quinta-feira, 30 de julho de 2020

MEMÓRIA ESPORTIVA ⚽️


"Pé de cana", com muito orgulho, e pés de bola !!!




 1952- Seleção da Usina Ester, "esquadrão dos canaviais", campeões da disputadíssima Zona Funilense.

ADM Usina Ester , em pé: Nelsi Salmistraro, Daniel Ignácio (Neco), Pierin Zanetti, Antônio Grassi, Robertinho Queiroz (goleiro) , Arlindão Ignácio, Mário Sperindioni e Luizão Furlanetto ( treinador).

Agachados: Zé Ferreira, Ermírio Pedro, Ezequiel Zerbinatti, Ari Peres e Fê-lo.


Foto Acervo Grupo Filhos da Terra

 Texto e colorização Adriano da Rocha


Agradecimentos Valber Kowalesky e Rui Moraes, responsáveis pela identificação dos craques cosmopolenses


#Acervo13anos #MemóriaEsportiva #UsinaEster #Funilense #Cosmópolis #AcervoCosmopolense

"CASA REDONDA"


2011 - #TBT – Ainda ontem em Cosmópolis...

 Demolição da icônica “Casa Redonda”, então localizada por mais de 100 anos na Rua João Aranha, em frente à ‘’ Praça dos Estudantes”, popular "Praça do Relógio do Sol". As imagens são de 18 outubro de 2011, há 8 anos passados.


Mesmo extinta, sobrando somente os portões de ferro forjado como resquícios, a “Casa Redonda” ainda é marcante nas memórias de incontáveis gerações.


HISTÓRIA

A edificação foi construída no início dos anos 1900, obras encomendadas por um conceituado químico suíço, então contratado pela Usina Ester. O projeto era único, extremamente inovador aos padrões da época, sobretudo para a pequena Villa de Cosmópolis, que surgia nas imediações da Estação Funilense.


As obras de construção foram feitas pelo construtor João Pulz e encarregados, seguindo o projeto encomendado pelo proprietário, autorizado pela prefeitura de Campinas. O imigrante germânico João Pulz, um dos primeiros moradores do Núcleo Colonial Campos Salles, possuía uma grande olaria nas imediações da Estação, localizada no atual “Bosquinho”.


Os enormes tijolos com as iniciais J.P (João Pulz), madeiramentos para os telhados, portas e assoalhos, vindos das matas cosmopolenses, foram os únicos materiais obtidos na região.


O restante dos materiais foram importados da Europa, como cimento da Inglaterra, enviado em enormes barricas, vidros bisotes e telhas da França, mármores italianos, azulejos e cerâmicas portuguesas.


A localização era privilegiada, em frente à Estação e principais vias de Cosmópolis, valorizando ainda mais a edificação. O casarão abrigaria o químico e sua esposa, recém casados, sendo a obra, o símbolo da nova vida no Brasil.


Desentendimentos entre o casal, supostamente ciúmes, mudavam a história da edificação, vendida anos depois da mudança.


Até sua demolição em 2011, a “Casa Redonda” passou por diversas modificações, como diminuição do terreno, adequações para construir prédios comerciais anexos, trocas das telhas importadas, pisos e vidros.


Entre seus principais proprietários estão as famílias Hergert, André Madsen, Virgílio Scorsoni e irmãos, e Barreto.


PEDAÇOS DO PASSADO

Com a demolição em 2011, realizada em etapas nos meses de setembro e outubro, os proprietários venderam partes dos materiais estruturais. Entre tijolos, telhas, madeiramentos e objetos estruturais, muitos materiais foram reaproveitados.


As icônicas janelas que marcavam a fachada, portas, balaústres, ferragens e madeiramentos, foram adquiridos pela empresária Vânia Sala, compondo partes do Espaço Guaiçara.


Neste mesmo espaço de festas e eventos, foram reaproveitados tijolos e madeiramentos das extintas colônias da Usina Ester, antigas lojas da Avenida Ester, e prédios históricos de Cosmópolis.


São pedaços do passado, sobretudo da história cosmopolense, ainda preservados no presente.


