quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

LUTO COSMOPOLENSE

ADEUS RUI BOSSHARD
Texto Adriano da Rocha
Fotos Acervo familiar



 Mesmo distante, sempre fazia-se presente na sua terra querida. Na distante Santa Catarina, faleceu nesta quinta-feira (11), aos 56 anos de idade, o cosmopolense, Rui Bosshard

Com os corações aflitos pela triste notícia, centenas de amigos faziam suas despedidas distantes, em orações, preces de conforte e paz, em homenagens no Facebook. 


DESPEDIDA 
O corpo de Rui Bosshard, chegará em Cosmópolis nesta sexta-feira (12). A última despedida acontece às 9h00, no velório do Cemitério Municipal da Saudade. O sepultamento será realizado no início da tarde.

QUÍMICO E JORNALISTA

  Rui formou-se químico na conceituada COTICAP, Escola Técnica de Campinas, fez história na Rhodia e no renomado CPQBA - Unicamp, Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas.

Nos anos de 1990, muda seus planos profissionais, descobrindo no jornalismo uma razão de vida. Nas letras encontrou um meio de expressar seus sentimentos, transcrevendo acontecimentos em notícias.

Trabalhou como editor, jornalista, diagramador, fotojornalista, em vários jornais impressos da região, nos tempos que jornal era impresso na “raça”.

Fez história no auspicioso Jornal Tribuna, que despedia-se de Cosmópolis, para transforma-se no Jornal Tribuna de Paulínia.

Mudando-se para Santa Catarina, trabalhou em vários jornais impressos, sites e portais de notícias. Junto com amigos, criava um novo segmento de jornalismo, o Jornal De Tur Internacional.

No disputado meio jornalístico, era chamado de professor, sendo figura de destaque no ABRAJET, Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo.

RUI DO VIOLÃO, RUI COSMOPOLENSE 
Fez parte de uma geração que sonhava revolucionar Cosmópolis, usando como arma, a felicidade de um sorriso sincero. 

Rui foi membro ativo de "temidos" grupos de revolucionários cosmopolenses, jovens "perigosos", por não usarem armas de fogo, muito menos violência, para lutar por seus ideais.

"Jovens revolucionários cosmopolenses", temidos por usarem gargalhadas, canções no violão, cervejadas na calçada, por escreverem versos com cacos de tijolo no asfalto da Avenida Ester. Temidos por sua alegria de viver a vida, temidos por nunca imporem as suas verdades, como a verdade de tudo.

"Revolucionários cosmopolenses", contraventores da tristeza, com seus “quarteis generais” nas esquinas do Toninho da Kibon, Banco Itaú, Bar do Baloni, Tabajara, Ideal e Joaquim, com sedes de comando na Praça da Matriz, embaixo dos flamboyants e quaresmeiras.

"Jovens revolucionários cosmopolenses", com suas lutas intensas contra a monotonia do tédio, do obvio, da canseira depois do almoço de domingo.

Suas guerras, chamavam-se Gincanas, onde os guerreiros, usavam a inteligência, raciocínio e rapidez, como armas de combate.

Os derrotados, duramente combatidos pelas ruas de Cosmópolis, saldavam orgulhosos os ganhadores, felizes comemorando a guerra perdida.

Um ilustre revolucionário despede-se distante da sua terra. A paz das suas palavras, a lembrança do seu violão, o sorriso sincero aos amigos, ficarão como marca eterna, de um homem integro e verdadeiro.

A toda família Bosshard, aos milhares de amigos, principalmente seus amigos revolucionários cosmopolenses, os meus sinceros sentimentos. Tenha certeza, na mansidão da paz celestial, Rui estará no conforto da Paz divina.

Descanse em paz Rui, olhai junto ao Criador por sua querida Cosmópolis. Adeus "revolucionário cosmopolense"!!!

