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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Memória Esportiva ⚽️🏆


Você reconhece quem na foto?


1980-setembro / Seleção do Real Cosmopolense
Em pé, iniciando da esquerda, Ari, Borelli, Rodnei, Ito, Laércio e Nael.
Agachados: Carlinhos, Carlão, Sérgio , Nabão e Pixoxó.

OLHAR NA FOTO 👁👁
Como não enternecer-se com os detalhes ao fundo da foto?! Marcas, históricas estilhas do saudoso” Thelmo de Almeida”, estádio do “Cosmopolitano Futebol Clube”, o “alviverde cosmopolense”.
Repare os gigantescos postes de ferro maciço, suporte dos refletores do campo, os hastes da bandeiras dos clubes e pavilhões nacionais, acentuados com respeito nos campeonatos e festividades cívicas municipais.
Aos fundos, rodeando os muros de alvenaria e calçadas dos entornos do estádio, os marcantes “flamboyants da Baronesa” começando sua florada de setembro, com as flores “saltando” das vargens.

Os olhares viajam no passado, impossível não emocionar-se, ao ver os históricos bancos do estádio, disputadíssimos nos épicos jogos dominicais. Suas coberturas de telhas, realçadas pelas muitas décadas da estrutura, construído com ferragens e madeiramentos da “Cia Sorocabana de Trens e Estradas de Ferro”.
“Nos campos da memória, o clássico regaste da memória esportiva cosmopolense”.
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Texto Adriano da Rocha
Foto acervo Grupo Filhos da Terra

terça-feira, 26 de abril de 2016

DOMINGUEIRAS FUTEBOLÍSTICAS

Texto e foto  Adriano da Rocha


  1959... Uma típica manhã de domingo em Cosmópolis. Arquibancadas cheias, repletas de famílias de torcedores, homens, mulheres e crianças, que, ao sair da missa na Igreja Matriz de Santa Gertrudes e, do culto na Igreja Luterana, tinham seu destino certo: O “Estádio Thelmo de Almeida”. Nos impecáveis gramados do “Alviverde Cosmopolense”, todos os domingos a tradição era seguida, os velhos portões de madeira, construídos com antigas dormentes da “Cia Funilense”, ringiam pontualmente às 9h00, um som estridente que parecia dizer: “Sejam bem vindos ao Cosmopolitano”.

   Nas Ruas Campinas e Moacir do Amaral, ainda de terra batida, ansiosos torcedores aguardavam o início da “peleja futebolística”. Fordinhos, impontes Chevrolet’s e Chrysler’s, dividiam espaço nas ruas de terra com charretes, carroças e troles. As calçadas possuíam um ponto para “apiar”, um estaca de madeira possuindo na ponta uma argola de aço, onde o condutor amarrava as rédeas dos animais . Somente o passeio público era cimentado, nas calçadas do Estádio ficavam as famílias, crianças, mocinhas e senhoritas. Do outro lado, nas calçadas do “Bar do Ibi e Dona Esmeralda”, concentravam-se os rapazes, em dezenas de Calois e Monarks de barra circular.

   As bicicletas sempre impecavelmente limpas, enfeitados com fitas e sinais refletivos inusitados destacavam os “paralamas”; item obrigatório para não sujar as roupas “claradas” com “Anil”, ou quem sabe, o vestido da linda cosmopolense sentada na “garupa”.

   O registro fotográfico do fim dos anos 50 eterniza um pouco deste relato das “domingueiras futebolísticas” de Cosmópolis. Uma tradição que surgiu por intermédio dos funcionários da saudosa “Companhia Sorocabana”, percursores do “Football” no interior paulista, modalidade que chegou aos gramados da Villa de Cosmópolis no fim do século 19. A foto marca um domingo de jogo entre “Cosmopolitano e Botafogo Futebol Clube”. Uma disputa acirrada entre os reis dos gramados da Villa e da Usina, ou como diziam na época, “vileiros e colonos “rancando” até “toceira” na peleja da bola”.

