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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

"CHUVA DE IRRESPONSABILIDADES"




 Revolta, indignação e a mesma indagação de décadas: até quando isso será rotina na vida de milhares de cosmopolenses?

Ônibus sucateados, na maioria sem condições de atender com dignidade os usuários; constantes falhas mecânicas, decorrentes dos anos de uso e falta de manutenção regular; sobrelotação de passageiros, acomodações precárias para usuários e trabalhadores; conservação sanitária duvidosa, visível em toda área interna do veículo; goteiras, falta de sistema de ar condicionado, janelas danificadas; poltronas extremamente desconfortáveis, muitas destruídas pelo vandalismo e tempo de uso (...)

São as várias reclamações, postadas diariamente por milhares de usuários das linhas intermunicipais. Ônibus responsáveis pelos percursos Cosmópolis à Paulínia, Limeira, Campinas e bairros, transportando diariamente moradores de Cosmópolis, e demais cidades circunvizinhas, como Artur Nogueira.

A foto, é um dos registros feitos nesta manhã de sexta-feira (03). Em meio a incessante chuva, dezenas de trabalhadores cosmopolenses aguardam o conserto do ônibus intermunicipal da VB Transportes. Passageiros aguardam socorro mecânico do ônibus, no acostamento da SP-332, rodovia que liga Cosmópolis à Paulínia.

A cena transmite revolta e indignação, por ser a rotina diária de milhares de usuários das linhas intermunicipais. Recentemente, usando como argumento o reajuste de R$ 0,20 nas tarifas dos pedágios, a empresa aumentou em R$ 0,30 as passagens.

Mesmo com os descontos no diesel e impostos, alcançados com as greves de maio, a empresa realizou os aumentos das passagens.

Atualmente os serviços de cobrança dos ônibus foram modernizados pela empresa, sendo dispensados os cobradores. A medida adotada pela empresa, visa a modernização dos sistemas de cobranças.

Com o pagamento via cartões, diminuíram os índices de assaltos nas linhas, mas também, trouxe o fim dos cobradores.

Texto Adriano da Rocha
Foto Vitor Mattos

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

COSMOPOLENSE DE RAÍZES E CORAÇÃO

52 anos de saudades
Cantor Paulo Queiroz, o Paulito de Cosmópolis

Texto Adriano da Rocha

Fotos Nivaldo Otavani e discoteca Acervo Cosmopolense

Único compacto  33rpm, disco solo de Paulo Queiroz, gravações Chantecler de 1964.  Neste compacto, destaque para o sucesso Angelita, uma das músicas de maior sucesso do ano. Paulo Queiroz fez a versão e a gravou pela primeira vez, com lançamento pela Chantecler em maio de 1964.

COSMÓPOLIS, DEZEMBRO DE 1965 
  Formando nuvens de poeira na SP-332, na época uma estradinha de terra que parecia uma “colcha de buracos”, um possante cadillac aproximava-se de Cosmópolis.

O “ronco” do possante motor, anunciava sua vinda ao cruzar a velha ponte sobre o Rio Pirapitingui. O pujante barulho, atraia a curiosidade da colonada do Batata, que abria as icônicas janelas azuis das casas e saia no terreiro da colônia. Admirada, a colonada observava fascinada o gigantesco automóvel descendo a Rua João Aranha.

 Entre as ruas Campinas e Ramos de Azevedo, o magnifico automóvel estacionava para abastecer no Posto de combustíveis da família Andretto. O cadillac bicolor, nas cores branco e verde claro, contrastava em sua funilaria, o tom vermelho do chão da Rua Campinas, ainda sem asfalto.

Dois homens desciam do carro, chamando o proprietário, o mais novo sem perguntar o preço, cordialmente falava:

“Está aqui as chaves. Pode encher o tanque, o restante do dinheiro fica para o senhor. Quando terminar o abastecimento, pode colocar ao lado da Alfaiataria do Zuza Nallin. No campinho de futebol mesmo, a molecada não vai reclamar”.

O proprietário ganhava o dia, quase uma bomba inteira, só para encher o tanque do cadillac.

ILUSTRES VISITANTES 
Teddy Vieira, um dos maiores compositores da histórica musical brasileira. Amigo de Paulo Queiroz, e um dos responsáveis artísticos da gravadora Chantecler./ Foto Adriano da Rocha

  Os homens subiam a Rua Campinas, muito bem vestidos, acompanhando as tendências americanas da moda. Usavam termos espojados, camisas de colarinho largo, gravata fininha, calças bem cortadas, e sapatos bicolor (branco e preto), reluzentes no tom escuro, mas já cobertos de poeira vermelha.

Próximo a alfaiataria Nallin, os homens batiam palma em uma das primeiras casas construídas em Cosmópolis. Na verdade, a primeira casa de um conjunto de construções, ondem residiam as famílias Toledo Silva, Nabão e Queiroz.
Um jovem atendia, era o padeirinho Horácio de Queiroz, espantado olhando em uma fresta na porta, perguntava quem é??
“Sou eu, o Paulito!! Estou com o Teddy, trouxe umas lembrancinhas aos parentes”.

O jovem contente chamava os pais, avós, tios e irmãos, que orgulhosos chegavam de encontro ao ilustre parente. A criançada já corria para chamar a parentada, saindo das poucas casas próximas, na maioria, residências de uma mesma família.

