segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

LUTO COSMOPOLENSE: ADEUS DARTÃO


Desta vez não é boato!!! 
 Uma das figuras populares mais lendárias de Cosmópolis, realmente faleceu. Aos 59 anos de idade, morre Adalto José Ramos, o famoso Dartão da Prefeitura.

Texto Adriano da Rocha
Fotos Thiago Bonatto/ acervo familiar

  Há anos, Dartão lutava contra vários problemas de saúde, decorrentes da obesidade, às 11h00 desta segunda-feira (22), não resistindo a inúmeras complicações, faleceu por problemas respiratórios.

VELÓRIO E SEPULTAMENTO
O corpo, aguarda aos amigos para última despedida, no Velório Municipal. O sepultado, acontece na terça-feira (23), sendo realizado às 9h00, no Cemitério da Saudade.

ETERNA CRIANÇONA COSMOPOLENSE
Em 1958, nascia na extinta Colônia Pitangueiras, o menino Adalto. O médico da Usina, com seus incontáveis anos no oficio, garantia ao casal João Ramos e Dona Maria Carlota: “Esse menino não vai “vingar”. Irá viver, no máximo, dois anos de uma vida bem sofrida”.

Com os dias marcados, a criança nascia lutando contra seu próprio destino, determinado pelo experiente médico. Sem condições até para pagar o médico, o tratamento e remédios seriam impossíveis, uma famosa benzedeira de Cosmópolis foi procurada.

Dona Dita benzedeira, fez sua parte, com garrafadas de ervas, fumacê e muitas orações. Confiantes em Deus, os pais, entregaram ao Criador o destino do menino.

Adalto nascia lutando contra a vida, contrariando imposições, cresceu, envelheceu e viveu, resistindo aos padrões da sociedade.

O seu porte, sempre gordinho, adorava um prato cheio, mudava seu nome para Dartão. Adalto, somente quem chamava era Dona Carlota, quando gritava aos outros filhos: “venha logo armoçá, o Dartão já está na mesa”.

Crescia brincando pelas colônias, correndo entre os carreadores, fazendo traquinagens nas águas do Jaguari e Pirapitingui. Não tinha malícia, suas travessuras, esconder roupas de banhistas, assustar o pescador que distraído dormia na barranca, era só risada. Ele mesmo dizia: “Leve a már não, é só pra dar risada”.

Cresceu, virou homem, mas continuou com a inocência de um menino. Semelhante a uma criança, era extremamente inquieto e teimoso. Quando provocado na maldade, ficava muito nervoso, principalmente, quando lhe chamavam pelo nome de algum ex prefeito. Esbravejava, xingava erguendo os braços, e minutos depois, tudo esquecia.

DARTÃO DA PREFEITURA
Apesar das várias restrições geradas pela obesidade, nunca os limites do corpo, impediram sua coragem para trabalhar.

Dartão foi engraxate, sorveteiro, vendedor de frutas e verduras dos quintais da Usina, sucateiro, e ajudante da família nos trabalhos na Usina.
Como ele dizia “até tentei cortar cana, apanhar algodão e laranja, mas o serviço não rendia. A barriga não ajudava”.

Na Prefeitura Municipal de Cosmópolis, encontrava sua vocação, quando foi contratado no fim dos anos de 1970. Sua função, ajudante de serviços gerais, trabalhando na limpeza, jardinagem, coleta de lixo, pintura de guias, servente de obras, o faz tudo do patrão.

Fazia é claro, do seu jeito, com suas limitações, mas fazia o serviço sem reclamar. Tinha a garagem municipal, como uma extensão da sua casa. Impossível, contar a história da prefeitura municipal, sem citar o Dartão. Figura presente em várias fases da construção da cidade de Cosmópolis, personagem ilustre, esquecido por livros e “pseudos intelectuais”.

GARGALHADAS E BORDÕES
Sempre sorridente, conversava sobre todos os assuntos, até assuntos que não sabia, e dando suas inimitáveis gargalhadas. Inusitadas e marcantes como sua voz.

Quem não gostava muito das suas gargalhadas, era o público do cinema. Local que frequentava desde criança, quando vendia sucata e fazia de tudo, juntando um dinheirinho, para ir ao “Cine Theatro Avenida”.