Fotos Acervo familiar

#Acervo11anos #MuitoMaisSobreCosmópolis #LUTo#Cosmópolis #RuiBosshard #Acervocosmopolense

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

NOVOS CEP EM COSMÓPOLIS


  Com certeza você foi surpreendido com a mudança do CEP 13.150.000, realizada sem aviso e nenhuma divulgação posterior. Cada bairro cosmopolense já possui seu próprio código de envio postal, destinado a cada logradouro, um cep específico. 
Complicado, não consegue descobrir seu novo cep?? Descomplicamos para você!!
Para tirar todas suas dúvidas, explicamos passo a passo, o processo para encontrar seu novo CEP, como também, descobrir o bairro exato da sua rua. C.O.N.F.I.R.A

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

BOM JESUS DO NOVA CAMPINAS

Capela do Senhor Bom Jesus completará 78 anos da sua edificação
Referência religiosa e festiva, o local é um dos marcos históricos da região rural cosmopolense

Texto Adriano da Rocha
Fotos Conceição Tetzner


Localizada no bairro rural  Nova Campinas, capela completa  78 anos em Outubro. / Foto Conceição Tetzner



 A estrada rural ainda é de chão batido, cascalhado com pedaços de pedras e sobras de olarias, a terra é de um vermelho intenso. Cortando plantações, principalmente cana e laranja, o motorista é levado para históricos destinos, regiões rurais de Limeira e Artur Nogueira.

Estradas bandeirantes, abertas na “picada” com rudimentares ferramentas e carros de bois, cortando matas, desbravando caminhos pelos sertões paulistas.
Neste caminho, criado nos primórdios de Cosmópolis, uma módica edificação desperta os olhares no trajeto.

Na mansidão verde de lavouras, o motorista avista ao longe uma capela, sobre seu campanário uma cruz de ferro forjado. Traçado, entre os arrabaldes do símbolo cristão, as iniciais S.B.J.

Ladeada de novas construções, espaço comunitário comercial e um salão de festas, está uma modesta capela. Mostrando a glorificação católica da construção, letras sobressaem a estrutura, anunciando o nome Senhor Bom Jesus.

É a Capela do Senhor Bom Jesus, localizada no bairro rural Nova Campinas, uma das primeiras regiões a serem povoadas em Cosmópolis.
Reduto da fé católica, referência festiva da tradicional Festa do Senhor Bom Jesus, espaço de confraternizações e celebrações religiosas. Uma construção que marcou a história de inúmeras gerações de cosmopolenses.

HISTÓRIA
A construção, é datada de 24 de outubro de 1940, edificada pela comunidade católica do bairro, em parceria com membros das missões da Igreja Matriz de Santa Gertrudes. Um grupo que buscava na fé católica, edificar novos pontos de evangelização, fora da Villa de Cosmópolis. Até então, o território cosmopolense possuía somente um templo católico, a Igreja Matriz.

Para as obras de construção, a Usina Esther, intermediou a legalização do terreno e doou grande parte dos materiais, sendo Dona Sonja e Guilherme Pompeo Nogueira (Guilhermino), diretores da empresa, padrinhos de fé da capela.

Atual Capela, foi construída no mesmo ponto onde existia outra edificação dedica ao Bom Jesus. / Foto Conceição Tetzner


MARCO CATÓLICO
  A nova construção, surgia sobre antigos marcos do catolicismo no bairro, desbravado no início dos anos de 1800.

No mesmo ponto, o qual foi construída a capela, já existia uma pequena edificação dedicada ao Bom Jesus. Até o fim do século 19, um pároco vindo de Limeira, realizava periodicamente, batizados e casamentos na capela.

Nesta extinta capela, nos meses de agosto e fim de setembro, eram realizadas festas em louvor ao Bom Jesus da Caninha Verde.

Trezenas, louvações feitas por grupos de violeiros, reuniam multidões pedindo a interseção do Bom Jesus, para um boa colheita do café e cana de açúcar.

COMÉRCIOS AOS ARREDORES   Neste período, já existiam próximos da Capela, pequenos espaços comerciais. Os comércios, surgiam para atender aos moradores da região rural, bairros do Pinheirinho (primeiro bairro de Cosmópolis), Serra Velha, Núcleo Colonial Santo Antônio, Pires, entre outros.

proximidade com Limeira, como também, a facilidade de inúmeras estradas, levavam os moradores a cidade vizinha.

