sábado, 17 de dezembro de 2016

Bancos marcam 58 anos de história comercial


Símbolos do progresso  no passado, hoje marcam o descaso e abandono da primeira praça pública de Cosmópolis
Texto Bruna Genaro
Fotos Adriano da Rocha


Descaso com a história .No local onde existia a famosa Fonte Tulipa, demolida para ampliar a Praça, está coberta por mato 

   Padaria, armazém, bar, construtora; essas são algumas das muitas histórias de comerciantes cosmopolenses contadas silenciosamente – ou por vezes esquecidas – entre os bancos da conhecida Praça do Coreto.
  Feitos em granilite – revestimento composto por sobras de minerais – os bancos estão na praça há 58 anos. Muitos deles estão depredados, não pelo tempo, já que os bancos são muito resistentes, mas pelo mau uso da população; alguns já foram quebrados e até mesmo pichados, como é o caso do banco da Usina Ester entre outros.
Banco em granilite doado pela Usina Açucareira Ester S/A. Praça leva o nome de um dos fundadores da usina, o Major Arthur Nogueira

  Escritos em baquelite – resina sintética, plástica e muito utilizada na época – estão gravados os nomes dos 25 comércios que já existiram na cidade – alguns existentes até hoje. Dentre eles estão: 
Usina Açucareira Esther, S/A Guido Longhin Construtor de Obras, Padaria e Confeitaria São José Osmar Toledo Silva, André Vieira Dias Farmacêutico, Atair Madsen, Guilherme Kowalesky, Bar e Restaurante Ideal Ernesto Kiehl e Irmão, Secos e Molhados de Emílio Mengue, Postos Atlantic Orlando Kiosia, Armazém Rage Baracate, Auto Lotação Cosmópolis Campinas Giuzio e Bertazzo, Bar Santa Gertrudes Emílio Balone, Casa das Bicicletas de Todas as Marcas Domingos Magossi, Casa São Jorge de José Garcia Rodrigues, Restaurante Avenida Antonio de Freitas Junior, Armazém Vila Nova Mário Bertazzo, Padaria Santo Antonio Hotacilio Pereira Pinto, Fábrica de Refrigerantes Armando Scorsine, Bar e Sorveteria Vila Nova Saulo Tognoni.

Guido Longhin Construtor de Obras 
Responsável pelas obras de construção da nova Praça do Coreto em 1958

André Vieira Dias 
Prefeito na década de 1960, na  inauguração da Nova Praça possuía uma renomada farmácia na Avenida Ester.

58 anos de história comercial
Banco em granilite doado por Atair Madsen

Banco em granililte doado por Guilherme Kowalesky, agricultor e proprietário de comércio na Avenida Ester. Guilherme era casado com a lendária parteira Dona Mina Kowalesky.

Na esquina da Avenida Ester com a Rua Campinas, onde atualmente funciona a Bike Mania, existia o Bar e Restaurante Ideal. O Bar marcou época e gerações, comandado pela família Kiehl, funcionou no mesmo ponto até o início dos anos de 1970

Banco de granilite doado pelo armazém de secos e molhados de Emílio Mengue. Emilio foi pioneiro em vários setores em Cosmópolis, da política ao setor comercial, sendo membro de destaque na comunidade Luterana, foi um dos primeiros moradores do Núcleo Colonial Campos Salles.

Banco doado por Odair Kiosia, o popular Russinho, proprietário dos postos Atlantic e Royalisa. Kiosia marcou época pelo empreendedorismo comercial e por sua gestão como prefeito na década de 1970


Banco doado pelo Armazém "Rage Baracate"
Os irmãos Baracate, ou Baracat, marcaram época com seu armazém na Avenida Ester, localizado nesta época na região onde está edificado atualmente o banco Santander.Na década de 50 e 60, Rage também é lembrado por sua famosa Jazz Band, a Rage e seu Conjunto, que animavam bailes em Cosmópolis e toda região.
Próximo ao Ponto de Táxi está o banco doado pela Padaria e Confeitaria São José, de propriedade do saudoso Osmar Toledo.
Entre pichações e o mato, o banco doado por Hotacilio Pereira Pinto, o conhecido Hotacilio Padeiro, da Padaria e Confeitaria Santo Antonio. Na sua época uma das maiores padarias da região, localizada na Avenida Ester (ao lado da Bike Mania), o prédio foi demolido no fim dos anos de 1990


Memória Comercial
  Padaria e Confeitaria São José – Inaugurada em 1958 por Osmar Toledo Silva e familiares. A padaria ficava localizada na Avenida Ester, antiga Papelaria Zoom, que atualmente foi dividida em dois comércios, onde hoje é a Óticas Carol e a Itacell. A padaria funcionou neste ponto até 1974.

Osmarilda Furlan e Hilda Scorsione Toledo Silva, filha e mãe, mostram o banco doado pela Padaria São José em 1958. Osmar Toledo Silva faleceu em abril de 2015, fez história e deixou sua marca no comércio cosmopolense


  Seu Osmar foi um dos primeiros cosmopolenses a investir na modernização do ramo de padaria, tendo como principal concorrente Hotacilio Pinto, da Padaria Santo Antônio. Na época em que Osmar começou a abrir sua padaria, Hotacilio dominava as vendas na cidade. Pensando em inovar, Osmar começou a comprar os pães de Hotacilio e revender na Usina Ester e região rural. O diferencial da padaria São José era a entrega de pão e leite de porta em porta.
Seu Osmar trabalhou por 16 anos no ramo, quando decidiu vender o ponto e se aposentar.
“Na época, comprar o banco e colocar na praça foi muito bom, porque fazia uma grande divulgação da padaria, porque a praça era muito movimentada”, conta a viúva de Osmar, Ilda Scorsoni Toledo Silva, de 80 anos.