O velho Hardy Kowalesky, proprietário do Cinema, já advertia: “controla a risada Dartão”. Nada adiantava, o homem com espírito de criança, sorria das peripécias do Mazzaropi, ria das tiradas de Oscarito, e gargalhava ao ver as cenas das maliciosas chanchadas.

Assim como sua voz, a gargalhada era ainda mais potente, surgia espontaneamente, ecoando na bilheteria. O saudoso “Ferruccio pipoqueiro”, cochilava esperando terminar a sessão, acordava assustado com as gargalhadas do Dartão.

Riso puro, sua marca maior, na verdade quem ria, era seu coração

Sua voz era inconfundível, timbre único, assim como seu jeitão de falar, cheio de bordões inesquecíveis, como o famoso: “Oh rapái, oh rapái!!!”

Este “Oh rapái”, ou “oh rapa”, era seu modo especial de cumprimentar a todos. E como gostava de saudar os amigos, conhecia a cidade inteira, como também, era muito conhecido.

DARTÃO VEREADOR
Sua popularidade era tanta, que oportunistas políticos, cogitavam sua candidatura ao cargo de vereador. Dartão não aceitou, dando risada dizia: Oh rapái, oh rapái, isso não presta não”.

E como exercer um cargo superior, simples, estudou o básico que sua paciência permitiu. Não tinha estudos, mas foi doutor em fazer amizades. Todos eram seus amigos, até quem lhe maltratava.

Nos tempos do Regime Militar, soldados o taxaram como agitador e arruaceiro, por suas risadas e comemorações, na vitória do seu idolatrado Corinthians.

Detido, foi cruelmente torturado, por maldade dos soldados. Afinal, qual desordem tão grave, poderia fazer o Dartão!!

Para não deixar marcas das torturas, “malvadezas” na verdade (este é o nome correto), bateram nas solas dos seus pés. As sequelas, deixaram o inocente Dartão, meses de cadeiras de rodas, revoltando toda cidade.

ETERNAMENTE NAS MEMÓRIAS COSMOPOLENSES
Dartão era "corinthiano roxo", mas nunca dispensa um presente. Até mesmo um kit do São Paulo. Foto Acervo familiar

 Como esquecer do Dartão nos eventos esportivos, principalmente nas corridas e caminhadas. Sempre na metade do percurso, ele voltava de ambulância, dando risada e falando mais alto que a sirene, a qual feliz, ele fazia questão de ligar.

Nos carnavais de rua, fazia sua festa particular entre os foliões. Eterno Rei Momo, eleito pelos cordões da Avenida Esther, aclamado como imperador da folia nos blocos da Usina. As lendárias Festas da Cana, tinham o Dartão como seu mascote, divulgando a festa por onde passava.

Sua alegria, o jeitão bonachão, eram o símbolo maior de todas as festividades populares de Cosmópolis.

Há tempos, as ruas cosmopolenses, não ouviam sua voz de trovão e as gargalhadas marcantes. Dartão estava recluso em sua casa na Rua Concordia, onde era ainda mais popular, que o famoso Clube 30 de Novembro. A obesidade e inúmeros dificuldades de saúde, impossibilitavam suas peregrinações na cidade.

Quando aposentou, devido aos problemas físicos, mudou seu ponto de cartão da prefeitura, para o Bar dos Tergolinos, e a extinta muretinha do Banco Banespa.

Com muitas dificuldades, descia o morro caminhando a passos lentos, trazendo nos bolsos dezenas de balas. Nos comércios, caixas de bancos e onde encontrava uma moça bonita, entregava uma balinha. Sempre simpático dizia “Essa é só pro cê tá!!!”

ADEUS DARTÃO!!!
Viveu resistindo as maldades do mundo, principalmente as feitas contra ele. As suas maiores maldades, nunca foram para o próximo, mas sim, a si mesmo.

Encontra agora seu descanso, a cura para suas dores. Viveu em paz, tinha alma limpa, parti deste mundo, com sua missão cumprida.

Aos familiares, em nome do povo cosmopolense, os sinceros sentimentos. Assim como Deus está com Dartão, tenham certeza, nosso Criador lhes abençoam neste triste momento, com sua misericórdia.

Como dizíamos ao ouvir sua voz, assim digo ao onipotente: “Deus, lá vem o Dartão!!! Cuida dele aí pra nós” ...

Texto Adriano da Rocha
Fotos Thiago Bonatto/ acervo familiar



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sábado, 20 de janeiro de 2018

BAILE DO HAVAÍ E BAILES DAS SAUDADES...