Buscando atender ao crescente número de consumidores, surgiam pequenos comércios, uma vendinha de secos e molhados (cereais e bebidas), e um açougue.

O açougue, possuía até um matadouro de animais nos fundos, fornecendo carnes a outros açougues das Villas de Cosmópolis e Arthur Nogueira.

A casa de carnes, era de propriedade dos irmãos Antônio e Custódio da Rocha. Os irmãos, assumiam a propriedade em 1933, adquirida de um imigrante português.

Em 1939, uma lei da Câmara Municipal de Campinas, proibia os comércios fora do perímetro urbano da Villa de Cosmópolis. Era fechado o açougue e a vendinha, sendo demolidas as construções pela Sub prefeitura de Cosmópolis.




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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

COSMOPOLENSE DE RAÍZES E CORAÇÃO

52 anos de saudades
Cantor Paulo Queiroz, o Paulito de Cosmópolis

Texto Adriano da Rocha

Fotos Nivaldo Otavani e discoteca Acervo Cosmopolense

Único compacto  33rpm, disco solo de Paulo Queiroz, gravações Chantecler de 1964.  Neste compacto, destaque para o sucesso Angelita, uma das músicas de maior sucesso do ano. Paulo Queiroz fez a versão e a gravou pela primeira vez, com lançamento pela Chantecler em maio de 1964.

COSMÓPOLIS, DEZEMBRO DE 1965 
  Formando nuvens de poeira na SP-332, na época uma estradinha de terra que parecia uma “colcha de buracos”, um possante cadillac aproximava-se de Cosmópolis.

O “ronco” do possante motor, anunciava sua vinda ao cruzar a velha ponte sobre o Rio Pirapitingui. O pujante barulho, atraia a curiosidade da colonada do Batata, que abria as icônicas janelas azuis das casas e saia no terreiro da colônia. Admirada, a colonada observava fascinada o gigantesco automóvel descendo a Rua João Aranha.

 Entre as ruas Campinas e Ramos de Azevedo, o magnifico automóvel estacionava para abastecer no Posto de combustíveis da família Andretto. O cadillac bicolor, nas cores branco e verde claro, contrastava em sua funilaria, o tom vermelho do chão da Rua Campinas, ainda sem asfalto.

Dois homens desciam do carro, chamando o proprietário, o mais novo sem perguntar o preço, cordialmente falava:

“Está aqui as chaves. Pode encher o tanque, o restante do dinheiro fica para o senhor. Quando terminar o abastecimento, pode colocar ao lado da Alfaiataria do Zuza Nallin. No campinho de futebol mesmo, a molecada não vai reclamar”.

O proprietário ganhava o dia, quase uma bomba inteira, só para encher o tanque do cadillac.

ILUSTRES VISITANTES 
Teddy Vieira, um dos maiores compositores da histórica musical brasileira. Amigo de Paulo Queiroz, e um dos responsáveis artísticos da gravadora Chantecler./ Foto Adriano da Rocha

  Os homens subiam a Rua Campinas, muito bem vestidos, acompanhando as tendências americanas da moda. Usavam termos espojados, camisas de colarinho largo, gravata fininha, calças bem cortadas, e sapatos bicolor (branco e preto), reluzentes no tom escuro, mas já cobertos de poeira vermelha.

Próximo a alfaiataria Nallin, os homens batiam palma em uma das primeiras casas construídas em Cosmópolis. Na verdade, a primeira casa de um conjunto de construções, ondem residiam as famílias Toledo Silva, Nabão e Queiroz.
Um jovem atendia, era o padeirinho Horácio de Queiroz, espantado olhando em uma fresta na porta, perguntava quem é??
“Sou eu, o Paulito!! Estou com o Teddy, trouxe umas lembrancinhas aos parentes”.

