quinta-feira, 2 de maio de 2019

#TBT - AINDA ONTEM EM COSMÓPOLIS

MEMÓRIA
 2012 - Tarde de chuva no alto do morro, popular "Morro do Cristo". Região histórica, dos primórdios da "Villa de Cosmópolis", referência e caminho de bandeiras paulistas.


OLHAR NA FOTO
Em destaque, contrastando com a "anunciada tempestade", o Cristo Redentor de Gombrade. Aos fundos do Cristo, a formação dos lotes do Residencial Monte Cristo.

Obra idealizada por José Gombrade, escultor, desenhista, um artista cosmopolense que marcou época. Edificação criada com recursos próprios, totalmente manualmente, esculpida no cimento com técnicas criadas pelo artista. O ano de conclusão da obra é datado como 1975.

HISTÓRIAS
Nesta região estava localizado o primeiro cemitério de Cosmópolis, formado nos tempos da Fazenda do Funil.
Desativado em 1952, as cruzes e ossadas foram sepultadas junto ao antigo Cruzeiro do Cemitério Municipal.

No fim dos anos 1950, com a passagem das missões católicas, foi criada a Santa Cruz, inaugurada em grande festa. A cruz de madeira, iluminada com lâmpadas, ficava localizada nas proximidades do Cristo. Em memória das missões, a rua de acesso ao ponto de fé e peregrinações, foi nomeada de Santa Cruz.

Texto Adriano da Rocha 
Foto Eliseu Bragança

quarta-feira, 1 de maio de 2019

OS TRABALHADORES DA CANA E CANAVIAIS

DIA DO TRABALHADOR
1900 - Cartão postal colorizado, com circulação mundial, registro feito pelo renomado fotografo Guilherme Gaensly. Conjunto de postais encomendados pelo governo Paulista, para divulgar as produções agrícolas do Estado no mundo. Foto acervo Adriano da Rocha

  Cortador de cana, produtor de cana, fornecedor de cana, motorista canavieiro, e os doutores da cana, os agrônomos, contabilistas e químicos. Entre inúmeros trabalhadores cosmopolenses da cana de açúcar. Como não exaltar nesta data, "Dia do Trabalhadores", estes profissionais da cana.

Todo cosmopolense, tem infindas histórias familiares sobre os trabalhos nos canaviais. Quem nunca foi trabalhador da cana, com certeza, tem alguém da família, com ligações trabalhistas envolvendo direta e indiretamente, os vários ofícios da cana.

A CANA E OS TRABALHADORES 
1950 - Mulheres realizando a adubação e cuidados da nova safra, seguidas por homens realizando limpeza e plantio dos eitos. Foto Acervo Juvenil da Rocha 
Em 1955, dados da Câmara Municipal de Cosmópolis, registram os trabalhos na indústria canavieira e fornecimento de cana, como a principal função trabalhista do município.
Em segundo lugar neste período, os trabalhadores da industrial têxtil, seguidos dos produtores rurais de laranja, algodão e dos seguimentos da sericultura (amoreiras e bicho da seda).

O comércio cosmopolense, assim como de outras cidades da região como Artur Nogueira e Paulínia, tinham como base financeira os trabalhadores da cana. Como dizia o saudoso “Guilherminho Nogueira”, ex-diretor proprietário da Usina Ester: “Vendeu para trabalhador da cana, é garantido o pagamento”.

Tanto eram garantidos os pagamentos, que no seguimento dos trabalhadores da cana, os comerciantes cosmopolenses ofereciam vastas sessões com produtos destinados aos trabalhadores. Como anunciam os jornais semanários cosmopolenses: " Grande sortimento de utensílios aos cortadores de cana".

2011 -  Registro feito pela cosmopolense Bruna Grassi, sequência de fotos com foco nos canaviais e seus trabalhadores. Fotos premiadas mundialmente em vários festivais, ganhadora de importantes prêmios de fotografia.

Luvas, chapeleiras (sombreiras para proteção solar), coletes e roupas, confeccionados de puro algodão, produzidos nas tecelagens cosmopolenses dos algodoais da região, principalmente de Artur Nogueira- durante década uma das maiores produtoras do Brasil.

Não esquecendo as modernas marmitas de ágata, cumbucas e caldeirões de ferro para preservar as refeições (impopulares boias frias), e os facões de aço, produzidos nas fundições de Piracicaba, “talhas” e moringas de Pedreira e Porto Ferreira.