1982/ Famoso Baile da Banda do Brejo, precursor do Baile do Havaí. Um dos bailes mais lembrados da história dançante cosmopolense. A Banda do Brejo, fez história em inúmeros bailes e festas cosmopolenses, sempre contratada em grandes eventos da cidade. Texto e foto Adriano da Rocha
Seguindo uma tradição de quase 30 anos, acontece neste sábado (20), o “Baile do Havaí 2018”, no Cosmopolitano Futebol Clube. Há anos, o “Baile do Havaí” é o maior evento dançante de Cosmópolis, sendo o principal destaque do calendário de festas municipais.

Atualmente, o Baile do Havaí, é nossa única referência de grandes festas dançantes na região. Crises, mudanças de costumes, a invasão do “novo” destruindo o “velho”, e principalmente a falta de respeito e comprometimento com nossas tradições, extinguiram muitas festas cosmopolenses.

No passado, nosso calendário de bailes tinha uma lista extensa, sendo impossível classificar qual era o Baile mais famoso, todos reuniam multidões de “bailantes”. Tradicionais festas cosmopolenses, disputadíssimas, aguardadas ansiosamente em toda região. Quem conhece sabe, cosmopolense sempre gostou de bailar, principalmente organizar grandes bailes.

BAILE ALVIVERDE (COSMOPOLITANO)
O jornal Estado de São Paulo, edição de janeiro de 1919, destacava o Baile Alviverde do Cosmopolitano Futebol Clube, organizado por funcionários da Companhia Sorocabana.

O baile começou simples, sendo realizado em um pavilhão da antiga Carril Funilense, onde eram realizadas manutenções de locomotivas. Neste período, o Cosmopolitano ainda não possuía salão social de festas. O Baile Alviverde, era uma alusão as cores verde e branca, símbolos do Cosmopolitano.
Neste baile citado, as rendas obtidas com convites, reunia fundos para confecção de uniformes.

Com o tempo, o baile mudou de nome, sendo realizado no mês de novembro, comemorando o aniversário do Clube, 15 de novembro. O baile Alviverde, ainda preserva as cores do clube, mas só não o nome. Na atualidade, a festa é nomeada como “Baile de Aniversário”, comemorando neste ano, 103 anos de fundação oficial.

BAILE DAS MASCARAS (USINA ESTHER)
Realizado no palacete Irmão Nogueira (Sobrado) e no antigo salão social da Usina Esther, o baile movimentava a Villa de Cosmópolis, reunindo mascarados de toda região. A festa acontecia na semana anterior ao dia de Carnaval, organizado pelo Major Arthur Nogueira, o Baile teve sua primeira edição em 1906. Inicialmente a festa reunia a alta sociedade campineira, acionistas e fornecedores da Usina, seletos convidados da família Nogueira.

Com a inauguração do Palacete Irmãos Nogueira (Sobrado), obra projetada por Ramos de Azevedo, até mesmo um pequeno coreto foi construído próximo a suntuosa edificação, onde a Corporação Musical da Usina Esther, animava o baile ao som de marchinhas, foxtrote, dobrados e sucessos da época.

Figuras como o Presidente Campos Salles, senador José Paulino, Francisco Glicério, e o imortal escritor Guilherme de Almeida, considerado o príncipe dos poetas, estavam entre as figuras ilustres dos conceituados bailes. Com o falecimento do Major Arthur Nogueira, em 1924, o baile foi extinto. Sendo recriado anos depois, com o nome de “Baile da antecipação”.

Ficavam no passado as fantasias e máscaras, o baile assim como dizia o nome, antecipava as comemorações do carnaval, na época maior evento cosmopolense, com referência estadual.

