terça-feira, 31 de julho de 2018

ÓLEO NAS ÁGUAS DA REPRESA

MEIO AMBIENTE

Texto Adriano da Rocha
F
otos Conceição Tetzner



  Nas barreiras do Paredão, extensas manchas marrons contrastam nas águas do Rio Pirapitingui. Nas turbinas e caixas de contenção, as manchas ressaltam nas águas, misturando-se com muito lixo e detritos de queimadas.
As margens da antiga “Prainha”, sobressaem o tom marrom nas areias do antigo ponto turístico.

As manchas marrons não são vinhaça, popularmente conhecida como restilo, resíduo pastoso e malcheiroso que sobra após a destilação e fermentação da cana-de-açúcar. Ao contrário do restilo, utilizado há mais de 100 anos nas terras, o liquido marrom não é biodegradável, e surgiu nas águas recentemente.



O sobressalente liquido, são resíduos de óleo, deixados na combustão dos motores de jet-skis e lanchas.

Segundo grupos cosmopolenses de proteção ambiental, o óleo é recorrente de motores dois tempos, irregularmente utilizados em alguns modelos de veículos aquáticos.

As marcas dos possantes veículos podem ser vistas facilmente nas águas. Com o intenso sol da manhã, seus raios são refletidos em vastas manchas por toda a Represa.

Preocupante nos remansos do Pirapitingui, ponto de procriação de inúmeras espécies de peixes.

A violência dos turbos dos “jet-skis” rebentam as ovas dos peixes e matam os alevinos, declara o site Greenpeace.
Organização global e independente que defende o meio ambiente e promove a paz.


Na maioria das cidades paulistas, o trânsito de veículos como o Jet-ski, é estritamente proibido em represas, barragens e remansos de criação natural de peixes.

Em cidades como Jaguariúna e Campinas, é permitido em locais específicos com fiscalização, liderados somente com comprovação de cidadania local dos indivíduos.

Como não é possível exigir consciência social, alguns municípios adotaram medidas específicas para proteger a vida humana e o meio ambiente.

Em Cosmópolis, não existem leis de fiscalização e proibição do uso de Jet-ski nas “águas cosmopolenses”. O perigoso“agravante moderno”, não é citado nas leis orgânicas e ambientais do município, inicialmente criado nos anos 1980.

O ponto alarmante, é que desde 2012, a Represa é o único reservatório de abastecimento de Cosmópolis. Responsável pela captação, tratamento, e distribuição de águas, para mais de 70 mil habitantes.

A situação é preocupante, devido ao aumento semanal dos veículos nas águas, gerando a proliferação acelerada do óleo em toda represa.

Estudos do Greenpeace, enfatizam que dez “jet-skis” trafegando durante duas horas, sozinhos despejarão cem litros de óleo nas águas.

Em fins de semana, é possível contar até mais de dez veículos circulando nas águas da Represa, sem nenhuma fiscalização.

Em território paulista, a regulamentação e fiscalização, é realizada pela Capitania dos Portos de Santos, em parceria com autoridades municipais.

Leis ambientais federais e Estaduais, proíbem a pratica esportiva e recreativa de veículos aquáticos, em áreas de reserva de águas para consumo humano.

As mesmas leis são ainda mais severas, na questão do impacto ambiental no meio ambiente.

Os jatos dos veículos espalham os sedimentos químicos no fundo das águas, impregnando este produto no fundo dos rios, transformando-se em resíduo permanentes do solo.

Consequentemente, o fundo das águas passa a ser composto pelo sedimento poluente. Por essa razão as águas ficam barrentas por onde trafegam essas máquinas.

Os jet-skis funcionam como um misturador do seu próprio óleo. Todos os poluentes lançados pelas demais embarcações – que permanecem flutuantes nas águas – são revolvidos pelos turbos dos jet-skis, fazendo a mistura nos solos. Ressalta o grupo internacional de proteção ambiental.

Será então, somente a estiagem, a mais ampla dos últimos 30 anos na região, o maior agravante da Represa?




RESPOSTA DA CÂMARA MUNICIPAL 

Em resposta ao nosso pedido de “socorro ambiental”, o assunto entrará na pauta da próxima sessão da Câmara dos Vereadores, marcada para o dia 06 de agosto, às 18h30.
Segundo o Presidente da Câmara, Vereador André Barbosa Franco, o tema será destaque na Sessão, protocolando um requerimento de urgência sobre o assunto.

Em parceria com grupos de proteção ambiental, será solicitado que a Prefeitura adote providências necessárias para a criação de uma Base ambiental na região.

Aguardemos as mais urgentes providências sobre o assunto. O tema é de extremo interesse aos moradores de Cosmópolis, principais beneficiários das águas.

Advertindo, que os resíduos de óleo da represa, seguem pelo Rio Pirapitingui à outros rios, espalhando-se pelo Jaguari no caminho ao Piracicaba. Neste caso, poluído águas de milhares de outros moradores da região.


BOM LEMBRAR
1979 / Estação de tratamento, captação e recalque de água na Represa 
 Atualmente, a Represa está entre os maiores reservatórios de águas do Brasil. Porém, o espaço de armazenamento não é totalmente utilizado, sendo o último projeto de assoreamento realizado em 1985.

Não esquecendo que a área é particular, e os proprietários são contrários ao uso de veículos motores nas águas. Criada em 1898 para manter o abastecimento da Usina e colônias, a represa foi cedida para o município em 1977.

Neste acordo firmado entre a Usina Ester e a Prefeitura, o local deve ser usado estritamente para os fins de abastecimento e turismo ecológico consciente.

Próximo a central de tratamento e captação de águas municipal, uma parte foi cedida para a antiga estatal CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz). Essa área, é responsável pelo fornecimento da energia de grande parte do município.




RESÍDUOS INDÚSTRIAS E ESGOTO 


Em nova postagem, mostraremos o impacto causado pela constante descarte de esgoto e resíduos químicos na Represa.

Não somente os Jetsky e lanchas são os “culpados” pelo óleo na Represa. Porém, a circulação e potência dos motores, estão entre os principais responsáveis pela propagação de inúmeros resíduos nas águas e solo.

Sem total tratamento de esgoto em Cosmópolis e Paulínia, parte dos resíduos domésticos de muitos bairros, são despejados diretamente nas águas.

Nas “baixadas” do Pirapitingui, divisa territorial com Paulínia, as imagens dos descartes podem ser visas diariamente, ressaltando os resíduos na coloração das águas. Resíduos industriais deixam rastros de espuma e forte odor de produtos industriais.



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