendedorismo do Major Arthur Nogueira Ferraz, principal responsável pela ampliação das terras, criação do complexo industrial, e modernização agrícola e cientifica da cana de açúcar, financiando estudos científicos e pesquisas.

A "Villa de Cosmópolis" surgiu pela motivação do Major Arthur Nogueira, um projeto apoiado pelos irmãos, bem como pelos acionistas da Usina Ester e Carril Agrícola Funilense.

O mesmo empenho em criar a Usina Ester, buscando maquinários modernos na suíça e químicos, locomotivas na Inglaterra para o transporte agrícola, e os milhares de imigrantes, impulsionavam o nascimento de Cosmópolis, como outras "villas", ao exemplo da futura cidade de Artur Nogueira. Autorizado pela Prefeitura de Campinas, doou as terras ao município, loteando os terrenos, e projetando a futura Villa de Cosmópolis.


15/09/1915 - Inauguração da Igreja Matriz de Santa Gertrudes, entre importantes  autoridades políticas e empresariais, ao centro de calças brancas e chapéu, está o Major Arthur Nogueira. A igreja foi uma homenagem póstuma a Gertrudes Eufrosina Nogueira Ferraz, matriarca da família. 


Idealizações dos tempos da mocidade, quando sonhava ser prefeito de Campinas, como o irmão José Paulino, que ocupou cargos de vereador, presidente da câmara e prefeito intendente. Não obtendo apoio político, sobretudo pelas divergências do Major com os partidos, fundou a Villa de Cosmópolis, intitulada pelo constante progresso industrial e agrícola como a “Nova Campinas”.

 

PAI DOS POBRES E AFLITOS

1901 - Avenida Ester, região da extinta estação da Carril Agrícola Funilense- foto atribuída ao Major Arthur Nogueira

Em Cosmópolis, era conhecido como o “pai dos pobres”, título atribuído popularmente pelos moradores da “villa” e região Funilense, como dos milhares de funcionários da Usina Ester.

 A nomeação, como uma exaltação ao Major Arthur Nogueira, surgiu pelos auxílios aos doentes de varíola, febre amarela e tifoide, infectados em grandes epidemias que assolavam Cosmópolis e região. Uma iniciativa do Major Arthur Nogueira, o irmão José Paulino e a sobrinha Esther, surgia a sociedade do Mútuo Socorro, criada para amparar os doentes das pestilências, custeada quase totalmente pela família Nogueira.

Através do Major Arthur Nogueira, não medindo esforços e recursos próprios, o renomado Dr. Adolfo Lutz, um dos maiores epidemiologista do Brasil, foi convidado para inspecionar as situações sanitárias de Cosmópolis.

Outro motivo da nomeação de “pai dos pobres e Cosmópolis”, surgiu por empregar todos que buscassem sua ajuda, amparando famílias inteiras nas colônias da Fazenda Usina Ester. Bem como a sobrinha Esther Nogueira, ajudava inúmeras famílias carentes, apadrinhando crianças, financiando obras assistências da comunidade católica, porém, sempre em anonimato total, o qual exigia severamente, não aceitando citações do seu nome.

1905 - Vista parcial da Usina Ester, destacando a recém inaugurada chaminé 

Viveu para a Usina Ester, como para sua querida Cosmópolis, na “pequena grande villa” (então com as terras abrangendo as atuais cidades de Artur Nogueira, Holambra, Paulínia, Americana, dentre terras da região rural de Limeira), exerceu inúmeras funções administrativas. Foi o primeiro juiz de paz, delegado (chefe do posto policial), escrivão, representante das companhias paulistas de luz, telefonia e bancos, como subprefeito do distrito.  

 

CAMPINEIRO, UM BANDEIRANTE MODERNO

Pintura sobre tela do Major Arthur Nogueira na mocidade

Nasceu em Campinas, região da Basílica de Nossa Senhora do Carmo (marco inicial da cidade), em 11 de dezembro de 1861. Um dos 12 doze filhos do casal   Gertrudes Eufrosina de Almeida Bicudo Nogueira Ferraz (Dona Tudinha) e Luiz Nogueira Ferraz, irmão do inolvidável Cel. José Paulino Nogueira Ferraz, um dos maiores nomes da política e indústria paulista, considerado o “Mauá da República”.