Texto e fotos Adriano da Rocha


#Acervo13anos #TBT #Cosmópolis #CasaRedonda #memória #AcervoCosmopolense

domingo, 26 de julho de 2020

Aos vovôs e imigrantes alemães

 Ontem, sábado (25), “dia do imigrante alemão”, neste domingo (26), “dia dos avôs”. Na construção da nossa história nacional e vidas, os imigrantes alemães e avôs, são imprescindíveis personagens.


Imigrantes responsáveis pelos desbravamentos de inúmeros setores da história brasileira, sobretudo cosmopolense. Avôs que são bases e exemplos, os edificadores de seres humanos para o mundo.


OLHAR NA FOTO
No registro fotográfico de 1932, com exatos 88 anos de história, nossas memórias e homenagens as duas datas.Em destaque, uma das primeiras famílias de imigrantes alemães do estado de São Paulo, com mais de 150 anos de histórias em Cosmópolis e região.


A foto, registra um encontro na casa dos avôs, uma propriedade rural dos primórdios coloniais germânicos, localizada entre os atuais municípios de Artur Nogueira e Cosmópolis.


Era o famoso sítio São João das Palmeiras, marco na história de gerações do velho “Henrich barbudo”, como carinhosamente era conhecido, reduto da prole de filhos, netos, bisnetos e tataranetos, umas das maiores famílias alemães da região.


É visível na foto, como não atrair os olhares, a felicidade em estar na casa do vovô.


Na foto estão, esquerda para direita, Henrique Steckelberg ( o avô de barbas longas), Mina Kowalesky (dona Mina parteira), Margarida Kowalesky, Betty Steckelberg (neta), e Arthur Steckelberg.


Pioneiro imigrante 🇩🇪
Henrique Steckelberg, com sua marcante barba, foi um importante personagem na estruturação das colônias alemães na região, sendo atuante, em todas as comunidades germânicas.


Participou da criação de todas as bases sociais do Núcleo Colonial Campos Salles, um dos fundadores e construtores da extinta escola alemã (Deutsche Eiche ), salão de bailes (patrimônio histórico cosmopolense), igreja luterana, entre outras importantes redutos da comunidade.


Figura ativa na comunidade germânica, foi mestre musical, professor de alemão, e chefe de ofícios.

Era muito querido entre as crianças, sendo lembrado como “Papai Noel alemão”. Os motivos, não era somente a longa barba branca e fisionomia, mas sim, por
vestir-se anualmente de “Papai Noel”.


Um meio de manter vivas as tradições natalinas alemães na comunidade, marcando época em Cosmópolis. Sempre visionário e empreendedor, produzia cervejas e cachaças, considerado um dos percursores deste setor em Cosmópolis.


📸 Foto colorizada, com base em original do acervo da família Steckelberg

Texto Adriano da Rocha


Confira a história da família Steckelberg no livro digital escrito por Jose Henrique Steckelberg Filho , um dos muitos descendentes do Henrich, o alemão de coração brasileiro.


https://drive.google.com/…/1mTwQC74isKUnpRu0cneaWoxKk…/view…

#Acervo13anos #diadosavôs #diadoimigrantealemão #memória #cosmópolis #Acervocosmopolense

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

MOCHILA BOA, A GENTE DOA!!


DOE sua mochila escolar e estojo em bom estado e dê uma aula de SOLIDARIEDADE


  Sua mochila escolar e estojo usados poderá fazer toda diferença para outro estudante em 2020.
Todos os materiais arrecadados serão higienizados e entregues durante o ano letivo de 2020 aos estudantes da rede pública de ensino de Cosmópolis.

DOE sua mochila e estojo usado e faça a diferença na vida escolar de outra pessoa. SUA DOAÇÃO ajudará inúmeros estudantes cosmopolenses.
Visite um de nossos pontos de arrecadação e contribua com este projeto.

