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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

🎉Carnavais cosmopolenses🎭🎊🥳

🗓21/02/1998 – há completar 26 anos em Cosmópolis - Ano evidenciado pela competição internacional de futebol, Copa do Mundo de 1998, eternizada com a derrota da seleção brasileira para a França (0x3); terceira eleição presidencial do país, após a promulgação da Constituição Federal de 1988 e redemocratização política, assinalada pelo projeto de emenda constitucional, permitindo as reeleições dos ocupantes de cargos no poder executivo, reelegendo no pleito realizado em 04 de outubro, o então presidente Fernando Henrique Cardoso.




Em Cosmópolis, o mês das folias e tradições populares de carnaval, fortuitamente, seria notabilizado como o derradeiro carnaval da região central, originado popularmente nos idos de 1899.
Em fevereiro de 1998, dias 21 e 22, o ano de 1998 ficou marcado pelo último grande evento carnavalesco realizado nas imediações da Avenida Ester, encerrando um tradicional ciclo de mais de 100 anos de histórias, culturais e populares.

A imagem registra o evento realizado no dia 21/02/1998, com sua concentração de foliões na Avenida Ester, sobressaindo a movimentação no cruzamento com a rua Santa Gertrudes, no passado a conhecida “esquina da juventude”.

Nos “esquinados”, a antiga entrada do Banco Itaú na esquerda, acentuada pela escadaria na frontaria ao cruzamento da rua Santa Gertrudes e Avenida Ester, marcante ponto de estudantes e paqueras; realçando na direita, o último trecho do extinto calçadão central, avivando no alto, o letreiro do ‘Bar e Lanchonete Fika Frio’, iluminado pela propaganda do ‘Guaraná Brahma’.

Na imagem o verdadeiro significado da palavra aglomeração, ainda no bom estilo e definição, ou usando um típico palavreado cosmopolense, “Avenida coalhada de gente”.

Uma multidão de foliões e entusiastas do nosso carnaval, reunindo cosmopolenses e visitantes da região, aglomerados nos famosos “quarteirões da alegria”, compreendo a extensão das confluências da Avenida Ester, iniciando na rua Campinas, seguindo até a rua Expedicionários.

Nesta edição, último grande carnaval, as apresentações e desfiles foram empreendidos na Rua Dr. Campos Salles.

Os blocos saiam da Avenida Ester, na qual encontravam-se as barracas de alimentação e apoio aos foliões, seguindo pela rua Santa Gertrudes até a rua Dr. Campos Salles, terminando as apresentações na convergência com a rua Sete de Setembro, imediações do Paço Municipal e “Escola do Comércio”.

Na esquina das ruas Dr. Campos Salles e Del. Antônio Carlos Nogueira, estava localizada a comissão de jurados dos blocos, avaliando as melhores fantasias, enredos, destaques e apresentações. Desfilavam blocos tradicionais, novas escolas de samba, grandes e pequenos grupos de foliões, reunindo associações esportivas e beneficentes, formando uma verdadeira união popular pelo carnaval cosmopolense.

A grande campeã e revelação do carnaval 1998 foi a "Escola de Samba Leões de Ouro", vencendo a "batalha pelos reinos cosmopolenses da alegria" da renomada "Unidos do Baguá".

_Adriano da Rocha
📸Foto Acervo Centro de Memória Cosmópolis

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Carnavais cosmopolenses

 Quem lembra dos boizinhos e vaquinhas dos nossos carnavais?

🐮🐂🐄🐃🐴🐎
🗓

Fevereiro de 1986 e 1987
- Alegria de muitos foliões, abrindo espaço e alas para os caminhos dos blocos, ao ‘pavoroso’ das crianças, marcavam as passagens do boi e vaca nos carnavais cosmopolenses.


Tradicionais símbolos dos carnavais paulistas, herança folclórica dos desbravamentos Bandeirante, os boizinhos e as vacas são registrados desde os primórdios da folia na ‘Avenida Esther’, estruturada no fim dos anos 1890.