O jovem contente chamava os pais, avós, tios e irmãos, que orgulhosos chegavam de encontro ao ilustre parente. A criançada já corria para chamar a parentada, saindo das poucas casas próximas, na maioria, residências de uma mesma família.

Sobre o portão feito de madeira trançada, estavam dois dos maiores compositores da história musical brasileira. Sendo um deles, orgulhosamente, com raízes infindas em Cosmópolis. Paulito, era Paulo de Queiroz, com seu amigo Teddy Vieira.
Teddy, consagrado compositor, instrumentista e diretor artístico, criador de sucessos como Menino da Porteira, Boiadeiro Errante, Rei do Gado, Dona Felicidade, Couro de Boi, Pagode em Brasília, entre inúmeros outros grandes sucessos. Considerado na época, o compositor sertanejo mais bem sucedido do gênero musical popular.

O jovem Paulito, como era conhecido pelos familiares e amigos, conquistou fama com suas composições e versões de sucessos internacionais. Não esquecendo da marcante voz grave, tom único, que lhe destacava como crooner, cantor de todos os ritmos e estilos.
Em destaque o clássico natalino de Irving Berlin, lançado originalmente em 1942 por Bing Crosby, e interpretado no filme "Holiday Inn" (no Brasil, "Duas semanas de prazer"). Em 1954, Bing a interpretou novamente no filme "Natal branco". Versão brasileira de Paulo Queiroz, cantada em dueto com Giane./ Foto discoteca Acervo Cosmopolense


Das suas versões, quem não se lembra da canção “Dominique”,gravação belga da freira Soeur Sourire (Irmã Sorriso). Na tradução de Paulo, a canção recebia uma versão exclusiva, gravada e imortalizada nacionalmente na voz de Giane.
“Dominique, nique, nique
Sempre alegre esperando alguém
Que possa amar
O seu príncipe encantado
Seu eterno namorado
Que não cansa de esperar”

O SENHOR DOS SUCESSOS
Dominique foi apenas um dos sucessos, os quais Paulo fez versões, o jovem era conhecido no meio artístico como o “Senhor dos sucessos”.
Compositor e versionista preferido de astros do disco, como Agnaldo Rayol, Hebe Camargo, Claudia Moreno, Léu Romano, Rubens Peniche, Edith Veiga, entre inúmeros artistas consagrados da época.
Giane diziam ser sua cantora predileta, não era por menos. Em 15 dias do lançamento de Dominique, em dezembro de 1963, a versão de Paulo de Queiroz alcançava todas as paradas de sucesso nacional. O pequeno disco 78rpm, tornava-se a música mais executada no Brasil, ultrapassando 3 milhões de copias vendidas em menos de um mês


AS RAÍZES COSMOPOLENSES
Início dos anos de 1940- Casa de Luiz Manuel de Queiroz na Rua Campinas. Uma das várias casas onde residiam ,na mesma rua, os familiares de Paulo Queiroz / Foto Acervo Cosmopolense

  Paulo de Queiroz, tinha raízes em Cosmópolis, assim como uma infinidade de parentes. Nasceu em Espirito Santo do Pinhal, quando na década de 1920, sua família partia de Cosmópolis para a famosa terra do café.

Na histórica cidade dos barões, a família Queiroz trabalharia na administração e beneficiamento do café, sendo reconhecidos na região pelo distinto serviço nas fazendas.

Orgulhosos cosmopolenses, garantiam que seus primeiros acordes ao violão (era um exímio músico), foram dedilhados nas sombras dos flamboyants da velha Igreja Matriz de Santa Gertrudes.

Segundo seus “conterrâneos”, a bucólica Cosmópolis, era seu berço de descanso e serenatas, quando passava férias na casa de parentes.

Suas primeiras palavras em italiano, idioma que fez inúmeras versões de sucessos brasileiros, o jovem aprendeu com a colonada da Usina Esther. Garantia uma saudosa colona do Ranchão.

As canções da França, com certeza foi o velho Luiz Lefloc, imigrante francês, quem ensinou o jovem Paulito. Assim, inúmeras “estórias” e “causos”, sempre marcavam o ilustre “conterrâneo” à pequena Cosmópolis.