Organização: Grupo de Voluntários S.A Solidariedade em Ação de Cosmópolis

Promoção: Acervo Cosmopolense

Apoio e pontos de arrecadação:

Meu Colégio Anglo Cosmópolis
● Colégio Objetivo Cosmópolis
●Montessori Cosmópolis
● ECIN Empresarial
● Mercado da Roça
●UniJá EAD
● Bruxinha Magrela
●CrossFit Cosmópolis
● Academia BioFitness
● Nadiggi Veículos
●Depósito Chama Gás e Água Mineral
● Rafael Pádua Empreendimentos Imobiliários

C.O.N.T.R.I.B.U.A / P.A.R.T.I.C.I.P.E

sábado, 30 de novembro de 2019

COSMÓPOLIS AOS SEUS FILHOS


  Caminhos bandeirantes, terras desbravadas aos batelões pelos rios, passagens abertas entre colossais florestas. Há mais de 200 anos, o pioneirismo paulista fazia surgir Campinas, junto, nascia a futura cidade de Cosmópolis.


Matas eram derrubadas, cafezais e canaviais surgiam pelas mãos de caboclos, negros e imigrantes europeus. As margens das plantações, trilhos de aço cortavam as terras, pontes de ferro buscavam caminhos sobre as águas.

As terras, estavam prontas para a chegada do progresso, anunciado distante, aos sons de estridentes apitos e cortinas de fumaça. O trem chegava, a estação o recebia, nas margens dos seus trilhos, a Villa nascia.

Gigantescas caldeiras forjavam o ouro verde dos mares de canaviais, chaminés buscavam os céus, aclamando o progresso ao Estado.

O ouro verde das plantações era intenso, reluzindo em outros continentes, atraindo povos de todo o mundo. Núcleos coloniais recriavam pequenos países na nova terra, o universo encontrava espaço para transforma-se em cidade.

Progressista, universal e acolhedora, a Nova Campinas havia de ser chamada Cosmópolis: o Universo em cidade.

A miscigenação, mistura constante de culturas, crenças, idiomas e tradições, criavam um povo único, o cosmopolense.

Em seu sangue pulsavam suas maiores virtudes, as traduções das palavras esperança e perseverança.
Campinas, a cidade mãe, só lembrava da filha Cosmópolis quando buscava a fartura de sua mesa.

O descaso, fazia o cosmopolense traduzir a palavra esperança, sonhando ser um cidadão de sua própria cidade.

O povo unia-se, traduzindo a palavra perseverança, lutando por uma esperança vista como um sono impossível.

O cosmopolense enfrentava Campinas, afrontando interesses públicos, políticos e empresariais, muitos eram contrários por medo e despeito.

Anos de batalhas, poucas ganhas e tantas perdidas, muitos obstáculos, inimigos conspirando contra a libertação da Villa.
Incrédulos e pessimistas bradavam seu grito contra o cosmopolense: “Desista, isso é impossível, nunca serás cidadão de sua cidade”.

A união da esperança e perseverança, faziam o cosmopolense seguir sem medo. Esperança e perseverança, sinônimos de fé e insistência, tornavam-se as maiores virtudes deste povo.

O cosmopolense proclamava a realização do sonho impossível. Foram vencidos os opressores da liberdade, utilizando a arma mais poderosa de um povo: a união!!.

Em 30 de Novembro de 1944, nascia oficialmente à cidade de Cosmópolis. A Villa, antes distrito da mais pungente cidade paulista, decretava sua liberdade. Seu povo enfim era cidadão da sua cidade.

O novo município paulista surgia em berço esplendido, abençoado por rios, um dos melhores solos do Estado, responsável por produções recordes de vários setores agrícolas, com uma localização viária sem igual no Brasil.

Quando no século 19, surgia anunciada como a Nova Campinas, renascia Cosmópolis em 1944, com potencial para ser a Nova São Paulo.

Sem eufemismo, ou engrandecimento exacerbado de um filho, apaixonado por sua terra. Tínhamos tudo, e ainda temos, para sermos o apogeu paulista do desenvolvimento e progresso.

Mas, o que aconteceu nestes 73 anos, qual foi o motivo do progresso mudar sua conjugação para retrocesso?!

Corrupção, políticos defendo o povo somente nas eleições, ao assumirem o poder, defendendo somente os seus interesses pessoais e partidários; O destino da cidade, há décadas nas mãos de um mesmo grupo, alternando seu poder em mandatos eletivos assegurados pelo povo.

O motivo então é a incapacidade política e administrativa, os políticos e seus comparsas são os responsáveis pelo retrocesso de Cosmópolis. São eles, os algozes da cidade que nasceu como o sonho bandeirante??!!

