domingo, 23 de agosto de 2020

LUTO COSMOPOLENSE

 Adeus Régis Barbosa 


 Triste notícia, inesperada e repentina, surpreendendo aos amigos. Faleceu neste domingo (23), vitimado de um infarte fulminante, o querido Régis Barbosa.

Nas publicações do Acervo Cosmopolense, era conhecido pelas fotos da natureza, nosso maior patrimônio municipal.

Imagens impressionantes do nascer e poente do sol, sempre registradas em pontos marcantes de Cosmópolis, como a Represa do Rio Pirapitingui, Rio Jaguari, Igreja Matriz de Santa Gertrudes, e recantos da Fazenda Usina Ester. Com mínimos recursos fotográficos, usando um simples celular, conseguia captar imagens surpreendentes.

A fotografia amadora, com técnicas criadas pelo acaso do momento, foi a motivação para um recomeço em sua vida. Um exemplo de superação, sempre lembrados nos textos que acompanhavam suas fotos.

Aos familiares e amigos, nossos sinceros sentimentos. Descanse em paz Régis, obrigado por eternizar as belezas de Cosmópolis.

Suas imagens, estão entre os símbolos maiores de amor por nossa terra.

Em destaque, sua última foto postada no Facebook. Sua marca, os poentes na Represa. Com a foto escreveu : “Que nunca nos falte a esperança, de que dias melhores virão 🕊”.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Memória Esportiva ⚽️


14/12/1958: 2 quadro da ADM Usina Ester

Em pé: Oderme Zuchini, Daniel Ignácio, Jurandir, Niquinho, Biguí Kreitlow, Hélio Martelli, Adilson Peres e Luizão Furlanetto (Treinador). Agachados: Vitor Decresci, Alceu Grassi, Milton Garcia, Tim Stucki e Zé Pote.

Foto Valber Kowalesky

#Acervo13anos #usinaester #cosmópolis #memóriaesportiva #esteragroindústrial #AcervoCosmopolense

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

AINDA ONTEM em Cosmópolis

  #TBT / 1974 – Há exatos 46 anos. Olhando lá do céu, registro feito pela janela de um “teco-teco” (monomotor), com direito a um pedaço das assas do avião na foto. Imagens captadas à centenas de metros de altura, graças a astúcia e habilidade do fotógrafo.


Tempos das máquinas pesadas de filmes de rolo, com revelações químicas e extremamente sensíveis, onde somente um profissional da fotografia, era capaz de captar a melhor enquadração e nitidez da imagem, não perdendo "negativos".

O registro faz parte de um conjunto de fotos aéreas, apontamentos gerais do município, obtidos em uma parceria da Prefeitura de Cosmópolis, gestão Orlando Kiosia, e a Usina Ester.

Muitas destas fotos aéreas, série 1974, foram emolduradas na época, sendo ainda expostas no Paço Municipal (gabinete do prefeito), secretarias, e Câmara Municipal.


OLHAR NA FOTO

Em destaque, as então vias principais da região central, praticamente cortando toda cidade, Sete de Setembro, Antônio Carlos Nogueira e Santa Gertrudes, quando a via cortava as escadarias da nova Igreja Matriz de Santa Gertrudes.


Repare que as laterais da Igreja Matriz estão sem acabamento, o Largo é somente um grande terreno de “terra batida”, e a Praça Paulo de Almeida Nogueira, ainda conserva os dois chafarizes ornamentais, iguais ao extinto Tulipa da “Praça do Coreto”.


Outras ruas realçam a foto, chamando atenções dos nossos olhares, como a Avenida Ester, Campos Salles e Baronesa Geraldo de Rezende. Muitos saudosos comércios, inúmeros prédios demolidos pelo “progresso”, ou simplesmente, o fim de eras comerciais.


A antiga “Pensão e Hospedaria Talassi”, sobressai na rua Baronesa, como o gigantesco salão da "Sociedade Beneficente Mútuo Socorro", conservando sua fachada original dos anos 1910.

Não esquecendo do salão social do "Cosmopolitano Futebol Clube", cruzando as ruas Baronesa e Sete de Setembro, marcado pelo enorme letreiro com as iniciais da associação esportiva.

Repare na quantia de árvores nas ruas e Avenida Ester, resquícios dos primeiros projetos paisagísticos urbanos.


Serão alecrins de campinas, sibipirunas, alfeneiros, e os inesquecíveis flamboyants?

Maioria extintas, ceifadas por moradores, comerciantes, e muitas vezes, pela própria prefeitura, seguindo novos projetos públicos, e principalmente, ignorância ambiental.

Neste olhar sobre as árvores, como não reparar nos gigantescos quintais das casas cosmopolenses. Muitas edificações são típicas casas comercias da região central, onde funcionava o estabelecimento na frente, e a residência nos fundos.

Com certeza, absoluta, nestes quintais são pés de jabuticaba paulista, romãs, limão vinagre, mangueiras, abacateiros, parreirais de figos e uvas, e até bananeiras, como pode ser observado em grandes terrenos.


