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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

COSMOPOLENSE DE RAÍZES E CORAÇÃO

52 anos de saudades
Cantor Paulo Queiroz, o Paulito de Cosmópolis

Texto Adriano da Rocha

Fotos Nivaldo Otavani e discoteca Acervo Cosmopolense

Único compacto  33rpm, disco solo de Paulo Queiroz, gravações Chantecler de 1964.  Neste compacto, destaque para o sucesso Angelita, uma das músicas de maior sucesso do ano. Paulo Queiroz fez a versão e a gravou pela primeira vez, com lançamento pela Chantecler em maio de 1964.

COSMÓPOLIS, DEZEMBRO DE 1965 
  Formando nuvens de poeira na SP-332, na época uma estradinha de terra que parecia uma “colcha de buracos”, um possante cadillac aproximava-se de Cosmópolis.

O “ronco” do possante motor, anunciava sua vinda ao cruzar a velha ponte sobre o Rio Pirapitingui. O pujante barulho, atraia a curiosidade da colonada do Batata, que abria as icônicas janelas azuis das casas e saia no terreiro da colônia. Admirada, a colonada observava fascinada o gigantesco automóvel descendo a Rua João Aranha.

 Entre as ruas Campinas e Ramos de Azevedo, o magnifico automóvel estacionava para abastecer no Posto de combustíveis da família Andretto. O cadillac bicolor, nas cores branco e verde claro, contrastava em sua funilaria, o tom vermelho do chão da Rua Campinas, ainda sem asfalto.

Dois homens desciam do carro, chamando o proprietário, o mais novo sem perguntar o preço, cordialmente falava:

“Está aqui as chaves. Pode encher o tanque, o restante do dinheiro fica para o senhor. Quando terminar o abastecimento, pode colocar ao lado da Alfaiataria do Zuza Nallin. No campinho de futebol mesmo, a molecada não vai reclamar”.

O proprietário ganhava o dia, quase uma bomba inteira, só para encher o tanque do cadillac.

ILUSTRES VISITANTES 
Teddy Vieira, um dos maiores compositores da histórica musical brasileira. Amigo de Paulo Queiroz, e um dos responsáveis artísticos da gravadora Chantecler./ Foto Adriano da Rocha

  Os homens subiam a Rua Campinas, muito bem vestidos, acompanhando as tendências americanas da moda. Usavam termos espojados, camisas de colarinho largo, gravata fininha, calças bem cortadas, e sapatos bicolor (branco e preto), reluzentes no tom escuro, mas já cobertos de poeira vermelha.

Próximo a alfaiataria Nallin, os homens batiam palma em uma das primeiras casas construídas em Cosmópolis. Na verdade, a primeira casa de um conjunto de construções, ondem residiam as famílias Toledo Silva, Nabão e Queiroz.
Um jovem atendia, era o padeirinho Horácio de Queiroz, espantado olhando em uma fresta na porta, perguntava quem é??
“Sou eu, o Paulito!! Estou com o Teddy, trouxe umas lembrancinhas aos parentes”.

O jovem contente chamava os pais, avós, tios e irmãos, que orgulhosos chegavam de encontro ao ilustre parente. A criançada já corria para chamar a parentada, saindo das poucas casas próximas, na maioria, residências de uma mesma família.

Sobre o portão feito de madeira trançada, estavam dois dos maiores compositores da história musical brasileira. Sendo um deles, orgulhosamente, com raízes infindas em Cosmópolis. Paulito, era Paulo de Queiroz, com seu amigo Teddy Vieira.
Teddy, consagrado compositor, instrumentista e diretor artístico, criador de sucessos como Menino da Porteira, Boiadeiro Errante, Rei do Gado, Dona Felicidade, Couro de Boi, Pagode em Brasília, entre inúmeros outros grandes sucessos. Considerado na época, o compositor sertanejo mais bem sucedido do gênero musical popular.