Não, o principal motivo, responsável por todos os males que afligem Cosmópolis, é a falta de união do seu povo.

Aquele cosmopolense do passado, o qual tinha como maiores virtudes a esperança e a perseverança, não consegue unir os nobres sentimentos.

Ficando impossível lutar pela cidade de Cosmópolis, sem a união popular destes sentimentos. Afinal sem esperança não existe perseverança.

Os sentimentos ainda estão no peito do cosmopolense, só falta desperta-los em seu coração.

Eu sei, tenho certeza, dentro do seu coração, existe a esperança de uma nova Cosmópolis. Acredito em seu despertar com perseverança para lutar por nossa terra.

Ao completar “75 anos de emancipação política e administrativa”, desejo aos cosmopolenses o despertar da esperança e perseverança em seus corações.

Assim, como nossos pioneiros, possamos lutar com perseverança na esperança de uma cidade melhor.

Dias melhores somente serão possíveis, quando lutarmos juntos, unidos com esperança e perseverança por nossa cidade.

O Brasil começa na minha cidade, a mudança somente acontecerá quando tiver início aqui.

Seu povo está despertando os sentimentos, renascendo da união da esperança e presença o amor por Cosmópolis.

Texto Adriano da Rocha

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Um presente de memórias e saudades!!!



 Celebrando os 75 anos de “Emancipação Política e Administrativa de Cosmópolis”, o Acervo Cosmopolense em parceria com o projeto “Memórias de Coretos”, presenteia você com este resgate da nossa história.
Uma verdadeira viajem ao passado, através de imagens e emocionantes depoimentos de cosmopolenses. “Conhecimento para quem não vivenciou a época e incitando boas memórias a quem viveu”.
Projeto desenvolvido por formandos do curso de comunicação social - Rádio e Tv da Faculdade Rio Branco, de São Paulo.

Conheça o projeto, os idealizadores, e as histórias de outros Coretos Paulistas- C.O.N.F.I.R.A
http://memoriasdecoretos.com.br/

domingo, 6 de outubro de 2019

VAMOS CAMINHAR E REDESCOBRIR COSMÓPOLIS ?!

TURISMO COSMOPOLENSE

Pedra Branca, a "Grutinha da Parda"


 

 NESTE DOMINGO (06), acontece à primeira “Caminhada para Pedra Branca”, a histórica “Grutinha do Carandina”. Redescobrindo um dos pontos mais incríveis de Cosmópolis, marcado pelas belezas naturais e histórias.
A concentração será na “Guarita Municipal” da Avenida Centenário, próxima à rotatória de acesso à Usina Ester, com saída às 7h30.

A Pedra Branca fica na região da extinta Colônia Carandina, registrando aproximados nove quilômetros de percurso até o local. A formação rochosa marca a divisa entre Cosmópolis e Limeira.

O evento é livre e voluntário, o percurso poderá ser realizado caminhando ou de bicicleta. Recomendamos levar água para consumo, usar calçados fechados, tênis ou botas de trilhas, bonés, protetor solar, repelentes, e demais acessórios que julgarem necessários para a caminhada.
Para segurança de todos os participantes, devido aos acessos do local, o percurso será guiado por profissionais em trilhas, voluntários da Defesa Civil e Guarda Municipal.

Recentemente redescoberto por trilheiros e esportistas, a Pedra Branca é marcada pelas várias formações rochosas, semelhantes à famosa “Gruta do Carrapicho”, diferenciando-se pela concentração de areias brancas, por isso o nome. No passado, a semelhança com a Gruta Carrapicho apelidou o local como Grutinha, nomeado pelos colonos da extinta Carandina.

Um local sem igual na região, com muitas histórias e belezas únicas. Famoso nos tempos Bandeirantes e início da formação da Usina Ester, como “Furna da Parda”, alusão as onças que faziam ninhos nas pedras, e “Areeiro”, devido as areias retiradas para o uso em construções da região.
 
P.A.R.T.I.C.I.P.E
 
Vamos redescobrir Cosmópolis neste domingo (06) ??