Homenagem ao Major


  Usina Açucareira Ester – próximo ao coreto, entre os bancos da praça, está o nome da empresa. Além disso, a Praça do Coreto recebe o nome de um dos fundadores da Usina: o Major Artur Nogueira. A praça recebeu esse nome na década de 1930, após o falecimento do Major.




118 anos de história
  A história da Praça Major Artur Nogueira está relacionada com o surgimento da Companhia Funilense, em 1898. Na época, tropeiros, viajantes, e os funcionários da Funilense se reuniam embaixo das árvores da futura Praça do Coreto. Para os tropeiros o ponto era bom para negociar cavalos, burros, além de vender os produtos advindos de Campinas. Para os viajantes e construtores das linhas da Funilense o local era perfeito para um bom descanso, seja na hora do almoço ou quando o sol era quase insuportável.
1936/Praça da estação Sorocabana, atual Praça Major Arthur Nogueira ou como é mais conhecida Praça do Coreto. Um dos pontos mais antigos de Cosmópolis- Foto acervo Adriano da Rocha

  Por muitas décadas a “praça” abrigava quem quisesse desfrutar de uma boa sombra, principalmente os que esperavam a chegada dos trens na estação. Somente em 1929, quase três décadas mais tarde, é que a praça ganhou forma. Na gestão do prefeito de Campinas, Orosimbo Maia, duas praças fizeram parte de seus projetos no distrito de Cosmópolis: a reformulação da Praça da Matriz e a construção da Praça do Coreto.
1957/ Remodelação e Construção da nova Praça Major Arthur Nogueira. Em destaque no registro fotográfico a construção da fonte tulipa, ao fundo entre tapumes o coreto. Foto acervo Adriano da Rocha

  A Praça da Matriz recebeu um projeto paisagístico com jardins, novas calçadas e bancos. Já a Praça do Coreto foi estruturada do início, incluindo pavimentação, bancos, jardins e coreto – que era localizado próximo ao atual ponto de táxi, o primeiro coreto da Praça. A partir dessa época, a Praça do Coreto ficou conhecida popularmente como “Jardim”.
A primeira reformulação da praça

Em 1956, o primeiro prefeito eleito por votos de cosmopolenses da cidade, José Garcia Rodrigues, conhecido como Zé da Peggê, foi o responsável pela construção da nova Praça do Coreto. Até a eleição do Zé da Peggê - apelido dado por causa de sua esposa Peggê, que foi uma das primeiras cabeleireiras e musicistas da cidade – normalmente, os prefeitos eram diretores da usina local, eleitos pelos colonos, que ultrapassavam quatro mil, incluindo funcionários e familiares.

Da antiga praça, construída por Orosimbo Maia, restaram poucos resquícios e algumas árvores. A praça foi completamente reformulada por Zé da Peggê, com o intuito de trazer um novo projeto arquitetônico para a cidade. Em sua gestão, ele manteve a Estação da Funilense – local onde é o atual relógio de sol -, fez um novo calçamento com pedras portuguesas, instalou bancos e construiu a fonte, conhecida pelas paqueras dos cosmopolenses que davam voltas ao redor da fonte enquanto flertavam. 

Década de 1960, Hugo Baccarin e Augusto Baccarin em uma tarde de domingo na Praça Major Arthur Nogueira (Coreto)- Foto acervo Adriano da Rocha

O prefeito construiu um novo coreto – o mesmo que está até hoje na praça -, mais amplo que o antigo, além de dois banheiros e sala de sonoplastia para administrar o serviço de alto falantes oferecidos no local.

A instalação dos bancos
  Os bancos, que falamos no início da reportagem, entram nessa parte da história da praça. Com o novo modelo de praça, os antigos bancos, feitos de ferragem e revestidos de madeira, foram transferidos para a Praça da Matriz. Em parceria com os comércios da cidade, o comerciante comprava um banco e doava para a Prefeitura, que fazia a instalação na praça. Dessa forma, os comerciantes divulgavam o nome de suas empresas nos bancos além de colaborar com a nova praça da cidade. A inauguração oficial da nova Praça do Coreto aconteceu no início do ano de 1958.
A última reforma
Marca do vandalismo e do descaso da administração..Banco doado pela Auto Lotação Cosmópolis, pertencente a Giuzio e Bertazzo.

  No início dos anos 2000 foi quando a Praça do Coreto recebeu sua última reforma. Na ocasião, a fonte foi demolida e pavimentada com pedra portuguesa. O motivo da destruição foi para ter mais espaço para a Festa do Imigrante e a festa “Na Praça com Amigos”, ambos eventos não são mais realizados na praça desde 2012.

1958/ Famosa fonte tulipa demolida no início dos anos 2000- Foto acervo Adriano da Rocha

Texto Bruna Genaro
Fotos e fonte Adriano da Rocha

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O 'CANUDO' É DELE E NINGUÉM TIRA !!!


Para quem dizia que ele não pegaria o "canudo"...


  Pivatto diplomado como novo Prefeito de Cosmópolis. Assumindo oficialmente como prefeito dia 01 de janeiro de 2017.

 As bandeiras são todas iguais neste momento, uma só vai tremular no Paço Municipal como símbolo maior do seu povo:o pavilhão cosmopolense. Picuinhas, birras, dor de cotovelo, egoísmos e coiseiras ruins, esquecemos, uma nova Cosmópolis surgirá, essa é nossa esperança.