Pelos caminhos da folia surgiam os boiadeiros com seus ‘cavalinhos’, icônicos pela fantasia armada sobre o corpo, como se estivessem montados no animal, abrindo passagem para os boizinhos e vacas.

Passagens que abriam os caminhos para os blocos e foliões, assim como as entradas da histórica ‘Banda do Boi’, dentre as primeiras e maiores agremiações musicais dos nossos carnavais, fundada em 1900.




🔎Olha o boi, vem o boi vê. Olha o boi! 🐂🐄🐃
Em destaque, as passagens dos boizinhos e vacas na quadra das ruas Santa Gertrudes e Del. Antonio Carlos Nogueira, então marcado pela presença da ‘corte da realeza do carnaval’, palanque onde reuniam as autoridades municipais, convidados, Rainhas dos carnavais passados, Sua majestade (atual Rainha), princesas, Rei Momo e os animadores, as vozes do evento popular.
O espaço da montagem do palanque, estruturas de ferro e tábuas de madeira, são os jardins do extinto Banespa (Banco do Estado de São Paulo), atual Santander.

📸Acervo Público Cosmopolense

terça-feira, 2 de março de 2021

“AO PAI DA USINA, COSMÓPOLIS E REGIÃO”

 MEMÓRIA

USINA ESTER 123 ANOS

 Por meio do idealismo de um paulista, visionário e desbravador pela ascendência bandeirante, nasceu uma das maiores usinas canavieiras do mundo, e nas suas margens, uma das regiões mais prósperas do Brasil.

Foto pintura paulista do Major Arthur Nogueira Ferraz


Nome de cidade, praças públicas, imponente edifício e conjunto comercial paulistano, referência industrial e agrícola do passado. Ao completar os 123 anos de fundação da Usina Ester, oficialmente inaugurada em 02 de março de 1898, nossas reminiscências ao Major Arthur Nogueira Ferraz, entre os principais responsáveis pelo estabelecimento deste singular grupo agroindustrial, bem como, o desbravamento e colonização de várias cidades da região.

MAJOR DA USINA E COSMÓPOLIS

1916 - Complexo industrial da Usina Ester, gestão do Major Arthur Nogueira, destacando a chegada dos trenzinhos canavieiros da Carril Agrícola Funilense

Um personagem emblemático, sempre recolhido ao trabalho e empreendimentos, raramente fotografado e relatada sua história pessoal, reservada em raros documentos pelos familiares.

O título major foi estabelecido por uma carta-patente do presidente Campos Salles, seu primo e amigo, a mesma que intitulou coronel o irmão José Paulino Nogueira.

 Os títulos militares na primeira república, sendo a família Nogueira Ferraz uma das proclamadoras, assemelhavam-se  as antigas nomeações monárquicas de Barão, Conde e Visconde. Basicamente, Major era um representante direto do poder paulista, estado e prefeitura, e coronel do poder federal.

1938 - Edifício Arthur Nogueira, em destaque, ao lado o Edifício Esther, localizados na região central de São Paulo

Nos documentos públicos, como os acervos dos jornais Correio Paulistano e Estado de São Paulo, os quais foi acionista e um dos responsáveis pelos custos das fundações, são noticiados sua liderança nos comandos da nascente Usina Ester.


Outras inúmeras citações nos jornais, constantes nos primeiros anos de 1900, são as viagens para a Europa. Não eram passeios, turismo ou luxos garantidos por uma das maiores fortunas de São Paulo, mas sim, buscando trabalhadores para a Usina Ester e fazendas da família.


1899 - Major Arthur Nogueira Ferraz, Cel. Silva Teles e Sidrack Nogueira Ferraz, em viagem pela Itália, possivelmente Vêneto.  


O próprio Major Arthur Nogueira fretava navios, gigantescos vapores, financiando o transporte dos imigrantes ao Brasil, e até custeando as alimentações dos futuros colaboradores. Tinha predileção pelos italianos, sobretudo de Vêneto e região, os quais considerava os mais semelhantes ao povo paulista, devido a simplicidade e honradez aos trabalhos.

