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domingo, 14 de julho de 2019

245 DE HISTÓRIAS- NOSSA CAMPINAS COSMOPOLENSE

Marco do surgimento de cidades, símbolo maior do progresso Paulista, a “Princesinha do Oeste”, com poderes e valores de "Rainha'' no mundo. Berço de celebres nomes, terra de imortais da história nacional e internacional, cidade das andorinhas, amigos, e das nossas raízes cosmopolenses.
1929 - Mapa do Município de Campinas, destacando suas "Villas" e distritos, como Cosmópolis, Americana, Santa Barbara, Rocinha (atual Vinhedo), Rebouças (Sumaré ), Souzas, entre outras.


Neste domingo, dia 14 de julho, são celebrados os 245 anos de Campinas. Data que marca o aniversário da cidade, sua oficialização como "Villa", e também, os desbravamentos das terras que originariam Cosmópolis.

As atuais cidades de Campinas e Cosmópolis, estão interligadas desde o início de suas histórias. Cosmópolis, nasceu de Campinas, sendo distrito campineiro até sua emancipação política e administrativa, em 30 de novembro de 1944.

O progresso da “Vila Cosmópolis”, exaltavam o distrito como a “Nova Campinas”, sendo o berço de uma das suas mais pungentes industriais, a Usina Ester. A alusão de “Nova Campinas”, surgia antes do progresso industrial, em 1890, com a primeira epidemia de febre amarela.

A epidemia que dizimava vidas na cidade, projetada nas terras cosmopolenses uma “Nova Campinas”, livre da misteriosa doença. Até, surgir o primeiro caso de febre amarela nas novas terras, cancelando o projeto. Ainda não sabia-se que o mosquito, era o principal transmissor da doença.
1929 - Mapa do Município de Campinas, destacando suas "Villas" e distritos, como Cosmópolis, Arthur Nogueira, José Paulino (atual Paulínia )Americana, Santa Barbara, Rocinha (atual Sumaré), Souzas, entre outras.

Nossas histórias se cruzam incontáveis vezes, sendo impossível contar a história de Cosmópolis, sem mencionar, citando a importância de Campinas. Celebres políticos campineiros, prefeitos interinos de Campinas, possuíam terras em Cosmópolis, sendo responsáveis pela criação urbana e industrial cosmopolense.
Em destaque, os prefeitos João Batista de Barros Aranha, Orozimbo Maia, Antônio Campos Salles, Antônio Álvares Lobo, Heitor Teixeira Penteado, proprietários de terras cosmopolenses e responsáveis pela administração da Villa, e criação de projetos urbanos e rurais.
Na sequência, uma seleção de curiosidades e registros, que interligam as histórias de Cosmópolis e Campinas. Como dizia nas suas audições o campineiro Cesar Ladeira, famoso pioneiro do rádio, "Campinas, a cidade mãe de cidades".

NASCEMOS, SURGIMOS, JUNTOS COM CAMPINAS
Cosmópolis surgiu dos desbravamentos do “Pasto do Fundão”, região mais distante do território campineiro. Os primeiros desbravamentos, abertura de “picadas” nas matas, passagem de batelões (embarcação fluvial paulista indígena, um gigantesco barco criado usado apenas um grande tronco de árvore) pelos rios Jaguari, Pirapitingui e Três Barras (Baguá), são do fim do século 16. As passagens e aberturas nas matas, foram nomeadas de "Trilhas dos Goiases", caminhos de acesso aos atuais estados de Goiás e Minas Gerais.

Os desbravamentos aconteciam na busca pelo ouro e esmeraldas, na passagem dos Anhangueras, velho e novo, e das bandeiras de Fernão de Camargo e Barreto Leme, fundadores de Campinas. O nascimento de Cosmópolis, como povoação, surgia com a criação de Campinas, por volta do ano de 1772.