2011 - Uma das últimas safras totalmente manuais realizadas nas terras da Usina Ester. Registro feito pela cosmopolense Bruna Grassi, sequência de fotos com foco nos canaviais e seus trabalhadores. Fotos premiadas mundialmente em vários festivais, ganhadora de importantes prêmios de fotografia.

O setor da cana e seus trabalhadores representavam o progresso de Cosmópolis e região. Somente nas colônias da Usina, eram mais de 2 mil moradores, onde de crianças aos velhos, todos viviam dos trabalhos da cana.

1959 - Carregamento da cana de açúcar com guindaste, popular braço de ferro, nos vagões dos trenzinhos canavieiros. O trenzinho da foto, fazia parte de um conjunto de seis locomotivas, iguais a exposta na Praça dos Ferroviários (em frente a Câmara Municipal). Foto Acervo Juvenil da Rocha 

A cana e os trabalhadores da cana, são tão importantes na história e progresso cosmopolense, que são exaltados na bandeira municipal. Obra concebida por Frederico Rogge, oficializada em 1963, como brasão e símbolo municipal.

A identidade do cosmopolense como cidadão, até nas pelejas futebolistas, onde os adversários dos campos, criaram o apelido de pé de cana. Alusão aos jogadores cosmopolenses que fora dos campos eram trabalhadores da cana. E quem não era, vivia aos custos financeiros dos trabalhadores da cana.

SÉCULOS DE CANAVIAIS 
1968 - Caminhões e trens realizando a entrega das canas nas moendas da Usina Ester. O trenzinho em destaque na foto, é o mesmo da Praça dos Ferroviários (localizada em frente da Câmara Municipal ) / Foto Acervo Usina Ester 

Há mais de 300 anos, a cana de açúcar é a principal ocupação de gerações de trabalhadores cosmopolenses.

Segundo dados do IAC, Instituto Agrônomo de Campinas, o ano de 1836, registrava o auge da produção canavieira nas terras campineiras. Existiam 93 engenhos e 93 destilarias em plena atividade.

Somente nas terras pertencentes as famílias Almeida Barboza e Nogueira Ferraz, atuais cidades de Cosmópolis, Paulínia, Conchal, Engenheiro Coelho, Artur Nogueira e Holambra, existiam 12 engenhos de cana de açúcar.

O café somente dominaria as paisagens cosmopolenses nos anos de 1850, transformando-se em uma das principais produções agrícolas do Estado. Expandindo-se por todo o interior, sendo São Paulo em vários períodos, o maior produtor de café do mundo.

1900 - Cartão postal com circulação internacional, registrando os canaviais cosmopolenses. Propaganda da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, em parceria com o Governo Federal. Divulgação das terras paulistas, um meio de atrair novos imigrantes aos núcleos coloniais. O cartão em destaque, está escrito em francês, inglês e alemão

A cana voltava com força e progresso em Cosmópolis, nos idos de 1890, quando em 1898, nascia nas terras da Fazenda do Funil, a Usina Açucareira Esther. Com a compra das terras pela família Nogueira Ferraz, o café era praticamente extinto, cortado para a formação dos canaviais. No Brasil, os canaviais da Usina Ester seria os primeiros formados com novos experimentos de cana, introduzidos pelo IAC, nos comandos de Franz W. Dafert, renomado cientista austríaco.

1899- Trabalhos finais de instalação dos modernos engenhos da Usina Ester. Produzidos em fundições na Europa, os engenhos e destiladores, chegaram de navio ao Brasil, sendo transportados pelos trens da Funilense até as terras cosmopolenses. No lado esquerdo da foto, os dois homens próximos as paredes de sustentação, são Sidrack Nogueira e Paulo de Almeida Nogueira, proprietários da Usina Ester. Os demais homens, são trabalhadores da Usina, e técnicos vindos da Europa, responsáveis pela montagem do gigantesco complexo industrial do açúcar. / Foto Acervo Usina Ester 

No início dos anos 1900, a cana de açúcar dominava os campos cosmopolenses, recebendo a progressista Villa, o apelido de “Terra dos Canaviais”. Ou, como dizia o pároco da Igreja Matriz de Santa Gertrudes, Germano do Padro, “a mais doce cidade paulista. A doce terra dos mares de canaviais”.