Nas viagens em busca de trabalhadores italianos, apoiadas pelo governo estadual e federal, estreitou a amizade do Brasil com a Itália, sendo um dos principais responsáveis pela imigração de milhares de italianos ao estado de São Paulo.


1900 - Cartão postal divulgando terras cosmopolenses na Itália, propaganda paulista para atrair imigrantes  para o Estado.

A Usina Ester, como seus grupos agrícolas e industriais, nasceram do empreendedorismo do Major Arthur Nogueira Ferraz, principal responsável pela ampliação das terras, criação do complexo industrial, e modernização agrícola e cientifica da cana de açúcar, financiando estudos científicos e pesquisas.

A "Villa de Cosmópolis" surgiu pela motivação do Major Arthur Nogueira, um projeto apoiado pelos irmãos, bem como pelos acionistas da Usina Ester e Carril Agrícola Funilense.

O mesmo empenho em criar a Usina Ester, buscando maquinários modernos na suíça e químicos, locomotivas na Inglaterra para o transporte agrícola, e os milhares de imigrantes, impulsionavam o nascimento de Cosmópolis, como outras "villas", ao exemplo da futura cidade de Artur Nogueira. Autorizado pela Prefeitura de Campinas, doou as terras ao município, loteando os terrenos, e projetando a futura Villa de Cosmópolis.


15/09/1915 - Inauguração da Igreja Matriz de Santa Gertrudes, entre importantes  autoridades políticas e empresariais, ao centro de calças brancas e chapéu, está o Major Arthur Nogueira. A igreja foi uma homenagem póstuma a Gertrudes Eufrosina Nogueira Ferraz, matriarca da família. 


Idealizações dos tempos da mocidade, quando sonhava ser prefeito de Campinas, como o irmão José Paulino, que ocupou cargos de vereador, presidente da câmara e prefeito intendente. Não obtendo apoio político, sobretudo pelas divergências do Major com os partidos, fundou a Villa de Cosmópolis, intitulada pelo constante progresso industrial e agrícola como a “Nova Campinas”.

 

PAI DOS POBRES E AFLITOS

1901 - Avenida Ester, região da extinta estação da Carril Agrícola Funilense- foto atribuída ao Major Arthur Nogueira

Em Cosmópolis, era conhecido como o “pai dos pobres”, título atribuído popularmente pelos moradores da “villa” e região Funilense, como dos milhares de funcionários da Usina Ester.

 A nomeação, como uma exaltação ao Major Arthur Nogueira, surgiu pelos auxílios aos doentes de varíola, febre amarela e tifoide, infectados em grandes epidemias que assolavam Cosmópolis e região. Uma iniciativa do Major Arthur Nogueira, o irmão José Paulino e a sobrinha Esther, surgia a sociedade do Mútuo Socorro, criada para amparar os doentes das pestilências, custeada quase totalmente pela família Nogueira.

Através do Major Arthur Nogueira, não medindo esforços e recursos próprios, o renomado Dr. Adolfo Lutz, um dos maiores epidemiologista do Brasil, foi convidado para inspecionar as situações sanitárias de Cosmópolis.

Outro motivo da nomeação de “pai dos pobres e Cosmópolis”, surgiu por empregar todos que buscassem sua ajuda, amparando famílias inteiras nas colônias da Fazenda Usina Ester. Bem como a sobrinha Esther Nogueira, ajudava inúmeras famílias carentes, apadrinhando crianças, financiando obras assistências da comunidade católica, porém, sempre em anonimato total, o qual exigia severamente, não aceitando citações do seu nome.

1905 - Vista parcial da Usina Ester, destacando a recém inaugurada chaminé 

Viveu para a Usina Ester, como para sua querida Cosmópolis, na “pequena grande villa” (então com as terras abrangendo as atuais cidades de Artur Nogueira, Holambra, Paulínia, Americana, dentre terras da região rural de Limeira), exerceu inúmeras funções administrativas. Foi o primeiro juiz de paz, delegado (chefe do posto policial), escrivão, representante das companhias paulistas de luz, telefonia e bancos, como subprefeito do distrito.  

