quinta-feira, 26 de julho de 2018

AINDA ONTEM..

HÁ 8 ANOS


Caminhos de saudades e histórias
Texto e foto Adriano da Rocha



Um caminho, muitas histórias e saudades. Quem nasceu nas terras da Fazenda Usina Ester, a saudade traz na memória, até o cheirinho dos eucaliptos.

Divisa de colônias como a Quebra Canela e Botafogo, caminho dos caminhões canavieiros. Marcante nos percursos de acesso a “Represa do Paredão”, saída e volta da Ponte de Ferro, como nos acirrados jogos nos campos do Botafogo e Funilense.

As árvores foram plantadas no início dos anos de 1960, idealização de Paulo Nogueira Neto, seguindo um novo projeto de arborização e reflorestamento das terras. Neste mesmo período, foram recriadas as matas ciliares nas regiões do Rio Jaguari e Pirapitingui, sendo iniciado o renomado projeto do “Matão da Usina” (saída Holambra).

Com a demolição total das colônias em 2012, os eucaliptos foram cortados, assim como outras árvores, terraplanando as áreas para formação de canaviais.

"CEMITÉRIO INDÍGENA COSMOPOLENSE"
A lembrança deste registro fotográfico, uma expedição em busca do “Cemitério Indígena cosmopolense”, descoberto neste ponto, no fim dos anos 1960.

Não encontramos o lendário cemitério, em mais de 40 anos da sua descoberta, muita coisa mudou. Tudo estava transformado e recriado pelo avanço do “progresso industrial canavieiro”. Mas, a viajem rendeu muitas fotos e histórias.

Acompanhou a expedição, Nelson Mahling, popular Piuh, tratorista que descobriu as urnas mortuárias indígenas. Na época, uma das últimas testemunhas vivas da fantástica descoberta.

Junto com outros funcionários da prefeitura, Piuh realizava a terraplanem dos terrenos, onde seria construída a atual Avenida Centenário, principal acesso à Usina Ester. Obras em comemoração ao centenário de Paulo de Almeida Nogueira, esposo de Dona Ester Nogueira, um dos fundadores da Usina.

Segundo Piuh, quando o trator escavava o solo, surgiu entre a terra pequenos vasos, lembrando “talhas de água”, estes filtros de barro usados em casa.

Extremamente frágeis, possivelmente pelos muitos anos enterrados, estouravam em pedaços, mostrando seu conteúdo. Eram partes de ossos humanos e crânios, depositados dentro das urnas, ornamentadas com desenhos em tons pretos e vermelhos.

O descobrimento das ossadas, várias pedaços espalhados devido a força da escavadeira do trator, atraiu curiosos de toda Usina, como as autoridades policiais. O tratorista relembra que a “molecada” começou a brincar com os objetos, sendo repreendidos pelo “falta de respeito” com os “desconhecidos finados”.

Comprovado serem restos humanos, os ossos foram recolhidos e levados ao ossuário do Cemitério da Saudade.

Antes do translado dos ossos, houve um ato litúrgico, realizado pelo Monsenhor Rigotti. Uma espécie de “encomendas das almas”, desculpas religiosas na fé Católica, da perturbação “indevida” caudas na profanação das ossadas

Cerca de duas urnas foram retiradas intactas, com os ossos armazenados nesta espécie de vaso confeccionado de barro.

Junto com fragmentos de outras urnas, os objetos foram guardados na antiga Sede do DAE (Departamento de Água e Esgoto), localizado ao lado do popular Castelo de Águas.
Com a fundação da UNICAMP nos anos 1970, as Urnas cosmopolenses foram doadas para estudos, pertencentes ao Acervo da Faculdade.

Texto e foto Adriano da Rocha
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