TRABALHADORAS DAS CANA
Uma curiosidade, até o fim dos anos de 1950, o corte de cana era realizado por mulheres em Cosmópolis. 
1900 - Cartão postal com circulação mundial, registro feito pelo renomado fotografo Guilherme Gaensly. Em destaque ao fundo, homens, mulheres e crianças, realizando o carregamento das canas cortadas, nos vagões do trenzinho canavieiro / Foto acervo Adriano da Rocha


Nas gestões do Major Arthur Nogueira (1898- 1923) e Paulo de Almeida Nogueira (1926- 1953), somente mulheres cortavam cana nos canaviais da Usina Ester.

O motivo, eram os cuidados das mulheres com a cana, a minucia no corte e esmero na montagem dos feixes. Os feixes eram os aglomerados das canas cortadas, montado e amarrado pelas mulheres, e transportado pelos homens, aos carros de bois e trenzinhos canavieiros.


Outro setor que ficou exclusivo as mulheres, era o empacotamento do açúcar, os famosos sacos de 1 quilo e 5 quilos, do “Açúcar Ester”. No rádio e emissoras de TV paulistas: "Aquele que adoça muitoo mais". "E se não for Ester, mamãe não quer". Slogans do famoso açúcar produzidos pelos trabalhadores cosmopolenses.

Vendidos nos comércios varejistas, armazéns e panificadoras, foram nos anos de 1950 até 1970, um dos principais produtos da empresa cosmopolense, entre os mais lembrados da indústria paulista.

No ensacamento do açúcar de exportação, os pesados sacos de ráfia e algodão, os trabalhos eram realizados somente por homens.

OS NOVOS PROFISSIONAIS DA CANA
2018 - Última safra do ano de 2018, totalmente mecanizada com os novos maquinários do Grupo Bom Retiro. Registro feito próximo ao complexo industrial da Usina, região dos estábulos./  Foto Grupo Bom Retiro 

Mesmo com o progresso industrial e comercial cosmopolense, a cana de açúcar e seus setores, continuam mantendo-se como a mais rentável área trabalhista do município.

No passado, safra marcada por milhares de cortadores, carregadores, carreiros, chefes de turma, uma verdadeira multidão espalha pelos canaviais. Trabalhando arduamente nos eitos, desde o nascer ao pôr do sol. O corte, carregamento, transporte, cada serviço, era determinado à uma numerosa turma de trabalhadores.


Dias, semanas de trabalhos, milhares de alqueires de cana, plantados nos mais diferentes tipos de terrenos. Barranco, morro, subidas e descidas, onde havia terra nascia cana.

Hoje, já há alguns anos, os serviços são totalmente mecanizados.
Surgem novos trabalhadores da cana. Doutores da terra, agrônomos, agrimensores e demais especialistas, aperfeiçoando, modernizando os sistemas de formação dos canaviais, e as qualificações dos trabalhadores da cana.
2011 - Uma das últimas safras totalmente manuais realizadas nas terras da Usina Ester. Registro feito pela cosmopolense Bruna Grassi, sequência de fotos com foco nos canaviais e seus trabalhadores. Fotos premiadas mundialmente em vários festivais, ganhadora de importantes prêmios de fotografia.

É o progresso trabalhista, acompanhando o progresso científico e mecânico, trabalhando juntos. Novas eras cosmopolenses, nas terras comandadas pela mais antiga Usina açucareira do Brasil.

2018 - Última safra do ano de 2018, totalmente mecanizada com os novos maquinários do Grupo Bom Retiro. Registro feito próximo ao complexo industrial da Usina, região dos estábulos. Em destaque ao fundo, as chaminés da Usina Ester/  Foto Grupo Bom Retiro 

A Usina Ester, interruptamente há 121 anos, é a principal responsável pelo progresso e liderança do setor dos trabalhadores da cana. Fundada em Cosmópolis, nas históricas terras da Fazenda do Funil, a Usina Ester atualmente é um grupo agroindustrial, abrangido inúmeros setores ligados à cana.

Álcool, açúcar, nutrientes de produções agrícola e energia elétrica. Praticamente das canas da Usina Ester nada é perdido, tudo é aproveitado, reaproveitado e financiador de outros setores.

2018 - Última safra do ano de 2018, totalmente mecanizada com os novos maquinários do Grupo Bom Retiro. Registro feito próximo ao complexo industrial da Usina, região dos estábulos./  Foto Grupo Bom Retiro 

Na sequência desta liderança dos trabalhadores da cana, está o Grupo Bom Retiro, principal fornecedora da Usina Ester.