 

CAMPINEIRO, UM BANDEIRANTE MODERNO

Pintura sobre tela do Major Arthur Nogueira na mocidade

Nasceu em Campinas, região da Basílica de Nossa Senhora do Carmo (marco inicial da cidade), em 11 de dezembro de 1861. Um dos 12 doze filhos do casal   Gertrudes Eufrosina de Almeida Bicudo Nogueira Ferraz (Dona Tudinha) e Luiz Nogueira Ferraz, irmão do inolvidável Cel. José Paulino Nogueira Ferraz, um dos maiores nomes da política e indústria paulista, considerado o “Mauá da República”.

Na sequência de textos, dois históricos relatos sobre o Major Arthur Nogueira, extraídos do diário de Paulo de Almeida Nogueira, esposo de Esther Coutinho Nogueira, e o amigo Senador Carlos Botelho, um dos primeiros secretários de agricultura de São Paulo, e figura importante na grande epidemia de Febre Amarela em Campinas. Ao lado do Major Arthur Nogueira, Cel. José Paulino (então prefeito de Campinas), instituiu as sociedades de Mútuo Socorro, criada para amparar os doentes das pestilências.

“Foi o Major Arthur Nogueira, inquestionavelmente, um desses tipos que bem encarnaram as qualidades da raça bandeirante (paulista): energia, arrojo, pertinácia, espirito empresarial. É certo que a ele devemos a nossa bela e querida Usina Este. O seu empenho, atividade e esforços, é que tornaram possível a compra do bloco de terras da Fazenda do Funil, que hoje se alteiam as instalações da Usina.

A esse tempo, a atual zona de Cosmópolis era um verdadeiro sertão, isolado entre Campinas, Limeira e Mogi Mirim, cidades a que se achava ligado por extensas estradas, muito mal cuidadas.

Era um sertão despovoado e inculto. Desbravou-o o Major, com mão firme e denodo.

Dotado de uma saúde de ferro, invejável capacidade de trabalho e de uma energia que, as vezes se excedia a si mesma, pode ele realizar com êxito tão áspera missão.

Mercê daqueles mesmos dotes pessoais, implantou o Major, na administração da nascente Usina Ester, a mais absoluta ordem e o mais rigoroso respeito.

 Bondoso e justo, logrou ele captar geral estima, tanto na Usina, como em Cosmópolis e região. Decidido, jamais encontrava dificuldades nas realizações então necessária, por mais árduas que se apresentassem.

1909 – Represa e Paredão, retratados em cartão postal de circulação internacional. Ao lado esquerdo, está o Major Arthur Nogueira, idealizador das obras


Nos primórdios da Usina Ester, teve ele de defrontar-se com situações terríveis, porque, não raro, tudo faltava, inclusive os recursos materiais indispensáveis. Mas tocava tudo para frente e a obras se concluía.

Não era o que vulgarmente se chama um administrador econômico.  Tanto que, por mais de uma vez, esteve em perigo. Mas tão assinalados foram seus serviços na Usina Ester, que essa, em pleito de reconhecimento, lhe erigiu um monumento, num de seus mais belos recantos.

 

Com mais predicados de homem de empresa, natural era que a personalidade do Major Arthur Nogueira não ficasse confinada ao âmbito de uma sociedade particular, embora importante.

E que não sociedade o ficou, bem atesta o discurso que julgamos oportuno transcrever abaixo proferido no Senado do Estado de São Paulo, na sessão de 15/09/1924, pelo Dr. Carlos Botelho:

 

1906- Complexo industrial da Usina Ester, destacando a chaminé inaugurada em 1905

“Sr. Presidente, quando fiz parte da administração do Estado, ainda que com eficiência mínima, tive ocasião de observar alguns pontos fracos no aparelho da administração. Afigurava-se-me que em certas zonas, o progresso achava peado e que a ação governativa não se podia distribuir equitativamente, vernativa não se podia distribuir equitativamente, como fora de desejar, por todo o território paulista.