Eh tá para existir povo mais esperançoso que o cosmopolense!!
  Hoje mais de 70 mil habitantes tem você como represente, como a voz de toda a cidade. Nossas esperanças estão todas em você Zé. As suas vitórias serão as glórias de toda a população, suas conquistas serão as nossas, por isso boa sorte, vai com fé, porque a coisa tá feia, e com fé em Deus nunca costuma faiá.

  Ah, os novos dez vereadores diplomados, os dois reeleitos, façam o seu trabalho, façam valer os quase 8 mil reais pagos pelo seu trabalho de representantes da população. Exerçam todos seus deveres como legisladores na casa de leis, principalmente o poder de fiscalizar.
Um bom governo só será digno e possível com seus olhares atentos, como olhos daqueles que os elegeram.
O trabalho vai ser mais difícil que carpir lote de braquiara, mas nessa labuta de calejar até a mão de doutor, trabalhando com honestidade, vocês conseguiram limpar essa cidade...

ZÉ Lindo

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

NATAL COSMOPOLENSE


  Feirinha gastronômica de natal no Largo da Igreja Matriz de Santa Gertrudes. O tradicional evento acontece até o dia 23. Diversas opções de comidas, apresentações culturais e presença todos os dias do Papai Noel. P.A.R.T.I.C.I.P.E
Foto Adriano da Rocha
#MuitoMaisCosmópolis #NatalCosmopolense

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

AINDA ONTEM



   Em novembro de 1999, seguindo as comemorações do aniversário de 55 anos de Cosmópolis, a “Biblioteca Pública Municipal José Kalil Aun” era transferida e reinaugurada em novo endereço. O local era um antigo prédio industrial, localizado na Rua Antônio Carlos Nogueira. O barracão também já foi sede do extinto "Clube dos 30", formado por jogadores de bilhar e cartas. 

 No mesmo período, ocorria a extinção da Secretaria de Cultura, que passou a ser um departamento da Secretaria de Educação. Dessa forma, a nova sede da Biblioteca abrigou o Departamento de Cultura e passou a receber todo o acervo cultural da cidade (livros, jornais e documentos).

 A primeira sede da Biblioteca, localizada na Rua Ramos de Azevedo, foi cedida pela Prefeitura para o atual Fórum. Entre os motivos da mudança estava a falta de acessibilidade da edificação, com uma gigantesca escadaria de acesso ao acervo, além de espaço insuficiente para os mais de 14 mil livros pertencentes à biblioteca e itens de estudos e pesquisas.

CENTRO DE CULTURA

  Na época do contrato de aluguel do novo espaço da Biblioteca, a Prefeitura adaptou o barracão para ser um centro cultural municipal. Foram criadas várias repartições no barracão para as áreas: administrativa, Departamento de Cultura, salas de oficinas de arte e aulas musicais, além do pavilhão (popular garagem) utilizado para os ensaios da Banda Municipal e da antiga Orquestra de Violeiros. Nas entradas da nova sede foram criadas vitrines em que eram expostos os trabalhos feitos por alunos nas oficinas. Todo o acervo de livros, jornais, revistas e impressos gerais eram dispostos em prateleiras especiais, com fácil acesso aos visitantes.

O TRISTE “FIM”
  Nas fotos, a primeira é de novembro de 1999, na frente da Biblioteca está a Banda Musical de Cosmópolis, um dos principais destaques da noite de reinauguração. A segunda foto mostra a fachada da Biblioteca na manhã de domingo (4). Registro feito após nove horas do incêndio, que na noite de sábado (3) destruiu totalmente o local e a Pizzaria Casamassima. No dia do fatídico incêndio, a Biblioteca havia completado 35 anos da sua fundação, concluídos na quarta-feira, dia 30 de novembro (aniversário de Cosmópolis).

Texto e fotos: Adriano da Rocha

#AcervoCosmopolense#MuitoSobreMaisCosmópolis #Incêndio#BibliotecaMunicipal

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

1º Food & Beer Truck de Cosmópolis superou as expectativas



  Sucesso é a palavra que pode definir o primeiro festival de Food Truck em prol da Casa da Criança de Cosmópolis. De acordo com os organizadores, cerca de 15 mil pessoas passaram pela festa que durou de terça (29/11) à domingo (4/12).
Hambúrgeres gourmet, pastel de costela, churros, simulador de montanha russa foram alguns dos destaques da festa. Em uma grande tenda montada na Praça da Igreja Matriz Santa Gertrudes estavam os 16 food trucks que prestigiaram os seis dias de festival.

A verba arrecadada na festa será revertida aos gastos gerais de fim de ano da Casa da Criança. A direção da Casa agradece a participação de todos e pretende, a partir do próximo ano, promover mais eventos na cidade.
Texto: Bruna Genaro
Fotos: Lucas Furlan

domingo, 2 de outubro de 2016

COSMÓPOLIS ELEIÇÕES 2016


Com 100% das urnas apuradas, José Pivatto é eleito com 36,78% o novo prefeito de Cosmópolis. No total 11389 votos elegeram José Pivatto como prefeito. Na sequencia estão: Junior Felisbino 28,31 (8766 votos), Dr. Mauricio 17,93% (5551 votos), Dr. Zé Paulo 13,07% (4046 votos), Bobó Baiano da Oficina 2,10% (650 votos), Henrique Barrozo 1,82% (564 votos).