Na sequência de textos, dois históricos relatos sobre o Major Arthur Nogueira, extraídos do diário de Paulo de Almeida Nogueira, esposo de Esther Coutinho Nogueira, e o amigo Senador Carlos Botelho, um dos primeiros secretários de agricultura de São Paulo, e figura importante na grande epidemia de Febre Amarela em Campinas. Ao lado do Major Arthur Nogueira, Cel. José Paulino (então prefeito de Campinas), instituiu as sociedades de Mútuo Socorro, criada para amparar os doentes das pestilências.

“Foi o Major Arthur Nogueira, inquestionavelmente, um desses tipos que bem encarnaram as qualidades da raça bandeirante (paulista): energia, arrojo, pertinácia, espirito empresarial. É certo que a ele devemos a nossa bela e querida Usina Este. O seu empenho, atividade e esforços, é que tornaram possível a compra do bloco de terras da Fazenda do Funil, que hoje se alteiam as instalações da Usina.

A esse tempo, a atual zona de Cosmópolis era um verdadeiro sertão, isolado entre Campinas, Limeira e Mogi Mirim, cidades a que se achava ligado por extensas estradas, muito mal cuidadas.

Era um sertão despovoado e inculto. Desbravou-o o Major, com mão firme e denodo.

Dotado de uma saúde de ferro, invejável capacidade de trabalho e de uma energia que, as vezes se excedia a si mesma, pode ele realizar com êxito tão áspera missão.

Mercê daqueles mesmos dotes pessoais, implantou o Major, na administração da nascente Usina Ester, a mais absoluta ordem e o mais rigoroso respeito.

 Bondoso e justo, logrou ele captar geral estima, tanto na Usina, como em Cosmópolis e região. Decidido, jamais encontrava dificuldades nas realizações então necessária, por mais árduas que se apresentassem.

1909 – Represa e Paredão, retratados em cartão postal de circulação internacional. Ao lado esquerdo, está o Major Arthur Nogueira, idealizador das obras


Nos primórdios da Usina Ester, teve ele de defrontar-se com situações terríveis, porque, não raro, tudo faltava, inclusive os recursos materiais indispensáveis. Mas tocava tudo para frente e a obras se concluía.

Não era o que vulgarmente se chama um administrador econômico.  Tanto que, por mais de uma vez, esteve em perigo. Mas tão assinalados foram seus serviços na Usina Ester, que essa, em pleito de reconhecimento, lhe erigiu um monumento, num de seus mais belos recantos.

 

Com mais predicados de homem de empresa, natural era que a personalidade do Major Arthur Nogueira não ficasse confinada ao âmbito de uma sociedade particular, embora importante.

E que não sociedade o ficou, bem atesta o discurso que julgamos oportuno transcrever abaixo proferido no Senado do Estado de São Paulo, na sessão de 15/09/1924, pelo Dr. Carlos Botelho:

 

1906- Complexo industrial da Usina Ester, destacando a chaminé inaugurada em 1905

“Sr. Presidente, quando fiz parte da administração do Estado, ainda que com eficiência mínima, tive ocasião de observar alguns pontos fracos no aparelho da administração. Afigurava-se-me que em certas zonas, o progresso achava peado e que a ação governativa não se podia distribuir equitativamente, vernativa não se podia distribuir equitativamente, como fora de desejar, por todo o território paulista.


E foi assim que, lançado as minhas vistas de Secretário da Agricultura para o município de Campinas, encontrei naquela região um solo fértil, extenso, convidativo para o desenvolvimento da ação oficial. É verdade que esse torrão se achava como que isolado para receber certaras influencias indispensáveis que mais intensamente pudessem impulsionar o seu progresso, como por exemplo as comunicações de estradas de ferro.


Não direi propriamente que faltassem estradas de ferro nessa zona do Estado: e entre estas uma existia, que naquele tempo se chamava Estrada Funilense, e que partindo de Campinas, ia ter ao Funil, ode, todos sabem existia uma manifestação já antiga da ação oficial, com a fundação do Núcleo Colonial Campos Salles.