O jovem Paulito, como era conhecido pelos familiares e amigos, conquistou fama com suas composições e versões de sucessos internacionais. Não esquecendo da marcante voz grave, tom único, que lhe destacava como crooner, cantor de todos os ritmos e estilos.
Em destaque o clássico natalino de Irving Berlin, lançado originalmente em 1942 por Bing Crosby, e interpretado no filme "Holiday Inn" (no Brasil, "Duas semanas de prazer"). Em 1954, Bing a interpretou novamente no filme "Natal branco". Versão brasileira de Paulo Queiroz, cantada em dueto com Giane./ Foto discoteca Acervo Cosmopolense


Das suas versões, quem não se lembra da canção “Dominique”,gravação belga da freira Soeur Sourire (Irmã Sorriso). Na tradução de Paulo, a canção recebia uma versão exclusiva, gravada e imortalizada nacionalmente na voz de Giane.
“Dominique, nique, nique
Sempre alegre esperando alguém
Que possa amar
O seu príncipe encantado
Seu eterno namorado
Que não cansa de esperar”

O SENHOR DOS SUCESSOS
Dominique foi apenas um dos sucessos, os quais Paulo fez versões, o jovem era conhecido no meio artístico como o “Senhor dos sucessos”.
Compositor e versionista preferido de astros do disco, como Agnaldo Rayol, Hebe Camargo, Claudia Moreno, Léu Romano, Rubens Peniche, Edith Veiga, entre inúmeros artistas consagrados da época.
Giane diziam ser sua cantora predileta, não era por menos. Em 15 dias do lançamento de Dominique, em dezembro de 1963, a versão de Paulo de Queiroz alcançava todas as paradas de sucesso nacional. O pequeno disco 78rpm, tornava-se a música mais executada no Brasil, ultrapassando 3 milhões de copias vendidas em menos de um mês


AS RAÍZES COSMOPOLENSES
Início dos anos de 1940- Casa de Luiz Manuel de Queiroz na Rua Campinas. Uma das várias casas onde residiam ,na mesma rua, os familiares de Paulo Queiroz / Foto Acervo Cosmopolense

  Paulo de Queiroz, tinha raízes em Cosmópolis, assim como uma infinidade de parentes. Nasceu em Espirito Santo do Pinhal, quando na década de 1920, sua família partia de Cosmópolis para a famosa terra do café.

Na histórica cidade dos barões, a família Queiroz trabalharia na administração e beneficiamento do café, sendo reconhecidos na região pelo distinto serviço nas fazendas.

Orgulhosos cosmopolenses, garantiam que seus primeiros acordes ao violão (era um exímio músico), foram dedilhados nas sombras dos flamboyants da velha Igreja Matriz de Santa Gertrudes.

Segundo seus “conterrâneos”, a bucólica Cosmópolis, era seu berço de descanso e serenatas, quando passava férias na casa de parentes.

Suas primeiras palavras em italiano, idioma que fez inúmeras versões de sucessos brasileiros, o jovem aprendeu com a colonada da Usina Esther. Garantia uma saudosa colona do Ranchão.

As canções da França, com certeza foi o velho Luiz Lefloc, imigrante francês, quem ensinou o jovem Paulito. Assim, inúmeras “estórias” e “causos”, sempre marcavam o ilustre “conterrâneo” à pequena Cosmópolis.

Na verdade, os idiomas italiano, francês, inglês e espanhol, Paulo aprendeu quando estudava em Campinas, e nos renomados colégios de Pinhal. O dom musical, este a pessoa nasce com tal predileção, os estudos somente aperfeiçoam o talento. Como foi o caso de Paulo.


DIVULGAÇÃO E ÚLTIMA VISITA
"Nosso Presente de Natal", ultima gravação feita por Paulo de Queiroz, compacto gravado em dueto com Giane. Um dos compactos mais vendidos da gravadora no fim dos anos de 1960.


A breve e rápida passagem de Paulo e Teddy, naquela manhã de 1965, acontecia pelo lançamento do compacto “Nosso presente de Natal”. Gravado por Giane em dueto com Paulo Queiroz.

O pequeno disco, trazia quatro imortais sucessos natalinos, Natal branco (White Christmas), música de Irving Berlin, com versão de Paulo Queiróz, Noite feliz (Franz Gruber - Pe. J.F.Mohr), Boas festas (Assis Valente) eFeliz Natal (Klecius Caldas - Armando Cavalcanti).

Ao lado de Teddy, o jovem compositor fazia a divulgação do compacto nas emissoras da região. Na ocasião, os compositores voltavam de Campinas, seguindo para as cidades de Limeira e Piracicaba, onde o disco seria entregue nas rádios e serviços de alto falantes.

Teddy, era um dos responsáveis artísticos da gravadora Chantecler, a famosa gravadora do galinho, realizando com Paulo, a divulgação do recente trabalho do cantor.