COLONIZADA POR CAMPINEIROS
01- Manuel Ferraz de Campos Salles/ 02- Orozimbo Maia / 03- Major Arthur Nogueira Ferraz/ 04- Gertrudes Eufrosina Nogueira Ferraz / 05 - José Paulino Nogueira Ferraz / 06 - Heitor Penteado

Cosmópolis não foi colonizada por imigrantes germânicos, suíços e alemães, como erroneamente é mencionado. A criação dos núcleos coloniais, aconteceriam somente no fim do século 18. Os germânicos foram os pioneiros nos núcleos, somente na primeira fase dos loteamentos. Em 1900, a maioria dos lotes coloniais e urbanos, eram de imigrantes italianos, representando mais de 70% da população cosmopolense.

A verdadeira colonização das terras cosmopolenses, criação das primeiras fazendas e povoações, foi feita por campineiros no fim do século 17. Eram bandeirantes do "Planalto de Piratininga" (atual cidade de São Paulo) e seus descendentes, na sua maioria caboclos, mistura dos índios com os europeus (portugueses e espanhóis).

Os primeiros colonizadores das terras cosmopolenses, responsáveis pelo desbravamento das matas e introdução da agricultura (cana de açúcar e café), foram as famílias campineiras Almeida Barboza e Ferraz. Os Almeida Barboza, destacando o Padre João Manuel de Almeida Barboza, fundou a Fazenda do Funil nos idos de 1800, terras que originariam Cosmópolis.

PIONEIROS DE CAMPINAS, OS COLONIZADORES DE COSMÓPOLIS
O Padre Almeida Barboza, foi uma das figuras religiosas mais importantes de Campinas, assim como, pessoa extremamente controverso na sua vida particular, marcado pela severidade e relacionamentos amorosos com criadas.
Sem herdeiros, doou as terras ao filho de uma funcionária, seu afilhado, o campineiro João Manuel de Almeida Barboza.
Conhecido como um dos maiores capitalistas do seu tempo, o jovem herdeiro do Padre, é considerado filho do religioso.

Os Ferraz, são responsáveis pela colonização e desbravamento não somente de Cosmópolis, mas de grande parte de todo o Oeste Paulista. Os Ferraz campineiros mais conhecidos, são os Nogueira Ferraz, destacando os irmãos José Paulino e Major Arthur, fundadores da Usina Esther, e o político e capitalista, Manuel Ferraz de Campos Salles.

FAMÍLIA DE CAMPOS SALLES É “COSMOPOLENSE”
Segundo Jolumá Brito, renomado historiador campineiro, os pais do famoso presidente e governador de São Paulo, Camposa Salles, nasceram nas atuais terras cosmopolenses. Em relatos de amigos dos Ferraz de Campos Salles, primos dos Almeida Nogueira, Campos Salles passou parte da infância nas terras cosmopolenses.

Nas pesquisas do historiador, realizadas nos anos de 1940, a família Ferraz de Campos Salles, possuía uma grande fazenda na região. O local exato da propriedade, seria nas terras que originariam o “Núcleo Colonial Campos Salles”, recebendo este nome em sua homenagem.

O Núcleo Campos Salles, é considerado o primeiro projeto republicado de colonização de terras, povoado por imigrantes suíços e alemães. As terras cosmopolenses da família Ferraz, milhares de alqueires, tinham início nas margens do Ribeirão Três Barras, cruzando Artur Nogueira, Holambra, Engenheiro Coelho e Conchal, terminando em Mogi Mirim.

Com os casamentos, falecimentos de membros, as terras foram repassadas aos novos herdeiros, sendo loteadas em empreendimentos particulares, e em parceria com o Estado, como aconteceu nos núcleos coloniais Camposa Salles, Santo Antonio e Nova Campinas.

Entre os novos herdeiros das terras, campineiros como Fernando Arens Júnior, Major Arthur Nogueira Ferraz e irmãos, e os Oliveiras Pinto, conhecida família Frade.