E foi assim que, lançado as minhas vistas de Secretário da Agricultura para o município de Campinas, encontrei naquela região um solo fértil, extenso, convidativo para o desenvolvimento da ação oficial. É verdade que esse torrão se achava como que isolado para receber certaras influencias indispensáveis que mais intensamente pudessem impulsionar o seu progresso, como por exemplo as comunicações de estradas de ferro.


Não direi propriamente que faltassem estradas de ferro nessa zona do Estado: e entre estas uma existia, que naquele tempo se chamava Estrada Funilense, e que partindo de Campinas, ia ter ao Funil, ode, todos sabem existia uma manifestação já antiga da ação oficial, com a fundação do Núcleo Colonial Campos Salles.


1896 - Apresentação da Fazenda do Funil aos irmãos Nogueira Ferraz e associados, guiados pelo Cel. João Manuel de Almeida Barboza, então proprietário, e o Barão Geraldo de Rezende. 

Sr. Presidente, quando assumi o cargo de Secretário de Agricultura, este núcleo se achava em plena decadência; alguns lotes mais privilegiados, se achavam ocupados; mas a maior parte deles se achava em abandono, bastando acentuar que as casas construídas com fim especial de abrigar os imigrantes, se achavam transformadas em estrabarias, aos serviço dos habitantes mais próximos do núcleo.

Relembro esse fato, sr. Presidente, para mostrar que naquele tempo os governos achavam que era indispensável construir casa para o abrigo das famílias de imigrantes que se dirigissem aos núcleos.

Assim se pensava naquela época, mas assim deixei também de pensar, porque entendo que todo o imigra te, todo o trabalhador, toda a família bem organizada, com intuitos sério de radicação antepõem a melhor rega do seu suor em favor da sua primeira habitação que, choupana ou palácio, é sempre alegre e sugestiva de maiores feitos.

 

1899- Casa construída pelo governo estadual no Núcleo Colonial Campos Salles


Então, com ensinamentos de tal ordem, a administração contentou-se apenas com a construção de alojamentos coletivos, para hospedagem.

E era de ver, sr. Presidente, com que ânsias se despediam os novos inquilinos para se mudarem para as suas construções, quase sempre originais e sugestivas dos costumes pátrios.

Entretanto, a ação oficial não se achava isolada, pois que um paulista modesto, mas digno desse nome, ao seu lado sempre estava com sua ação alerta e progressista.

 

Na mesma zona levantava ele os alicerces de uma usina, a Usina Ester, com horizontes vastos e elevada compreensão do problema – pois que, em vez de seguir a rotina que apena se contentava com o velho sistema da compreensão cilíndrica da cana, - o paulista a que me refiro lançou mão de pouco racional da difusão, que ali serve exemplo para o Brasil Inteiro.

 

Embaraçada com toda zona do Funil, com falta de transporte, apelou para o governo, que ouviu as queixas de todos e, sobretudo, desse usineiro tão perito quando progressista. Veio em seu auxilio, mandando alargar imediatamente as bitolas da Funilense que, deficiente, entorpecia todos os movimentos da zona.

 

Começou então o progresso da região e a se fazer por tal forma que, dia a dia, eram patentes os resultados obtidos.  Essa usina tornou-se uma das maiores do nosso Estado. Cosmópolis, que lugarejo apenas era, veio as ser centro intenso de povoamento, tanto quanto o núcleo Campos Salles.

O progresso foi tal, sr. Presente, em virtude desse melhoramento da E.F.Funilense, que outras terras foram adquiridas para satisfação dos que as procuravam.

 

A administração, por sua vez, já adiantada em suas concepções, quando ao modo de povoar, compreendeu que a ação oficial já não era suficiente e que o novo sistema de associar-se ao particular para o mesmo fim daria melhores resultados, com ser mais econômico.