Com sede em Artur Nogueira, a empresa fundada por “Benedito Mendes”, saudoso “Rei da Cana”, está entre as maiores prestadoras de serviços agrícolas do Brasil.

Produtora e arrendatária de terras, para o plantio de cana e soja, o Grupo Bom Retiro é responsável por milhares de alqueires na região, assim como, empregador de inúmeros trabalhadores da cana e seus seguimentos.

2018 - Foto Grupo Bom Retiro 

2018 - Foto Grupo Bom Retiro 

DOUTORES DA CANA
2011 - Uma das últimas safras totalmente manuais realizadas nas terras da Usina Ester. Registro feito pela cosmopolense Bruna Grassi, sequência de fotos com foco nos canaviais e seus trabalhadores. Fotos premiadas mundialmente em vários festivais, ganhadora de importantes prêmios de fotografia.

Eis o progresso dos trabalhadores da cana!! Afinal o jovem de hoje, é diferente daquele de 100 anos passados, ou, até de 40 anos atrás.

Não existe a mesma ambição de cortar cana como seus antepassados. Assim, a cada nova safra, as produções modernizam-se, adaptando-se as promissoras áreas trabalhista da cana.

O neto, bisneto e filho de cortadores de cana, não sonha com o facão.

Mas sim, em fazer uma faculdade, cursos, especializações, para ser um dos novos profissionais da cana em Cosmópolis.
Sonho das novas gerações de “pés de cana”, entre as profissões mais valorizadas do mundo, com salários que valem cada curso e aperfeiçoamento.
Novos tempos, e o progresso rescrevendo a história dos “trabalhadores da cana”.

01/05 - "DIA DOS TRABALHADORES"
Aos empregados, feliz “Dia dos Trabalhadores”; aos desempregados, os votos de não perderam suas esperanças, para em um futuro próximo, onde serão muitos os motivos para comemorar a data!!

Texto Adriano da Rocha
Fotos Acervo Grupo Filhos da Terra, Usina Ester, Bruna Grassi, Guilherme Gaensly, Juvenil da Rocha, Grupo Bom Retiro

sábado, 20 de abril de 2019

LUAR NA MINHA TERRA, LUAR NA SERRA

PELOS OLHOS DOS MEUS FILHOS


Luar, na semana santificada pela fé e devoção. Registros da lua, esplêndida nos campos da Serra Velha, dividindo os espaços entre Cosmópolis e Limeira.



“Que haverá com a lua, que sempre que a gente a olha, é com o súbito espanto da primeira vez?
Mario Quintana


📸 Foto Conceição Tetzner

sexta-feira, 12 de abril de 2019

111 ANOS DO MERCADÃO DE CAMPINAS

MEMÓRIA COMERCIAL E HUMANA
É quase Impossível, para um cosmopolense, não ter este prédio como referência na sua história de vida. Símbolo do progresso regional, marco histórico e direcional, ponto de encontro, local com infindas memórias de gerações.


Nesta sexta-feira (12), são completados 111 anos do Mercadão Municipal de Campinas. Inaugurado como Mercadão em 12 de abril de 1908.

A data simboliza a incorporação oficial do prédio ao patrimônio público campineiro, doado pela família Nogueira Ferraz. O prédio homenageia Luiz Nogueira Ferraz, enaltecido na entrada principal do Mercadão, pai de José Paulino Nogueira e Major Arthur Nogueira.

A edificação construída como armazém central da "Carril Agrícola Funilense", foi projetada pelo "Escritório de Arquitetura e Engenharia Ramos de Azevedo", atendendo aos pedidos dos irmãos Nogueira Ferraz e do Barão Geraldo de Rezende, principais acionistas da companhia de trens.

Simultaneamente em Cosmópolis, o escritório Ramos de Azevedo construía o complexo industrial da Usina Ester, Palacete Irmão Nogueira (Sobrado), e a Igreja Matriz de Santa Gertrudes. As obras cosmopolenses seguiam supervisionados por Dumont Villares, sobrinho do inventor Santos Dumont, e cunhado de João Manuel de Almeida Barboza, antigo proprietário da Fazenda Funil.

Com a "falência" da Carril Funilense, e incorporação da companhia a Sorocabana, o Mercadão foi doado para prefeitura, sendo rescrita uma nova história ao prédio e região.

As dependências de armazenamento agrícolas da Funilense, destinados para o escoamento das produções, ressurgiam como espaços comerciais, divididos em lojas e setores.