Confira mais fotos e a história da Pedra Branca
acessando o link
https://www.facebook.com/acervo.cosmopolense/posts/1132641456910245/

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

PRENÚNCIOS DA PRIMAVERA

Piúvas cosmopolenses 🌸❤️
 



  Olha ele, em mais uma florada. Florecer que prenúncia a proximidade da primavera, constrastando em toda região com a imponência dos seus mais de 8 metros de altura. “Florada altaneira”, como diz o paulista, podendo ser deslumbrada sua copada em vários pontos da cidade.
Imagens do início do mês de setembro, registrando a “florada 2019” do ipê rosa da Rua Ramos de Azevedo.


A piúva rosa, como é denominada em São Paulo, é uma das últimas existentes na região central. Sendo desta espécie, a árvore mais velha do centro.
Resistindo há mais 40 anos ao progresso e maus tratos, é uma verdadeira guerreira, símbolo e exemplo da sobrevivência ambiental.




  📸 Fotos Lana Freitas
Texto Adriano da Rocha

terça-feira, 17 de setembro de 2019

104 ANOS DA IGREJA MATRIZ DE SANTA GERTRUDES

MEMÓRIA
 


1915- Igreja Matriz de Santa Gertrudes, momentos antes da inauguração. Registro atribuído ao jovem Pedro Damiano, doado ao Acervo Público Cosmopolense por Antonio Damiano

 Marco religioso, indicadora, cartão postal, referência histórica municipal e, nas histórias de incontáveis gerações cosmopolenses. Em 15 de setembro de 1915, uma sexta-feira há exatos 104 anos, oficialmente era inaugurada a primeira Igreja Matriz de Santa Gertrudes, a notória “Igreja Velha”. Uma igreja pouco conhecida por muitos  cosmopolenses, chegando a ser ignorada sua história e existência anterior, demolida em partes nos anos 1950, para construção da atual Matriz. A nova igreja matriz seria construída na região da atual "Praça do Rodrigo", mas contratempos políticos e religiosos, impediram a continuidade e preservação da histórica edificação.
 
1956- Início das obras de demolição e construção da nova Igreja Matriz de santa Gertrudes


 A Igreja era demolida com o pretexto de ser muito pequena, não comportando o aumento no número de fiéis. Na atual Matriz, são preservados da "igreja velha" o piso de acesso ao altar, mármores importados que revestiam paredes e adornavam o primeiro altar, foram assentados como retalhos em alguns espaços sacros, ferragens e parte dos tijolos.

2019- Em destaque ao centro, o piso de acesso da "Igreja Velha",ainda preservado na atual Matriz


HOMENAGEM A "DONA TUDINHA"
Gertrudes Eufrosina de Almeida Bicudo Nogueira Ferraz, Dona Tudinha, matriarca dos fundadores da Usina Ester, devota fervorosa de Santa Gertrudes de Helfta.

A “igreja velha” foi uma homenagem póstuma a Gertrudes Eufrosina de Almeida Bicudo Nogueira Ferraz, Dona Tudinha, matriarca dos fundadores da Usina Ester, devota fervorosa de Santa Gertrudes de Helfta. A Santa era venerada como Padroeira dos Barões no Brasil Imperial, por isso, a grande devoção entre agricultores e nomes de batismos homenageando Gertrudes .


Dona Tudinha Nogueira, como era conhecida pelos amigos e sociedade paulista, foi figura de destaque e respeito no Estado. Era proprietária de inúmeras extensões de terras, atualmente cidades como Paulínia, Artur Nogueira e regiões nobres de Campinas, sendo descendente de inúmeras linhagens de Bandeirantes, responsáveis pela fundação de São Paulo e outros Estados.

As obras da "Igreja Velha" foram custeadas pela família, destacando os filhos Cidrack, José Paulino e Major Arthur Nogueira Ferraz. A edificação foi ofertada para o patrimônio da Igreja Católica Apostólica Romana, ficando o Largo (Praça), doado para a Prefeitura de Campinas. 

*Cosmópolis até 1944, foi um dos distritos campineiros, sendo conhecida a progressista “Villa” como a “Nova Campinas”.