 

Mais uma vez, pela clarividência, desse mesmo paulista a que me venho referindo, terras foram picadas, para dar criação ao que se chamou “Secção Arthur Nogueira”. Os resultados foram admiráveis e o novo sistema se fez definitivo, ao ponto de se estender pela região Noroeste, onde sabemos que se faz o povoamento exclusivamente por iniciativa particular, como bem pode afirmar o nobre senador sr. Rodolfo Miranda (..)


1919 - Visita de autoridades na Casa das Maquinas da Usina Ester, usando branco, é o Major Arthur Nogueira Ferraz


Sua existência só lembra fatos que o adornaram, ao ponto de, além de colaborador eficiente das administrações públicas, haver-se feito chamar de o “pai da pobreza de Cosmópolis”; e o que efetivamente, porque distribuía trabalho para todos, quando não fazia entrar em ação recursos próprios, ajudando anonimamente incontáveis famílias.

21/06/1906 - Inauguração da Estação da Carril Agrícola Funilense, nomeada como Arthur Nogueira, oficializando o distrito como "Villa Arthur Nogueira", atual cidade de Artur Nogueira . O Major está na plataforma da estação, usando branco, rodeado de autoridades.


Artur Nogueira, o extinto, ao pronunciar seu nome naquela região, causa comoção e gratidão. Porque, sr. Presidente, houve uma época que a região do Funil foi assolada por uma grave epidemia de impaludismo, tão grave que a ação oficial foi pedida com premência, e ela não se fez esperar, para acertadas medidas, jugular tão mortífera pestilência. Então o Major Arthur Nogueira, foi o braço musculoso sobre o qual teve a ação oficial de se apoiar, como pode dar testemunho o ex-secretário do interior da administração do governador dr. Altino Arantes” (...).


Sobre a morte do Major Arthur Nogueira, escreve Paulo de Almeida Nogueira

Foto pintura do Major Arthur Nogueira Ferraz, retratado nos últimos anos de vida



 05/08/ 1924 - “Voltamos cedo, Esther, eu e as crianças, com tempo de assistir a seus últimos instantes, que foram apavorantes. Ao anunciar o falecimento de Arthur, muito sentido, Dr. Fessel, seu médico assistente e amigo, mostrava como foi dedicadíssimo”.

6/08/1924 – Enterro do Major Arthur Nogueira, com grande acompanhamento, tendo vindo de Cosmópolis dezenas de pessoas, seus empregados e amigos, os quais fizeram questão de levar o corpo, a mão, até a saída da cidade (o Cemitério da Saudade ficava na terminação do município Campinas).

Perde a Usina Ester um dedicado gerente todos nós, seus companheiros e familiares, sentimos a perda de um grande amigo de todos “.

1925- Monumento em Homenagem ao Major Arthur Nogueira, erguido na Usina Ester


Major Arthur Nogueira Ferraz faleceu em 05 de agosto de 1924, aos 62 anos de idade, vitimado por problemas gastrointestinais. Não deixou filhos, revertido seu patrimônio aos familiares.  

Não deixou filhos, mas como contestar sua paternidade destes legítimos e amados filhos, a Usina Ester, Cosmópolis e Artur Nogueira, seus maiores legados como pai.


Texto Adriano da Rocha
Fotos acervos Ester Agroindustrial, família Coutinho Nogueira e grupo Filhos da Terra

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Um presente de memórias e saudades!!!



 Celebrando os 75 anos de “Emancipação Política e Administrativa de Cosmópolis”, o Acervo Cosmopolense em parceria com o projeto “Memórias de Coretos”, presenteia você com este resgate da nossa história.
Uma verdadeira viajem ao passado, através de imagens e emocionantes depoimentos de cosmopolenses. “Conhecimento para quem não vivenciou a época e incitando boas memórias a quem viveu”.
Projeto desenvolvido por formandos do curso de comunicação social - Rádio e Tv da Faculdade Rio Branco, de São Paulo.

