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sábado, 1 de agosto de 2020

100 ANOS DE IDADE, EXALTADOS COM MUITA LUCIDEZ E MEMÓRIAS PARA CONTAR

CENTENÁRIO

 Memória viva, extremante lúcida e detalhista, testemunha e personagem de inúmeras histórias cosmopolenses, especialmente da velha Usina Ester. Neste dia 01 de agosto, completa exatos 100 anos de idade, Arfeu Tergulino, nosso altivo entrevistado.


Arfeu Tergulino, memória viva e lucida da nossa história 


Seguindo todas as normas de proteção, máscaras, distanciamento e muito álcool em gel, visitamos o estimado centenário. Residente desde 1967, em uma das primeiras casas do bairro Bela Vista, região loteada pela Usina Ester, beneficiando os antigos funcionários do grupo agrícola.


A casa, localizada na aprazível Rua Eurides de Godoy, conserva toda sua arquitetura original, típica nos lares paulistas do anos 1960. Uma das várias casas edificadas pelo construtor Arno Blecha, entre os mais conceituados da época, responsável por centenas de obras em Cosmópolis, Artur Nogueira e Paulínia.


Impressiona os cuidados com a cinquentenária casa, resguardando intactos os peculiares portões baixos de ferro, gradil de vidros na garagem e varanda, revestimentos de pedras na fachada, azulejos e “pisinhos” cerâmicos, assentados em diversos tons pelos chãos e paredes.


Como não notar os tradicionais caquinhos paulistas, um dos maiores símbolos arquitetônicos do Estado, destacando com seu marcante tom vermelho em mosaicos pelos chãos, extremamente conservados pelos jardins e acessos à casa.


Nos guardados de Arfeu, estão os contratos de construção da casa, como os recebidos de pagamento do terreno.


Um dos loteamentos idealizados pelo saudoso “Guilhermino” Nogueira, entre os mais queridos diretores da Usina Ester.
Antes da chegada na “Villa”, Arfeu residia com a esposa e filhos na extinta Colônia Pinheiro, onde iniciou sua família em 1944.


Com a saudosa Júlia Fabri Tergulino, notória “campeã dos cortes de cana”, formou uma família de três filhos, Maria Madalena, Terezinha e Orlando (Tiquinho), responsáveis pela geração de cinco netos e cinco bisnetos.


FILHO DE ITALIANOS

1945 - Arfeu aos 25 anos de idade - Photo Studio Hasse - Cosmópolis

Arfeu Tergulino é um dos 11 filhos dos imigrantes italianos Conrado e Maria Ângela Dresde Tergulino, vindos para a região em 1900. O casal se conheceu em um gigantesco navio a vapor, entre centenas de imigrantes europeus, surgindo o namoro nos meses de viagem para o Brasil.


Os imigrantes fixavam moradia na pequena Vila José Paulino, atual cidade de Paulínia, residindo nas proximidades da Igreja de São Bento. Anexo com a casa da família, localizada na Rua do Comércio (Avenida José Paulino), Conrado prestava serviços de marcenaria e carpintaria, com especialidades em entalhes e marchetaria. Nesta localidade nascia Arfeu e os irmãos, sendo três homens e oito mulheres.


“Meu pai faleceu cedo, vitimado de um câncer na garganta, sofreu muito. Éramos todos crianças, eu tinha sete anos de idade, e naquele tempo, Paulínia não oferecia nada de trabalho, sem condições de continuarmos lá. Vivíamos de fubá, a única comida era polenta, nada mais.


Na construção do antigo “Sobrado” dos Nogueiras, entre outras obras, meu pai foi um dos carpinteiros contratados. A maioria dos trabalhadores eram italianos e descendentes, surgindo muitos amigos na Usina Ester, facilitando nossa vinda.


Cosmópolis sobrava serviços, faltando até mão de obra, era um colosso o progresso aqui. Então, uns irmãos seguiram na frente, arrumando emprego na Usina, e fomos seguindo atrás depois. Todos crianças, todos muito trabalhadores” (...).