Os vereadores eleitos em Cosmópolis são:


Hiroshi (PT)= 906 votos - ELEITO

Zézinho da Farmácia (PV) = 879 votos ELEITO

Elcio Amancio da Farmacia (PMDB)= 726 votosREELEITO
André da MaqFran (PRB)= 639 votos ELEITO
5º Dr. Eugênio (PP) = 589 votos- ELEITO
6º Eliane Lacerda (PV)= 585 votosREELEITA
7º Mestre Aldenis Mateus (PMDB)= 573 VOTOSELEITO
8º Professora Cristiane Paes (PT) = 534 votosELEITA
Renato da Farmacia (PTN)= 507 votosELEITO
10º Radialista Edson Leite (PSDB) = 447 votosELEITO
11º Rafael Piaui = 371 votos (PT)= ELEITO
12º Renato Trevenzolli (PSDB)= 334 votos= ELEITO
Dois vereadores da atual administração foram reeleitos, Élcio Amancio e Eliane Lacerda.Sendo 9 vereadores de primeiro mandato, e Renato Trevenzolli reeleito novamente.

Fonte TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

sábado, 3 de setembro de 2016

VIº FESTA ALEMÃ ENTRE AMIGOS

Fotos Bruna Genaro


   Muito chopp, chucrutes, wurst, eisbein, doces e muitas outras comidas típicas aguardam você na “VIº Festa Alemã entre amigos”. O evento comemora os 119 anos da imigração alemã em Cosmópolis e, os 86 anos de fundação do salão de festas da Escola Alemã. A festa tem início neste sábado(3) às 19 horas, com a abertura do salão para o baile e venda de comidas e bebidas.
  As “mütter”, as mães alemães da festa, comercializam nos dois dias do evento a salada de kartoffel (uma gostosa mistura de legumes, ovos e batatas amassadas com ervas), chucrute (salada de repolho) e o famoso Wurst, o salsichão alemão. A mesa de doces está entre as mais concorridas, com diversos doces típicos, em destaque o apfelstrudel, doce austríaco de maça com massa folheada. Na aérea externa (coberta) várias opções de espetinhos de churrasco e bebidas.
  No domingo a festa continua às 12 horas com o tradicional almoço alemão, onde é vendido o eisbein (joelho de porco), prato principal da festa. O Eisbein é servido com a Wurst (Salsicha vermelha e branca), Sauerkraut (chucrutes), Kartoffel (Batatas), Senf (mostarda), pepino e pão preto. A receita e preparo do eisbein, é a mesma dos primeiros colonos alemães que chegaram a Cosmópolis no fim do século 19.

   A animação musical da festa é feita pela dupla Sandro Romig e Wilson Haffeman, vindos da cidade de Pomerode, Santa Catarina. No repertório músicas folclóricas alemães, cantadas no dialeto Plattdütsch e, sucessos caipiras e atuais interpretados ao som da inconfundível concertina germânica. No domingo haverá apresentação especial de danças alemães com o grupo Tranzgruppe Friedburg, da cidade de Indaiatuba.

   
Waldemar Fernandes (Tota) e Alcides Rolfsen, presidente e diretor da A.A.E.A
   O evento é organizado pelo A.A.E.A (Associação dos Amigos da Escola Alemã), grupo criado em 2008, para preservar uma das últimas edificações existentes do início da imigração germânica em Cosmópolis. O salão desde o início dos anos 2000 pertencente ao patrimônio público municipal.

  Não é apenas um resgate histórico, mas sim, um regaste de amigos, preservando nossas raízes e o maior patrimônio da nossa cidade: o povo cosmopolense. P.A.R.T.I.C.I.P.E.

   Mais informações sobre o histórico salão você confere na edição desta semana da ‘Folha de Cosmópolis’, página especial do Jornal de Paulínia. O jornal está disponível gratuitamente em 60 pontos de Paulínia e 36 pontos de Cosmópolis. Adquira já o seu exemplar.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

FOLHA DE COSMÓPOLIS É DESTAQUE EM PAULÍNIA


    A cidade de Cosmópolis agora é destaque em um dos jornais de maior credibilidade da região metropolitana, o Jornal de Paulínia. Com 49 anos de história jornalística, o Jornal de Paulínia, antigo semanário Jornal ACP (Abreviação de Artur Nogueira, Cosmópolis e Paulínia, um dos primeiros jornais regionais do Estado), volta a ter uma página exclusiva ao município, a “Folha de Cosmópolis”. O projeto inicialmente criado em 1967, traz nesta segunda edição da página, uma nova voz escrita para o povo cosmopolense, com um olhar apartidário e fiel aos acontecimentos.
  Semanalmente além de o leitor conferir as principais notícias que foram destaque em Paulínia e na região metropolitana, você poderá conferir as principais notícias de Cosmópolis.

  Na “Folha de Cosmópolis”, entre os principais destaques, você irá ler imperdíveis matérias históricas, verdadeiros resgates culturais da nossa cidade. Matérias exclusivas, “contadas” de um jeito que vocês amigos do Facebook, já conhecem a mais de 16 anos pelas páginas e blogs do Acervo Cosmopolense.

  A edição desta sexta-feira, dia 22 de julho, o Jornal de Paulínia traz na “Folha de Cosmópolis”, a história do “Doutor das Sanfonas”, o cosmopolense José Vakula. Um dos raros luthiers de sanfonas do estado de São Paulo, requisitado por sanfoneiros de todo o Brasil. Com mais de 50 anos dedicados a trazer vida a este incrível e complexo instrumento, Zé Vakula é referência no Estado no conserto e afinação de sanfonas.

  Você confere também, uma entrevista com a ganhadora do concurso “Pontos e Memória”, organizado pela Secretaria de Cultura de Cosmópolis; e sobre as inscrições para as novas oficinas culturais neste segundo semestre. Vale a pena conferir.