1896 - Apresentação da Fazenda do Funil aos irmãos Nogueira Ferraz e associados, guiados pelo Cel. João Manuel de Almeida Barboza, então proprietário, e o Barão Geraldo de Rezende. 

Sr. Presidente, quando assumi o cargo de Secretário de Agricultura, este núcleo se achava em plena decadência; alguns lotes mais privilegiados, se achavam ocupados; mas a maior parte deles se achava em abandono, bastando acentuar que as casas construídas com fim especial de abrigar os imigrantes, se achavam transformadas em estrabarias, aos serviço dos habitantes mais próximos do núcleo.

Relembro esse fato, sr. Presidente, para mostrar que naquele tempo os governos achavam que era indispensável construir casa para o abrigo das famílias de imigrantes que se dirigissem aos núcleos.

Assim se pensava naquela época, mas assim deixei também de pensar, porque entendo que todo o imigra te, todo o trabalhador, toda a família bem organizada, com intuitos sério de radicação antepõem a melhor rega do seu suor em favor da sua primeira habitação que, choupana ou palácio, é sempre alegre e sugestiva de maiores feitos.

 

1899- Casa construída pelo governo estadual no Núcleo Colonial Campos Salles


Então, com ensinamentos de tal ordem, a administração contentou-se apenas com a construção de alojamentos coletivos, para hospedagem.

E era de ver, sr. Presidente, com que ânsias se despediam os novos inquilinos para se mudarem para as suas construções, quase sempre originais e sugestivas dos costumes pátrios.

Entretanto, a ação oficial não se achava isolada, pois que um paulista modesto, mas digno desse nome, ao seu lado sempre estava com sua ação alerta e progressista.

 

Na mesma zona levantava ele os alicerces de uma usina, a Usina Ester, com horizontes vastos e elevada compreensão do problema – pois que, em vez de seguir a rotina que apena se contentava com o velho sistema da compreensão cilíndrica da cana, - o paulista a que me refiro lançou mão de pouco racional da difusão, que ali serve exemplo para o Brasil Inteiro.

 

Embaraçada com toda zona do Funil, com falta de transporte, apelou para o governo, que ouviu as queixas de todos e, sobretudo, desse usineiro tão perito quando progressista. Veio em seu auxilio, mandando alargar imediatamente as bitolas da Funilense que, deficiente, entorpecia todos os movimentos da zona.

 

Começou então o progresso da região e a se fazer por tal forma que, dia a dia, eram patentes os resultados obtidos.  Essa usina tornou-se uma das maiores do nosso Estado. Cosmópolis, que lugarejo apenas era, veio as ser centro intenso de povoamento, tanto quanto o núcleo Campos Salles.

O progresso foi tal, sr. Presente, em virtude desse melhoramento da E.F.Funilense, que outras terras foram adquiridas para satisfação dos que as procuravam.

 

A administração, por sua vez, já adiantada em suas concepções, quando ao modo de povoar, compreendeu que a ação oficial já não era suficiente e que o novo sistema de associar-se ao particular para o mesmo fim daria melhores resultados, com ser mais econômico.

 

Mais uma vez, pela clarividência, desse mesmo paulista a que me venho referindo, terras foram picadas, para dar criação ao que se chamou “Secção Arthur Nogueira”. Os resultados foram admiráveis e o novo sistema se fez definitivo, ao ponto de se estender pela região Noroeste, onde sabemos que se faz o povoamento exclusivamente por iniciativa particular, como bem pode afirmar o nobre senador sr. Rodolfo Miranda (..)


1919 - Visita de autoridades na Casa das Maquinas da Usina Ester, usando branco, é o Major Arthur Nogueira Ferraz


Sua existência só lembra fatos que o adornaram, ao ponto de, além de colaborador eficiente das administrações públicas, haver-se feito chamar de o “pai da pobreza de Cosmópolis”; e o que efetivamente, porque distribuía trabalho para todos, quando não fazia entrar em ação recursos próprios, ajudando anonimamente incontáveis famílias.

21/06/1906 - Inauguração da Estação da Carril Agrícola Funilense, nomeada como Arthur Nogueira, oficializando o distrito como "Villa Arthur Nogueira", atual cidade de Artur Nogueira . O Major está na plataforma da estação, usando branco, rodeado de autoridades.