Cada olhar, uma descrição, cada olhar, uma saudade!!! Qual a descrição do seu olhar ??


Foto Acervo Grupo Filhos da Terra

Texto Adriano da Rocha


#Acervo13ano #TBT #AindaOntem #Cosmópolis #AvenidaEster #ParoquiaSantaGertrudes #IgrejaMatriz #Memória #AcervoCosmopolense

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

MEMÓRIA ESPORTIVA ⚽️

12/08/1917 – Há exatos 103 anos em Cosmópolis. Em destaque o esquadrão campeão do "Cosmopolitano Futebol Clube", pioneiras lendas do futebol cosmopolense e regional.



1º “Team do Cosmopolitano Foot Ballclub” (Ortografia da época) .

Em pé: Ferrucio, Tcheco , Manolo e (?)

Agachados: Marcelo, Ceará e Zeca.

Sentados: Thelmo de Almeida, José Lugli, Antonio Simões, Fritz e Sebastião de Almeida.


O registro fotográfico foi realizado na lateral da extinta Igreja Matriz de Santa Gertrudes de Helfta (Igreja Velha), edificação projetada por Ramos de Azevedo, construída pelo sobrinho de Santos Dumont, o engenheiro Dumont Villares.


Texto Adriano da Rocha

Foto acervo Grupo Filhos da Terra

#Acervo13anos #Cosmópolis #Cosmopolitano #Memóriaesportiva #AcervoCosmopolense


segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Adeus Duílio de Faveri, o "Rei da Sanfona", maestro dos grandes bailes e alegria

  LUTO

O Instrumentista foi uma das principais referências musicais de Cosmópolis na região

  Na segunda-feira (10), faleceu aos 92 anos de idade, o cosmopolense Duílio Marcelo De Faveri, o popular Duílio Sanfoneiro. Extremamente querido e conhecido em toda região, popular pelos empreendimentos agrícolas e imobiliários, mas especialmente pela música. Seu alento e inclinação desde os nove anos de idade. 

Foram mais de 80 anos dedicados à música, sua paixão desde criança

Casado com Jesuína De Faveri, deixa os filhos Rodnei, Edna e Ednéia De Faveri e netos, assim como inúmeros familiares e amigos. Duílio De Faveri foi uma das principais referências musicais de Cosmópolis, principalmente na instrumentação da sanfona. Sua querida companheira de bailes, festividades, estúdios e até profissão, durante mais de 80 anos. Paixão que surgiu na infância, acompanhando o sanfoneiro até o último dia da sua vida. 


DAS LAVOURAS À SANFONA 

Aos 88 anos de idade, animava bailes da terceira idade e eventos na região

Duílio era um dos oito filhos do casal Zelinda Leoni e Pedro De Faveri, entre os percursores dos desbravamentos da região do Morro Castanho, atualmente formado pelos bairros Cidade Alta, Andorinhas, Jardim de Lurdes, Parque São Pedro e Jardim De Faveri, terras pertencentes à família, loteadas nos anos 1970 e 1980. Muitos destes loteamentos da família, como o Parque São Pedro, foram criados na sociedade dos irmãos Duílio e Servilio De Faveri, responsáveis pelos serviços de terraplanagem e vendas. 

Antes dos loteamentos e divisão das terras, arduamente com os irmãos e pais, trabalhou desde criança nas lavouras da família. Sempre plantando e colhendo, algodão, laranja, cereais para a beneficiadora de arroz e milho da família, e cortando muita cana-de- -açúcar, sobretudo para as produções de água ardente, a famosa pinga dos alambiques do “Pedro Faveri”. As produções eram intensas e prestigiadas nacionalmente, fornecendo toneladas de pinga para as empresas Tatuzinho e 3 Fazendas, entre as mais importantes marcas da época.

 A paixão pela música foi uma consequência das constantes festividades da família, como dizia a italianada cosmopolense, sempre “coalhadas de gente, comida e arrasta-pé”. 


REI DA SANFONA E ALEGRIA

Anos 1940 - Trio Juquita, Gauchinho (Duílio De Faveri) e Tininho

 Aos nove anos de idade, um franzino menino, ganhou do pai sua primeira sanfona. Mal conseguia segurar o pesado instrumento, foi aprendendo ouvindo os velhos sanfoneiros da região, sendo seu primeiro professor o acordeonista Chico Bedin, conhecido “Chico Celeiro”. 

Com 16 anos de idade, já era considerado um dos maiores talentos da região, acompanhando duplas, realizando apresentações em casamentos, batizados e grandes eventos. Sua notoriedade no instrumento crescia com as apresentações, formando seus próprios conjuntos de bailes, como a “Bandinha do Duílio”.

 “Os palcos, naquela época, eram as mesas de jantar das famílias, mas daquelas de madeira maciça, para aguentar o sanfoneiro e sua sanfona. Quando não trepavam na mesa os violeiros, tudo para garantir a sonoridade na altura, já que não tínhamos, e nem existia, caixas ou cornetas de som. Fiz muito baile assim, eram os melhores, como os mais animados. 