Sobre o portão feito de madeira trançada, estavam dois dos maiores compositores da história musical brasileira. Sendo um deles, orgulhosamente, com raízes infindas em Cosmópolis. Paulito, era Paulo de Queiroz, com seu amigo Teddy Vieira.
Teddy, consagrado compositor, instrumentista e diretor artístico, criador de sucessos como Menino da Porteira, Boiadeiro Errante, Rei do Gado, Dona Felicidade, Couro de Boi, Pagode em Brasília, entre inúmeros outros grandes sucessos. Considerado na época, o compositor sertanejo mais bem sucedido do gênero musical popular.

O jovem Paulito, como era conhecido pelos familiares e amigos, conquistou fama com suas composições e versões de sucessos internacionais. Não esquecendo da marcante voz grave, tom único, que lhe destacava como crooner, cantor de todos os ritmos e estilos.
Em destaque o clássico natalino de Irving Berlin, lançado originalmente em 1942 por Bing Crosby, e interpretado no filme "Holiday Inn" (no Brasil, "Duas semanas de prazer"). Em 1954, Bing a interpretou novamente no filme "Natal branco". Versão brasileira de Paulo Queiroz, cantada em dueto com Giane./ Foto discoteca Acervo Cosmopolense


Das suas versões, quem não se lembra da canção “Dominique”,gravação belga da freira Soeur Sourire (Irmã Sorriso). Na tradução de Paulo, a canção recebia uma versão exclusiva, gravada e imortalizada nacionalmente na voz de Giane.
“Dominique, nique, nique
Sempre alegre esperando alguém
Que possa amar
O seu príncipe encantado
Seu eterno namorado
Que não cansa de esperar”

O SENHOR DOS SUCESSOS
Dominique foi apenas um dos sucessos, os quais Paulo fez versões, o jovem era conhecido no meio artístico como o “Senhor dos sucessos”.
Compositor e versionista preferido de astros do disco, como Agnaldo Rayol, Hebe Camargo, Claudia Moreno, Léu Romano, Rubens Peniche, Edith Veiga, entre inúmeros artistas consagrados da época.
Giane diziam ser sua cantora predileta, não era por menos. Em 15 dias do lançamento de Dominique, em dezembro de 1963, a versão de Paulo de Queiroz alcançava todas as paradas de sucesso nacional. O pequeno disco 78rpm, tornava-se a música mais executada no Brasil, ultrapassando 3 milhões de copias vendidas em menos de um mês


AS RAÍZES COSMOPOLENSES
Início dos anos de 1940- Casa de Luiz Manuel de Queiroz na Rua Campinas. Uma das várias casas onde residiam ,na mesma rua, os familiares de Paulo Queiroz / Foto Acervo Cosmopolense

  Paulo de Queiroz, tinha raízes em Cosmópolis, assim como uma infinidade de parentes. Nasceu em Espirito Santo do Pinhal, quando na década de 1920, sua família partia de Cosmópolis para a famosa terra do café.

Na histórica cidade dos barões, a família Queiroz trabalharia na administração e beneficiamento do café, sendo reconhecidos na região pelo distinto serviço nas fazendas.

Orgulhosos cosmopolenses, garantiam que seus primeiros acordes ao violão (era um exímio músico), foram dedilhados nas sombras dos flamboyants da velha Igreja Matriz de Santa Gertrudes.

Segundo seus “conterrâneos”, a bucólica Cosmópolis, era seu berço de descanso e serenatas, quando passava férias na casa de parentes.

Suas primeiras palavras em italiano, idioma que fez inúmeras versões de sucessos brasileiros, o jovem aprendeu com a colonada da Usina Esther. Garantia uma saudosa colona do Ranchão.

As canções da França, com certeza foi o velho Luiz Lefloc, imigrante francês, quem ensinou o jovem Paulito. Assim, inúmeras “estórias” e “causos”, sempre marcavam o ilustre “conterrâneo” à pequena Cosmópolis.

Na verdade, os idiomas italiano, francês, inglês e espanhol, Paulo aprendeu quando estudava em Campinas, e nos renomados colégios de Pinhal. O dom musical, este a pessoa nasce com tal predileção, os estudos somente aperfeiçoam o talento. Como foi o caso de Paulo.


DIVULGAÇÃO E ÚLTIMA VISITA
"Nosso Presente de Natal", ultima gravação feita por Paulo de Queiroz, compacto gravado em dueto com Giane. Um dos compactos mais vendidos da gravadora no fim dos anos de 1960.


A breve e rápida passagem de Paulo e Teddy, naquela manhã de 1965, acontecia pelo lançamento do compacto “Nosso presente de Natal”. Gravado por Giane em dueto com Paulo Queiroz.

O pequeno disco, trazia quatro imortais sucessos natalinos, Natal branco (White Christmas), música de Irving Berlin, com versão de Paulo Queiróz, Noite feliz (Franz Gruber - Pe. J.F.Mohr), Boas festas (Assis Valente) eFeliz Natal (Klecius Caldas - Armando Cavalcanti).

Ao lado de Teddy, o jovem compositor fazia a divulgação do compacto nas emissoras da região. Na ocasião, os compositores voltavam de Campinas, seguindo para as cidades de Limeira e Piracicaba, onde o disco seria entregue nas rádios e serviços de alto falantes.

Teddy, era um dos responsáveis artísticos da gravadora Chantecler, a famosa gravadora do galinho, realizando com Paulo, a divulgação do recente trabalho do cantor.