Artur Nogueira, o extinto, ao pronunciar seu nome naquela região, causa comoção e gratidão. Porque, sr. Presidente, houve uma época que a região do Funil foi assolada por uma grave epidemia de impaludismo, tão grave que a ação oficial foi pedida com premência, e ela não se fez esperar, para acertadas medidas, jugular tão mortífera pestilência. Então o Major Arthur Nogueira, foi o braço musculoso sobre o qual teve a ação oficial de se apoiar, como pode dar testemunho o ex-secretário do interior da administração do governador dr. Altino Arantes” (...).


Sobre a morte do Major Arthur Nogueira, escreve Paulo de Almeida Nogueira

Foto pintura do Major Arthur Nogueira Ferraz, retratado nos últimos anos de vida



 05/08/ 1924 - “Voltamos cedo, Esther, eu e as crianças, com tempo de assistir a seus últimos instantes, que foram apavorantes. Ao anunciar o falecimento de Arthur, muito sentido, Dr. Fessel, seu médico assistente e amigo, mostrava como foi dedicadíssimo”.

6/08/1924 – Enterro do Major Arthur Nogueira, com grande acompanhamento, tendo vindo de Cosmópolis dezenas de pessoas, seus empregados e amigos, os quais fizeram questão de levar o corpo, a mão, até a saída da cidade (o Cemitério da Saudade ficava na terminação do município Campinas).

Perde a Usina Ester um dedicado gerente todos nós, seus companheiros e familiares, sentimos a perda de um grande amigo de todos “.

1925- Monumento em Homenagem ao Major Arthur Nogueira, erguido na Usina Ester


Major Arthur Nogueira Ferraz faleceu em 05 de agosto de 1924, aos 62 anos de idade, vitimado por problemas gastrointestinais. Não deixou filhos, revertido seu patrimônio aos familiares.  

Não deixou filhos, mas como contestar sua paternidade destes legítimos e amados filhos, a Usina Ester, Cosmópolis e Artur Nogueira, seus maiores legados como pai.


Texto Adriano da Rocha
Fotos acervos Ester Agroindustrial, família Coutinho Nogueira e grupo Filhos da Terra

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Um presente de memórias e saudades!!!



 Celebrando os 75 anos de “Emancipação Política e Administrativa de Cosmópolis”, o Acervo Cosmopolense em parceria com o projeto “Memórias de Coretos”, presenteia você com este resgate da nossa história.
Uma verdadeira viajem ao passado, através de imagens e emocionantes depoimentos de cosmopolenses. “Conhecimento para quem não vivenciou a época e incitando boas memórias a quem viveu”.
Projeto desenvolvido por formandos do curso de comunicação social - Rádio e Tv da Faculdade Rio Branco, de São Paulo.

Conheça o projeto, os idealizadores, e as histórias de outros Coretos Paulistas- C.O.N.F.I.R.A
http://memoriasdecoretos.com.br/

domingo, 14 de julho de 2019

245 DE HISTÓRIAS- NOSSA CAMPINAS COSMOPOLENSE

Marco do surgimento de cidades, símbolo maior do progresso Paulista, a “Princesinha do Oeste”, com poderes e valores de "Rainha'' no mundo. Berço de celebres nomes, terra de imortais da história nacional e internacional, cidade das andorinhas, amigos, e das nossas raízes cosmopolenses.
1929 - Mapa do Município de Campinas, destacando suas "Villas" e distritos, como Cosmópolis, Americana, Santa Barbara, Rocinha (atual Vinhedo), Rebouças (Sumaré ), Souzas, entre outras.


Neste domingo, dia 14 de julho, são celebrados os 245 anos de Campinas. Data que marca o aniversário da cidade, sua oficialização como "Villa", e também, os desbravamentos das terras que originariam Cosmópolis.

As atuais cidades de Campinas e Cosmópolis, estão interligadas desde o início de suas histórias. Cosmópolis, nasceu de Campinas, sendo distrito campineiro até sua emancipação política e administrativa, em 30 de novembro de 1944.

