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domingo, 7 de abril de 2019

07/03/ 'DIA DO JORNALISTA''

PRIMEIRA JORNALISTA COSMOPOLENSE

Silena Souza, contemplando a edição comemorativa dos 20 anos do Jornal de Cosmópolis, datada de 1985
Nossos ouvidos e olhos, representante, testemunha e porta voz do povo. 

Símbolo maior do ofício em Cosmópolis. Silena Sousa, com muito orgulho, nossa primeira jornalista. Percursora da profissão no município, nos tempos mais severos do jornalismo – anos 1960 e 1970- , ao escrever sobre o cotidiano cosmopolense, perpetuava nossa história em suas incontáveis matérias.

A professora das salas de aulas, abandonava o giz e as lousas, para ter como principal instrumento de trabalho, uma pesada máquina de escrever. A sala de diretora, – mestre e dirigente da primeira escola infantil de Cosmópolis, a Escola Esther Nogueira-, agora era uma redação improvisada na sua casa.

A casa, melhor localização não poderia existir na cidade, no centro das notícias cosmopolenses. Em frente à Delegacia, e próximo ao Paço Municipal - nesta época, um complexo público, onde funcionavam a Câmara Municipal, todas as secretarias municipais, e representações do poder estadual e federal.

Na escola, ficava envolta de livros e pequeninos alunos, na sua casa, dividia espaço com fotolitos, chapas de cobre, fontes tipográficas, livros de pesquisa, blocos e blocos de anotações, e preciosas máquinas fotográficas e datilográficas.
O pó de giz, ficava no passado, suas mãos e roupas, permaneciam marcadas pela tinta da tipografia. O preto das fontes e impressos dos jornais, ficava entranhado não somente nas mãos e roupas, mas na sua existência, com o poder das palavras.

Seus olhares e outros olhares, sempre atentos, cobrindo a notícia em primeira mão. Ficando sempre a pergunta, “como ela viu e ficou sabendo?”.

Eram seus informantes, espalhados por toda a “vila” e região, eles sim passavam despercebidos, nunca as notícias.

Fontes nunca foram reveladas, enfrentou até delegados e autoridades militares, para garantir seus fiéis contribuintes da notícia. Fontes nunca reveladas nas colunas, assim como seu nome nas publicações.

Outros tempos do jornalismo, onde na “Moita”, as notícias passavam pela censura, e o “Você Sabia”, publicava aquilo que todos já sabiam, mas não tinham coragem de falar.

Um detalhe, comum nos semanários do interior paulista, as matérias não eram assinadas. Economia das tipografias na montagem das chapas, sim.

Mas também, um gesto de resguardar-se da censura dos governos militares (Getúlio Vargas e subsequentes de 1964), e no caso de Silena, do preconceito da época, imposto sobre as mulheres nesta profissão.

Mesmo na “Moita”, nome da sua mais famosa coluna – as publicações destacavam-se como os principais assuntos da cidade, assim como, quem era a misteriosa pessoa que escrevia- seu nome ficava assinalado na história jornalística cosmopolense.

Suas matérias e direção do “Jornal de Cosmópolis” -inaugurado em 1967, por um grupo de formadores de opinião como Jornal ACP, abreviação e abrangência de Artur Nogueira, Cosmópolis e Paulínia- foram a motivação para incontáveis leitores seguirem na profissão de jornalistas.

Silena Souza, 84 anos, primeira jornalista de Cosmópolis

Nesta data consagrada nacionalmente aos jornalistas, em memória do patrono da profissão Cásper Libero, a Silena Sousa, nossa primeira jornalista, as saudações e homenagem.

A professora de formação, que ensinou através das suas publicações, a complexa matéria “jornalismo cosmopolense”.

Fez no seu presente impresso, nossas impressões as futuras gerações, do passado descrito nas suas expressões impressas de Cosmópolis.

Obrigado jornalista Silena Souza, nobre representante cosmopolense da profissão!!!

Salve a memória daqueles que não tiveram formação profissão como jornalista, mas representaram a profissão ao serem as vozes impressas do povo.

Salve os “jornalistas de coração”, Thelmo de Almeida, Ataliba de Carvalho, Werbyh Gião, Wellington Masotti, Carlito Tontolli, Negreira Souza, Moacir do Amaral e filhos, Odair Kiosia, José Honorato Fozzati, Rodolfo Rizzo, José Pedroso, Gelson D’Aolio, João Alberto Kantovitz, Mano Fromberg, Cleo Carneiro, Ednaldo Luiz (Alemão), Miguéis, Edson Leite, entre outros edificantes representantes da nossa vida nas páginas impressas e faladas.

Parabéns aos jornalistas de profissão e coração, porta vozes do povo cosmopolense.