IGREJA MATRIZ DE SANTA GERTRUDES
01- Ramos de Azevedo / 02- Inauguração da Igreja Matriz de Santa Gertrudes, Igreja Velha. Em destaque na foto, importantes figuras da sociedade campineira, como os políticos Orozimbo Maia, Heitor Penteado, João Aranha, Francisco Glicério, e ao centro, Major Arthur Nogueira e familiares.
03- Igreja Velha, primeira Igreja Matriz de Santa Gertrudes.
04- Igreja de São Benedito em Campinas 

A “igreja velha”, primeira Matriz de Santa Gertrudes, tem seu projeto inspirado nos templos campineiros da Basílica Nossa Senhora do Carmo, seguindo sua base arquitetônica, e a Igreja de São Benedito. O responsável pelo projeto cosmopolense, foi o celebre arquiteto Ramos de Azevedo, uma homenagem do campineiro Major Arthur, a matriarca da família, Gertrudes Eufrosina Bicudo Nogueira Ferraz.

Figura de destaque da sociedade paulista e campineira, carinhosamente conhecida como “Tudinha Nogueira”, uma das mulheres mais ricas do Oeste Paulista.

Para homenagear as raízes religiosas da família, a “Igreja Velha de Santa Gertrudes” era inspirada na Basílica de Nossa Senhora do Carmo, onde surgiu a cidade de Campinas e nasceu a maioria dos Nogueira Ferraz, como a homenageada.

Porém, toda a estruturação, adornos e simbologia religiosa, da “Igreja velha de Santa Gertrudes”, seguia o mesmo padrão arquitetônico da Igreja de São Benedito, histórico templo religioso criado por escravos de Campinas.

A Igreja de São Benedito, construída em 1835 por escravos da Fazenda Saltinho e região, na sua restruturação no fim dos anos 1880, o projeto era feito por Ramos de Azevedo. A "Igreja velha de Santa Gertrudes", possuía os ornamentos, colunas, janelas e vitrais, semelhantes da Igreja de São Benedito. Confeccionados com as mesmas formas de moldes cimentícios, ferragens e portas, usados na Igreja São Beneditos, adaptados ao templo cosmopolense, em Campinas.

A inspiração na Basílica do Carmo, era realizada na área interna e externa, altar e revestimentos das paredes.

Intempéries climáticas, fortes tempestades e até um ciclone que devastou a região, impediram que as obras seguissem fielmente ao projeto original, diminuindo o tamanho da igreja. Neste ciclone, acontecido nos anos 1900, os ventos derrubaram paredes e a torre da Matriz.

No mesmo período da construção da “Igreja velha”, o escritório de Ramos de Azevedo era responsável pelos projetos e obras, do complexo industrial da Usina Ester, Palacete Irmão Nogueira (Sobrado), e o armazém de distribuição da Carril Agrícola Funilense, em Campinas.

Construção que anos depois seria incorporada ao patrimônio municipal, tornando o popular “Mercadão”, um dos maiores símbolos de Campinas. Todas as obras, eram supervisionadas em Campinas e Cosmópolis, por Dumont Villares, sobrinho do inventor Santos Dumont.

RUA CAMPINAS: “ESTRADA DOS TROPEIROS”
01- Inauguração do monumento em homenagem ao Major Arthur Nogueira. Na foto, ao lado do monumento, está o prefeito Orozimbo Maia, rodeado de políticos campineiros e família Nogueira / 02- Inauguração da Praça Major Arthur Nogueira, com a presença do prefeito de Campinas, Celso da Silveira Rezende, junto com sua comitiva.

03- 1908- Estação Sorocabana, antiga Funilense, destacando a curva de acesso à Usina Ester, demarcando o fim da Rua Campinas na Baronesa Geraldo de Rezende.

04- Inauguração da Usina Ester, com a presença de inúmeras autoridades políticas campineiras. Em destaque, Francisco Glicerio, Orozimbo Maia, Dumont Villares, Heito Penteado, João Aranha, Sidrack Nogueira Ferraz, Coronel Silava Telles, entre outros.