O progresso da “Vila Cosmópolis”, exaltavam o distrito como a “Nova Campinas”, sendo o berço de uma das suas mais pungentes industriais, a Usina Ester. A alusão de “Nova Campinas”, surgia antes do progresso industrial, em 1890, com a primeira epidemia de febre amarela.

A epidemia que dizimava vidas na cidade, projetada nas terras cosmopolenses uma “Nova Campinas”, livre da misteriosa doença. Até, surgir o primeiro caso de febre amarela nas novas terras, cancelando o projeto. Ainda não sabia-se que o mosquito, era o principal transmissor da doença.
1929 - Mapa do Município de Campinas, destacando suas "Villas" e distritos, como Cosmópolis, Arthur Nogueira, José Paulino (atual Paulínia )Americana, Santa Barbara, Rocinha (atual Sumaré), Souzas, entre outras.

Nossas histórias se cruzam incontáveis vezes, sendo impossível contar a história de Cosmópolis, sem mencionar, citando a importância de Campinas. Celebres políticos campineiros, prefeitos interinos de Campinas, possuíam terras em Cosmópolis, sendo responsáveis pela criação urbana e industrial cosmopolense.
Em destaque, os prefeitos João Batista de Barros Aranha, Orozimbo Maia, Antônio Campos Salles, Antônio Álvares Lobo, Heitor Teixeira Penteado, proprietários de terras cosmopolenses e responsáveis pela administração da Villa, e criação de projetos urbanos e rurais.
Na sequência, uma seleção de curiosidades e registros, que interligam as histórias de Cosmópolis e Campinas. Como dizia nas suas audições o campineiro Cesar Ladeira, famoso pioneiro do rádio, "Campinas, a cidade mãe de cidades".

NASCEMOS, SURGIMOS, JUNTOS COM CAMPINAS
Cosmópolis surgiu dos desbravamentos do “Pasto do Fundão”, região mais distante do território campineiro. Os primeiros desbravamentos, abertura de “picadas” nas matas, passagem de batelões (embarcação fluvial paulista indígena, um gigantesco barco criado usado apenas um grande tronco de árvore) pelos rios Jaguari, Pirapitingui e Três Barras (Baguá), são do fim do século 16. As passagens e aberturas nas matas, foram nomeadas de "Trilhas dos Goiases", caminhos de acesso aos atuais estados de Goiás e Minas Gerais.

Os desbravamentos aconteciam na busca pelo ouro e esmeraldas, na passagem dos Anhangueras, velho e novo, e das bandeiras de Fernão de Camargo e Barreto Leme, fundadores de Campinas. O nascimento de Cosmópolis, como povoação, surgia com a criação de Campinas, por volta do ano de 1772.

COLONIZADA POR CAMPINEIROS
01- Manuel Ferraz de Campos Salles/ 02- Orozimbo Maia / 03- Major Arthur Nogueira Ferraz/ 04- Gertrudes Eufrosina Nogueira Ferraz / 05 - José Paulino Nogueira Ferraz / 06 - Heitor Penteado

Cosmópolis não foi colonizada por imigrantes germânicos, suíços e alemães, como erroneamente é mencionado. A criação dos núcleos coloniais, aconteceriam somente no fim do século 18. Os germânicos foram os pioneiros nos núcleos, somente na primeira fase dos loteamentos. Em 1900, a maioria dos lotes coloniais e urbanos, eram de imigrantes italianos, representando mais de 70% da população cosmopolense.

A verdadeira colonização das terras cosmopolenses, criação das primeiras fazendas e povoações, foi feita por campineiros no fim do século 17. Eram bandeirantes do "Planalto de Piratininga" (atual cidade de São Paulo) e seus descendentes, na sua maioria caboclos, mistura dos índios com os europeus (portugueses e espanhóis).

Os primeiros colonizadores das terras cosmopolenses, responsáveis pelo desbravamento das matas e introdução da agricultura (cana de açúcar e café), foram as famílias campineiras Almeida Barboza e Ferraz. Os Almeida Barboza, destacando o Padre João Manuel de Almeida Barboza, fundou a Fazenda do Funil nos idos de 1800, terras que originariam Cosmópolis.