Em destaque o clássico natalino de Irving Berlin, lançado originalmente em 1942 por Bing Crosby, e interpretado no filme "Holiday Inn" (no Brasil, "Duas semanas de prazer").  Em 1954, Bing a interpretou novamente no filme "Natal branco". Versão brasileira de Paulo Queiroz, cantada em dueto com Giane. / Foto discoteca Acervo Cosmopolense

  Aos familiares, deixou alguns compactos e chaveiros da gravadora (com o brasão do galinho de Barcelos). Antes da partida para Limeira, uma rápida passagem no serviço de alto falantes “A Voz de Cosmópolis”, localizado na Praça do Coreto.

A voz do jardim, a lendária Modestina, recebia dos compositores o compacto autografado, o qual durante anos ficou exposto em seu bar na Rua Ramos de Azevedo esquina com Otto Herbet.

A saudade da querida Cosmópolis, fazia o cantor ter a breve paragem, seria o último adeus a terra de sua infância.

A MORTE NA RAPOSO TAVARES
Edição do Diário da Noite, de 17 de dezembro de 1965, trazendo com destaque a tragédia que vitimou sete vidas. Foto Acervo do historiador caipira Nivaldo Otavani

  Em 16 de dezembro de 1965, dias depois da breve visita cosmopolense, um acidente vitimava os amigos Paulo e Teddy Vieira.

Na Rodovia Raposo Tavares, em Buri, cidade vizinha de Itapetininga, o Simca de Teddy capotava. O carro tentava fazer uma ultrapassagem, ao invadir a outra via, o veículo perdia o controle, capotando várias vezes. O jornal paulistano, Diário da Noite, destacava sua capa com impactantes fotos, trazendo a manchete: “Morte na contra mão a 120 km por hora!”

O quilômetro 139 da Raposo Tavares, marcava tragicamente as mortes dos sete ocupantes do veículo. Morriam Teddy Vieira, Paulo Queiroz, o cantor Lauripes Pedroso (da dupla Irmãos Divino) e sua filha, Antônio Pedroso e esposa Jandira (pai e mãe do cantor), e o Tenente Manoel Farao. Paulo Queiroz estava com 28 anos de idade.

Os amigos viajavam à Buri, para passar as festas de Natal e ano novo. Familiares de Teddy, nascido na região, aguardavam os amigos para festejar, pescar e caçar na cidade. O trágico acidente comovia o Brasil inteiro, o governador Adhemar de Barros decretava luto oficial no estado de São Paulo.

A morte ceifava a vida dos corpos, porém nunca a vida artística dos amigos, imortais como seus nomes e trabalhos musicais.



Feliz Natal , e paulistamente falando: Boas janeiras de começo de ano.
Que possamos ter  o progresso como palavra principal em 2018. Que seja um ano de progresso em todos os sentidos e setores de nossas vidas.

Abaixo uma seleção especial de sucessos de Paulo Queiroz




"Natal branco". Versão brasileira de Paulo Queiroz, cantada em dueto com Giane.


Paulo Queiroz - Orquestra e Coro Chantecler, sob a regência de Francisco Moraes - ANGELITA (Angelita di Anzio) - Romano - Minerbi - versão de Paulo Queiroz. Disco Chantecler C-336051 - Angelita - Saudade em Prelúdio - Paulo Queiroz.


Texto Adriano da Rocha
Fotos Nivaldo Otavani e discoteca Acervo Cosmopolense


terça-feira, 6 de junho de 2017

LUTO COSMOPOLENSE

ADEUS TONINHO DO RANCHÃO  
Texto adriano da Rocha
Fotos Acervo família Leoni
 



  Cosmópolis dá adeus ao filho que marcou a história de inúmeras gerações, principalmente os eternos jovens dos anos de 1970 e 80. Criador de um projeto comercial simples, sem muitos recursos, que inovou, mudou costumes e tornou-se referência regional da cidade, a Lanchonete e Restaurante Ranchão.

Faleceu no início da noite de segunda-feira (5), aos 71 anos de idade, Antonio Carlos Leoni, o popular Toninho do Ranchão. O corpo aguarda os amigos para última despedida no Cemitério Municipal da Saudade, onde às 16 h será feito o translado ao Crematório dos Amarais, em Campinas.
 
Ilustre personagem cosmopolense 

No fim dos anos de 1960, época de revoluções na política, música e costumes, o jovem Toninho Leoni, filho de percursores do transporte em Cosmópolis, resolveu fazer a sua revolução na cidade. O trabalho no comércio da família, a Auto Viação Cosmópolis, não era a predileção do jovem, que via na nova fase da cidade, uma excelente oportunidade comercial.

A pequena cidade transformava-se com a construção em Paulínia da Refinaria do Planalto, a Replan. Milhares de imigrantes chegavam em Cosmópolis, a cidade neste período despontava como um berço para os operários da gigantesca obra, a qual nascia como a maior refinaria da Petrobras no Brasil.
Cosmópolis crescia rapidamente as margens do progresso de Paulínia, antigos barracões dos áureos tempos das tecelagens, casas comerciais, velhos armazéns, eram transformados em hospedarias, pensões e hotéis.

Inovação para os jovens
Para atender a gigantesca demanda de novos moradores, surgiam lojas de roupas e calçados, e muitos bares. Mas, e o divertimento para os jovens na época, que assim como a cidade mudavam seus costumes!?

O divertimento seguia os costumes do interior paulista, dos tempos da velha guarda, algo já “maçante” como dizia a jovem guarda.

A moçada tinha como divertimento dar voltas nos jardins da Praça do Coreto, ouvir e oferecer músicas no serviço de alto falantes, assistir filmes no Cine Theatro Avenida, e reunir amigos para conversar nas esquinas da Rua Campinas, Santa Gertrudes e no largo da Matriz.