05- 1890- Cachoeira do Funil, região do Poção, estão na foto o Barão Geraldo de Rezende, José Paulino Nogueira Ferraz, Bento Quirino, Arthur Nogueira, Coronel João Manuel de Almeida Barbosa, proprietário da Fazenda Funil, entre outros.

A Rua Campinas, até o loteamento urbano de Cosmópolis em 1900, era uma estrada que ligava a Fazenda do Funil à Campinas. Com o surgimento da Villa Cosmópolis, o fim da Rua Campinas, atual rua Baronesa Geraldo de Rezende, era a divisa urbana com as terras da Fazenda Usina Ester.
Inicialmente, a Rua Campinas era uma junção com a atual João Aranha, uma abertura nas matas, criada pelos primeiros desbravadores no século 17.

Neste período, a Rua Campinas terminava nas proximidades da atual "Praça do Coreto", sendo a região usada como pouso de tropeiros e viajantes. Outro caminho neste mesmo ponto, chamado de “Barroquinha”, devido a situações de barrancos e morros dos terrenos, era o principal acesso para outras cidades.

O pouso, um local de descanso, antes de seguir para Limeira e Piracicaba, surgiria nos anos 1890, a "Estação da Carril Funilense", que delimitava o fim da Rua Campinas na Baronesa Geraldo de Rezende. A delimitação acontecia pelo cruzamento dos trilhos, que faziam a “curva”, paras as terras da Fazenda Usina Ester e "Vila de Arthur Nogueira".

Cosmópolis, sempre campineira de coração!!
Campinas na história da cidade de Cosmópolis. Campinas, sempre presente, com muito orgulho e satisfação, nas histórias pessoais e familiares, de milhares de cosmopolenses.
PARABÉNS Campinas, saudações e felicitações dos “campineiros de Cosmópolis”!!!


Texto Adriano da Rocha
Fotos Acervo Grupo Filhos da Terra

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

DESTAQUE NA EPTV CAMPINAS


Tradição familiar com mais de 80 anos de história !!!

"Nito Alfaiate", com muito orgulho nosso "Rei dos alfaiates", e também da bola.

Neste sábado na EPTV, às 8h, no programa Mais Caminhos



Com a modernização, algumas profissões se tornaram antigas e quase inexistentes. A repórter do Mais Caminhos - EPTV Edlaine Garcia foi até Cosmópolis-SP para conhecer e contar a história de um alfaiate muito conhecido na cidade, que esbanja simpatia Sábado, às 8h, na tela da #EPTV 

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

COSMOPOLENSE DE RAÍZES E CORAÇÃO

52 anos de saudades
Cantor Paulo Queiroz, o Paulito de Cosmópolis

Texto Adriano da Rocha

Fotos Nivaldo Otavani e discoteca Acervo Cosmopolense

Único compacto  33rpm, disco solo de Paulo Queiroz, gravações Chantecler de 1964.  Neste compacto, destaque para o sucesso Angelita, uma das músicas de maior sucesso do ano. Paulo Queiroz fez a versão e a gravou pela primeira vez, com lançamento pela Chantecler em maio de 1964.

COSMÓPOLIS, DEZEMBRO DE 1965 
  Formando nuvens de poeira na SP-332, na época uma estradinha de terra que parecia uma “colcha de buracos”, um possante cadillac aproximava-se de Cosmópolis.

O “ronco” do possante motor, anunciava sua vinda ao cruzar a velha ponte sobre o Rio Pirapitingui. O pujante barulho, atraia a curiosidade da colonada do Batata, que abria as icônicas janelas azuis das casas e saia no terreiro da colônia. Admirada, a colonada observava fascinada o gigantesco automóvel descendo a Rua João Aranha.

 Entre as ruas Campinas e Ramos de Azevedo, o magnifico automóvel estacionava para abastecer no Posto de combustíveis da família Andretto. O cadillac bicolor, nas cores branco e verde claro, contrastava em sua funilaria, o tom vermelho do chão da Rua Campinas, ainda sem asfalto.