Texto Adriano da Rocha

Foto jornalista Bruna Genaro

quinta-feira, 8 de março de 2018

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


 MULHERES COSMOPOLENSES

A primeira jornalista de Cosmópolis
Silena Sousa, de 83 anos, já passou desde a sala de aula até a redação do Jornal de Cosmópolis


Texto Bruna Genaro
Fotos Adriano da Rocha / jornais Acervo Cosmopolense
Silena Sousa, foi durante 18 anos, uma das principais jornalistas  do Jornal de Cosmópolis 
   Mãe, avó, esposa, diretora, chefe, jornalista... São tantos os atributos de Silena Sousa, de 83 anos, que fica até difícil saber por onde começar falando sobre ela. Mulher guerreira que batalhou desde os 14 anos para ajudar em casa. Filha de Dora Toselli e Antonio Toselli, Silena faz parte dos seis filhos do casal.

Desde muito jovem precisou trabalhar fora, já que seu pai falecera quando ela tinha apenas 17 anos. O primeiro emprego, foi na Tecelagem da família Kalil Aun, localizada próxima ao Coreto, exercendo anos depois, os serviços de atendente na Loja Kalil, trabalhando ao lado da Dona Badra José Aun. Depois de casada e com as filhas gêmeas maiores, decidiu voltar aos estudos.

“Naquela época a gente só fazia o primário, mas eu gostava de estudar, adoro ler. Quando consegui voltar, me formei no colegial e em técnica de contabilidade. Tudo em Cosmópolis, tínhamos aqui, a Escola do Comércio. Muito conceituada, responsável pelo formação de nomes importantes da região”, recorda-se. 

Nessa época, Silena já trabalhava na Prefeitura de Cosmópolis, onde foi chefe do Departamento de Água e Esgoto.

Parte da história dessa grande mulher, está entre as crianças cosmopolenses no fim da década de 1950. Silena foi a primeira diretora do Parque Educacional de Cosmópolis, atualmente a EMEI Esther Nogueira. Conhecida popularmente, como Escolinha, localizada próxima ao antigo Hospital Beneficente Santa Gertrudes.

1959 / Área de lazer do Parque Infantil Esther Nogueira. Silena foi a primeira diretora da famosa escola

  Segundo Silena, a "Escolinha Esther Nogueira", foi um marco no ensino municipal .O complexo educacional, primeira escola construída pela Prefeitura de Cosmópolis,  possuía horta cultivada pelas crianças, espaço de música, amplas salas de aprendizado, e até piscina. Comandos por Silene, como diretora, e uma equipe especializada na alfabetização de crianças.

1959 / Crianças na famosa piscina da escola. Ao fundo de chapéu, o prefeito José Garcia Rodrigues, popular "Zé da Pege"


Foi muito boa essa época. Era diferente de hoje, que cada criança tem sua sala para estudar. Lá nós cuidávamos de mais de 150 crianças de 3 a 12 anos de idade”, conta

“Até hoje as crianças que estudaram lá me encontram e dizem: ‘não existe ovo com tomate igual o que era feito no Parque’, e olha que coisa mais simples né? Ovo e tomate”, acrescenta em meio aos risos.

1986/ Silena viaja no tempo, observando o exemplar comemorativo dos 20 anos do jornal. Edição escrita por ela, com fatos históricos publicados no jornal


No fim dos anos de 1970, quando Silena se aposentou do trabalho realizado na Prefeitura, um novo desafio surgiu: fazer o Jornal de Cosmópolis. Na época, ela e seu marido, Benedito de Sousa (ilustre personagem de vários setores cosmopolenses, como política, filantropia, imprensa e esportes) aposentados, decidiram abraçar a causa. 

1986 / Edição especial em comemoração aos 20 anos do Jornal de Cosmópolis




Tornaram sua casa em uma redação, emprestaram até o número de telefone (o conhecido 72-1951), e se dedicaram de corpo e alma ao novo negócio. Que, aliás, tinha tudo para dar certo, assim como deu, por 18 anos circulando pela cidade.



1980/ Evento no Cosmopolitano Futebol Clube, reportado no jornal, por Silena e esposo. Na foto, o primeiro prefeito eleito de Cosmópolis, João  Guilherme Paz Herrmann, Benedito de Sousa e Silena 

1982 / Feira Indústrial e Agrícola de Cosmópolis (FIAC), entrevista com o cantor  Martinho da Vila. Silena é a segunda, à esquerda. Benedito de Sousa, abraça o sambista

Silena foi a primeira mulher jornalista cosmopolense e apesar de ser uma novidade para Cosmópolis,  garante que foi muito bem aceita pela população. 

“Não havia preconceito, muito pelo contrário, todos nos tratavam muito bem, até porque tinham medo de a gente falar mal deles no jornal, principalmente na coluna “O Moita”, conta em meio às risadas.

 Silena  lendo novamente sua famosa coluna. Publicação de 1980, há exatos 38 anos

A famosa e polêmica coluna " O Moita", com seus destaques de 1986

A  coluna especial, para colocar aquela “pulga atrás da orelha”, que Silena se referiu, chamava-se “O Moita”. O peculiar nome, uma alusão a ficar na “moita”, observando tudo, sem ninguém perceber. 