Neste período, nascia o lendário "Bar e Restaurante do Pachola", um dos principais pontos de encontros dos cosmopolenses. No atual setor de peixes, ficava localizado a estação e linha Carlos Botelho, parada e saída de trens, com destinos para as “Villas” de Cosmópolis, José Paulino (Paulínia), Arthur Nogueira, seguindo até a última ramal, em Pádua Salles (Conchal).

Com a desativação da estação Carlos Botelho, mudando as “paradas e baldeações” para a região da atual Avenida Brasil, o espaço era utilizado como ponto das jardineiras, em destaque a Auto Viação Cosmópolis.

Um prédio com inúmeras histórias, principalmente de vidas. No destaque fotográfico, postal criado pela Prefeitura de Campinas, o Mercadão na cor azul e branco.

Registro de 1983, divulgado em cartões postais com circulação mundial. Uma coloração que remota as memórias dos anos 1970 e 1980, quando o Mercadão ainda era, a principal referência de compras de muitos cosmopolenses.

Texto Adriano da Rocha
Foto Acervo postal Câmara Municipal de Campinas

quinta-feira, 11 de abril de 2019

LUTO REGIONAL


ADEUS ZÉ MIRANDA

 Aos 69 anos de idade, faleceu na tarde de quarta-feira (10), José Antônio Miranda, o popular radialista Zé Miranda. A voz marcante do “Cantar do Galo”, mais antigo programa da Rádio Cabocla de Artur Nogueira, faleceu em sua residência, após problemas cardíacos.

Nascido em Cosmópolis, nas colônias da Usina Ester, mudou-se para Artur Nogueira ao casar-se com Silvia Rossi Miranda, o casal teve os filhos Lilian Rose Miranda e Leilson Jose Miranda (falecido). O sepultamento foi realizado na tarde desta quinta-feira (11), no Cemitério Municipal de Artur Nogueira.

O cosmopolense de nascimento, escolheu Artur Nogueira como seu novo berço, falecendo na data enaltecida ao município. Zé Miranda, era considerado pelos ouvintes, como a “a voz de Artur Nogueira”, sendo um dos principais representantes do município no rádio paulista.

Durante quase 30 anos, estando grande parte na Rádio Cabocla, foi uma das vozes mais ouvidas da região e Sul de minas.

Reconhecimento comprovado pelas inúmeras ligações e cartas recebidas, líder entre o público sertanejo da emissora. Interruptamente, estava no ar desde a inauguração da emissora no início dos anos 1990.

A risada espontânea e inconfundível, o timbre grave da voz, marcaram as manhãs radiofônicas por décadas. Percursor dos programas sertanejos em Artur Nogueira, realizava diariamente suas audições às 5h da madrugada, anunciando a alvorada, ao som das duplas e o icônico cantar do galo.

Às 6h, o momento religioso, enaltecido à fé Católica em Nossa Senhora, com as participações de amigos como Santo de Faveri, Pino Rosseti, Fátima de Oliveira e padres da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores.

O galo canta (surge o som do cantar, captado no sítio de amigos), a hora Zé Miranda anunciava: “Belezera, belezura de dia, são pontualmente cinco horas no berço da amizade!!’’.
Uma curiosidade, Zé Miranda era aposentado como relojoeiro e ourives, um verdadeiro mestre no minucioso ofício.

Os sinceros sentimentos aos familiares, amigos e os incontáveis milhares de ouvintes do “Cantar do Galo”.

Sempre brincalhão, dizia que os pés eram rachados. “Meus pés são uma "beirada" vermelha e outra de cana”. Alusão aos apelidos futebolísticos entre as cidades, “pé vermeio”, Artur Nogueira, e “pé de cana”, Cosmópolis.

Assim, estão consternados pela perda, cosmopolenses e nogueirenses.

O sentimento da saudade, traz no fundo do peito as lembranças do Zé e seu “Cantar do Galo”. Programa que marcou época no rádio, sendo sua voz e modas, os fundos musicais na história de gerações da região, principalmente de Cosmópolis e Artur Nogueira.
Vá em paz Zé Miranda!!!

Texto Adriano da Rocha
Foto Acervo Rádio Cabocla FM

domingo, 7 de abril de 2019

07/03/ 'DIA DO JORNALISTA''

PRIMEIRA JORNALISTA COSMOPOLENSE

Silena Souza, contemplando a edição comemorativa dos 20 anos do Jornal de Cosmópolis, datada de 1985
Nossos ouvidos e olhos, representante, testemunha e porta voz do povo. 