Dois homens desciam do carro, chamando o proprietário, o mais novo sem perguntar o preço, cordialmente falava:

“Está aqui as chaves. Pode encher o tanque, o restante do dinheiro fica para o senhor. Quando terminar o abastecimento, pode colocar ao lado da Alfaiataria do Zuza Nallin. No campinho de futebol mesmo, a molecada não vai reclamar”.

O proprietário ganhava o dia, quase uma bomba inteira, só para encher o tanque do cadillac.

ILUSTRES VISITANTES 
Teddy Vieira, um dos maiores compositores da histórica musical brasileira. Amigo de Paulo Queiroz, e um dos responsáveis artísticos da gravadora Chantecler./ Foto Adriano da Rocha

  Os homens subiam a Rua Campinas, muito bem vestidos, acompanhando as tendências americanas da moda. Usavam termos espojados, camisas de colarinho largo, gravata fininha, calças bem cortadas, e sapatos bicolor (branco e preto), reluzentes no tom escuro, mas já cobertos de poeira vermelha.

Próximo a alfaiataria Nallin, os homens batiam palma em uma das primeiras casas construídas em Cosmópolis. Na verdade, a primeira casa de um conjunto de construções, ondem residiam as famílias Toledo Silva, Nabão e Queiroz.
Um jovem atendia, era o padeirinho Horácio de Queiroz, espantado olhando em uma fresta na porta, perguntava quem é??
“Sou eu, o Paulito!! Estou com o Teddy, trouxe umas lembrancinhas aos parentes”.

O jovem contente chamava os pais, avós, tios e irmãos, que orgulhosos chegavam de encontro ao ilustre parente. A criançada já corria para chamar a parentada, saindo das poucas casas próximas, na maioria, residências de uma mesma família.

Sobre o portão feito de madeira trançada, estavam dois dos maiores compositores da história musical brasileira. Sendo um deles, orgulhosamente, com raízes infindas em Cosmópolis. Paulito, era Paulo de Queiroz, com seu amigo Teddy Vieira.
Teddy, consagrado compositor, instrumentista e diretor artístico, criador de sucessos como Menino da Porteira, Boiadeiro Errante, Rei do Gado, Dona Felicidade, Couro de Boi, Pagode em Brasília, entre inúmeros outros grandes sucessos. Considerado na época, o compositor sertanejo mais bem sucedido do gênero musical popular.

O jovem Paulito, como era conhecido pelos familiares e amigos, conquistou fama com suas composições e versões de sucessos internacionais. Não esquecendo da marcante voz grave, tom único, que lhe destacava como crooner, cantor de todos os ritmos e estilos.
Em destaque o clássico natalino de Irving Berlin, lançado originalmente em 1942 por Bing Crosby, e interpretado no filme "Holiday Inn" (no Brasil, "Duas semanas de prazer"). Em 1954, Bing a interpretou novamente no filme "Natal branco". Versão brasileira de Paulo Queiroz, cantada em dueto com Giane./ Foto discoteca Acervo Cosmopolense


Das suas versões, quem não se lembra da canção “Dominique”,gravação belga da freira Soeur Sourire (Irmã Sorriso). Na tradução de Paulo, a canção recebia uma versão exclusiva, gravada e imortalizada nacionalmente na voz de Giane.
“Dominique, nique, nique
Sempre alegre esperando alguém
Que possa amar
O seu príncipe encantado
Seu eterno namorado
Que não cansa de esperar”

O SENHOR DOS SUCESSOS
Dominique foi apenas um dos sucessos, os quais Paulo fez versões, o jovem era conhecido no meio artístico como o “Senhor dos sucessos”.
Compositor e versionista preferido de astros do disco, como Agnaldo Rayol, Hebe Camargo, Claudia Moreno, Léu Romano, Rubens Peniche, Edith Veiga, entre inúmeros artistas consagrados da época.
Giane diziam ser sua cantora predileta, não era por menos. Em 15 dias do lançamento de Dominique, em dezembro de 1963, a versão de Paulo de Queiroz alcançava todas as paradas de sucesso nacional. O pequeno disco 78rpm, tornava-se a música mais executada no Brasil, ultrapassando 3 milhões de copias vendidas em menos de um mês