Sempre visionário e empreendedor, Toninho resolveu investir tudo que tinha pensando neste público, que jovem como ele, não tinha opções na cidade. Quem tinha carro, raras exceções, buscava divertimento em Conchal, Campinas e até Andradas, movimentando os comércios destas cidades.

O Ranchão da Avenida Ester
O registro do início dos anos 1990, mostra o Ranchão antes do incêndio que destruiu parcialmente o local
 
Com ajuda de amigos e da família, o sonho tornava-se realidade. Em um amplo espaço inutilizado, que no projeto inicial da Villa de Cosmópolis seria uma rua, o novo comércio nascia.

A construção era simples, chão de cimento queimado entre cacos de cerâmica, paredes de tijolo à vista com janelões, vigas de madeira e cimento formavam a estrutura, coberta com telhas de cerâmica e canaletão de amianto. Um verdadeiro rancho paulista, mas pelo tamanho do local, surgia o nome Ranchão.

Lanchonete, restaurante e ponto de encontro
O ambiente era dividido, com espaço reservado para lanches rápidos (preferência dos jovens) e refeições familiares. No enorme salão, contrastavam as disputadas mesas e cadeiras fixas de cimento (iguais às de praças), entre mezaninos de madeira e aço, fornecidos pelo depósito de bebidas do Odair Sala, com o inconfundível logo da Companhia Antárctica.


Nas paredes o inconfundível relógio da Cachaça Velho Barreiro, chamativas propagandas em neon dos cigarros da Souza Cruz e Philips Morris, entre placas de aço da Coca Cola, Fanta Laranja e guaraná Brahma. Outro chamativo na época, era a facilidade da cerveja em lata, então comercialidade pela Skol.

O cardápio era diverso, opções não faltavam para todos os gostos, o cliente escolhia de uma gostosa porção de provolone à milanesa com filé, calabresa acebolada, peixes e frios, aos enormes pratos feitos servidos no almoço e jantar. A padaria Santo Antonio, do Octacílio Padeiro, logo a frente, fornecia os pães especiais para o preparo dos lanches. 

Propaganda do Ranchão no semanário Jornal de Cosmópolis, edição de 1987

 O Ranchão inovava ao mudar o pão de baguete (pão francês comprido), ao montar os lanches no sistema americano, o pão de hambúrguer que conhecemos hoje, uma sensação na época.
Comida, bebida ao som de sucessos ao vivo
 

O tempero caseiro, tipo de mamãe da Usina Esther, os hamburguês feitos artesanalmente, a maestria do Toninho na chapa, assim como no preparo de “coquetéis” e batidas, combinavam perfeitamente com o principal chamariz do Ranchão: a música ao vivo.

Na concepção do espaço, o atrativo aos jovens era a música, apresentada por bandas, cantores e grupos vocais de Cosmópolis e região.

No palco projetado com destaque nos fundos, a acústica era amplificada em todo salão, as apresentações aconteciam de sexta à domingo. Sempre eclético, o palco recebia de artistas consagrados do Blues nacional, pop Rock, samba e sertanejo.
Mas com certeza, a maior alegria do Toninho eram os novos talentos, que tinham no Ranchão sua primeira oportunidade de mostrar sua música.


O fim do Ranchão
Durante quase 20 anos, a Lanchonete e Restaurante Ranchão, foi uma das principais referências cosmopolenses na região. Ponto de encontro de gerações, divertimento para jovens e famílias no fim de semana, local que aproximou casais e uniu corações, assim como a primeira oportunidade de emprego de muitos jovens.


O fim material, já que na memória sempre irá existir, aconteceu depois de um grande incêndio que destruí parcialmente as instalações no fim dos anos de 1990.

O declínio com o incêndio, as constantes crises financeiras brasileiras, fez o ponto comercial ser arrendado, Toninho deixava então a direção do Ranchão. As atividades do lendário Ranchão encerram anos depois.

Demolido no início dos anos de 2000, no local foram construídas pequenas lojas comerciais.
 
O incêndio que virou causo popular 
O fatídico dia trouxe enormes prejuízos ao empresário, mas também gerou um causo que entrou para história popular de Cosmópolis. Toninho, sempre bem humorado, recordava dando risada de um triste engano que aconteceu no dia.
A cidade por não possuir uma corporação de Bombeiros, o único atendimento emergencial no combate à incêndios era prestado voluntariamente pela Usina Ester (continua a mesma coisa há mais de 120 anos).

Ao ser acionada a ajuda na Usina, a pessoa aflita gritava no telefone que o Ranchão estava pegando fogo. Prontamente as equipes da Usina seguiram com destino ao Ranchão, mas não o restaurante, e sim a Colônia do Ranchão, distante quilômetros da sede industrial da Usina.

Em tempos que não existia celular, e muito menos telefone fixo em Colônia, o diretor recebeu os funcionários gritando: Pelo amor de Deus corre que é no Ranchão Restaurante na Avenida Ester, e não na Colônia do Ranchão da Usina. Nas idas e vindas, quando a equipe chegou no local, o Ranchão estava parcialmente consumido pelas chamas.

Adeus Toninho do Ranchão
Aos familiares e amigos, os meus sinceros sentimentos e está modesta homenagem póstuma.