BAILE DA CHITA 
Início dos anos 1940 / BAILE DA CHITA / Grupo de jovens cosmopolenses, trajando vestidos de chita, confeccionados iguais para todas as moças. Registro fotográfico, feito na Praça Major Arthur Nogueira, próximo a escadaria de acesso a Rua Campinas. Os prédios ao fundo, ainda resistem ao "progresso", ao lado direito, a atual Droga Raia, acima, a Bike Mania.  Ao centro , Alibabá (Roupras escuras), e Alcides Frungilo (roupas brancas) - Texto Adriano da Rocha / foto acervo pessoal de Walter Frungilo

Homens e mulheres, ansiosos aguardavam a chegada do mês de julho. As vendas da chita, crescia nas lojas de tecidos, os aviamentos e materiais de confecção das roupas, eram dobrados os estoques. Habilidosas costureiras usavam da criatividade para inovar a cada ano, vestidos inspirados em atrizes famosas do Rádio, camisas e até ternos, confeccionados com o popular tecido.
Moças e rapazes, formavam grupos usando a mesma estampa do extravagante tecido. O pano, algodão grosso com estampas diversas, sempre muito coloridas, tinha um baixo valor, sendo usado para confecção de toalhas de mesas, cortinas e cortininhas de piá.
O Baile da Chita, começou no fim dos anos de 1930, popularizando-se no período da Segunda Guerra Mundial, pela escassez de tecido. O baile acontecia no antigo salão social do Clube Cosmopolitano, localizado na Rua Baronesa Geraldo de Rezende. Suas últimas edições foram realizadas no fim dos anos 1950.
BAILE DA PRIMAVERA
1932 / Jazz Band Progresso, a sensação musical cosmopolense, destaque musical em festas por todo o estado de São Paulo. Em pé, da direta para esquerda, está Guilherme Hasse, com seu lendário violino.Uma curiosidade, o registro fotográfico foi feito por Guilherme. usando técnicas criadas por ele mesmo, fez a foto automática. É claro, esse automático, depois de muito tempo de preparo e espera dos fotografados. Texto Adriano da Rocha / Foto Grupo Filhos da Terra (José Honorato Fozatti)

   Seguindo tradições europeias, com forte origem germânica, o “Baile da Primavera”, era organizado pela comunidade de imigrantes alemães e suíços, do Núcleo Colonial Campos Salles. Acompanhando as tradições alemães, o Baile da Primavera acontecia na segunda semana de março, saudando o início da primavera na Europa, o qual tem sua chegada neste mês.

Antes da construção do salão de festas da Escola Alemã, o baile era realizado em um grande terreiro, com chão de terra vermelho, sendo molhado constantemente para não levantar muita poeira.

Com a inauguração do salão de festas, em 1930, os bailes conquistavam a cada ano maior público. Neste novo período, o baile seguia o calendário brasileiro, sendo realizado em setembro, celebrando o início da primavera no país.

As flores eram o destaque principal, nos arranjos que adornavam o salão, nas lapelas dos homens, e principalmente nos cabelos das mulheres. Centenas de pessoas, gerações de imigrantes da região, migrantes e filhos da terra, enchiam o salão, sendo necessário até improvisar tendas no pátio.

A festa, era comandada musicalmente por grupos musicais cosmopolenses. Em destaque a “Corporação Musical da Gesang Verein Deutsche Eiche”, e o Jazz Band Progresso. No repertório, muita música alemã e sucessos brasileiros, acompanhados de uma infinidade de comidas típicas, chopp e vinho.

Até o fim dos anos de 1960, o baile ainda era destaque nas celebrações dançantes da região. Sendo extinto no fim dos anos de 1970, juntamente com grande parte da comunidade.

EM NOVAS POSTAGENS
1975/1976 - BAILE DA DESPEDIDA (Mutuo Socorro).Nos comandos musicais de "Duílio de Faveri e sua banda", o baile marcava a despedida do ano em Cosmópolis. Sendo um dos reveillon (ceia de fim de ano), mais disputadas de Cosmópolis.Texto Adriano da Rocha Foto Grupo Filhos da Terra

A lista é extensa, merendo novas postagens. Como esquecer do Baile da Cana (outubro, recriação da festa da cana, nos anos de 1950); Baile do Brejo (Cosmopolitano), com a lendária banda do Brejo (precursor do Baile do Havaí); Baile da Cooperativa (início da Safra de cana), Baile do Açucareiro (Usina Esther); Baile da Despedida (teve início nos anos de 1920, celebrando o fim do ano, realizado no Clube Mutuo Socorro);
Baile do Cowboy (em prol do Hospital Beneficente Santa Gertrudes), Baile da Padroeira (setembro, celebrando a inauguração da igreja Matriz de Santa Gertrudes), Baile de Santo Antônio (considerado popularmente como padroeiro de Cosmópolis, entre a comunidade italiana) ...
A lista é grande, e ainda maior, ao listarmos os bailes dos carnavais cosmopolenses, estes vamos recordar BREVEMENTE, em próximas postagens. Aguardem!!!
Texto Adriano da Rocha
Fotos  Walter Frungilo e Acervo Grupo Filhos da Terra