AS RAÍZES COSMOPOLENSES
Início dos anos de 1940- Casa de Luiz Manuel de Queiroz na Rua Campinas. Uma das várias casas onde residiam ,na mesma rua, os familiares de Paulo Queiroz / Foto Acervo Cosmopolense

  Paulo de Queiroz, tinha raízes em Cosmópolis, assim como uma infinidade de parentes. Nasceu em Espirito Santo do Pinhal, quando na década de 1920, sua família partia de Cosmópolis para a famosa terra do café.

Na histórica cidade dos barões, a família Queiroz trabalharia na administração e beneficiamento do café, sendo reconhecidos na região pelo distinto serviço nas fazendas.

Orgulhosos cosmopolenses, garantiam que seus primeiros acordes ao violão (era um exímio músico), foram dedilhados nas sombras dos flamboyants da velha Igreja Matriz de Santa Gertrudes.

Segundo seus “conterrâneos”, a bucólica Cosmópolis, era seu berço de descanso e serenatas, quando passava férias na casa de parentes.

Suas primeiras palavras em italiano, idioma que fez inúmeras versões de sucessos brasileiros, o jovem aprendeu com a colonada da Usina Esther. Garantia uma saudosa colona do Ranchão.

As canções da França, com certeza foi o velho Luiz Lefloc, imigrante francês, quem ensinou o jovem Paulito. Assim, inúmeras “estórias” e “causos”, sempre marcavam o ilustre “conterrâneo” à pequena Cosmópolis.

Na verdade, os idiomas italiano, francês, inglês e espanhol, Paulo aprendeu quando estudava em Campinas, e nos renomados colégios de Pinhal. O dom musical, este a pessoa nasce com tal predileção, os estudos somente aperfeiçoam o talento. Como foi o caso de Paulo.


DIVULGAÇÃO E ÚLTIMA VISITA
"Nosso Presente de Natal", ultima gravação feita por Paulo de Queiroz, compacto gravado em dueto com Giane. Um dos compactos mais vendidos da gravadora no fim dos anos de 1960.


A breve e rápida passagem de Paulo e Teddy, naquela manhã de 1965, acontecia pelo lançamento do compacto “Nosso presente de Natal”. Gravado por Giane em dueto com Paulo Queiroz.

O pequeno disco, trazia quatro imortais sucessos natalinos, Natal branco (White Christmas), música de Irving Berlin, com versão de Paulo Queiróz, Noite feliz (Franz Gruber - Pe. J.F.Mohr), Boas festas (Assis Valente) eFeliz Natal (Klecius Caldas - Armando Cavalcanti).

Ao lado de Teddy, o jovem compositor fazia a divulgação do compacto nas emissoras da região. Na ocasião, os compositores voltavam de Campinas, seguindo para as cidades de Limeira e Piracicaba, onde o disco seria entregue nas rádios e serviços de alto falantes.

Teddy, era um dos responsáveis artísticos da gravadora Chantecler, a famosa gravadora do galinho, realizando com Paulo, a divulgação do recente trabalho do cantor.


Em destaque o clássico natalino de Irving Berlin, lançado originalmente em 1942 por Bing Crosby, e interpretado no filme "Holiday Inn" (no Brasil, "Duas semanas de prazer").  Em 1954, Bing a interpretou novamente no filme "Natal branco". Versão brasileira de Paulo Queiroz, cantada em dueto com Giane. / Foto discoteca Acervo Cosmopolense

  Aos familiares, deixou alguns compactos e chaveiros da gravadora (com o brasão do galinho de Barcelos). Antes da partida para Limeira, uma rápida passagem no serviço de alto falantes “A Voz de Cosmópolis”, localizado na Praça do Coreto.