O velho Toninho do Ranchão, tenham certeza fez sua parte, deixando importantes páginas em nossa história comercial, mas principalmente na vida de milhares de cosmopolenses.
Boêmio assumido, nunca teve medo de arriscar tudo que tinha em seus projetos, viveu intensamente sua passagem na terra.
Foi empreendedor, visionário, lutou com a vida para viver o seu modo de vida.
Deixou filhos, familiares, amores e muitos amigos, ficando aqui marcantes histórias que sempre serão perpetuadas em nossas lembranças.

Vai em paz Toninho do Ranchão, vários amigos já aguardam sua chegada no reino do Criador.

Fotos Acervo família Exel Leoni

terça-feira, 28 de junho de 2016

LUTO COSMOPOLENSE


 Depois de meses de luta contra o câncer, faleceu aos 64 anos de idade, no fim da tarde desta terça-feira (28), Celso Bueno de Oliveira, o querido Celso da Lanchonete Ponto de Encontro. Celso foi internado às pressas na Santa Casa de Limeira, mesmo com todos os procedimentos de emergência, não resistiu, falecendo por volta das 17h30.
  O sepultamento  será às 14h00 desta quarta-feira, dia 29 de junho, no Cemitério da Saudade. O corpo aguarda a presença dos amigos e familiares para última despedida no Velório Municipal.
  Referência na gastronima cosmopolense
 A história comercial da lanchonete Ponto de Encontro teve início na Rua 25 de Dezembro, próximo ao Hotel Vila Nova, antiga Lanchonete Rampazzo. Neste local, onde a área de alimentação possuía mesas de concreto e chão de cascalho fininho, a “Lanchonete Ponto de Encontro” funcionou durante poucos anos, mudando-se para a residência da família.
  Na própria casa, localizada na Rua Tiradentes, Celso começou uma nova fase, a qual teve inicio  em 1994.  O sonho de criar um ponto de encontro para reunir os amigos e exercer uma das suas paixões, a culinária, recomeçava em uma nova fase.


  Surgia então a nova  Lanchonete Ponto de Encontro, um modesto estabelecimento criado entre a garagem e o antigo jardim da sua residência. Ao longo de mais de 22 anos, o modesto local tornou-se uma referência na gastronomia cosmopolense, ampliando e modernizando as suas instalações, criando sua própria marca e história.

Lanche no prato, vitaminas e a famosa chuleta

 Quem não recorda do famoso lanche no prato criado pelo Celso, uma novidade em Cosmópolis, ou, a famosa pizza ponto de encontro servida em cubinhos!? Os lanches com frango desfiado, carne selecionada e molho especial, a chuleta, as porções e sobremesas, não esquecendo as vitaminas e sucos especiais. Referência na região, marcando época como o ponto de encontro da família cosmopolense.
Saudades dos amigos
Pessoa querida por todos, foi sempre atuante nos meios comerciais, sociais e religiosos; membro da ACICO (Associação Comercial e Industrial de Cosmópolis), conselheiro do Hospital Beneficente Santa Gertrudes, figura de destaque na Comunidade da Igreja Nossa Senhora Aparecida, sempre reconhecido pelo carisma e idoneidade.
Em nome do Grupo Filhos da Terras e amigos de Cosmópolis, os nossos sinceros sentimentos a família Bueno de Oliveira. Pedimos ao criador neste triste momento da despedida que traga o conforto e a misericórdia aos familiares. Grande Celso, vai com Deus estimado amigo. Os lanches e pizzas agora vai possuir um novo tempero: a saudade...
Foto Acervo familiar

segunda-feira, 28 de março de 2016

Luto Cosmopolense: Adeus José Honorato Fozzati

  Texto e fotos Adriano da Rocha
Aos 73 anos, faleceu na madrugada de segunda-feira(28), um dos maiores defensores de Cosmópolis



  Faleceu na madrugada desta segunda-feira ( 28), aos 73 anos de idade , José Honorato Fozzati , ou, popularmente como era conhecido, “ Zé Norato do Ecin”, vitima de um infarto , decorrente de várias complicações de saúde que enfrentava nos últimos anos. Seu corpo será velado para a última despedida, na “Loja Maçônica 31 de março”, localizada na Rua Antônio Carlos Nogueira, 1860, saída para Paulínia/Campinas. O corpo despede-se da “Grande Loja” às 16h00, saindo em cortejo para o sepultamento no Cemitério Municipal da Saudade. Autoridades municipais decretaram luto oficial de três dias, pavilhão cosmopolense hasteado a meio mastro.

   Em 1943, nos fundos da antiga casa comercial dos Fozzati, uma loja de armários e alfaiataria da família, localizada na Rua Campinas, esquina com a Rua Campos Salles, local onde funcionou durante décadas a primeira Lotérica de Cosmópolis, nascia José Honorato, o 4ª filho do casal Dinorah Frungilo e Honorato Fozzati, o popular Honorato alfaiate. O menino muito tímido e reservado (traços que o acompanharam por toda a vida), começou a trabalhar ainda criança para ajudar a família. Aos 7 anos de idade, seu primeiro emprego foi como ajudante de marceneiro da lendária “ Oficina de Marcenaria e Carpintaria Tavano”, comandada pelo mestre Paulo Tavano.

   
Final dos anos 50, José Honorato (terceiro de roupas brancas), junto aos irmãos e familiares, em frente a Alfaiataria e armarinhos Fozzati, localizado na Rua Campinas esquina com a Rua Campos Salles. O prédio ainda resiste aos mais de 70 anos de sua construção, assim como o esplendoroso pé de manga, que pode ser visto no lado direito da foto ao fundo.