Conheça o projeto, os idealizadores, e as histórias de outros Coretos Paulistas- C.O.N.F.I.R.A
http://memoriasdecoretos.com.br/

sábado, 7 de setembro de 2019

"DIA DA PÁTRIA E INDEPENDÊNCIA EM COSMÓPOLIS"

MEMÓRIA CÍVICA 

Texto e fotos Adriano da Rocha
07 de setembro de 2010- Guardas Municipais segurando os pavilhões Estadual, nacional e Municipal. Palco localizado na Avenida Centenário, próximo do terreno da Urca

 No passado, uma das mais respeitadas e importantes datas do calendário cívico municipal. Em várias fases da nossa história foi considerada uma das maiores festividades municipais, unindo moradores nas celebrações, e reunindo visitantes de toda região.

Os preparativos uniam alunos, professores e funcionários públicos de todos os setores e funções, a data celebrava historicamente a independência de Portugal, promulgada por Dom Pedro I e figuras como José Bonifácio de Andrada e Silva, familiar direto da família Nogueira, fundadores da Usina Ester, era enaltecida como um meio de celebrar os valores e conquistas do povo e poder público cosmopolense. Por este motivo os destaques de veículos e maquinários públicos, forças policiais, funcionários, alunos, professores, e autoridade locais.

07 de setembro de 1990- Escoteiros, grupo Bandeirante, desfilando na Avenida Ester

 O feriado nacional de “7 de Setembro”, enaltecido em períodos como “Dia da Independência” e “Dia da Pátria”, tinha tamanha importância histórica em Cosmópolis, que foi perpetuada a data em uma das principais ruas da cidade.

A mudança aconteceu em 1934, após um decreto do Ditador Getúlio Vargas, o qual proibia locais públicos de possuírem nomeações de outros países. A histórica Rua Berne, endereço de locais como a Prefeitura e o Cosmopolitano Futebol Clube, era renomeada como “Sete de Setembro”.

07 de setembro de 2003 - Crianças no desfile do "Dia da Independência " realizado na Avenida da Saudade

Na seleção de fotos, com destaque para o primeiro registro de 1945 (último ano da era militar de Vargas), uma viagem na história desta data cívica em Cosmópolis.

HÁ EXATOS 75 ANOS...
Cosmópolis, 07 de setembro de 1945
07 de setembro de 1945- Grupo da mocidade Alviverde do Cosmopolitano Futebol Clube
O p registro fotográfico acima,  apresenta a mocidade “Alviverde” do Cosmopolitano Futebol Clube, momentos antes do desfile do “Dia da Pátria”, realizado na Avenida Esther.
As cores verde e branca, símbolos do Clube Cosmopolitano, contrastavam com as cores da bandeira nacional.

Os homens vestiam camisas brancas, com faixas verdes nas mangas, em evidência no peito, o brasão do Clube.
As mulheres, vestidos em tons verdes, blusas brancas com faixas verdes no peitoral, mangas e golas. Todas as camisas ornamentadas com “gola V”, realçado em verde, simbolizando a letra V de vitória.

Usando terno, no lado esquerdo, está Dr. Moacir do Amaral, primeiro prefeito de Cosmópolis.

A foto foi registrada na Rua Baronesa Geraldo de Rezende, próxima a Rua Sete de Setembro. No lado esquerdo, a lendária Pensão Talassi (demolida nos anos de 1980, atual Azzo Galeria e Nallin Despachante), e no lado esquerdo, a sede social e administrativa do Cosmopolitano (Hotel Pousa Lá).

DITADOR EXALTADO COMO SÍMBOLO MAIOR
Na frontaria, dois portas bandeiras traziam a estandarte do Clube Cosmopolitano. Suas hastes minuciosamente adornadas com fitas alviverdes.
O ditador que invadiu, humilhou e saqueou Cosmópolis, entre outras cidades paulistas, no período da Revolução Constitucionalista de 1932, era elevado como símbolo maior da Pátria.

Um quadro revestido com flores exibia a foto de Getúlio Vargas, abaixo uma placa com a palavra pátria, representando assim o presidente como símbolo da nação. O simbólico V nas cores verde e amarela, ladeava o quadro do Ditador. Atrás da alegoria, a bandeira nacional, mostrando altiva a lança de sua ponteira.