Em 1928, os Tergulinos vendiam tudo em Paulínia, mudando-se para a Colônia Jaguari, trabalhando todos na Fazenda Usina Ester. Arfeu tinha oito anos de idade, residindo há 92 anos em Cosmópolis.


“A Usina Ester era como uma mãe, acolhedora, fraterna aos colaboradores, recebendo trabalhadores vindos de todos os lugares. Você cortava cana ouvindo as “prosa embrulhada” em italiano, alemão, russo, e até inglês, tinha uns vindos da Inglaterra nas colônias.

Mesmo assim, todos entendiam-se quando o assunto era trabalhar. O mesmo acontecia na Vila, em cada comércio um imigrante diferente, fazendo nova vida aqui, construindo Cosmópolis.

Cosmópolis era como ouvíamos falar, uma “Nova Campinas”, pequena, mas com um progresso gigante. Ficávamos fascinados quando chegávamos na Villa, tinha de tudo mesmo, comércio forte, e o povo muito unido” (...).


MEMÓRIA USINEIRA

1949 -  Usina Ester e parte do complexo colonial - Foto acervo E.N.F.A

Unicamente na Usina Ester, Arfeu trabalhou mais de 50 anos, iniciando aos 12 anos de idade nos serviços braçais canavieiros, corte e limpeza de terrenos.


Ainda adolescente, começou a desempenhar sua mais conhecida profissão, o ofício de motorista. Exercida interruptamente, até os 93 anos de idade.


O motivo da aposentadoria, um violento assalto na região do Itapavussu, desanimando o habilidoso motorista com 7 3 anos de volante.


O início foi como tratorista do Grupo Agrícola Ester, um dos primeiros à dirigir os modernos tratores John Deere, ainda importados. Arfeu realiza serviços em todas as fazendas da família Nogueira, arando terras na São Quirino, Anhumas, Tabajara, e toda extensão da Usina Ester.


Arfeu relembra orgulhoso sobre as visitas dos proprietários nas terras, como Paulo de Almeida Nogueira, que gostava de admirar sua destreza nos serviços com tratores.


Com sua habilidade nos tratores e máquinas agrícolas, tornou-se requisitado profissional do inovador guindaste de cana (até então, o carregamento era totalmente manual), o qual, foi um dos responsáveis pelo transporte do porto de Santos à Cosmópolis.


CHOFER DE CONFIANÇA

1946 -  Arfeu transportando colonos para um baile em Cosmópolis

No fim dos anos 1940, era escolhido como chofer da família Nogueira, ficando reconhecido pela extrema confiança dos usineiros. Arfeu ficava à disposição da família, diretores e altos cargos do grupo, fazendo constante viagens buscando e levando passageiros.


Os destinos não eram somente à Usina Ester e São Quirino, muitas vezes as viagens para eventos sociais, reuniões políticas, empresarias, e grandes bailes no Jockey Clube de Campinas.


“Trabalhei como chofer para todos os Paulos da família Nogueira, percursores da Usina Ester. Paulo de Almeida Nogueira, esposo da dona Esther, os filhos, netos e bisnetos.

Em especial o Paulo Filho, famoso político paulista e empresário, e seus filhos José Bonifácio e Paulo Netto. Transportei até o governador Carvalho Pinto, entre outros políticos, nas visitas à Usina, e períodos eleitorais na região” (...).


TURMEIRO E CAMINHONEIRO
Quando não exercia os serviços de chofer aos Nogueiras, realizava os transportes das turmas canavieiras, marcando época neste setor. Com os caminhões da Usina, adaptados para o transporte de trabalhadores, percorria as colônias distantes, levando e entregando funcionários.


O mesmo caminhão, acostumado com as lidas nos canaviais, era lavado com muito esmero nos fins de semanas, transporte a “colonada” para os bailes na região.


Como poucos na empresa, conhecia as velhas estradas paulistas, ficando muitas vezes responsável pelas entregas do famoso “Açúcar Ester” na grande São Paulo. Arfeu realizada as entregas aos grandes distribuidores, como redes de restaurantes, padarias e mercados.


No fim dos anos 1960, aposentava-se dos trabalhos na Usina Ester, porém, continuava com a profissão de motorista, trabalhando como “chofer de praça” (taxista), no ponto da “Praça do Coreto”. No ponto dos jardins, como era conhecido, permaneceu por 25 anos.