  Um detalhe nesta foto para sua saudade, outras lembranças da velha Cosmópolis surgiram na sua mente. Repare no lado esquerdo da foto, o famoso carinho de doces e pipocas do “Ferruccio”. O carrinho chama atenção e saudade, por sua vitrine alta, feita de ferro forjado e revestido de vidro, onde eram expostas as pipocas que “saltitavam” na panela de alumínio batido, que reluzia de tão “arriada”, visto os cuidados com a limpeza e o amor pelo trabalho.

  Nos domingos de futebol, “Ferruccio pipoqueiro” era figurava cativa entre os torcedores, assim como o Xavier dos sorvetes (esqueci seu apelido, pai do Poly), os irmãos Bocaiuva vendendo amendoim torrado, o velho Ortiz e meu saudoso amigo Sodinha (esposo da Nega Vieira), vendendo pipoca doce e cocadas da Campineira. Doceiros, pipoqueiros, sorveteiros, não faltavam, a domingueira atraia futebolistas de toda região, paulinenses, nogueirenses e campineiros, tinham roteiro certos aos domingos.

  Terminando o jogo, os vendedores como Ferruccio, já preparavam seus carrinhos para pontualmente às 16h00, ir para o “footing” na Praça do Coreto, concentrando uma parte dos vendedores na Praça e outra turma no "Cine Theatro Avenida". O ponto principal do Ferruccio, era a calçada do extinto cinema, que deste tempo só resta a velha Sibipiruna, a qual faz sombra aos pedestres que passam pela calçada da Loja Seller.

  Não esquecendo, que as “domingueiras da bola” aconteciam em dois Estádios, revezando a cada domingo as disputas entre o Estádio Thelmo de Almeida e na Usina Esther no “Estádio Dr. Sérgio Coutinho Nogueira”, históricos gramados da União Esportiva Funilense.
  
  Como o Thelmo de Almeida, impiedosamente destruído em nome do “progresso”, o Estádio do Funilense segue o mesmo triste fim. Em nome do “progresso”, com a aval dos detentores do patrimônio particular e os “responsáveis” pelo patrimônio histórico cosmopolense, os verdes gramados darão lugar a um imenso canavial, sendo divido pela Usina, em terrenos para a plantação de cana de açúcar e ponto de armazenamento de bagaço e frota...
   
  É pois é, hoje as manhãs de futebol em Cosmópolis, ficaram somente nas lembranças, visto pelas dezenas de ocorrências policias, que até em campinho de várzea é perigoso “jogar bola” em Cosmópolis. Quando não é carrapato estrela, transmitindo febre maculosa , é “nóia noiado” roubando de bola, chuteira e celular. Fica o registro e o somente a saudade, já que nem estádio e paz temos mais...

Texto e foto Adriano da Rocha

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

EM CADA OLHAR UMA SAUDADE...

Texto e foto Adriano da Rocha
 1965...Estádio Thelmo de Almeida, entre as ruas Moacir do Amaral e Campinas . Cada olhar de cada geração, ao ver essa foto sentira uma saudade, uma lembrança diferente. As gerações mais antigas, os vovôs, lembraram dos jogos do Cosmopolita Futebol Clube, as disputas de domingo que paravam toda a cidade, fosse vila ou colonia desde 1915. Outros papais e mamães lembraram dos jogos das décadas de 60 e 70, mas principalmente dos grandes desfiles civícos e de aniversário da cidade, que iniciavam na Avenida Ester e enceravam com grande fanfara e honrarias no velho estádio. Os titios e também papais, lembraram da década de 80, dos grandes shows realizados no estádio, e também dos vários parques que até o inicio da década de 90 se instalavam no grande terreno do estádio. Outras gerações hoje com menos de 20 anos, olharam para essa foto com curiosidade, reparando nos Flamboyant em destaque, os grandes refletores, e apenas através de registros como este, saberão que este foi um dos primeiros estádios do Brasil, e estádio de uma das primeiras sociedades esportivas do Brasil, o Cosmopolitano Futebol Clube.