A voz do jardim, a lendária Modestina, recebia dos compositores o compacto autografado, o qual durante anos ficou exposto em seu bar na Rua Ramos de Azevedo esquina com Otto Herbet.

A saudade da querida Cosmópolis, fazia o cantor ter a breve paragem, seria o último adeus a terra de sua infância.

A MORTE NA RAPOSO TAVARES
Edição do Diário da Noite, de 17 de dezembro de 1965, trazendo com destaque a tragédia que vitimou sete vidas. Foto Acervo do historiador caipira Nivaldo Otavani

  Em 16 de dezembro de 1965, dias depois da breve visita cosmopolense, um acidente vitimava os amigos Paulo e Teddy Vieira.

Na Rodovia Raposo Tavares, em Buri, cidade vizinha de Itapetininga, o Simca de Teddy capotava. O carro tentava fazer uma ultrapassagem, ao invadir a outra via, o veículo perdia o controle, capotando várias vezes. O jornal paulistano, Diário da Noite, destacava sua capa com impactantes fotos, trazendo a manchete: “Morte na contra mão a 120 km por hora!”

O quilômetro 139 da Raposo Tavares, marcava tragicamente as mortes dos sete ocupantes do veículo. Morriam Teddy Vieira, Paulo Queiroz, o cantor Lauripes Pedroso (da dupla Irmãos Divino) e sua filha, Antônio Pedroso e esposa Jandira (pai e mãe do cantor), e o Tenente Manoel Farao. Paulo Queiroz estava com 28 anos de idade.

Os amigos viajavam à Buri, para passar as festas de Natal e ano novo. Familiares de Teddy, nascido na região, aguardavam os amigos para festejar, pescar e caçar na cidade. O trágico acidente comovia o Brasil inteiro, o governador Adhemar de Barros decretava luto oficial no estado de São Paulo.

A morte ceifava a vida dos corpos, porém nunca a vida artística dos amigos, imortais como seus nomes e trabalhos musicais.



Feliz Natal , e paulistamente falando: Boas janeiras de começo de ano.
Que possamos ter  o progresso como palavra principal em 2018. Que seja um ano de progresso em todos os sentidos e setores de nossas vidas.

Abaixo uma seleção especial de sucessos de Paulo Queiroz




"Natal branco". Versão brasileira de Paulo Queiroz, cantada em dueto com Giane.


Paulo Queiroz - Orquestra e Coro Chantecler, sob a regência de Francisco Moraes - ANGELITA (Angelita di Anzio) - Romano - Minerbi - versão de Paulo Queiroz. Disco Chantecler C-336051 - Angelita - Saudade em Prelúdio - Paulo Queiroz.


Texto Adriano da Rocha
Fotos Nivaldo Otavani e discoteca Acervo Cosmopolense


terça-feira, 26 de abril de 2016

DOMINGUEIRAS FUTEBOLÍSTICAS

Texto e foto  Adriano da Rocha


  1959... Uma típica manhã de domingo em Cosmópolis. Arquibancadas cheias, repletas de famílias de torcedores, homens, mulheres e crianças, que, ao sair da missa na Igreja Matriz de Santa Gertrudes e, do culto na Igreja Luterana, tinham seu destino certo: O “Estádio Thelmo de Almeida”. Nos impecáveis gramados do “Alviverde Cosmopolense”, todos os domingos a tradição era seguida, os velhos portões de madeira, construídos com antigas dormentes da “Cia Funilense”, ringiam pontualmente às 9h00, um som estridente que parecia dizer: “Sejam bem vindos ao Cosmopolitano”.

   Nas Ruas Campinas e Moacir do Amaral, ainda de terra batida, ansiosos torcedores aguardavam o início da “peleja futebolística”. Fordinhos, impontes Chevrolet’s e Chrysler’s, dividiam espaço nas ruas de terra com charretes, carroças e troles. As calçadas possuíam um ponto para “apiar”, um estaca de madeira possuindo na ponta uma argola de aço, onde o condutor amarrava as rédeas dos animais . Somente o passeio público era cimentado, nas calçadas do Estádio ficavam as famílias, crianças, mocinhas e senhoritas. Do outro lado, nas calçadas do “Bar do Ibi e Dona Esmeralda”, concentravam-se os rapazes, em dezenas de Calois e Monarks de barra circular.