Em destaque o clássico natalino de Irving Berlin, lançado originalmente em 1942 por Bing Crosby, e interpretado no filme "Holiday Inn" (no Brasil, "Duas semanas de prazer").  Em 1954, Bing a interpretou novamente no filme "Natal branco". Versão brasileira de Paulo Queiroz, cantada em dueto com Giane. / Foto discoteca Acervo Cosmopolense

  Aos familiares, deixou alguns compactos e chaveiros da gravadora (com o brasão do galinho de Barcelos). Antes da partida para Limeira, uma rápida passagem no serviço de alto falantes “A Voz de Cosmópolis”, localizado na Praça do Coreto.

A voz do jardim, a lendária Modestina, recebia dos compositores o compacto autografado, o qual durante anos ficou exposto em seu bar na Rua Ramos de Azevedo esquina com Otto Herbet.

A saudade da querida Cosmópolis, fazia o cantor ter a breve paragem, seria o último adeus a terra de sua infância.

A MORTE NA RAPOSO TAVARES
Edição do Diário da Noite, de 17 de dezembro de 1965, trazendo com destaque a tragédia que vitimou sete vidas. Foto Acervo do historiador caipira Nivaldo Otavani

  Em 16 de dezembro de 1965, dias depois da breve visita cosmopolense, um acidente vitimava os amigos Paulo e Teddy Vieira.

Na Rodovia Raposo Tavares, em Buri, cidade vizinha de Itapetininga, o Simca de Teddy capotava. O carro tentava fazer uma ultrapassagem, ao invadir a outra via, o veículo perdia o controle, capotando várias vezes. O jornal paulistano, Diário da Noite, destacava sua capa com impactantes fotos, trazendo a manchete: “Morte na contra mão a 120 km por hora!”

O quilômetro 139 da Raposo Tavares, marcava tragicamente as mortes dos sete ocupantes do veículo. Morriam Teddy Vieira, Paulo Queiroz, o cantor Lauripes Pedroso (da dupla Irmãos Divino) e sua filha, Antônio Pedroso e esposa Jandira (pai e mãe do cantor), e o Tenente Manoel Farao. Paulo Queiroz estava com 28 anos de idade.

Os amigos viajavam à Buri, para passar as festas de Natal e ano novo. Familiares de Teddy, nascido na região, aguardavam os amigos para festejar, pescar e caçar na cidade. O trágico acidente comovia o Brasil inteiro, o governador Adhemar de Barros decretava luto oficial no estado de São Paulo.

A morte ceifava a vida dos corpos, porém nunca a vida artística dos amigos, imortais como seus nomes e trabalhos musicais.



Feliz Natal , e paulistamente falando: Boas janeiras de começo de ano.
Que possamos ter  o progresso como palavra principal em 2018. Que seja um ano de progresso em todos os sentidos e setores de nossas vidas.

Abaixo uma seleção especial de sucessos de Paulo Queiroz




"Natal branco". Versão brasileira de Paulo Queiroz, cantada em dueto com Giane.


Paulo Queiroz - Orquestra e Coro Chantecler, sob a regência de Francisco Moraes - ANGELITA (Angelita di Anzio) - Romano - Minerbi - versão de Paulo Queiroz. Disco Chantecler C-336051 - Angelita - Saudade em Prelúdio - Paulo Queiroz.


Texto Adriano da Rocha
Fotos Nivaldo Otavani e discoteca Acervo Cosmopolense


segunda-feira, 9 de março de 2015

ADEUS INEZITA...



  Assim como seus sucessos, ela também é imortal

  Onde existir uma viola, um cantador de coisas nossas, sempre Inezita será lembrada e cantada. 
A marvada pinga de Inezita, já era sucesso na década de 20 cantado pelos “irmãos Laureano” nos cirquinhos do interior Paulista e interpretada como “Festança no Tietê” pela consagrada e pioneira “Companhia de Caipiras do Cornélio Pires” nas faculdades de São Paulo e do Rio de Janeiro (antiga capital da republica).

   Saiu oficialmente gravada no velho discão de carnaúba em 1937, com o nome Moda da Pinga, cantada pela dupla Raul Torres e Serrinha (tio e sobrinho, caipiras imortais de Botucatu), com autoria de Laureano (Ochelsis Aguiar Laureano) e Raul Torres . A moda da pinga, surgiu em um desafio de cururú entre amigos violeiros, e cururú de carreira boa tem mais de horas, e assim era a moda da pinga, possuía vários autores e inúmeros versos. Laureano e Raul Torres encurtaram as carreiras, criaram novos versos na moda, e Raul Torres gravou o cururú como Moda de Viola, foi um grande sucesso, principalmente nas audições da dupla Torres e Serrinha na famosa Rádio Mayrink Veiga.