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⚠️ CUIDADO MOTORISTAS


Principal acesso de saída ao município de Holambra / Foto Fabiano Martins


 Atenção redobrada, ao trafegar na vicinal prefeito Orlando Kiosia, via de acesso à Artur Nogueira e Holambra. No trecho próximo a Guarita da Polícia Municipal (cemitério), via de saída do município, parte do asfalto está desmoronando.
Moradores do residencial Souza Queiroz, improvisaram, um impedimento nos pontos mais crítico da deterioração asfáltica.
Visualmente, está sendo formada uma cratera, ocasionada possivelmente, pelas fortes chuvas.


🛑Outros pontos de atenção⚠️
Vários pontos da vicinal, merecem atenção redobrada dos motoristas. Muitos detritos trazidos pelas águas, estão espalhadas pelas margens das vias. A mistura de pedras, areia, terra e gigantescas poças de água, estão concentradas em diversos pontos da vicinal.
A vicinal, é o principal acesso cosmopolense, a cidade de Holambra, assim como a Jaguariúna, e demais cidades do portal das águas paulista.









domingo, 14 de janeiro de 2018

BOA NOITE COSMÓPOLIS


"O encontro no firmamento, entre o religioso e o divino". Quem acredita, na existência de uma força maior, a qual rege o universo, será essa a melhor tradução da foto.
Mas ao ver este registro, até os incrédulos desta existência superior, irão dizer: "que foto divina!!".

Registro captado com muita sensibilidade no olhar, pelo fotografo cosmopolense Anastácio Filho.
A Igreja Matriz de Santa Gertrudes, parece pedir as bênçãos de Deus, para mais uma noite em Cosmópolis. 🙏🏻💒



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

VOCÊ SABIA??

Raízes cosmopolenses nas colonias da Usina Esther

Texto Adriano da Rocha
Fotos Doc Globo e acervo família Giardini
Em destaque na montagem de fotos, na parte superior. Dona Wandyr Solham Giardini (aãe da atriz); os bisavós que desembarcaram em Cosmópolis, Michele Giardini e Joanna Amendola, avós de Homero Antônio Giardini, pai da atriz Eliane; e o irmão Paulo Giardini, ator e diretor.

 Com certeza você já ouviu falar de Eliane Giardini, uma das mais famosas atrizes brasileiras. Nascida em Sorocaba, essa paulista com muito orgulho, coleciona papéis de sucesso nas novelas e cinema, como Indira em Caminho das Índias, Muricy em Avenida Brasil,Ordália em Amor a Vida, Anastácia em Eta Mundo Bom, e atualmente a Nádia de “O outro lado do paraíso”, novela das 21h de Walcyr Carrasco. 

Uma curiosidade, descoberta por acaso, foi a história da família Giardini em Cosmópolis.

Entrevistando o ator e diretor Paulo Betti, na sua passagem pelo Theatro Municipal de Paulínia, ao citar que sou morador de Cosmópolis, eis a surpresa: “Puxa que legal, você é da terra da família Giardini”.

Insisti, Paulo você não está confundindo com Cordeirópolis, novamente ele insistiu e falou pausadamente: “Tenho absoluta certeza, é Cosmópolis’’.

Segundo Paulo Betti, que foi casado com Eliane durante 24 anos, a pequena Villa de Cosmópolis, foi escolhida pelos Giardini para começar a vida no Brasil. Vindos da Itália, região da Calabria, os Giardini desembarcaram em Santos, no fim do século 19.

A família numerosa, espalharia suas raízes por várias cidades paulistas, atraídos pelo progresso agrícola colonial das fazendas de café e cana de açúcar.

Segundo Paulo Betti, os Giardini tinham um carinho especial por Cosmópolis, principalmente pela passagem nas colônias da Usina Ester. Quando comentei da demolição total das Colônias, o ator ficou espantado, ainda com trejeitos do cômico personagem Téo Pereira, disse: “Isso não pode, e como pôde!!! É um crime contra a história”.
2013 / Demolição da Colonia do Bota Fogo / Foto Izabel Gagliardi
Até 2016, as colônias cosmopolenses da Usina Esther, eram o único complexo colonial ainda preservado no Brasil. Restam ainda resguardados, graças ao empenho de grupos culturais de preservação, a Colônia do Sobrado Velho, localizada em Americana.