RAMOS DE AZEVEDO E “SEVERO VILLARES”
1913- Planta geral da Villa de Cosmópolis, com o nome de Ramos de Azevedo sendo homenageado na rua
 
O projeto arquitetônico foi do renomado engenheiro Ramos de Azevedo, estando às obras supervisionadas em Cosmópolis, pelos sócios Ricardo Severo e Arnaldo Dumont Villares, sobrinho de Santos Dumont, “Pai da Aviação”. Villares era sobrinho do Coronel João Manuel de Almeida Barboza, antigo proprietário da Fazenda Funil e um dos fundadores do Grupo Industrial Villares.


Para concepção dos projetos, estudos da aérea e cálculos, Ramos esteve em Cosmópolis e região por várias vezes. Sua ausência acontecia devido às inúmeras obras na Capital e demais cidades, realizadas pelo “Escritório Técnico Ramos de Azevedo”. Na época o maior do Brasil, com inúmeros arquitetos, engenheiros, escultores e mais de 500 funcionários.

01\01\1945 - Missa campal realizada no Largo da Matriz, em saudação ao novo município de Cosmópolis, abençoando a posse dos primeiros prefeitos, Moacir do Amaral e Caetano Achiles Avancine


A edificação da Igreja Matriz era realizada em conjunto com as obras do complexo industrial da Usina Ester, Palacete Irmãos Nogueira (Sobrado), e o armazém central da Carril Agrícola Funilense, atual Mercadão de Campinas, todas as obras projetadas por Ramos de Azevedo e construídas por suas equipes.

O célebre engenheiro, familiar dos Nogueira Ferraz, havia construído em 1893, a mansão de José Paulino na capital, localizada na região da Avenida Paulista, considerada uma das mais luxuosas residências de São Paulo. Através desta obra, uma das várias realizadas para a família Nogueira, surgia à contratação para os projetos em Cosmópolis.

INSPIRAÇÃO EM TEMPLOS CAMPINEIROS
1940- Altar central da Igreja Matriz de Santa Gertrudes, inspirada na Basílica de Basílica Nossa Senhora do Carmo
 
Seguindo o eclético "Beaux Arts", estilo Francês marcante nas obras de Ramos, a “Igreja Velha de Santa Gertrudes” era inspirada em históricos templos campineiros. Na área externa, ornamentos cimentícios, portais e janelas, acompanhavam o estilo da Igreja de São Benedito, uma das primeiras obras projetadas por Ramos; toda a área interna, altar, acessos, pisos de mármore, inspirados na Basílica Nossa Senhora do Carmo, considerada um dos marcos da fundação de Campinas.


Todos os ornamentos foram projetados por Felisberto Ranzini, famoso arquiteto do Escritório Ramos de Azevedo. Ranzini era professor do Liceu de Artes e Ofícios e da Escola de Belas-Artes de São Paulo, conhecido pelas obras da Casa das Rosas, localizada na Avenida Paulista, residência da filha de Ramos.

MATERIAIS IMPORTADOS
As Telhas foram vindas da França, fabricadas pela “St. Henry Marseille”, uma das mais importantes olarias do mundo, a qual revendeu em conjunto, todo madeiramento para o telhado em Pinho de Riga (Pinus sylvestris), provenientes da Letônia. Também importadas da Europa, chegando de navio, vieram o cimento e ferragens da Inglaterra.


1953 - Primeira Igreja Matriz de Santa Gertrudes


O madeiramento do forro, portas, janelas e móveis sacros, eram todos lavrados em cedro das matas cosmopolenses. Na época, uma das árvores mais predominantes nas terras da Fazenda Funil. Madeiras lavradas nas centenárias serrarias do bairro Serra Velha. Os ornamentos em cimento, colunas, balaústres e molduras, foram feitos no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.
Os sinos do campanário, confeccionados em puro bronze, foram produzidos pela Fábrica Lidgerwood, em Campinas. Prédio tombado como patrimônio histórico municipal e estadual, localizado na Avenida Andrade Neves

ATRASOS NAS OBRAS

Anos 1940- Cosmopolense e sua filha, sem identificação, nos jardins da "Igreja velha"
 
As obras de construção da primeira igreja Católica de Cosmópolis, a Matriz de Santa Gertrudes, tiveram início no fim do século 19, com a agrimensória do terreno, criação de bases e estudos da área, realizados por Ramos de Azevedo. Em 1900, atendendo pedidos da comunidade Católica, foi edificada uma pequena capela, construída próximo das obras da Matriz.