Na verdade, os idiomas italiano, francês, inglês e espanhol, Paulo aprendeu quando estudava em Campinas, e nos renomados colégios de Pinhal. O dom musical, este a pessoa nasce com tal predileção, os estudos somente aperfeiçoam o talento. Como foi o caso de Paulo.


DIVULGAÇÃO E ÚLTIMA VISITA
"Nosso Presente de Natal", ultima gravação feita por Paulo de Queiroz, compacto gravado em dueto com Giane. Um dos compactos mais vendidos da gravadora no fim dos anos de 1960.


A breve e rápida passagem de Paulo e Teddy, naquela manhã de 1965, acontecia pelo lançamento do compacto “Nosso presente de Natal”. Gravado por Giane em dueto com Paulo Queiroz.

O pequeno disco, trazia quatro imortais sucessos natalinos, Natal branco (White Christmas), música de Irving Berlin, com versão de Paulo Queiróz, Noite feliz (Franz Gruber - Pe. J.F.Mohr), Boas festas (Assis Valente) eFeliz Natal (Klecius Caldas - Armando Cavalcanti).

Ao lado de Teddy, o jovem compositor fazia a divulgação do compacto nas emissoras da região. Na ocasião, os compositores voltavam de Campinas, seguindo para as cidades de Limeira e Piracicaba, onde o disco seria entregue nas rádios e serviços de alto falantes.

Teddy, era um dos responsáveis artísticos da gravadora Chantecler, a famosa gravadora do galinho, realizando com Paulo, a divulgação do recente trabalho do cantor.


Em destaque o clássico natalino de Irving Berlin, lançado originalmente em 1942 por Bing Crosby, e interpretado no filme "Holiday Inn" (no Brasil, "Duas semanas de prazer").  Em 1954, Bing a interpretou novamente no filme "Natal branco". Versão brasileira de Paulo Queiroz, cantada em dueto com Giane. / Foto discoteca Acervo Cosmopolense

  Aos familiares, deixou alguns compactos e chaveiros da gravadora (com o brasão do galinho de Barcelos). Antes da partida para Limeira, uma rápida passagem no serviço de alto falantes “A Voz de Cosmópolis”, localizado na Praça do Coreto.

A voz do jardim, a lendária Modestina, recebia dos compositores o compacto autografado, o qual durante anos ficou exposto em seu bar na Rua Ramos de Azevedo esquina com Otto Herbet.

A saudade da querida Cosmópolis, fazia o cantor ter a breve paragem, seria o último adeus a terra de sua infância.

A MORTE NA RAPOSO TAVARES
Edição do Diário da Noite, de 17 de dezembro de 1965, trazendo com destaque a tragédia que vitimou sete vidas. Foto Acervo do historiador caipira Nivaldo Otavani

  Em 16 de dezembro de 1965, dias depois da breve visita cosmopolense, um acidente vitimava os amigos Paulo e Teddy Vieira.

Na Rodovia Raposo Tavares, em Buri, cidade vizinha de Itapetininga, o Simca de Teddy capotava. O carro tentava fazer uma ultrapassagem, ao invadir a outra via, o veículo perdia o controle, capotando várias vezes. O jornal paulistano, Diário da Noite, destacava sua capa com impactantes fotos, trazendo a manchete: “Morte na contra mão a 120 km por hora!”

O quilômetro 139 da Raposo Tavares, marcava tragicamente as mortes dos sete ocupantes do veículo. Morriam Teddy Vieira, Paulo Queiroz, o cantor Lauripes Pedroso (da dupla Irmãos Divino) e sua filha, Antônio Pedroso e esposa Jandira (pai e mãe do cantor), e o Tenente Manoel Farao. Paulo Queiroz estava com 28 anos de idade.

Os amigos viajavam à Buri, para passar as festas de Natal e ano novo. Familiares de Teddy, nascido na região, aguardavam os amigos para festejar, pescar e caçar na cidade. O trágico acidente comovia o Brasil inteiro, o governador Adhemar de Barros decretava luto oficial no estado de São Paulo.