As últimas casas coloniais da Usina Ester, em Americana, são tombadas pelo patrimônio histórico de Americana, uma conquista realizada pela população do município.

OS GIARDINI EM COSMÓPOLIS
O casal de imigrantes Michele Giardini e Joanna Amendola / Acervo família Giardini

O progresso da Nova Campinas, a Villa de Cosmópolis, atraia os Giardini ao crescente distrito campineiro. “Apeava” na velha Estação da Funilense, o casal Michele Giardini e Joanna Amendola, avós de Homero Antônio Giardini, pai da atriz Eliane.
Na época, núcleos coloniais financiados pelo governo, a instalação da Usina Esther (neste período entre as maiores Usinas do Brasil), criação das áreas industriais de Sericultura (tecelagens e beneficiadoras de Bicho da Seda), atraiam milhares de imigrantes as terras cosmopolenses.
Os Giardini, trabalharam em vários setores cosmopolenses, principalmente na área comercial (armazém), oficina mecânica (Usina Esther e Companhia Sorocabana). Residiram na região da Avenida Ester, colônias da Usina Ester e casas da Cia Sorocabana.

MUDANÇA PARA SOROCABA
O crescente progresso industrial de Sorocaba, atraiam parte dos Giardini para a nova cidade. Michele, partia de Cosmópolis no início dos anos 1900. Na Villa de Cosmópolis, ficaria alguns filhos, residindo nas colônias da Usina Esther.
Nascia em Sorocaba, Antonio Giardini, avô da atriz, na mesma cidade Homero Antonio Giardini, pai da atriz, e outros seis irmãos.

Em Sorocaba, anos de 1940, Homero conheceu a jovem Wandyr Solham, mãe da atriz. O casal permaneceu juntos até 1975, quando Homero faleceu aos 47 anos de idade. Na região central de Sorocaba, Homero Giardini, possuía uma conceituada oficina mecânica.

Inicio dos anos de 1930 / Depósito da Companhia Sorocabana, então localizado, na região do atual Terminal Rodoviário de Cosmópolis / Foto acervo Grupo Filhos da Terra

Possivelmente, Homero e irmãos, aprenderam o oficio de mecânico nas oficinas da Companhia de Trens Sorocabana, a qual possuía uma grande oficina central na região do atual Terminal Rodoviário de Cosmópolis.

Essa oficina cosmopolense, consertava vagões e máquinas, produzindo até mesmo locomotivas (montagem e confecção de peças). Mudanças na área logística da Sorocabana, como inúmeros entraves burocráticos gerados pela prefeitura de Campinas, fechavam a oficina da Sorocabana no início dos anos de 1940.

Na época, o fechamento da Oficina, causou um grande impacto no comércio cosmopolense, o fim do constante movimento de operários acabava, ocasionando quedas significativas nas vendas. Neste período, existia até mesmo uma pequena “vila” de operários da Sorocabana, localizada na rua Coronel Silva Teles.

AGUARDANDO MAIS HISTÓRIAS
Atriz  Eliane Giardini, paulista de Sorocaba
 Entrei em contato com a assessoria da atriz Eliane Giardini, para esclarecer dúvidas e saber mais detalhes desta passagem pelas terras cosmopolenses. Segundo Paulo Betti, na mocidade, a atriz junto com a família, visitava parentes em Cosmópolis.
Tios, inúmeros primos moravam na região. Paulo Giardini, ator e diretor, também é irmão de Eliane, sendo um dos únicos irmãos que continuaram na carreira artística.
O ator Paulo Betti, também, possui raízes na região, com parentes em Campinas, cidade que visitava sempre com os pais.
Nascido em Rafard (um dos berços da pintora Tarsila do Amaral), região de Capivari, mudou-se ainda criança para Sorocaba, onde na adolescência conheceria Eliane Giardini.

Texto Adriano da Rocha
Fotos Doc Globo e acervo família Giardini


LUTO COSMOPOLENSE

ADEUS RUI BOSSHARD
Texto Adriano da Rocha
Fotos Acervo familiar



 Mesmo distante, sempre fazia-se presente na sua terra querida. Na distante Santa Catarina, faleceu nesta quinta-feira (11), aos 56 anos de idade, o cosmopolense, Rui Bosshard

Com os corações aflitos pela triste notícia, centenas de amigos faziam suas despedidas distantes, em orações, preces de conforte e paz, em homenagens no Facebook. 