A coluna surgiu em 1967, no Jornal ACP, onde Silena era colaborada com notícias de Cosmópolis. Simultaneamente, a coluna destacava fatos de Cosmópolis, Paulínia e Artur Nogueira. Posteriormente, com o surgimento do  Jornal de Cosmópolis, Silena ficou responsável direta, nas notícias cosmopolenses.

Na coluna, uma seleção de pequenas estórias da cidade, onde eram descritas informações pouco divulgadas das pessoas, sem exposição de ninguém, mas sempre deixando aquela dúvida: “como é que eles sabem disso?”.

“No começo era eu quem escrevia totalmente a coluna, mas daí as pessoas desconfiar, e quase descobrir quem estava por trás.  Então tive que chamar alguns colaboradores que não posso contar quem são até hoje. Eles observam tudo, faziam as anotações dos fatos mais interessantes, depois eu, transcrevia tudo com minhas palavras”.  



Uma mulher era da alta sociedade, escrevia sobre o pessoal que ela conhecia. Outro era um ex-prefeito que gostava de escrever alguns segredos de política. Assim formávamos, as estórias da coluna Moita e Você Sábia. As pequenas estórias, eram o maior sucesso do jornal,  muita gente comprava e assinava o semanário, só para ler as colunas”, explica Silena.

Assuntos polêmicos, curiosidades, reclamações e elogios, escritos com uma linguagem única, criada por Silena. Em tempos de Regime Militar, umas visitas na delegacia faziam parte da sua rotina, sempre para esclarecer assuntos da coluna.

"O mistério em saber quem escrevia, fazia o sucesso da coluna, sendo até motivo de investigação policial. Não sabendo ao certo, quem escrevia, todos do jornal foram chamados na delegacia, sobre um assunto politico descrito. Era só perseguição dos denunciantes, fomos absolvidos como em outras vezes", relembra Silena.


E para quem recebia o jornal de oito páginas impresso, não pense que era fácil produzir todo aquele material. Silena contava com vários colaboradores de notícias, cosmopolenses que traziam relatos da cidade, e até mesmo da capital, como era o caso de Adão Martelli. Nascido em Cosmópolis, Adão trabalhava e residia em São Paulo, enviando por cartas e ligações telefone, destaques do esporte e política paulistana.

Edição do Jornal de Cosmópolis, de 04 de janeiro de 1986


“Nós escrevíamos em Cosmópolis e mandávamos para Paulínia. Lá eles montavam as páginas e imprimiam em máquinas de prensa. Aí a gente tinha que ficar falando o que queria em cada página. Uma gigantesca maquina alemã, fazia a impressão de cada coluna e página”, relata.

“Depois que veio o computador facilitou muito nossa vida. Então nós escrevíamos e já diagramávamos em Cosmópolis mesmo, aí eles rodavam a impressão em Paulínia”, acrescenta.

Edição de 04 de outubro de 1986, traz como destaque, o orçamento para o ano de 1987

“Meu marido era muito envolvido com os esportes da cidade, então ele sempre escrevia sobre isso. Eu já escrevia mais sobre a parte social. E aí nós íamos juntando um pouco aqui e um pouco lá para escrever e montávamos cada edição do Jornal de Cosmópolis”, explica Silena.

Notícias, muitas notícias, o jornal não poupava os poucos espaços, para informar tudo sobre Cosmópolis



“Como as pessoas dizem, o jornal era pequeno, mas tinha tudo o que você precisava saber sobre Cosmópolis, era bem completinho”, acrescenta.

Silena ficou no Jornal de Cosmópolis até o fim da sua participação na direção do semanário, em 1998.

Silena explica para a jornalista Bruna Genaro, os processos de diagramação e criação de textos, usando como referência uma edição escrita por ela, em 1980


“Foi um tempo que tinha mais de seis jornais circulando em Cosmópolis, aí ficava extremamente difícil para todo mundo. O Carlos Tontoli, um dos fundadores e proprietários, era quem comandava os jornais de Artur Nogueira, Paulínia e de Cosmópolis (antigo Jornal ACP), quando faleceu, os herdeiros não continuaram seu legado. Então, aos poucos o Jornal de Cosmópolis, foi perdendo a força para se manter”, recorda-se Silena.


Seja no jornal, na escola, na prefeitura, Silena Sousa é uma mulher de fibra que escreveu sua história e também a história de Cosmópolis.

Nós do Acervo Cosmopolense parabenizamos a Silena pelo exemplo de mulher neste dia tão especial dedicado internacionalmente a todas as mulheres. Parabéns Silena e todas as mulheres cosmopolenses, vocês têm o nosso carinho e respeito!

Encontro de gerações do jornalismo cosmopolense, a jovem Bruna Genaro (24 anos) e Silena Sousa (83 anos)


Por Bruna Genaro Leite, mãe, esposa, jornalista, consultora de amamentação, filha...



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