   As bicicletas sempre impecavelmente limpas, enfeitados com fitas e sinais refletivos inusitados destacavam os “paralamas”; item obrigatório para não sujar as roupas “claradas” com “Anil”, ou quem sabe, o vestido da linda cosmopolense sentada na “garupa”.

   O registro fotográfico do fim dos anos 50 eterniza um pouco deste relato das “domingueiras futebolísticas” de Cosmópolis. Uma tradição que surgiu por intermédio dos funcionários da saudosa “Companhia Sorocabana”, percursores do “Football” no interior paulista, modalidade que chegou aos gramados da Villa de Cosmópolis no fim do século 19. A foto marca um domingo de jogo entre “Cosmopolitano e Botafogo Futebol Clube”. Uma disputa acirrada entre os reis dos gramados da Villa e da Usina, ou como diziam na época, “vileiros e colonos “rancando” até “toceira” na peleja da bola”.

  Um detalhe nesta foto para sua saudade, outras lembranças da velha Cosmópolis surgiram na sua mente. Repare no lado esquerdo da foto, o famoso carinho de doces e pipocas do “Ferruccio”. O carrinho chama atenção e saudade, por sua vitrine alta, feita de ferro forjado e revestido de vidro, onde eram expostas as pipocas que “saltitavam” na panela de alumínio batido, que reluzia de tão “arriada”, visto os cuidados com a limpeza e o amor pelo trabalho.

  Nos domingos de futebol, “Ferruccio pipoqueiro” era figurava cativa entre os torcedores, assim como o Xavier dos sorvetes (esqueci seu apelido, pai do Poly), os irmãos Bocaiuva vendendo amendoim torrado, o velho Ortiz e meu saudoso amigo Sodinha (esposo da Nega Vieira), vendendo pipoca doce e cocadas da Campineira. Doceiros, pipoqueiros, sorveteiros, não faltavam, a domingueira atraia futebolistas de toda região, paulinenses, nogueirenses e campineiros, tinham roteiro certos aos domingos.

  Terminando o jogo, os vendedores como Ferruccio, já preparavam seus carrinhos para pontualmente às 16h00, ir para o “footing” na Praça do Coreto, concentrando uma parte dos vendedores na Praça e outra turma no "Cine Theatro Avenida". O ponto principal do Ferruccio, era a calçada do extinto cinema, que deste tempo só resta a velha Sibipiruna, a qual faz sombra aos pedestres que passam pela calçada da Loja Seller.

  Não esquecendo, que as “domingueiras da bola” aconteciam em dois Estádios, revezando a cada domingo as disputas entre o Estádio Thelmo de Almeida e na Usina Esther no “Estádio Dr. Sérgio Coutinho Nogueira”, históricos gramados da União Esportiva Funilense.
  
  Como o Thelmo de Almeida, impiedosamente destruído em nome do “progresso”, o Estádio do Funilense segue o mesmo triste fim. Em nome do “progresso”, com a aval dos detentores do patrimônio particular e os “responsáveis” pelo patrimônio histórico cosmopolense, os verdes gramados darão lugar a um imenso canavial, sendo divido pela Usina, em terrenos para a plantação de cana de açúcar e ponto de armazenamento de bagaço e frota...
   
  É pois é, hoje as manhãs de futebol em Cosmópolis, ficaram somente nas lembranças, visto pelas dezenas de ocorrências policias, que até em campinho de várzea é perigoso “jogar bola” em Cosmópolis. Quando não é carrapato estrela, transmitindo febre maculosa , é “nóia noiado” roubando de bola, chuteira e celular. Fica o registro e o somente a saudade, já que nem estádio e paz temos mais...

Texto e foto Adriano da Rocha