DESPEDIDA 
O corpo de Rui Bosshard, chegará em Cosmópolis nesta sexta-feira (12). A última despedida acontece às 9h00, no velório do Cemitério Municipal da Saudade. O sepultamento será realizado no início da tarde.

QUÍMICO E JORNALISTA

  Rui formou-se químico na conceituada COTICAP, Escola Técnica de Campinas, fez história na Rhodia e no renomado CPQBA - Unicamp, Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas.

Nos anos de 1990, muda seus planos profissionais, descobrindo no jornalismo uma razão de vida. Nas letras encontrou um meio de expressar seus sentimentos, transcrevendo acontecimentos em notícias.

Trabalhou como editor, jornalista, diagramador, fotojornalista, em vários jornais impressos da região, nos tempos que jornal era impresso na “raça”.

Fez história no auspicioso Jornal Tribuna, que despedia-se de Cosmópolis, para transforma-se no Jornal Tribuna de Paulínia.

Mudando-se para Santa Catarina, trabalhou em vários jornais impressos, sites e portais de notícias. Junto com amigos, criava um novo segmento de jornalismo, o Jornal De Tur Internacional.

No disputado meio jornalístico, era chamado de professor, sendo figura de destaque no ABRAJET, Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo.

RUI DO VIOLÃO, RUI COSMOPOLENSE 
Fez parte de uma geração que sonhava revolucionar Cosmópolis, usando como arma, a felicidade de um sorriso sincero. 

Rui foi membro ativo de "temidos" grupos de revolucionários cosmopolenses, jovens "perigosos", por não usarem armas de fogo, muito menos violência, para lutar por seus ideais.

"Jovens revolucionários cosmopolenses", temidos por usarem gargalhadas, canções no violão, cervejadas na calçada, por escreverem versos com cacos de tijolo no asfalto da Avenida Ester. Temidos por sua alegria de viver a vida, temidos por nunca imporem as suas verdades, como a verdade de tudo.

"Revolucionários cosmopolenses", contraventores da tristeza, com seus “quarteis generais” nas esquinas do Toninho da Kibon, Banco Itaú, Bar do Baloni, Tabajara, Ideal e Joaquim, com sedes de comando na Praça da Matriz, embaixo dos flamboyants e quaresmeiras.

"Jovens revolucionários cosmopolenses", com suas lutas intensas contra a monotonia do tédio, do obvio, da canseira depois do almoço de domingo.

Suas guerras, chamavam-se Gincanas, onde os guerreiros, usavam a inteligência, raciocínio e rapidez, como armas de combate.

Os derrotados, duramente combatidos pelas ruas de Cosmópolis, saldavam orgulhosos os ganhadores, felizes comemorando a guerra perdida.

Um ilustre revolucionário despede-se distante da sua terra. A paz das suas palavras, a lembrança do seu violão, o sorriso sincero aos amigos, ficarão como marca eterna, de um homem integro e verdadeiro.

A toda família Bosshard, aos milhares de amigos, principalmente seus amigos revolucionários cosmopolenses, os meus sinceros sentimentos. Tenha certeza, na mansidão da paz celestial, Rui estará no conforto da Paz divina.

Descanse em paz Rui, olhai junto ao Criador por sua querida Cosmópolis. Adeus "revolucionário cosmopolense"!!!

Fotos Acervo familiar

#Acervo11anos #MuitoMaisSobreCosmópolis #LUTo#Cosmópolis #RuiBosshard #Acervocosmopolense

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

NOVOS CEP EM COSMÓPOLIS


  Com certeza você foi surpreendido com a mudança do CEP 13.150.000, realizada sem aviso e nenhuma divulgação posterior. Cada bairro cosmopolense já possui seu próprio código de envio postal, destinado a cada logradouro, um cep específico. 
Complicado, não consegue descobrir seu novo cep?? Descomplicamos para você!!
Para tirar todas suas dúvidas, explicamos passo a passo, o processo para encontrar seu novo CEP, como também, descobrir o bairro exato da sua rua. C.O.N.F.I.R.A

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

BOM JESUS DO NOVA CAMPINAS

Capela do Senhor Bom Jesus completará 78 anos da sua edificação
Referência religiosa e festiva, o local é um dos marcos históricos da região rural cosmopolense

Texto Adriano da Rocha
Fotos Conceição Tetzner


Localizada no bairro rural  Nova Campinas, capela completa  78 anos em Outubro. / Foto Conceição Tetzner



 A estrada rural ainda é de chão batido, cascalhado com pedaços de pedras e sobras de olarias, a terra é de um vermelho intenso. Cortando plantações, principalmente cana e laranja, o motorista é levado para históricos destinos, regiões rurais de Limeira e Artur Nogueira.