  O Jornal de Paulínia, com a página “Folha de Cosmópolis”, está disponível gratuitamente em mais de 80 pontos de Paulínia, e inicialmente 1.000 exemplares são distribuídos em 30 novos pontos em Cosmópolis. Adquira já o seu exemplar GRATUITAMENTE.

terça-feira, 28 de junho de 2016

LUTO COSMOPOLENSE


 Depois de meses de luta contra o câncer, faleceu aos 64 anos de idade, no fim da tarde desta terça-feira (28), Celso Bueno de Oliveira, o querido Celso da Lanchonete Ponto de Encontro. Celso foi internado às pressas na Santa Casa de Limeira, mesmo com todos os procedimentos de emergência, não resistiu, falecendo por volta das 17h30.
  O sepultamento  será às 14h00 desta quarta-feira, dia 29 de junho, no Cemitério da Saudade. O corpo aguarda a presença dos amigos e familiares para última despedida no Velório Municipal.
  Referência na gastronima cosmopolense
 A história comercial da lanchonete Ponto de Encontro teve início na Rua 25 de Dezembro, próximo ao Hotel Vila Nova, antiga Lanchonete Rampazzo. Neste local, onde a área de alimentação possuía mesas de concreto e chão de cascalho fininho, a “Lanchonete Ponto de Encontro” funcionou durante poucos anos, mudando-se para a residência da família.
  Na própria casa, localizada na Rua Tiradentes, Celso começou uma nova fase, a qual teve inicio  em 1994.  O sonho de criar um ponto de encontro para reunir os amigos e exercer uma das suas paixões, a culinária, recomeçava em uma nova fase.


  Surgia então a nova  Lanchonete Ponto de Encontro, um modesto estabelecimento criado entre a garagem e o antigo jardim da sua residência. Ao longo de mais de 22 anos, o modesto local tornou-se uma referência na gastronomia cosmopolense, ampliando e modernizando as suas instalações, criando sua própria marca e história.

Lanche no prato, vitaminas e a famosa chuleta

 Quem não recorda do famoso lanche no prato criado pelo Celso, uma novidade em Cosmópolis, ou, a famosa pizza ponto de encontro servida em cubinhos!? Os lanches com frango desfiado, carne selecionada e molho especial, a chuleta, as porções e sobremesas, não esquecendo as vitaminas e sucos especiais. Referência na região, marcando época como o ponto de encontro da família cosmopolense.
Saudades dos amigos
Pessoa querida por todos, foi sempre atuante nos meios comerciais, sociais e religiosos; membro da ACICO (Associação Comercial e Industrial de Cosmópolis), conselheiro do Hospital Beneficente Santa Gertrudes, figura de destaque na Comunidade da Igreja Nossa Senhora Aparecida, sempre reconhecido pelo carisma e idoneidade.
Em nome do Grupo Filhos da Terras e amigos de Cosmópolis, os nossos sinceros sentimentos a família Bueno de Oliveira. Pedimos ao criador neste triste momento da despedida que traga o conforto e a misericórdia aos familiares. Grande Celso, vai com Deus estimado amigo. Os lanches e pizzas agora vai possuir um novo tempero: a saudade...
Foto Acervo familiar

segunda-feira, 27 de junho de 2016

LUTO COSMOPOLENSE



  Faleceu nesta segunda-feira, dia 27 de junho, aos 90 anos de idade, o último remanescente da primeira legislatura de Cosmópolis, o querido Leonel Rodrigues de Oliveira, popular Leonelzinho. Conhecida figura política e esportiva cosmopolense, admirado em todos os meios aos quais exerceu as funções públicas e administrativas. Leonel era aposentado como contador, função que exerceu durante mais de 40 anos na Cia Açucareira usina Esther.

  Seu corpo aguarda a presença de amigos e familiares no Velório do Cemitério Municipal da Saudade, onde será sepultado às 16h30. Leonel foi casado com Darcy Kroll de Oliveira, deixa filhos e netos. Nascido em 08 de Agosto de 1925, na famosa “Colônia do Ranchão”, uma das primeiras colônias da Fazenda Usina Esther, Leonel era filho de Armadão Rodrigues, lendário administrador da Colônia do Saltinho e responsável pelo “balanceio da cana”, uma gigantesca balança que registrava as toneladas de cana de açúcar cortadas pelos fornecedores da Usina.

  Continuando a história família Rodrigues de Oliveira, Leonel trabalhou a vida toda na Usina, assim como os quatro irmãos homens, exerceu durante mais de 40 anos os serviços contábeis da companhia açucareira, sendo o primeiro contador da Cooperativa dos funcionários, então inaugurada em 1944, demolida em 2015. Ao lado dos irmãos também trabalhou no importante escritório central da Usina Esther, localizado na então aérea nobre da capital bandeirante, esquina da Praça da República.

  A pedido do saudoso Guilherme Pompeu Nogueira, popular Guilherminho Nogueira, famoso diretor da Usina Esther, Leonel em 1946 disputou a primeira eleição direta da recém-emancipada cidade Cosmópolis. Eleito pelos votos da Usina Ester, assumiu o cargo em 1947, ao lado do primeiro prefeito eleito pelo voto, João Guilherme da Paz Hermann, popular “João da Dona América”.

  Nesta legislatura começou o famoso período da “cana e moenda”, onde até 1955, os prefeitos e vereadores eram eleitos pelos votos dos colonos da Usina Ester. O quadro mudou , quando José Garcia Rodrigues, Zé da Pegge, foi eleito pelos votos dos “Vileiros”, moradores da cidade e entornos rurais. No período da “cana e moenda”, disputavam as eleições funcionários escolhidos pela alta direção da Usina, eleitos pelos mais de 1.000 votos dos colonos.