GUERRA E REVOLUÇÃO

1944- Soldado Arfeu aos 24 anos de idade, representando Cosmópolis  na defesa nacional
1944- Soldado Arfeu aos 24 anos de idade, representando Cosmópolis  na defesa nacional

No período da Segunda Grande Guerra Mundial, fim dos anos 1930 até 1945, era escolhido para representar Cosmópolis na defesa nacional.


No período da guerra, o serviço militar era obrigatório aos homens com mais de 18 anos de idade, sendo de extrema importância naquele período. As seleções eram feitas pelo Exército brasileiro, que destinava os novos soldados para todas suas aéreas.


Arrimo de família, recém casado aos 24 anos de idade, prestou serviços militares no Estado, não embarcando para as lutas armadas na Europa.


Arfeu protegia as terras brasileiras de possíveis invasões nazistas, junto com milhares de jovens da região, permanecendo seis meses como soldado.


O fim do período, então indeterminado, era o fim da guerra com a rendição dos nazistas e fascista.

Sobre a Revolução Constitucionalista de 1932, revolta paulista contra o Ditador Getúlio Vargas, exigindo um nova constituição, suas memórias relembram a intensa movimentação na região. O Sobrado dos Nogueiras foi um dos quartéis generais da revolução, entre os principais do Estado, reunindo altas patentes e soldados.


Arfeu tinha 12 anos de idade, ainda residindo na Vila José Paulino. Deste período, cerca de quatro intensos meses, recorda a passagem das tropas paulistas seguindo para Cosmópolis e região, passando por dentro de Paulínia.


“Não sabíamos ao certo de nada, era muito criança, o entendimento só aconteceu quando adulto. As mídias eram censuradas, o Getúlio inventava muita mentira, confundindo a população contra São Paulo.

Aqueles jovens soldados, entregando suas vidas por São Paulo, lutavam pela liberdade, autonomia e direitos do povo’ (...).


Arfeu nunca frequentou uma escola, sua motivação era somente os trabalhos para o sustento da numerosa família. Como disse, aprendeu o básico para enfrentar o mundo dignamente, escrever o nome, ler e fazer contas. Ensinamentos compartilhados pelos saudosos amigos Frederico Decreci e Davi Sala.


Mesmo sem estudos acadêmicos, diplomas e certificações, Arfeu é um mestre único, bacharel nas ciências da vida. Um professor com cem anos de escola da vida, sem dúvida, entre os mais importantes a lecionar em Cosmópolis.





Existe um segredo para longevidade, especialmente, com a mente lúcida? Perguntei ao prezado centenário, que respondeu com o toda sua serenidade.


“Não existe segredo, porém, é para poucos. É ser uma pessoa de caráter, honesta e direita com todos. Quem é assim, vive mais, por não ter a preocupação em carregar na sua consciência, os erros cometidos aos outros”.


Texto e fotos Adriano da Rocha


01/09/2010 - Arfeu rodeado dos netos e bisnetos celebrando os 100 anos de idade 


Matéria impressa no jornal “O Cromo”, edição deste sábado(01). Distribuição gratuita em Cosmópolis e Paulínia.


Matéria publicada na edição especial do "Dia dos Pais", sexta-feira (07)  no jornal impresso e site da "Gazeta de Cosmópolis".


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

PAULÍNIA, ANIVERSÁRIO DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA E ADMINISTRATIVA

PAULÍNIA 54 ANOS

MENSAGEM PARA MINHA IRMÃ PAULÍNIA
Início dos anos 1950 / Rua do Comércio, atual Avenida  José  Paulino. Na foto, a farmácia e casa, da família Costa , e ao fundo a igreja São Bento. Foto Grupo Paulinenses da Gema

 "Nascemos juntas minha irmã, há quase 300 anos, somos filhas da mesma mãe, “Dona Campinas”, senhora bandeirante, honrada esposa de São Paulo. Surgimos ao mundo, quando na busca incansável pelo Eldorado, destemidos Bandeirantes encontravam pouso nas Campinas do Mato Grosso.