A morte ceifava a vida dos corpos, porém nunca a vida artística dos amigos, imortais como seus nomes e trabalhos musicais.



Feliz Natal , e paulistamente falando: Boas janeiras de começo de ano.
Que possamos ter  o progresso como palavra principal em 2018. Que seja um ano de progresso em todos os sentidos e setores de nossas vidas.

Abaixo uma seleção especial de sucessos de Paulo Queiroz




"Natal branco". Versão brasileira de Paulo Queiroz, cantada em dueto com Giane.


Paulo Queiroz - Orquestra e Coro Chantecler, sob a regência de Francisco Moraes - ANGELITA (Angelita di Anzio) - Romano - Minerbi - versão de Paulo Queiroz. Disco Chantecler C-336051 - Angelita - Saudade em Prelúdio - Paulo Queiroz.


Texto Adriano da Rocha
Fotos Nivaldo Otavani e discoteca Acervo Cosmopolense


domingo, 10 de dezembro de 2017

CAMINHADA DAS LUZES


O COMTUR - Conselho municipal de Turismo, em parceria com a Prefeitura Municipal e as entidades religiosas de Cosmópolis , convidam a todos para a "Caminhada das Luzes".
Um evento ecumênico, de reflexão, paz e união, imprescindível para os dias atuais.

Traga seu ponto de luz (vela, lanternas, luz de led, etc..) e venha nesta caminhada conosco.

Dia 14/12 (quinta-feira) às 19:30h, com saída das praças da Bíblia( em frente ao Shopping) e da Secretaria de Cultura(antigo Grêmio Estudantil) com destino à Praça do "Coreto".
P.A.R.T.I.C.I.P.E

sábado, 9 de dezembro de 2017

VOCÊ SABIA?


08/12 - Dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Padroeira de Campinas
A data é celebrada em várias cidades da região, sendo feriado em Campinas há  243 anos
Texto Adriano da Rocha



   Até dezembro de 1944, o dia 08 de dezembro, era feriado em Cosmópolis. O motivo, o culto Católico à Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Padroeira de Campinas. 

A “Villa de Cosmópolis”, então distrito da cidade de Campinas, possuía duas datas dedicadas a fé Católica. O feriado local da Padroeira Santa Gertrudes (16 de novembro), oficializado pela Igreja em 1915, e o feriado municipal da Padroeira de Campinas. 

A mesma data era feriado nas cidades de Artur Nogueira, Americana e Paulínia, na época distritos campineiros. Em Cosmópolis, como nas demais Villas campineiras, era realizado missa solene de graças a Padroeira, procissão e grandiosas quermesses. 

FIM DA CELEBRAÇÃO EM COSMÓPOLIS

  Para a alegria dos cosmopolenses, a Villa de Cosmópolis possuía dois feriados, isso durante quase 50 anos, desde o surgimento da povoação às margens da Funilense em 1890. 

Com a emancipação política e administrativa de Cosmópolis, em 30 de novembro de 1944, a data seria excluída do calendário municipal como feriado.

A última celebração em louvar a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, aconteceria em 08 de dezembro de 1944. 

A Igreja Católica, estabelecia Santa Gertrudes como Padroeira única do município, oficializando o dia 16 de novembro, como dia da Padroeira de Cosmópolis. 

PADROEIRA SEM FERIADO
  O dia 16/11, mesmo não sendo decretado como feriado pelo legislativo local, popularmente, os fiéis católicos seguiam a data como dia santo. Empresas como a Usina Ester e Tecelagem Urca, dispensavam seus funcionários do trabalho, a maioria dos comércios não abriam. 

Com o feriado nacional de 15 de novembro, proclamação da República, o feriado era prolongado em Cosmópolis.

Quem lucrava nestas datas, eram os comerciantes da região central de Campinas. Os trens da Companhia Sorocabana, as jardineiras da Auto Viação Cosmópolis, faziam horários especiais, lotados de cosmopolenses que aproveitavam o feriado em Campinas.