  Na vida política, Leonel o “pequeno grande homem” (carinhoso apelido dado pelos amigos devido a sua baixa estatura, cerca de 1.50), foi um pioneiro nas legislações que esteve na vereança. Foi autor de vários projetos que beneficiaram o progresso habitacional de Cosmópolis, como a criação dos bairros e loteamentos da região da atual Praça do Rodrigo (atual Bela Vista, então pertencentes à Usina Esther) e Bairro da Sericultura (Região da Rodoviária e Escola Gepan), implantou no município os projetos campineiros como a planta popular, onde o projeto arquitetônico era único para as construções. Outro projeto que marcou época foi às construções utilizando meios tijolos, uma novidade para época.

  Nos esportes foi figura ativa dos clubes esportivos da Usina Esther, presidente, diretor, treinador, padrinho e até jardineiro, dos saudosos clubes do Bota Fogo, Carandina e Funilense. Em 1952, esteve a frente da importante conquista do Campeonato Amador Paulista, onde o Funilense Futebol Clube foi o campeão da importante disputa estadual.
Ao amigo que conheci nos tempos de rádio, quando recebi a doação de sua discoteca particular, fica a minha singela e sincera homenagem a este inesquecível filho da terra.

  O abraço fraterno nos familiares e amigos, pedindo a Deus que em sua infinita misericórdia conforte a todos neste triste momento da despedida.

Descanse em paz Leonelzinho, vai com Deus pequeno grande homem...
"Eu não tenho medo de morrer, tenho dó de perder o que o mundo tem de bom para me oferecer"

Palavras de Leonel Rodrigues, em entrevista concedida a jornalista Bruna Genaro, em 07/11/2012

Foto Mano Fromberg

domingo, 1 de maio de 2016

No dia consagrado aos trabalhadores...


   Os trabalhadores cosmopolenses "vivem" da esperança dos empregos em Paulínia. Sonhando com as promessas da eleição de 2012, onde o terreno da Urca seria transformado em um centro escolar profissionalizante.

A área industrial da Escola Alemã sairia do papel e receberia indústrias, fábricas e distribuidoras, um polo cosmopolenses de empregos.

  Hoje os mesmos políticos já ludibriam novamente os sonhadores trabalhadores cosmopolenses, prometendo até o que nunca poderão cumprir , como "obrigar" Paulínia a contratar até 70% de trabalhadores de Cosmópolis, exigir que o estado direcione indústrias para cidade...ué se podia , por que não fez antes?!Cada coisa heim...

  Pobre trabalhador cosmopolense, que amanhã acorda para realidade de madrugada, saindo exprimido nos velhos e lotados ônibus sentido Paulínia e outras cidades da região. Uns para trabalhar, outros milhares em busca de emprego, um futuro digno que na sua cidade não " existe".
  
  A única fábrica que surgiu da promessa , não contrata cosmopolenses por que aqui na cidade , falta qualificados para as vagas.

  Cuidado trabalhador , e sonhador desempregado, muito cuidado com as promessas em seu nome. Os políticos não estão lutando por você, e sim, para manterem-se empregados depois das eleições.

Adriano da Rocha

quinta-feira, 28 de abril de 2016

ADEUS PROFESSORA MARIAZINHA

Professora Maria Strazzacappa falece aos 97 anos 




Fotos Família Strazzacappa 


   “A primeira professora a gente nunca esquece”... Mas como esquecer alguém tão especial e importante para a história de Cosmópolis e várias gerações de cosmopolenses!? Quando tristemente recebi a notícia, essa foi minha reação, total indignação pela falta de respeito e interesse por nossa história. Os detentores da notícia esqueceram, ou, faltou espaço entre tantas matérias pagas e ocorrências, para lembrarem-se desta imensurável perca.

  Cosmópolis despediu-se no dia 8 de abril, uma triste manhã de sexta-feira, da sua eterna professorinha, Maria Aparecida de Toledo Strazzacappa, ou como era carinhosamente conhecida, Dona Mariazinha. Partiu para casa do Pai, aos 97 anos de idade, sendo seu corpo sepultado no Cemitério Municipal da Saudade, ao lado do esposo Orlando Strazzacappa. Dona Mariazinha e Orlando, tiveram seis filhos, Ana Maria, Marta, Cristina, Elizabeth, Luís (Neto) e Orlando (Filho). Dona Maria Strazzacappa foi professora em todos os sentidos da vida, sua paixão e o amor pelo magistério foram seu exemplo maior de vida, seguidos pelas filhas Ana Maria, Marta, Cristina, Elizabeth, professoras com muito orgulho, professando os mesmos passos da mãe, caminhado lado a lado com seus alunos, na estrada do conhecimento. Conhecidas em Cosmópolis, como "as professorinhas da Dona Maria".

Professora  Maria Strazzacappa rodeada das filhas, as professorinhas da Dona Maria.
Irmãos Strazzacappa.
   Maria Aparecida Rangel Toledo nasceu em 2 de março, em Cruzeiro, famosa cidade paulista do Vale do Paraíba, mudando-se ainda criança para a progressista Villa de Cosmópolis. A mudança da família Rangel Toledo, surgiu por um convite do Professor Felício Marmo, primeiro professor de Cosmópolis, responsável pela fundação da primeira Escola Público da Villa em 1905, inaugurada em uma pequena casa na Avenida Esther, existente até hoje, ao lado da Loja Seller. O convite, uma proposta de emprego para Dona Mariana Conceição Rangel Toledo, mãe de Dona Mariazinha, lecionar em um grupo escolar (reunião de várias escolas) que começava a ser construído na Rua Campos Salles, ao lado da Sub-prefeitura de Cosmópolis.

Dona Mariana Rangel (óculos), em um registro familiar no fim dos anos 50.