   A moda já estava esquecida no inicio da década de 50, poucos se lembravam da moda, Inezita com seu velho jipe fazendo seus recolhes de cultura, suas buscas pelo verdadeiro Brasil , em uma viagem ao interior Paulista (segundo ela mesma região de Mogi Mirim, região berço de sua família materna) ouvia a moda duetada por caipiras em uma roda e violeiros.

  Inezita fez o recolhe dos versos cantados pela caipirada, e a moda de viola virou um cururú. A música aprovada pela RCA Victor e a censura (sem aprovação da censura até a Marvada Pinga podia ser “barrada”), a moda saiu no disco oficialmente em 03/08 de 1953, com o nome Marvada Pinga, tendo somente Laureano como autor (na verdade a caipirada lá dos fundão de Paulista, recriou a moda, e na recriação só “alembraram” do Laureano). O resto da história os amigos já bem sabem, são mais de 60 anos de sucesso da Marvada Pinga, imortal sucesso da Inezita, e cantada e regravada por inúmeros caipiras e “sertanejos”, e até sucesso no inicio dos anos 2000 nas “baladinhas”, quando a moda foi adaptada para o estilo da Techno music.

  



  Outra história que quase ninguém lembra, é do sucesso do outro lado do disco, um sambinha canção, por nome Ronda, de autoria de Paulo Vanzolini (grande amigo de Inezita, lembra-se dele!!! O mesmo do recolhe Cuitelinho). Sim a imortal música Ronda , um dos hinos de Sampa, sempre lembrada nas vozes de Nelson Gonçalves e Maysa Matarazzo, sucesso gravado primeiramente em um acaso pela querida Inezita. “De noite ando a cidade, a te procurar sem te encontrar”...



  Grande Inezita Barroso, de tantas histórias e estórias, um dos maiores bens imateriais do estado de São Paulo e do Brasil. Fica a eterna lembrança da Inezita, minha amiga de telefone, de horas de prosa sobre tudo, menos música caipira (sério mesmo, conversamos muito sobre São Paulo, e seu berço caipira que foi a minha região, sua família tinha origens em Campinas, Mogi Mirim, Monte Mor. Ela adorava essas prosas) Quatrocentona com muito orgulho, sem frescura, cabocla de fato, apaixonada pela viola e nosso estado de São Paulo. Seu corpo segue hoje para o fim na terra, seguindo coberto por seu último desejo, a bandeira do estado de São Paulo. Segue aos braços de Deus Dona Zita, hoje tem festança no céu, uma linda roda de violeiros a sua espera para reger com São Gonçalo a orquestra de viola divina...

Texto Adriano da Rocha (Compadre Ancermo)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

DIA DE SANTA LUZIA

Dia 13 de Dezembro, dia de Santa Luzia, nossa homenagem a padroeira dos olhos  ao som de um dos maiores clássicos da música Paulista.


 Primeira gravação deste cateretê gravado pelos filhos de Adão e Eva, a dupla  ABEL E CAIM, em 1967, composição de Iolando Mondin em parceria com Abel. Grande sucesso até nos dias de hoje, sempre executada a pedido de ouvintes nos bons programas caipiras e sertanejos pelo Brasil à fora, e agora resgatada como merecia em nosso canal do Youtube. 

Compadre Ancermo

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

VILA NOVA DAS MINHAS LEMBRANÇAS...

1958...Rua Francisco Cesário de Azevedo, bairro Vila Nova.
Um dos bairros mais tradicionais de Cosmópolis, o bairro Vila Nova nos seus quase 70 anos de história e estórias, foi lembrado em música na década de 50 pela dupla caipira Raul Torres e Florêncio, no samba Paulista "Vila Nova", composição feita em homenagem ao bairro, que nas décadas de 50 e 60 foi palco musical da dupla nas festas juninas realizadas no bairro. Gravação que fez parte do último LP da dupla em 1970, uma música pouco conhecida por muitos cosmopolenses que resgatamos através deste vídeo. Confira aqui. 
1970..Último Lp da dupla, após seu lançamento dias depois Raul Torres faleceu em 12/07/1970.