Estradas bandeirantes, abertas na “picada” com rudimentares ferramentas e carros de bois, cortando matas, desbravando caminhos pelos sertões paulistas.
Neste caminho, criado nos primórdios de Cosmópolis, uma módica edificação desperta os olhares no trajeto.

Na mansidão verde de lavouras, o motorista avista ao longe uma capela, sobre seu campanário uma cruz de ferro forjado. Traçado, entre os arrabaldes do símbolo cristão, as iniciais S.B.J.

Ladeada de novas construções, espaço comunitário comercial e um salão de festas, está uma modesta capela. Mostrando a glorificação católica da construção, letras sobressaem a estrutura, anunciando o nome Senhor Bom Jesus.

É a Capela do Senhor Bom Jesus, localizada no bairro rural Nova Campinas, uma das primeiras regiões a serem povoadas em Cosmópolis.
Reduto da fé católica, referência festiva da tradicional Festa do Senhor Bom Jesus, espaço de confraternizações e celebrações religiosas. Uma construção que marcou a história de inúmeras gerações de cosmopolenses.

HISTÓRIA
A construção, é datada de 24 de outubro de 1940, edificada pela comunidade católica do bairro, em parceria com membros das missões da Igreja Matriz de Santa Gertrudes. Um grupo que buscava na fé católica, edificar novos pontos de evangelização, fora da Villa de Cosmópolis. Até então, o território cosmopolense possuía somente um templo católico, a Igreja Matriz.

Para as obras de construção, a Usina Esther, intermediou a legalização do terreno e doou grande parte dos materiais, sendo Dona Sonja e Guilherme Pompeo Nogueira (Guilhermino), diretores da empresa, padrinhos de fé da capela.

Atual Capela, foi construída no mesmo ponto onde existia outra edificação dedica ao Bom Jesus. / Foto Conceição Tetzner


MARCO CATÓLICO
  A nova construção, surgia sobre antigos marcos do catolicismo no bairro, desbravado no início dos anos de 1800.

No mesmo ponto, o qual foi construída a capela, já existia uma pequena edificação dedicada ao Bom Jesus. Até o fim do século 19, um pároco vindo de Limeira, realizava periodicamente, batizados e casamentos na capela.

Nesta extinta capela, nos meses de agosto e fim de setembro, eram realizadas festas em louvor ao Bom Jesus da Caninha Verde.

Trezenas, louvações feitas por grupos de violeiros, reuniam multidões pedindo a interseção do Bom Jesus, para um boa colheita do café e cana de açúcar.

COMÉRCIOS AOS ARREDORES   Neste período, já existiam próximos da Capela, pequenos espaços comerciais. Os comércios, surgiam para atender aos moradores da região rural, bairros do Pinheirinho (primeiro bairro de Cosmópolis), Serra Velha, Núcleo Colonial Santo Antônio, Pires, entre outros.

proximidade com Limeira, como também, a facilidade de inúmeras estradas, levavam os moradores a cidade vizinha.

Buscando atender ao crescente número de consumidores, surgiam pequenos comércios, uma vendinha de secos e molhados (cereais e bebidas), e um açougue.

O açougue, possuía até um matadouro de animais nos fundos, fornecendo carnes a outros açougues das Villas de Cosmópolis e Arthur Nogueira.

A casa de carnes, era de propriedade dos irmãos Antônio e Custódio da Rocha. Os irmãos, assumiam a propriedade em 1933, adquirida de um imigrante português.

Em 1939, uma lei da Câmara Municipal de Campinas, proibia os comércios fora do perímetro urbano da Villa de Cosmópolis. Era fechado o açougue e a vendinha, sendo demolidas as construções pela Sub prefeitura de Cosmópolis.




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