VETO DO PREFEITO
  O dia 16 de novembro, somente não foi oficializado como feriado local, por ser vetada a lei pelo prefeito Dr. Moacir do Amaral. 

Segundo Dr. Moacir, primeiro prefeito de Cosmópolis, seria inviável ao progresso do município celebrar somente em novembro três feriados, 15 (república ), 16 (padroeira) e 30 (dia do município). 

A oficialização do feriado sofreu vários vetos do prefeito, contrariando políticos locais e principalmente a autoridade Católica local, o Pároco Germano Prado, responsável pela Igreja Matriz de Santa Gertrudes. 

O pedido de oficialização do feriado, foi feito pelo Padre Germano , na primeira legislatura de Cosmópolis ainda não estava estabelecida a Câmara de vereadores.

O veto, gerou até a proibição do prefeito de entrar na igreja e eventos religiosos, ordenado pelo Padre. 

A briga, entre prefeito e padre, gerou inúmeras histórias e causos locais, sobretudo por Dr. Moacir não ser católico e um dos percursores da maçonaria em Cosmópolis. 

Eleito em 1945 como o vereador mais votado, Dr. Moacir assumiu a presidência da Câmara, continuando sua posição contra o feriado da Padroeira.

Mesmo vetado pelo prefeito, a data era comemorada popularmente pela comunidade Católica, com apoio e exigência do Padre, em dedicar a data como dia santo.

243 ANOS DE CELEBRAÇÃO 
  A data é celebrada em terras campineiras desde 1774, quando Frei Dom Manuel da Ressurreição, concedeu autorização para edificação de uma capela com a vocação de Nossa Senhora da Conceição. 

A modesta capela provisória, transformara-se futuramente, na atual Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição de Campinas, Igreja Arquiepiscopal.

A Igreja é um dos maiores símbolos arquitetônicos paulistas, marco de uma geração constituída pela riqueza do açúcar e do café. 

Retrato do arquiteto Ramos de Azevedo, por Oscar Pereira da Silva
 Entre os quase 40 anos de construção da Igreja, inúmeros arquitetos assinaram o projeto, como o engenheiro italiano Cristóvão Bonini, chefe de engenharia da Companhia Sorocabana; mas foi pelas mãos do campineiro Francisco de Paula Ramos de Azevedo, que as obras foram entregues oficialmente em 08 de dezembro de 1883.

Na região, cinco cidades celebraram a data como Dia da Padroeira, sendo feriado em Águas de São Pedro, Ipeúna, Mogi Guaçu e Santo Antônio de Posse.

Texto Adriano da Rocha 
Fotos Acervo Correio Popular e arquivo Acervo Cosmopolense 

LUTO COSMOPOLENSE


Adeus Márcio da Utilar Magazine
 O filho que continuou a história do pai, escrevendo com seu próprio empreendedorismo, uma nova história de sucesso.
Texto Adriano da Rocha


  Cosmópolis despediu-se neste domingo de Márcio José Di Sacco, o Márcio da Utilar Magazine, ou como era carinhosamente conhecido, o Márcio do Mílvio.
Márcio faleceu na tarde de sábado (09), aos 49 anos de idade, a causa morte foi problemas cardiovasculares. O sepultamento aconteceu neste domingo (10), no Cemitério Municipal da Saudade.
Filho do casal Mílvio José Di Sacco e Zilda Aparecida Mendonça, Márcio deixa viúva Sandra Marques, e o filho Arthur, de quatro anos.

TRADIÇÃO COMERCIAL 
A Utilar Magazine é a continuação de uma tradição comercial familiar, iniciada pela família Di Sacco no fim dos anos de 1920, em Cosmópolis. 
Mílvio, neto do Bepe Di Sacco, e filho do saudoso casal Quirino e Julieta Mora, continuava a tradição comercial da família ao criar a Utilar Magazine.

Um projeto audacioso e visionário, acompanhava o novo crescimento cosmopolense, impulsionado pela construção da Petrobras, em Paulínia.