     Oficialmente em 1925, Dona Mariana Rangel e outros professores, inauguravam o “Grupo Escolar de Cosmópolis”, que na década de 40, foi então nomeado Grupo Escolar Rodrigo Octávio Langard de Menezes. Nesta primeira turma de alunos, Dona Mariana lecionou para sua filha, a pequena Maria Aparecida, então com 7 anos de idade. As aulas, naquele tempo, eram divididas em períodos, na parte da manhã os meninos, no período da tarde as meninas. Dona Mariana é considerada a primeira professora da “Escola do Rodrigo”, assim como a primeira professora contratada pela sub-prefeitura de Cosmópolis, distrito da cidade de Campinas.

  A jovem Maria Aparecida, ao terminar o ensino fundamental em 1928, mudou-se para Campinas, para então terminar os estudos e realizar seu maior sonho, ser professora como sua mãe. A menina ficava encantada com o magistério, a sala de aula, as palavras escritas com giz no velho quadro negro, os livros, os olhares deslumbrados dos pequeninos alunos, descobrindo o mundo através das aulas da sua mãe, tudo naquele mundo escolar lhe trazia fascinação.

Maria Aparecida Rangel de Toledo, registro de 1940, álbum dos formandos do "Instituto de Educação de Campinas".


   Em 1940, oficialmente a normalista tornava-se professora, diplomada pelo renomado “Instituto de Educação de Campinas”. Nas viagens entre os estudos em Campinas, e as visitas aos pais em Cosmópolis, Maria Aparecida conheceu o jovem Orlando Strazzacappa, filho do lendário fazendeiro Luiz Strazzacappa, dono de umas das terras mais produtivas de Cosmópolis, localizada onde hoje existem os bairros do Uirapuru, Saltinho e Quilombo. Em uma cerimonia reservada na velha Igreja Matriz de Santa Gertrudes, Maria Aparecida unia votos com Orlando, tornando-se então, Maria Aparecida de Toledo Strazzacappa.

   
 O casal Dona Maria Strazzacappa e Orlando Strazzacappa.

  
Luiz Strazzacappa.

    A vida era muito corrida, a rotina com os seis filhos e os demais alunos, os quais tratava como seus filhos, era extremamente cansativa, sempre ao seu lado, o esposo incentiva Maria em tudo. Enquanto Orlando tratava dos negócios da família, a esposa lecionava nas escolinhas rurais da região do Itapavussu, onde as aulas aconteciam durante dois dias da semana, sempre nas manhãs, e diariamente no período da tarde, no Grupo Escolar Rodrigo, lecionando durante anos, ao lado da mãe, Dona Mariana.

   Não podemos esquecer que Orlando Strazzacappa foi um dos emancipadores de Cosmópolis, lutando junto a outros idealistas, pela emancipação política e administrativa da cidade de Campinas. Um sonho que se tornou realidade em 30 de novembro de 1944; nesta data Cosmópolis deixava de ser Villa, para oficializar-se como município. Na primeira legislatura de Cosmópolis, onde foram empossados Moacir do Amaral e Caetano Achiles Avancini, primeiro prefeito e vice, Orlando Strazzacappa foi nomeado um dos primeiros vereadores do recém-criado município. Sendo eleito pelo voto novamente, na primeira eleição municipal, realizada em outubro de 1945.

Família Toledo Strazzacappa reunida, Dona Maria e Orlando, rodeados dos seis filhos.


   Cortando pelas centenárias estradas rurais de Cosmópolis, “lai vem à professorinha”. Com seu impecável vestido de linho branco, um lindo chapéu na cabeça, seguia Dona Maria em seu trolinho entre as lavouras. Cortava as “picadas” (nome paulista as estradas abertas por carros de bois nos tempos dos Bandeirantes) apressada, levantando a poeira vermelha das estradas do Uirapuru, Itapavussu, Saltinho, Nova Campinas e Fazenda Usina Ester. Lugares distantes, estradas até mesmo intransitáveis, mas com coragem e muito amor aos seus alunos, seguia Dona Maria.

   
   Uma professora dos livros e letras, uma professora da vida, conselheira e amiga dos seus filhos escolares. Depois de mais de 30 anos de ensinamentos, oficialmente aposentou-se, com todos os méritos e honras, na Escola do Rodrigo.Escola que viu nascer seus sonhos, onde sua mãe foi à primeira professora. Em vida recebeu uma eterna homenagem da prefeitura, com seu nome enaltecendo uma escola infantil no bairro Cidade Alta.

Dona Maria lecionando aulas de piano aos seus alunos.
2014...Dona Maria, então com 95 anos, interpretando em um teclado algumas notas.

    Pioneira como sua mãe Dona Mariana, a primeira professora da Escola Rodrigo, Dona Maria Strazzacappa, herdou o magnifico dom de ensinar, seguindo outro marco da família: ensinar música. Ainda criança apreendeu com mãe a tocar piano, acompanhando os vários alunos que Dona Mariana recebia em sua velha casa na Rua Antônio Carlos Nogueira, próxima a antiga “Companhia Paulista de Electricidade”.

  São tantas referências de uma história fascinante, um livro que muito bem poderia ser intitulado: “Eterno amor por Cosmópolis”.



   
  Na Igreja Matriz de Santa Gertrudes, Dona Maria foi responsável por uma das mais tradicionais festas cosmopolenses, a famosa e extinta “Festa de Santo Antônio”, realizada anualmente no Largo da Matriz. Dona Maria e outras dezenas de senhoras da comunidade, organizam durante todo o mês de maio, a celebração da festa no dia 12 de junho. As trezenas começavam no fim de maio. A festa foi no seu tempo, um dos maiores eventos da região, com barracas típicas, intenso leilão de prendas e gado, animado pelos saudosos leiloeiros Zuza Nallin e Sérgio Rampazzo.

Maria Strazzacappa., em um dos últimos registros familiares.