  O menino franzino ficou pouco tempo neste ofício, os trabalhos eram extremamente árduos para uma criança, foi quando o saudoso casal Constantino Ferreira , “Tita Bichara” e sua esposa Dona Júlia, convidaram José Honorato para trabalhar na “Loja do Tita”, onde permaneceu como ajudante durante anos. Os trabalhos na Loja do Tita começavam somente à tarde, depois de sair das aulas no “Grupo Escolar Rodrigo Octávio Langard de Menezes”, Escola do Rodrigo. Quando o tio Milton Frugilo tocava a sineta anunciando o término das aulas, José descia correndo a Campos Salles para almoçar e, rapidamente já ir para as ocupações na Loja do Tita. Na loja que tinha de tudo, Fozzati, montava móveis, vendia pregos por quilo, cortava tecidos, fazia de tudo, uma verdadeira escola, com o velho Titia, um dos mais habilidosos comerciantes de Cosmópolis.
  
  
 A velha Cosmópolis crescia as margens da Cia Sorocabana, em um progresso comercial incrível, o velho Honorato já não dava conta dos inúmeros pedidos de ternos e calças, clientes de toda a região procuravam seus serviços e do irmão Tharcílio Fozzati. Profissionais do corte e costura, “moldados” pelos mestres da alfaiataria Irmãos Nallin. Para ajudar o pai, José deixou a Loja do Tita e começou a aprender o oficio de alfaiate, trabalhando ao lado do irmão Antônio Carlos e das irmãs Maria Therezinha, Maria José e Maria Aparecida.
Final dos anos 50...Alfaiataria Fozzati, com suas maquinhas Singer "a toda pedaladas", movimentadas pelos irmãos Fozzati, comandados pelo mestre Honorato Fozzati, patriarca da família. José é o primeiro ao lado esquerdo.


  No fim dos anos 50, José Honorato e cerca de cem alunos, inauguravam o Ginásio Estadual Dr. Paulo de Almeida Nogueira, o popular Gepan, a turma constituíram os primeiros formandos ginasiais de Cosmópolis. Aos 19 anos, José Honorato ingressou os estudos no tradicional “Grupo Escolar Culto a Ciência”, centenária escola campineira, responsável pela formação acadêmica de vários imortais paulistas, como governadores, deputados e senadores . Para ajudar o pagamento das mensalidades escolares, José era contrato como escriturário do primeiro escritório de contabilidade de Cosmópolis, a “Aldohir Miguéis Contabilidade e Advocacia”. Nascia em 1962 às primeiras linhas da sua maior paixão a contabilidade, ramo comercial que dedicou intensamente todos os dias de sua vida.
  
1958..."Ginásio  Estadual  Paulo Almeida Nogueira", popularmente conhecido pela abreviação GEPAN. Foto oficial do ano de inauguração da escola, que recebia o nome de um dos principais diretores da Usina Ester, Dr Paulo Nogueira, esposo de Ester Coutinho Nogueira, genro de José Paulino Nogueira.

  Em 1965 ingressou os estudos na PUCC Campinas, formando-se anos depois em Ciências Econômicas pela instituição. Neste período acadêmico, José estudava e residia em uma pensão em Campinas, voltando para Cosmópolis somente quando sobrava algum dinheiro, para pegar a famosa “poeirinha”, nome das jardineiras que faziam o trajeto, ou odisseia, devido a condições das estradas de terra que ligavam Campinas à Cosmópolis, o apelido “poeirinha” era por esse motivo.

  Formado pela PUCC, em 1967 recebia o convite de Osvaldo Heitor Nallin, para trabalhar na administração do Escritório de Contabilidade Irmãos Nallin, o popularmente conhecido “ECIN Contabilidade”. Nascia então uma amizade e uma parceria, surgia José Honorato no ECIN para rescrever a história comercial cosmopolense, desta empresa que há quase 60 anos é um dos escritórios mais respeitados da região, responsável pela contabilidade fiscal, tributária e administrativa, de milhares de empresas da cidade e região.
  
  Confesso que ainda estou conturbado pela notícia de seu falecimento, escrevi essas linhas recordando os fatos que ouvi de sua vida, contados por ele mesmo em nossas conversas no ECIN, e outras demais prosas as quais durante horas conversava com meu pai, também saudoso, Juvenil da Rocha. Meu pai estudou com José, uma amizade que teve início nos anos 50, quando meu pai entregava carnes para o açougue do Garutti, e José Honorato entregava de casa em casa, revistas e jornais da banca do Alaor.
Em 2015,  alunos da Escola Rodrigo, homenageavam o ex aluno e defensor do antigo Grupo Escolar. Já debilitado pela doença, Fozzati buscou forças, desceu com ajuda as escadarias do Ecin e, foi ouvir a "Fanfara do Rodrigo", a qual tem José Honorato Fozzati como seu patrono. Foi está uma das últimas homenagens que José Honorato recebeu em vida. (Foto Ismael Silva)

  Um político que não era político, foi candidato uma única vez, atendo a pedidos de amigos e do sócio Osvaldo Nallin. Naquela época praticamente era obrigado pessoas ligadas ao comercio serem filiadas a um partido, no caso ARENA ou MDB. José Fozzati foi candidato a prefeito pelo MDB em 1972, perdendo para Orlando Kiosia. Com muita sabedoria e orgulho ouvi do amigo: “Por muita sorte não venci, não sou político, mas se tivesse, nunca que a estação seria demolida ”. Em 1973, por caprichos políticos de um grupo da cidade, a antiga Estação da Funilense foi totalmente demolida, para na época dar lugar a nova Rodoviária, projeto que nunca saiu do papel.

