sábado, 20 de setembro de 2014

PERSONAGENS DA MINHA TERRA

Texto Adriano da Rocha
Foto Izabel Gagliardi

    Nossa história é formada por diversos personagens, do importante protagonista e título de capítulos, ao simples figurante do dia a dia, cada um tem a sua importância na formação desta história fantástica, tão nossa, tão cosmopolense. Infelizmente um "livro de memórias" desconhecidas por muitos cosmopolenses nos dias de hoje. Gente nossa, gente da nossa terra, gente que fez sua parte para construir a história da nossa cidade. Gosto de lembrar de gente simples, os típicos Paulistas cosmopolenses, que deixaram seu rastro em nossas memórias por seu jeitão único, por sua maior qualidade: a simplicidade. Essa gente simples da nossa terra merece ser lembrada sempre, e sua memória revivida a cada dia, quem sabe assim não descomplicamos a vida, e descobrimos que a verdade felicidade é viver a vida com simplicidade...

   A personagem de hoje faz parte do grande livro chamado “Colônias da Usina Ester”, entre a “colonada” quem não tem uma história para contar da Leonor Guizani!!! Na Villa e arredores cosmopolenses a lembrança vem da Leonor que era cliente cativa dos ônibus circulares. Adorava andar de ônibus, era seu gosto, sua paixão, na ingenuidade até trazia consigo uma paixão platônica pelo simpático motorista que fazia sua bardeação da colônia para a Villa.

  A saudosa Leonor nasceu especial, tinha suas deficiências físicas, mal conseguia falar e andava com dificuldades, mesmo assim na sua eterna ingenuidade era feliz no seu mundinho de sonhos.

  Nas suas viagens pelos velhos
ônibus circulares da “Auto Viação Cosmópolis”, seu passeio sempre tinha um destino certo a Villa, a Loja do Tita ou da Dona Bader onde comprava retalhos de tecidos, o Bar Ideal onde adorava os sorvetes de creme Holandês feitos pela da Dona Mercedes, mas este itinerário sempre depois da missa da matriz de Santa Gertrudes. Seu lugarzinho era cativo em todas as missas, e quando ficava sabendo de uma celebração de casamento, ela ficava mais impaciente que a noiva pela espera do grande dia. Em muitas fotos de casamentos celebrados na matriz, nos registros feitos pelo mestre Bruno Petch ou outro fotógrafo da época, entre os convidados não era difícil encontrar a Leonor na celebração.

  Entre a criançada, fosse da Villa ou das colônias, tinha criança que sentia um certo medo da Leonor, talvez pelo seu jeitão diferente e a dificuldade na fala, muita molecada corria dela e abria um berreiro quando o pai dizia: “Se não obedecer a Leonor vai te levar”. Tem moleque que só de ver o ônibus passando pelas ruas de terra da vila, corria para casa ao ver a Leonor sentadinha perto do motorista. Quanta maldade, a coitada não fazia mal a ninguém, na verdade desconhecia na sua ingenuidade e tantas crenças os tantos males do mundo.

  Um dia quando fazia uma de suas bardeações pela Villa, aconteceu a mais triste das fatalidades do tal destino. O ônibus que ela tanto adorava atropelou a sua mais ilustre passageira, a quem diga que a morte sempre tem uma desculpa, essa desculpa até hoje não tem uma certa explicação.

  O ônibus da morte levou a saudosa Leonor, partiu com destino ao desconhecido, quem sabe viver assim esperamos, com outros tantos personagens da nossa história, viver em plena felicidade e alegria em um local abençoado pelo Criador, um mundo novo chamado céu..

   A foto acima é do acervo da amiga Izabel Gagliardi, a quem com muito carinho assim descreve nossa personagem: “Quem conheceu a Leonor Guizani, que morava na Usina Ester, e vivia andando de ônibus circular pela cidade!!!... até que um dia o ônibus que ela adorava andar a atropelou e a matou. Ela fazia parte das nossas vidas, era afilhada a minha avó Maria Massucatto Baccarin, tinha suas deficiências físicas, mas era imensamente feliz”.
Foto acervo Izabel Gagliardi


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