    Fica aqui nossa homenagem, pequena comparada com a grandeza de nossa querida professorinha. Em nome do povo cosmopolense, muito obrigado Dona Maria Strazzacappa. Descanso merecido a uma eterna guerreira, a filha que escolheu Cosmópolis como seu berço, orgulhando em todos os seus 97 anos a nossa cidade. Os sinceros sentimentos aos milhares de alunos, o abraço em cada familiar, a nossa eterna saudade. As glórias de Deus e de Cosmópolis a Dona Maria...

Fotos Família Strazzacappa 

terça-feira, 26 de abril de 2016

DOMINGUEIRAS FUTEBOLÍSTICAS

Texto e foto  Adriano da Rocha


  1959... Uma típica manhã de domingo em Cosmópolis. Arquibancadas cheias, repletas de famílias de torcedores, homens, mulheres e crianças, que, ao sair da missa na Igreja Matriz de Santa Gertrudes e, do culto na Igreja Luterana, tinham seu destino certo: O “Estádio Thelmo de Almeida”. Nos impecáveis gramados do “Alviverde Cosmopolense”, todos os domingos a tradição era seguida, os velhos portões de madeira, construídos com antigas dormentes da “Cia Funilense”, ringiam pontualmente às 9h00, um som estridente que parecia dizer: “Sejam bem vindos ao Cosmopolitano”.

   Nas Ruas Campinas e Moacir do Amaral, ainda de terra batida, ansiosos torcedores aguardavam o início da “peleja futebolística”. Fordinhos, impontes Chevrolet’s e Chrysler’s, dividiam espaço nas ruas de terra com charretes, carroças e troles. As calçadas possuíam um ponto para “apiar”, um estaca de madeira possuindo na ponta uma argola de aço, onde o condutor amarrava as rédeas dos animais . Somente o passeio público era cimentado, nas calçadas do Estádio ficavam as famílias, crianças, mocinhas e senhoritas. Do outro lado, nas calçadas do “Bar do Ibi e Dona Esmeralda”, concentravam-se os rapazes, em dezenas de Calois e Monarks de barra circular.

   As bicicletas sempre impecavelmente limpas, enfeitados com fitas e sinais refletivos inusitados destacavam os “paralamas”; item obrigatório para não sujar as roupas “claradas” com “Anil”, ou quem sabe, o vestido da linda cosmopolense sentada na “garupa”.

   O registro fotográfico do fim dos anos 50 eterniza um pouco deste relato das “domingueiras futebolísticas” de Cosmópolis. Uma tradição que surgiu por intermédio dos funcionários da saudosa “Companhia Sorocabana”, percursores do “Football” no interior paulista, modalidade que chegou aos gramados da Villa de Cosmópolis no fim do século 19. A foto marca um domingo de jogo entre “Cosmopolitano e Botafogo Futebol Clube”. Uma disputa acirrada entre os reis dos gramados da Villa e da Usina, ou como diziam na época, “vileiros e colonos “rancando” até “toceira” na peleja da bola”.

  Um detalhe nesta foto para sua saudade, outras lembranças da velha Cosmópolis surgiram na sua mente. Repare no lado esquerdo da foto, o famoso carinho de doces e pipocas do “Ferruccio”. O carrinho chama atenção e saudade, por sua vitrine alta, feita de ferro forjado e revestido de vidro, onde eram expostas as pipocas que “saltitavam” na panela de alumínio batido, que reluzia de tão “arriada”, visto os cuidados com a limpeza e o amor pelo trabalho.

  Nos domingos de futebol, “Ferruccio pipoqueiro” era figurava cativa entre os torcedores, assim como o Xavier dos sorvetes (esqueci seu apelido, pai do Poly), os irmãos Bocaiuva vendendo amendoim torrado, o velho Ortiz e meu saudoso amigo Sodinha (esposo da Nega Vieira), vendendo pipoca doce e cocadas da Campineira. Doceiros, pipoqueiros, sorveteiros, não faltavam, a domingueira atraia futebolistas de toda região, paulinenses, nogueirenses e campineiros, tinham roteiro certos aos domingos.

  Terminando o jogo, os vendedores como Ferruccio, já preparavam seus carrinhos para pontualmente às 16h00, ir para o “footing” na Praça do Coreto, concentrando uma parte dos vendedores na Praça e outra turma no "Cine Theatro Avenida". O ponto principal do Ferruccio, era a calçada do extinto cinema, que deste tempo só resta a velha Sibipiruna, a qual faz sombra aos pedestres que passam pela calçada da Loja Seller.

  Não esquecendo, que as “domingueiras da bola” aconteciam em dois Estádios, revezando a cada domingo as disputas entre o Estádio Thelmo de Almeida e na Usina Esther no “Estádio Dr. Sérgio Coutinho Nogueira”, históricos gramados da União Esportiva Funilense.
  
  Como o Thelmo de Almeida, impiedosamente destruído em nome do “progresso”, o Estádio do Funilense segue o mesmo triste fim. Em nome do “progresso”, com a aval dos detentores do patrimônio particular e os “responsáveis” pelo patrimônio histórico cosmopolense, os verdes gramados darão lugar a um imenso canavial, sendo divido pela Usina, em terrenos para a plantação de cana de açúcar e ponto de armazenamento de bagaço e frota...
   
  É pois é, hoje as manhãs de futebol em Cosmópolis, ficaram somente nas lembranças, visto pelas dezenas de ocorrências policias, que até em campinho de várzea é perigoso “jogar bola” em Cosmópolis. Quando não é carrapato estrela, transmitindo febre maculosa , é “nóia noiado” roubando de bola, chuteira e celular. Fica o registro e o somente a saudade, já que nem estádio e paz temos mais...

Texto e foto Adriano da Rocha