  Cada geração de cosmopolenses  terá uma lembrança do José Honorato, a geração 70 e 80, turminha da minha mãe, lembraram-se do Fozzati na extinta “Escola do Comércio “, como professor de matérias extremamente técnicas, como matemática, contabilidade e administração, as quais lecionava com verdadeira paixão pelos números e seus cálculos. Os alunos lembraram-se do professor e, também do querido Diretor Escolar do Comércio, sempre compreensivo e tolerante, um administrador escolar, consolidador e conselheiro das centenas de alunos da renomada Escola Técnica de Cosmópolis.

  A quem se lembrará do empreendedor, do conselheiro e amigo comercial de Cosmópolis, o Zé do Ecin ou Zé da Acico. Na Associação Industrial e Comercial de Cosmópolis (Acico), ao lado do saudoso Milvio José Di Sacco, o Milvio da Utilar Magazine, foi um dos percursores da instituição, responsável pela construção da Sede da Associação , e graças a sua luta o não fechando da Acico no final da década de 80, que enfrentava uma grave crise financeira.

  Na Loja 31 de Março, foi um dos fundadores da Sede e da oficialização da Maçonaria em Cosmópolis, ao lado de Frederico Capraro, Sidney Crepaldi, Miguéis e outros veneráveis. História maçônica cosmopolense ,que começou em um pequeno barracão comercial ao lado da casa de sua irmã Maria Fozzati, na Avenida Ester, local onde funciona atualmente uma Loja de Embalagens. Na loja, foi Aprendiz, Vigilante e Venerável Mestre. Aos cosmopolenses, a memória das grandes festas da “Feira Comercial e Industrial de Cosmópolis”, organizadas por José Honorato e irmãos, para construção da Loja 31 de Março, onde se apresentaram cantores como Jessé, Sérgio Reis, Chacrinha e suas Chacretes, Jair Rodrigues, entre inúmeros “astros dos discos e televisão”.
Março de 2016..No registro fotográfico a reunião da família Morais Fozzati: Mariana Fozzati, Aparecida Moarais, Daniel Fozzati e José Honorato Fozzati.

  José Fozzati, participou intensamente da vida comercial e filantrópica cosmopolense, dentro e fora do Ecin, foi presidente da ACICO, do Hospital Beneficente Santa Gertrudes (cargo que ocupou quando estava extremamente debilitado ), presidente do antigo Grêmio, Lions, conselheiro, fiscal e demais cargos no Cosmopolitano, uma lista imensa de contribuições às instituições cosmopolenses.

Enfim, tanta história para contar deste homem que fez história e, adorava resgatar e contar a história de Cosmópolis. José Honorato, foi o pioneiro a resgatar a história de Cosmópolis, digitalizando antigas fotos de amigos e clientes do ECIN. Um resgate que se tornou uma de suas maiores paixões da vida, exposta em todas as paredes do seu escritório, contada em dois livros que escreveu, “As Crônicas de uma cidade chamada Universo”, que virou até peça teatro nos palcos da “Escola Paulo Freire”, ou escrito semanalmente na coluna que escreveu durante anos no jornal “Gazeta de Cosmópolis”.
Na Gazeta de Cosmópolis, com certeza José Honorato trouxe com sua coluna, ou entrevistas especiais falando sobre a “antiga Cosmópolis”, um dos mais importantes resgates históricos de nossa cidade. Semanalmente na Gazeta, Fozatti semeava em palavras o amor e respeito a nossa história, imensuravelmente um trabalho magnifico sem precedentes. Trabalho o qual tive a oportunidade de contribuir, e hoje luto para perdurar com o mesmo afinco e amor, com o nosso “Acervo Cosmopolense”.
2015\ Prédio do Escritório Ecin na Avenida Ester, neste local Prédio Ana Victória, desde o início dos anos 2000, são realizados os trabalhos empresariais da equipe de Fozzati. (Foto  Ecin)

  Faltam palavras neste momento, Cosmópolis está de luto. A cidade perdeu um dos seus maiores defensores, o filho que amou intensamente a Mãe Cosmópolis, por 73 anos de sua vida neste chão. Aqui nasceu e escolheu Cosmópolis, para dedicar sua vida a construir a história de seus filhos, através do seu trabalho, e escrever e rescrever a nossa história. Merece o descanso velho guerreiro, os braços do Grande Arquiteto Do Universo esperam a sua chegada.

  Interceda por  sua querida Cosmópolis junto a Deus, assim como fez aqui na terra, com o mesmo amor e dedicação. Ficarão desmedidas saudades, assim como um colossal legado de honra e respeito à Cosmópolis. Em nome do povo cosmopolense, OBRIGADO José Honorato Fozzati. Vai em paz velho amigo.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

TRABALHO AOS TRABALHADORES


   Aos trabalhadores o descanso merecido, aos desempregados mais um dia de esperança.Trabalho que traz vida aos sonhos, trabalho que enobrece a alma e edifica o homem na sociedade...




FELIZ DIA DO TRABALHO E DOS TRABALHADORES
Os votos do Grupo Filhos da Terra a todos os trabalhadores Cosmopolenses.