 Seguidas Intempéries climáticas, como incessantes chuvas, tempestades, e um devastador ciclone que destruiu parcialmente construções da Villa, Usina Ester e colônias, interrompiam as obras da Matriz. O ciclone surgiu em 24 de outubro de 1912, e a Igreja Matriz foi um dos pontos mais castigados pela intempérie climática, destruindo o telhado, derrubando paredes e ornamentos.

INAUGURAÇÃO OFICIAL
17 de Setembro de 1915- Inauguração da Igreja Matriz de Santa Gertrudes. Ao centro de calças brancas, sua marca pessoal de vestimenta, é o Major Arthur Nogueira, a moça ao seu lado, é Tilinha Nogueira Ferraz, filha de José Paulino e irmã de Esther Nogueira. Ao seu lado, ao fundo, está o Senador Francisco Glicério, ao fundo, Orozimbo Maia. O jovem, usando branco, é Paulo Nogueira Filho, o Paulito, ao seu lado a mãe, Esther Coutinho de Almeida Nogueira
 
Na manhã do dia 17 de setembro, uma ensolarada sexta-feira, desembarcavam na Estação da Funilense, Heitor Teixeira Penteado, prefeito de Campinas, senador Francisco Glicério, Orozimbo Maia e família, representando Ramos de Azevedo, os sócios e arquitetos Arnaldo Dumont Villares e Ricardo Severo, Júlio de Mesquita, fundador e proprietário do jornal O Estado de São Paulo, entre inúmeras autoridades políticas e empresarias da época.


O anfitrião Major Arthur Nogueira, junto com a Corporação Musical da Usina Esther, esperava na Estação os célebres convidados para a inauguração oficial da Igreja Matriz de Santa Gertrudes. Um projeto do Escritório de Arquitetura e Engenharia Ramos de Azevedo, edificação construída em homenagem a matriarca da família Nogueira Ferraz.

Dos doze filhos de Dona Tudinha, somente José Paulino Nogueira não compareceu por motivos de saúde, sendo representado pelas filhas Tilinha e Esther Nogueira, com seu esposo Paulo de Almeida Nogueira e netos. José Paulino faleceu dois meses após a inauguração da Igreja, em 10 de Novembro de 1915.

Na edificação aguardavam os fiéis e autoridades, o Padre Serapio Giol (primeiro Padre oficial de Cosmópolis) e o Monsenhor Joaquim da Silva Leite, responsáveis pela realização da missa na primeira Igreja Católica da Vila . *Até então Cosmópolis só possuía pequenas capelas em seu território.

UMA FOTO ETERNIZANDO O MOMENTO
No término da celebração religiosa, o histórico momento foi registrado com a foto principal que ilustra a matéria. A fotografia foi um registro amador, redescoberta décadas depois, através de uma doação de Antonio Damiano. A foto, doada para o processo de digitalização nos anos 1990, marcaria a biografia da Igreja, eternizando por 104 anos o histórico momento. Damiano é autor de outros registros da velha Matriz, como inúmeras fotos amadoras do surgimento de Cosmópolis e importantes acontecimentos.



Uma curiosidade é que dentre as várias crianças da foto, estão os oito filhos do político e fazendeiro Orozimbo Maia. Com destaque para a filha Odila Maia da Rocha Brito e o esposo Dr. Armando da Rocha Brito, fundadores do Hospital Vera Cruz. Em 1900, homenageando o arquiteto Ramos de Azevedo, uma das principais ruas de acesso à matriz foi oficializada com seu nome.

Texto Adriano da Rocha
Fotos Acervo Grupo Filhos da Terra
Agradecimentos família Damiano, Pupo Nogueira e comunidade Santa Gertrudes

domingo, 8 de setembro de 2019

FERIADO NO PASSADO, SEMPRE LEMBRADO POPULARMENTE NA FÉ CATÓLICA

MEMÓRIA RELIGIOSA 

Ainda ontem era feriado, e hoje, seria feriado também...No passado, dois feriados prolongados, “Dia da Independência” (07), então celebrado nos regimes militares como “Dia da Pátria”, e “Dia de Nossa Senhora Aparecida” (08).