Símbolo maior do ofício em Cosmópolis. Silena Sousa, com muito orgulho, nossa primeira jornalista. Percursora da profissão no município, nos tempos mais severos do jornalismo – anos 1960 e 1970- , ao escrever sobre o cotidiano cosmopolense, perpetuava nossa história em suas incontáveis matérias.

A professora das salas de aulas, abandonava o giz e as lousas, para ter como principal instrumento de trabalho, uma pesada máquina de escrever. A sala de diretora, – mestre e dirigente da primeira escola infantil de Cosmópolis, a Escola Esther Nogueira-, agora era uma redação improvisada na sua casa.

A casa, melhor localização não poderia existir na cidade, no centro das notícias cosmopolenses. Em frente à Delegacia, e próximo ao Paço Municipal - nesta época, um complexo público, onde funcionavam a Câmara Municipal, todas as secretarias municipais, e representações do poder estadual e federal.

Na escola, ficava envolta de livros e pequeninos alunos, na sua casa, dividia espaço com fotolitos, chapas de cobre, fontes tipográficas, livros de pesquisa, blocos e blocos de anotações, e preciosas máquinas fotográficas e datilográficas.
O pó de giz, ficava no passado, suas mãos e roupas, permaneciam marcadas pela tinta da tipografia. O preto das fontes e impressos dos jornais, ficava entranhado não somente nas mãos e roupas, mas na sua existência, com o poder das palavras.

Seus olhares e outros olhares, sempre atentos, cobrindo a notícia em primeira mão. Ficando sempre a pergunta, “como ela viu e ficou sabendo?”.

Eram seus informantes, espalhados por toda a “vila” e região, eles sim passavam despercebidos, nunca as notícias.

Fontes nunca foram reveladas, enfrentou até delegados e autoridades militares, para garantir seus fiéis contribuintes da notícia. Fontes nunca reveladas nas colunas, assim como seu nome nas publicações.

Outros tempos do jornalismo, onde na “Moita”, as notícias passavam pela censura, e o “Você Sabia”, publicava aquilo que todos já sabiam, mas não tinham coragem de falar.

Um detalhe, comum nos semanários do interior paulista, as matérias não eram assinadas. Economia das tipografias na montagem das chapas, sim.

Mas também, um gesto de resguardar-se da censura dos governos militares (Getúlio Vargas e subsequentes de 1964), e no caso de Silena, do preconceito da época, imposto sobre as mulheres nesta profissão.

Mesmo na “Moita”, nome da sua mais famosa coluna – as publicações destacavam-se como os principais assuntos da cidade, assim como, quem era a misteriosa pessoa que escrevia- seu nome ficava assinalado na história jornalística cosmopolense.

Suas matérias e direção do “Jornal de Cosmópolis” -inaugurado em 1967, por um grupo de formadores de opinião como Jornal ACP, abreviação e abrangência de Artur Nogueira, Cosmópolis e Paulínia- foram a motivação para incontáveis leitores seguirem na profissão de jornalistas.

Silena Souza, 84 anos, primeira jornalista de Cosmópolis

Nesta data consagrada nacionalmente aos jornalistas, em memória do patrono da profissão Cásper Libero, a Silena Sousa, nossa primeira jornalista, as saudações e homenagem.

A professora de formação, que ensinou através das suas publicações, a complexa matéria “jornalismo cosmopolense”.

Fez no seu presente impresso, nossas impressões as futuras gerações, do passado descrito nas suas expressões impressas de Cosmópolis.

Obrigado jornalista Silena Souza, nobre representante cosmopolense da profissão!!!

Salve a memória daqueles que não tiveram formação profissão como jornalista, mas representaram a profissão ao serem as vozes impressas do povo.

Salve os “jornalistas de coração”, Thelmo de Almeida, Ataliba de Carvalho, Werbyh Gião, Wellington Masotti, Carlito Tontolli, Negreira Souza, Moacir do Amaral e filhos, Odair Kiosia, José Honorato Fozzati, Rodolfo Rizzo, José Pedroso, Gelson D’Aolio, João Alberto Kantovitz, Mano Fromberg, Cleo Carneiro, Ednaldo Luiz (Alemão), Miguéis, Edson Leite, entre outros edificantes representantes da nossa vida nas páginas impressas e faladas.

Parabéns aos jornalistas de profissão e coração, porta vozes do povo cosmopolense.

Texto Adriano da Rocha

Foto jornalista Bruna Genaro