PIONEIROS DE CAMPINAS, OS COLONIZADORES DE COSMÓPOLIS
O Padre Almeida Barboza, foi uma das figuras religiosas mais importantes de Campinas, assim como, pessoa extremamente controverso na sua vida particular, marcado pela severidade e relacionamentos amorosos com criadas.
Sem herdeiros, doou as terras ao filho de uma funcionária, seu afilhado, o campineiro João Manuel de Almeida Barboza.
Conhecido como um dos maiores capitalistas do seu tempo, o jovem herdeiro do Padre, é considerado filho do religioso.

Os Ferraz, são responsáveis pela colonização e desbravamento não somente de Cosmópolis, mas de grande parte de todo o Oeste Paulista. Os Ferraz campineiros mais conhecidos, são os Nogueira Ferraz, destacando os irmãos José Paulino e Major Arthur, fundadores da Usina Esther, e o político e capitalista, Manuel Ferraz de Campos Salles.

FAMÍLIA DE CAMPOS SALLES É “COSMOPOLENSE”
Segundo Jolumá Brito, renomado historiador campineiro, os pais do famoso presidente e governador de São Paulo, Camposa Salles, nasceram nas atuais terras cosmopolenses. Em relatos de amigos dos Ferraz de Campos Salles, primos dos Almeida Nogueira, Campos Salles passou parte da infância nas terras cosmopolenses.

Nas pesquisas do historiador, realizadas nos anos de 1940, a família Ferraz de Campos Salles, possuía uma grande fazenda na região. O local exato da propriedade, seria nas terras que originariam o “Núcleo Colonial Campos Salles”, recebendo este nome em sua homenagem.

O Núcleo Campos Salles, é considerado o primeiro projeto republicado de colonização de terras, povoado por imigrantes suíços e alemães. As terras cosmopolenses da família Ferraz, milhares de alqueires, tinham início nas margens do Ribeirão Três Barras, cruzando Artur Nogueira, Holambra, Engenheiro Coelho e Conchal, terminando em Mogi Mirim.

Com os casamentos, falecimentos de membros, as terras foram repassadas aos novos herdeiros, sendo loteadas em empreendimentos particulares, e em parceria com o Estado, como aconteceu nos núcleos coloniais Camposa Salles, Santo Antonio e Nova Campinas.

Entre os novos herdeiros das terras, campineiros como Fernando Arens Júnior, Major Arthur Nogueira Ferraz e irmãos, e os Oliveiras Pinto, conhecida família Frade.

IGREJA MATRIZ DE SANTA GERTRUDES
01- Ramos de Azevedo / 02- Inauguração da Igreja Matriz de Santa Gertrudes, Igreja Velha. Em destaque na foto, importantes figuras da sociedade campineira, como os políticos Orozimbo Maia, Heitor Penteado, João Aranha, Francisco Glicério, e ao centro, Major Arthur Nogueira e familiares.
03- Igreja Velha, primeira Igreja Matriz de Santa Gertrudes.
04- Igreja de São Benedito em Campinas 

A “igreja velha”, primeira Matriz de Santa Gertrudes, tem seu projeto inspirado nos templos campineiros da Basílica Nossa Senhora do Carmo, seguindo sua base arquitetônica, e a Igreja de São Benedito. O responsável pelo projeto cosmopolense, foi o celebre arquiteto Ramos de Azevedo, uma homenagem do campineiro Major Arthur, a matriarca da família, Gertrudes Eufrosina Bicudo Nogueira Ferraz.

Figura de destaque da sociedade paulista e campineira, carinhosamente conhecida como “Tudinha Nogueira”, uma das mulheres mais ricas do Oeste Paulista.

Para homenagear as raízes religiosas da família, a “Igreja Velha de Santa Gertrudes” era inspirada na Basílica de Nossa Senhora do Carmo, onde surgiu a cidade de Campinas e nasceu a maioria dos Nogueira Ferraz, como a homenageada.

Porém, toda a estruturação, adornos e simbologia religiosa, da “Igreja velha de Santa Gertrudes”, seguia o mesmo padrão arquitetônico da Igreja de São Benedito, histórico templo religioso criado por escravos de Campinas.