1944- Romeiros cosmopolenses no Largo da antiga Igreja Velha de Aparecida-SP

  Em Cosmópolis o feriado religioso de 08 de setembro era exaltado com intensas celebrações religiosas, principalmente pelas romarias cosmopolenses à “Aparecida do Norte”.

Ainda não existia uma igreja dedicada a Nossa Senhora Aparecida, sendo realizadas as celebrações eucarísticas na Igreja Matriz de Santa Gertrudes e festividades no Largo (jardins da Matriz, atual Praça Paulo de Almeida Nogueira).

No dia 08 de setembro, a cidade amanhecia com alvorada de rojões, seguido de intenso badalar dos sinos do campanário da Matriz, chamando os fiéis para a tradicional missa em louvor a Padroeira Nacional. As celebrações eucarísticas eram campais, com a participação da "Corporação Musical de Cosmópolis", regida pelo mestre Antonio Tavano.

As festividades religiosas aconteciam no Largo da Matriz, realizadas no período da noite, saudando a chegada das Romarias cosmopolenses.

ROMARIAS DE ‘’ APARECIDA DO NORTE’’
 Quem não tem uma foto familiar em “Aparecida”?! Inerente da religião, devoção ou posição social, as fotos em Aparecida, estão entre os mais importantes, até únicos, registros da história familiar de muitas pessoas.·.

O preço mais acessível dos “lambe lambes”, vendendo em grandes quantias aos romeiros, atraiam os visitantes aos populares registros. Sempre ‘‘ “imortalizados” com a Basílica velha ao fundo, ou, os típicos painéis com motivos religiosos, e inusitados desenhos como aviões, animais e passagens bíblicas.

A HISTÓRIA COSMOPOLENSE NA FOTO
 Há exatos 75 anos, em 08 de setembro de 1944
Aparecida-SP- Tradicional Romaria cosmopolense para “Aparecida do Norte”, em celebração ao “Dia da Padroeira do Brasil’’, “Nossa Senhora Aparecida”, então comemorado, em 08 de setembro.

Organizado pelo Padre Oscar Ferraz do Amaral, centro da foto, o moderno ônibus da “Auto Viação Cosmópolis”, era conduzido por José Klingohr (ao fundo na porta), popular “Zeca Kringo”.

Registro fotográfico feito no largo da antiga Catedral de Nossa Senhora Aparecida, popular igreja velha.

Marcante ponto fotográfico de romeiros, imortalizada em milhares de fotos familiares. Registro feito pelos famosos “lambe lambes”, os fotógrafos ambulantes de Aparecida.

O nome popular, uma alusão ao trabalho de revelação das fotos. Para saber o ponto exato da emulsão, o fotografo molhava os dedos na placa de vidro, lambendo a chapa para fixá-la ao papel fotográfico. Neste lambe lambe de fotos e dedos, surgia o nome.

O processo de revelação, durava até 5 horas. A revelação estava totalmente pronta no início da tarde, quando os Romeiros embarcavam para voltar à Cosmópolis. Por estes motivo, as quase cinco horas da revelação, os registros eram realizados na chegada dos Romeiros.

O FIM DO FERIADO DE 8 DE SETEMBRO
 A data foi feriado nacional até 1979, “Dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida”, então exaltada popularmente como Padroeira Católica do Brasil. A mudança na data do feriado, consagrado religiosamente à Padroeira, mudava em 30 de junho de 1980.

O General Presidente João Batista Figueiredo, alterava o feriado nacional com a Lei nº 6.802, decretando Nossa Senhora da Conceição Aparecida como Padroeira religiosa do Brasil, oficializando como seu feriado nacional, o dia 12 de outubro.

A junção do feriado religioso e o “Dia das Crianças”, acontecia principalmente pelo intermédio das associações comerciais de São Paulo, depois de uma campanha idealizada pela indústria de brinquedos Estrela nos anos 1960.

O "Dia das Crianças" existia oficialmente desde a década de 1920, mas não eram realizadas celebrações públicas e populares. A data foi uma criação do deputado Federal pelo Rio de Janeiro, Galdino do Valle Filho, oficializado pelo Presidente Arthur Bernardes, por meio do decreto nº 4867, de 5 de novembro de 1924.

Texto e foto Adriano da Rocha

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