   Ilustração criada em registros da vida de um trabalhador da Usina Esther, feita sobe base de documentos trabalhistas do saudoso Avelino de Souza, o popular "Pirigoso". Igual a muitos trabalhadores cosmopolenses começou ainda criança sua “labuta” nos canaviais da Usina Esther, sendo um dos primeiros membros do “Sindicato dos trabalhadores “na” indústria do Açúcar”, com ficha de número 002. Com a aposentadoria no final da década de 50, mudou-se para o nascente bairro da Vila Nova, e na Rua Campinas foi um dos primeiros “bicicleteiros” da cidade, mestre no oficio de gerações de profissionais deste ramo.

Texto e foto Acervo: Adriano da Rocha

sexta-feira, 13 de março de 2015

POSTAIS COSMOPOLENSES

    Usina Esther 116 anos... 
    
    Centro Colonial da Usina Esther retratado em um bilhete postal pela famosa companhia internacional Colorisee Editora Simi-Bremure A. Freres, com sede em Paris França. A colônia é desconhecida, mas nota-se no registro fotográfico (possivelmente feito pelo mundialmente renomado photographo Guilherme Gaensly, primeiro a registrar terras cosmopolenses) as colônias margeiam um rio, seria o Rio Jaguari ou Pirapitingui?? Em ambos os rios existiam colônias de imigrantes Italianos, sendo que as primeiras casas de colonos construídas em alvenaria foram edificadas próximas aos rios no final do século 19, dando lugar as velhas casas de madeira construídas pela família Barbosa, antiga proprietária da Fazenda do Funil.

   A colônia retratada será a antiga colônia do Ranchão, ou a colônia Jaguari (primeiras colônias edificadas pela família Nogueira para abrigar imigrantes italianos, responsáveis pela construção da Usina e formação dos primeiros canaviais)?? O bilhete postal está registrado pela companhia de correios brasileira com data de envio de 18/03 de 1912, porém o registro fotográfico pode ser anterior, já que a companhia Francesa realizou diversos registros em terras cosmopolenses em 1896/1900, antes da compra oficial da Fazenda do Funil pela família Nogueira (oficialmente em 02/03/1898).

   Lindo registro adquirido ao nosso acervo via um leilão internacional, arrematado de um colecionador do Reino Unido, o qual comprou o postal em um velho sebo em Frankfurt, Alemanha. Um pequeno bilhete com mais de 100 anos de muita história pelo mundo, em suas passagens via correio postal. Voltando ao Brasil, para resgatar e contar um pouco mais da história de glórias da velha Cosmópolis, a antiga “Nova Campinas” Paulista.

Texto e foto Adriano da Rocha

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

LUTO COSMOPOLENSE

  Com triste sentimento anuncio aos amigos o falecimento de Antonio Nelson Kantovitz, que faleceu no Sábado (24/01) aos 74 anos de idade. Seu corpo foi sepultado no Cemitério da Saudade em Cosmópolis no Domingo às 10h00. Figura muito querida, e de grande importância na história de Cosmópolis, principalmente na história de vida de muitos cosmopolenses.

    Antonio Nelson Kantovitz, era natural de Piracicaba, escolheu Cosmópolis como seu segundo berço a mais de 50 anos, figura de destaque no ensino ginasial e no rádio cosmopolense. Casado com a querida Dona Namyr Cavagnini Kantovitz, da feliz união tiveram um único filho, o maior orgulho do casal, o jornalista e radialista João Alberto Kantovitz.

  Seu Antonio como era carinhosamente conhecido, foi professor em diversas escolas cosmopolenses, um exemplo de profissional, sempre lembrado pelos amigos de ensino por seu caráter, respeito, e amor pela profissão, a qual escolheu ainda menino. Tantas histórias marcaram sua trajetória profissional na extinta Escola do Comércio, EEPG de Cosmópolis (atual Nicolau Nolandi), GEPAN, LOCAK, entre outras, ocupando os cargos de professor de Geografia, Moral e cívico, e os cargos de diretor e vice-diretor.
Austero, de um português impecável, sua voz firme e um tom único o levaram na década de 90 a estrelar nas manhãs cosmopolense de Domingo; um programa dedicado as músicas orquestradas, Jazz band’s, velha guarda e sinfônicas, o popular Audições, (entre outros nomes o mais conhecido) o famoso programa do Seu Antonio, iniciado pontualmente as 11h00, sempre anunciado com marcantes prefixos musicais do maestro Ray Conniff...

  Meu particular amigo nos tempos no rádio cosmopolense, fui sonoplasta e discotecário dos seus programas nas nossas saudosas emissoras “comunitárias”. Refugio dos apaixonados por Cosmópolis e pelo rádio, recanto dos astros do microfone municipal. Radialista de destaque nas emissoras: Rádio Frequência FM, Rádio Dinâmica, Rádio Cristal FM, Rádio Livre Expressão, Rádio Você, entre outras as quais sempre exerceu com maestria seu maravilhoso programa dominical. Nos domingos cosmopolenses era tradição o almoço ao som dos sucessos instrumentais “radiados” pelo querido Antonio Nelson Kantovitz, sua voz era inconfundível, não era "imposta", grave por natureza, e o português, sua marca maior, erudito, uma verdadeira aula de língua português .

  Fica aqui minha singela e modesta homenagem ao querido amigo, me pegou de surpresa sua partida, chega a faltar palavras. A família enlutada, aos amigos, aos milhares de ex-alunos, os meus sinceros sentimentos. Que Deus em sua infinita misericórdia nos conforte neste momento. Grande amigo Antonio Nelson Kantovitz, seu Antonio, descanse em paz, o Criador neste momento tem ao seu lado um dos seus mais fieis representes, Vai com Deus Seu Antonio, vai com Deus grande amigo.


Texto Adriano da Rocha

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