A Igreja de São Benedito, construída em 1835 por escravos da Fazenda Saltinho e região, na sua restruturação no fim dos anos 1880, o projeto era feito por Ramos de Azevedo. A "Igreja velha de Santa Gertrudes", possuía os ornamentos, colunas, janelas e vitrais, semelhantes da Igreja de São Benedito. Confeccionados com as mesmas formas de moldes cimentícios, ferragens e portas, usados na Igreja São Beneditos, adaptados ao templo cosmopolense, em Campinas.

A inspiração na Basílica do Carmo, era realizada na área interna e externa, altar e revestimentos das paredes.

Intempéries climáticas, fortes tempestades e até um ciclone que devastou a região, impediram que as obras seguissem fielmente ao projeto original, diminuindo o tamanho da igreja. Neste ciclone, acontecido nos anos 1900, os ventos derrubaram paredes e a torre da Matriz.

No mesmo período da construção da “Igreja velha”, o escritório de Ramos de Azevedo era responsável pelos projetos e obras, do complexo industrial da Usina Ester, Palacete Irmão Nogueira (Sobrado), e o armazém de distribuição da Carril Agrícola Funilense, em Campinas.

Construção que anos depois seria incorporada ao patrimônio municipal, tornando o popular “Mercadão”, um dos maiores símbolos de Campinas. Todas as obras, eram supervisionadas em Campinas e Cosmópolis, por Dumont Villares, sobrinho do inventor Santos Dumont.

RUA CAMPINAS: “ESTRADA DOS TROPEIROS”
01- Inauguração do monumento em homenagem ao Major Arthur Nogueira. Na foto, ao lado do monumento, está o prefeito Orozimbo Maia, rodeado de políticos campineiros e família Nogueira / 02- Inauguração da Praça Major Arthur Nogueira, com a presença do prefeito de Campinas, Celso da Silveira Rezende, junto com sua comitiva.

03- 1908- Estação Sorocabana, antiga Funilense, destacando a curva de acesso à Usina Ester, demarcando o fim da Rua Campinas na Baronesa Geraldo de Rezende.

04- Inauguração da Usina Ester, com a presença de inúmeras autoridades políticas campineiras. Em destaque, Francisco Glicerio, Orozimbo Maia, Dumont Villares, Heito Penteado, João Aranha, Sidrack Nogueira Ferraz, Coronel Silava Telles, entre outros.

05- 1890- Cachoeira do Funil, região do Poção, estão na foto o Barão Geraldo de Rezende, José Paulino Nogueira Ferraz, Bento Quirino, Arthur Nogueira, Coronel João Manuel de Almeida Barbosa, proprietário da Fazenda Funil, entre outros.

A Rua Campinas, até o loteamento urbano de Cosmópolis em 1900, era uma estrada que ligava a Fazenda do Funil à Campinas. Com o surgimento da Villa Cosmópolis, o fim da Rua Campinas, atual rua Baronesa Geraldo de Rezende, era a divisa urbana com as terras da Fazenda Usina Ester.
Inicialmente, a Rua Campinas era uma junção com a atual João Aranha, uma abertura nas matas, criada pelos primeiros desbravadores no século 17.

Neste período, a Rua Campinas terminava nas proximidades da atual "Praça do Coreto", sendo a região usada como pouso de tropeiros e viajantes. Outro caminho neste mesmo ponto, chamado de “Barroquinha”, devido a situações de barrancos e morros dos terrenos, era o principal acesso para outras cidades.

O pouso, um local de descanso, antes de seguir para Limeira e Piracicaba, surgiria nos anos 1890, a "Estação da Carril Funilense", que delimitava o fim da Rua Campinas na Baronesa Geraldo de Rezende. A delimitação acontecia pelo cruzamento dos trilhos, que faziam a “curva”, paras as terras da Fazenda Usina Ester e "Vila de Arthur Nogueira".

Cosmópolis, sempre campineira de coração!!
Campinas na história da cidade de Cosmópolis. Campinas, sempre presente, com muito orgulho e satisfação, nas histórias pessoais e familiares, de milhares de cosmopolenses.
PARABÉNS Campinas, saudações e felicitações dos “campineiros de Cosmópolis”!!!


Texto Adriano da Rocha
Fotos Acervo Grupo Filhos da Terra