A modesta loja de utilidades para o lar, decoração e presentes, crescia junto com o progresso habitacional de Cosmópolis.

Nos anos de 1980, a pequena loja ampliava suas instalações, os móveis dividiam espaço com setores de eletrodomésticos e eletrônicos. Em destaque vitrolas, aparelhos de som 3x1 (Rádio, Tape e vinil), geladeiras e fogões esmaltados.

Vitrines e gigantescos balcões, faziam exposição de relógios, alianças, conjuntos de faqueiros e porcelanas, modernos tapes automotivos e walkmans. A moderna loja, sempre inovadora, reunia em um só local, tudo para o lar.

Referência cosmopolense, aos casais buscando utilidades para o novo lar, padrinhos procurando presentes, noivas formando enxovais, atendendo do recém chegado migrante operário, ao mais exigente cliente.

Em meio aos setores da Utilar, brincando quando criança entre móveis e eletrodomésticos, trabalhando ao lado dos vários empregados, cresceu o jovem Márcio.

Ainda menino, montava móveis, ajuda na entrega de sofás, fogões e geladeiras. Atendia no caixa, fazia o cadastro de clientes no popular crediário da Utilar, como também, cobrava os raros (na época), clientes devedores.

Nascido e criado no ramo varejista, Márcio não queria seguir este ramo profissional, muitas vezes cruel por transformar seu proprietário em um escravo do comércio.

Percebia o desgaste em seu pai, a falta de vida própria, a correria sem fim, as férias de dois ou três dias, sempre interrompidas por alguma decorrente preocupação comercial. Mesmo assim, a vida fazia sempre o jovem cosmopolense, voltar ao trabalho da família.

A MORTE DE MÍLVIO
O Mílvio, até não resplandecia o desgaste físico e metal. Sempre brincalhão e dinâmico, exercia não somente as funções comercias da sua loja, como também foi um dos percursores da Acico (Associação Comercial e Industrial de Cosmópolis), presidente do Grêmio Estudantil, membro ativo do Cosmopolitano, sem falar da sua paixão, o futebol.

Nos campos, foi jogador, técnico, diretor e fundador de vários times, um dos maiores incentivadores da modalidade em Cosmópolis. Quem sabe, tudo isso, para driblar o estrese comercial.

Márcio estudou na antiga Escola do Comércio, onde iniciou cursos técnicos que o levariam para Campinas. Cursou o segundo grau no Colégio Batista, passou pela Unicamp, entrou na disputada faculdade PUCC, ingressando no curso de Economia, o qual não terminaria devido a morte do pai. Antes do falecimento do pai, Márcio trabalhou como bancário nas agências do Banco do Brasil, exercendo várias funções.

Em 1999, o corintiano Mílvio, sofria um enfarte fulminante. Estava em campo, jogando com amigos no Ginásio Municipal de Esportes. Cosmópolis inteira ficava de luto, a morte prematura aos 59 anos, entristecia uma multidão de amigos e clientes amigos.

NOSSAS PRECES E ORAÇÕES
Neste sábado, exatos 18 anos depois do falecimento de Mílvio, a temida e algoz morte leva Márcio.
Na mansidão celestial, a tradicional família do comércio, aguarda seu membro querido. Não para o trabalho no céu, abrir alguma loja Di Sacco por lá, mas sim, para o descanso ao lado do pai. O Mílvio orgulhoso aguarda sua chegada, tendo a certeza que fez sua parte na história comercial cosmopolense.

Neste momento tão triste da morte repentina, a qual tardamos acreditar, peço ao Pai celestial a consolação aos sentimentos de dor da família. Nossas preces e orações, que Deus na sua infinita misericórdia, traga conforto e paz aos corações dilacerados pela tristeza.

Descanse em paz Márcio, assim como seu pai, muito orgulhou nossa Cosmópolis. Tenha certeza, seu filho, sempre terá orgulho de você. Paz, luz e as bênçãos de Deus na sua passagem celestial.

Fotos Acervo familiar



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