  
   Raul Torres e Florêncio dispensam comentários e apresentações, dupla pioneira e consagrada da música caipira Paulista, precursores do estilo musical que no final da década de 40 foi batizado  de música sertaneja. Criadores de diversos estilos musicas e de sucessos imortais como Cabocla Tereza, Mourão da porteira, Chico Mulato, Pingo d'água, Mestre carreiro, Boiada cuiabana, Perto do coração, Moda da mula preta...entre inúmeros outros clássicos da música brasileira gravados pela dupla em mais de 50 anos de carreira, interrompidos em 1970 com a morte de Raul Torres em Julho, e de Florêncio alguns meses depois.


Raul Torres, Florêncio e Nininho

 A história da dupla em Cosmópolis começou com Florêncio que traz na sua ascendência (família Frade) familiares em Cosmópolis e Limeira. Raul Torres no início de sua carreira na década de 20, diversas vezes se apresentou na pequena Vila de Cosmópolis (na época distrito de Campinas-SP), primeiramente com sua embaixada cantando sambas e cateretês, e depois ao lado do sobrinho Serrinha cantando o verdadeiro estilo musical Paulista, em Cateretês, Toadas, Modas de viola e o estilo toada histórica criado por Raul e João Pacifico (este também com parentesco em Cosmópolis)
Florêncio além do parentesco com a cidade de Cosmópolis, era padrinho de batismo de um cosmopolense por nome Amadeu de Queiroz, filho da figura conhecida na cidade Bento açougueiro, que em 1952 mudou-se para o bairro que surgia a pouco tempo, o bairro do Vila Mariana, que popularmente era conhecido como Vila Nova, nome que anos depois se tornou oficial do bairro. A vinda do compadre Florêncio, era tradição no bairro no mês de Junho, onde se apresentava ao lado do sanfoneiro Nininho, que acompanhou o trio desde o inicio da década de 50. O trio na sua formação Raul Torres, Florêncio e Nininho se apresentou apenas duas vezes no bairro, sendo a primeira vez em 1956, nas demais apresentações no Vila Nova, somente Florêncio e Nininho vinham a cidade. O motivo da falta de Raul Torres, era que o cantor estava praticamente aposentado, ou como ele dizia sossegado, (já eram mais de 40 anos de carreira artística) Raul apenas se apresentava no programa da dupla "Os três Batutas do Sertão" na rádio Record, e em shows contratados pela gravadora. Esse sossego de Raul Torres, causou uma certa 'risgá" entre os dois, que com o tempo se tornaram uma dupla tão profissional, que somente conversavam nas horas de apresentações, fora isso ambos ficavam de birá um com outro. 
Bairro do Vila Nova final da década de 50
  As faltas de Raul Torres em Cosmópolis, eram sempre lembradas nas cartas enviadas para a dupla na rádio Record, as apresentações de Raul Torres na cidade ficaram marcadas na sua memória, surgindo então o sambinha caipira "Vila Nova", em homenagem aos amigos do bairro cosmopolense. A música inicialmente era cantada pela dupla no rádio, cantada ao vivo pelo famoso trio "Os Batutas do sertão", nome dado ao trio Raul Torres, Florêncio e o sanfoneiro Nininho. A música somente foi gravada em 1970, pela gravadora Vitória, no LP "O maior patrimônio da música sertaneja", que trazia antigos sucessos de Raul Torres do seu incio de carreira cantando sozinho como Jacaré no caminho, Trepei na roseira, ao meio de novas gravações, na qual destacamos o samba Vila Nova. O LP foi o último a ser gravado pela dupla, lançado Junho de 1970, dias depois do lançamento do disco, Raul Torres falecia em 12 de Julho, e em Novembro do mesmo ano Florêncio. Era o fim de uma das duplas mais consagradas da história da música brasileira, partiam em vida, para serem eternizados através de sua vida musical na história eternamente. No final do mês de julho com o falecimento de Raul, em um desses acasos do destino, Florêncio chamou Tião Carreiro em sua casa, e deu de presente ao cantor sua velha viola vermelha, que durante décadas acompanhou a dupla pelo Brasil à fora, por uma coincidência do destino meses depois Florêncio faleceu. No ano seguinte Tião Carreiro e pardinho, em homenagem ao ídolo gravaram a moda de viola "Viola Vermelha".

Obs: Neste mesmo LP, existe mais uma música com relação a Cosmópolis feita por Raul Torres, a embolada escrita no caipira "Balanceiro da Osina", música feita em inspiração as greves dos fornecedores de cana da Usina Ester, que reclamavam dos roubos feitos pelo balanceiro da empresa, que na balança sempre "puxava" a menos para os fornecedores. Está gravação estaremos adicionando em breve  em nosso nosso canal no Youtube, aguardem.


Texto e fotos Adriano da Rocha