Sempre fostes altaneira, orgulhosa por seus “morros altos” de terras prosperas, virtuosa senhora do mais puro ouro verde paulista, reluzente em seus cafezais, canaviais e algodoeiros.

Ouro verde que o progresso mudou de cor, nos escuros tons do petróleo, nas mais diversas tonalidades químicas de suas industriais, enaltecendo seu poder, como a senhora do Planalto.

Tornando-se Dona de uma das maiores riquezas do mundo, atraindo e conquistando milhões de migrantes e imigrantes, reluzindo e ofuscando vidas, desenvolvendo em suas terras e sua volta, o progresso e o retrocesso.

Novos caminhos, mudanças criadas para nossa emancipação da “zelosa” mãe Campinas, inúmeras vezes alteraram nossas divisas; antes marcadas pelas vertentes abertas aos batelões nas águas do Atibaia, Quilombo, Anhumas, Jaguari e Pirapitingui.

Espaços territoriais, marcos, perímetros, acordos políticos para nossa “emancipação política e administrava”, nos demarcavam e separavam aos olhos estaduais e nacionais, mas nunca nos separavam, no amor a este chão e nossos filhos.

Nascemos e crescemos juntas, surgimos predestinadas a sermos exemplo do progresso brasileiro, essências paulistas do desenvolvimento humano no mundo.

Nossa união é tamanha, que dividimos as alegrias e tristezas.
Quando és “judiada” por meus sobrinhos, ou por aqueles que usurpam oportunistamente o nome de “paulinenses”, sofro junto contigo, cada desgosto e amargura.

Sua casa é rica, são mais de 13 bilhões de reais anuais somente para seus filhos, sua mesa é tão vasta e farta, que ainda sustenta a “fome” de impostos, empregos e desenvolvimento do Estado e Brasil.

Em mais um ano, novamente oportunistas sentam em sua mesa, desviando sua comida, deixando seus “filhos” com fome, segurando seus pratos vazios de saúde, segurança, e educação.

Ingratos filhos, na fome do poder, deixam pobre, a rica mãe Paulínia, sofrendo em prantos ao ver seus mais de 100 mil filhos, padecendo pela fome do desenvolvimento.

Seus filhos “paulinenses”, sofrem em berço de ouro, envoltos de riquezas, “morrendo” de fome, enquanto um pequeno grupo de irmãos, fartam-se na mamadeira da corrupção.

Minha irmã Paulínia, neste dia consagrado como seu aniversário, quando completas seus 54 anos de emancipação política e administrativa, desejo novamente a união da esperança e perseverança. Nossas maiores virtudes deste nosso nascimento nas mãos dos bandeirantes!!!

Esperança e perseverança, são semelhantes na pronuncia, como em seus significados.
Palavras com definições diversas, sinônimos de insistência, dedicação, confiança, crença e fé.

Duas palavras que somente possuirão reais significados, quando unidas em um só sentimento. Afinal, sem esperança é impossível a perseverança.

Nesta união, esperança e perseverança, tornam-se as maiores virtudes de um ser humano. Unificadas, transformam vidas, trazem significado para outras palavras como trabalho e saúde.

A situação aqui não é das melhores, a ingratidão machuca o coração desta mãe, sei que sofres ao ver meus “filhos” cosmopolenses, fazendo o mesmo na humilde casa da sua “pobre” irmã.

Peço a Deus, assim como peço aos meus filhos, que meus sobrinhos paulinenses possam novamente unir em seus corações, os sentimentos de esperança e perseverança.
Somente nesta união, novamente pulsará o amor em seus corações, para lutar por sua mãe Paulínia.

Esperança e perseverança, são as duas palavras que definem os mais nobres predicados dos nossos filhos paulinenses e cosmopolenses.

São elas, com muito orgulho, parte dos nossos sobrenomes e identidades para o mundo. Feliz aniversário minha querida irmã, Paulínia Esperança Perseverança Paulista do Brasil. Na perseverança dos seus filhos, surge a esperança de dias melhores em sua casa!!!

Com carinho e admiração da sua irmã Cosmópolis" .