O PERCURSO
O trajeto do desfile, tinha início na Praça Major Arthur Nogueira (Coreto), saindo em marcha até a Rua Antônio Carlos Nogueira, seguindo para a Rua Campos Salles.
A celebração terminava com o juramento da bandeira, regimentado com honrarias ao pavilhão nacional e ao presidente ditatorial Getúlio Vargas, no antigo Paço Municipal.

Participavam do desfile alunos do Grupo Escolar de Cosmópolis (Escola Rodrigo), esportistas dos clubes cosmopolenses (Funilense, Bota Fogo e Cosmopolitano), ferroviários da Cia Sorocabana, funcionários da Usina Ester e indústrias têxteis.
Populares enfeitavam troles, charretes, carros, caminhões e até bicicletas, nas cores da bandeira nacional.

Os puxadores do desfile, quem seguia na frente abrindo os caminhos, eram os componentes da tradicional Corporação Musical de Cosmópolis, executando marchas, dobrados e hinos militares nacionais.

MUDANÇA DE NOME
07 de setembro de 1989- Tradicional fanfara da Escola do Comércio na Avenida Ester

 O “Dia da Independência”, exaltado desde 7 de setembro de 1822, foi rebatizado em 1930 como “Dia da Pátria”. A mudança foi uma exigência do ditador Getúlio Vargas, que acreditava que o nome Independência, seria uma alusão a possíveis revoltas populares contra seu governo.

O nome predominou até o fim da era Vargas (com seu suicídio em 1954), retornando novamente com o Golpe Militar de 1964, estabelecido pelos sensores do novo governo.
Com o processo de “redemocratização”, no fim dos anos 1980, a data voltou a ser oficializada como “Dia da Independência”.

07 de setembro de 1974 - Grupos escolares desfilando na Avenida Ester

75 ANOS DO FIM DA GUERRA
A Segunda Guerra Mundial terminava, o dia 2 de setembro ficava marcado como o fim dos piores anos da história da humanidade.

As comemorações estendiam-se mundialmente durante todo o mês de setembro.
Cosmópolis festejava a pequena cidade recém-emancipada de Campinas, unia-se nos preparativos para o dia 7 de setembro.
A população, ansiosa aguardava a volta dos filhos Expedicionários, os pracinhas cosmopolenses.

Era o fim dos racionamentos de trigo, açúcar, querosene, gasolina e tantos outros artigos. No período da guerra, os produtos abasteciam as tropas aliadas contra o eixo nazifascista.
As lágrimas de tristeza, sentidas pelas marcas da guerra, contrastavam com a alegria do recomeço da paz mundial.

O dia 7 de setembro era glorificado com as honras do “Dia da Pátria” e as festividades do fim da Grande Guerra. A antiga Estação da Carril Funilense, hasteava a bandeira do pavilhão brasileiro no topo da caixa d’água de abastecimento dos trens.

O tremular da bandeira era visto até mesmo do Morro Amarelo, onde as jardineiras e os trens da Sorocabana apitavam ecoando distante sua chegada à Villa.

A Estação recebia fitas e adereços nas cores nacionais, a cidade toda se preparava para a chegada dos soldados cosmopolenses.

ÚLTIMO DESFILE PÚBLICO
07 de setembro de 2010- Representantes da Banda Marcial de Limeira desfilando na Avenida Centenário

A última celebração oficial pública da data foi realizada em 2010, ano pré-eleitoral municipal, sendo realizada na Avenida Centenário Dr. Paulo de Almeida Nogueira. Comemorada com todas as pompas e verbas, contou com a participação de todos os setores públicos, instituições e associações, reunindo milhares de pessoas no evento.

07 de setembro de 2010 -Representantes do Clube da Terceira Idade, grupo Laços de Amizade

07 de setembro de 2010 - Desfile da corporação da Guarda Municipal de Cosmópolis 

Texto e fotos Adriano da Rocha