Muitas vezes, o pagamento era comer nas fartas ceias de casamento, demorou para ganhar uns cobre. Mas não reclamo, tenho é muita saudade. A minha sanfona pesava mais de 30 quilos, por isso, a técnica não é somente em tocar, mas envolve postura e manuseio, para continuar firme até o fim do fandango, garantido o limpa banco. 

O acordeom, harmônica como dizem no sul e Argentina, concertina na Itália, a sanfona como falamos em São Paulo, é considerado uma pequena orquestra. Somente é um grande sanfoneiro, quando você é o maestro desta orquestra, regida e tocada, por uma pessoa só” (...), declarou Duílio de Fáveri, ao programa Rancho da Saudade, transmitido na Rádio Cabocla FM, em 1999. 

1969 - Famoso Conjunto da Saudade, em destaque na foto estão:  Flávio Taboga, Guilherme Hasse, Nego, Duílio De Faveri e Godói


Com suas bandas, trios e intervenções musicais, marcou diversas épocas e gerações cosmopolenses. Como esquecer dos bloquinhos carnavalescos do Duílio, inúmeros, formado pelas crianças da numerosa família De Faveri e amigos. Sempre festivo e carismático, inventou o “trenzinho do Duílio”, criado usando um trator e vagões adaptados para levar a criançada.

 Era a sensação nas ruas de Cosmópolis, recebendo convites de toda região para desfilar. Uma versão anterior das atuais carretas e trenzinhos, animada ao som da “Bandinha do Duílio”, com sua inconfundível sanfona e cantores. Os bloquinhos infantis, charangas e bandas do Duílio, eram as apresentações mais esperadas nos desfiles cívicos e celebrações do aniversário de Cosmópolis, sendo uma das principais atrações dos eventos municipais. 

1970 -Festa junina do Cosmopolitano, em destaque na foto começando da esquerda:  Bento Cabrino, Hugo Taboga, Toninho e Duílio De Faveri

Não esquecendo das festividades juninas e carnavais cosmopolenses, sempre figura marcante nos bailes do Cosmopolitano Futebol Clube, salão de festas da “Escola Alemã”, Usina Ester, como nas comemorações da Avenida Ester, animando as festas livres populares. Foi um dos idealizadores da nova Sociedade Beneficente do Mútuo Socorro, recriando o histórico prédio de saúde para eventos festivos, surgindo a “Sociedade Recreativa e Dançante Veteranos de Cosmópolis”. O amor pela música dividia espaço com o Palmeiras, seu time de coração, mas também foi entusiasta do futebol municipal. Ao lado do irmão Dionísio De Faveri, defendeu vários times cosmopolenses, atuando como goleiro nos campeonatos regionais. 

1955 - Duílio e o bloquinho infantil "Me dá um dinheiro haí", formado por alunos do Grupo Escolar Rodrigo


No início dos anos 2000, criou o famoso “Pesqueiro e Bailão do Duílio”, um dos maiores espaços de entretenimento da cidade, com 18 mil metros quadros de área. Foi uma majestade no instrumento e empreendedorismo, como na humildade. Exemplo máximo de um legítimo cosmopolense, apaixonado por sua terra, sobretudo a família e amigos. 


Descanse em paz velho sanfoneiro, vá com Deus, animar a grande orquestra celestial. O baile agora será realmente da saudade, mas sempre com muito orgulho deste “Rei cosmopolense da sanfona”. 


Texto Adriano da Rocha 
Fotos acervos família De Faveri e Grupo Filhos da Terra

Matéria publicada na edição impressa do jornal  "O Cromo"

domingo, 9 de agosto de 2020

Aos papais e filhos!!

   O pai e os filhos, Davi Baccarin, Daniel Filho e Neuza. Na soleira das velhas casas da Usina Ester, contava-se , ouvia-se, via-se, muitas histórias. Para os pais e filhos, recordarem destes momentos únicos.

Na simplicidade, o pai tomando café com os filhos. A maior riqueza de um colono, seus filhos, sua família. Como não reparar na mesa, com o bulé "lumiando" de "ariado". Caprichos da mamãe, usando sabão de cinza. Orgulhoso, o pai mistura o café, enquanto os filhos saboreiam um pão "chochado" no café.

Vai da sua preferência, pode ser "tochado" e "xuxado" também. Fica gostoso do mesmo jeito. Mas, coma pelas "verada", para saborear cada "pedacico".




Foto acervo Izabel Gagliardi

Ano(?) -Colônia Botafogo (?)

Texto Adriano da Rocha


#acervo13anos #esteragroindústrial #usinaester #cosmópolis #diadospais #AcervoCosmopolense

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

#TBT- AINDA ONTEM EM COSMÓPOLIS

 🎵É devagar, é devagar, é devagarinho🎶, só o tempo que não passa devagar

Sábado, dia 05/09/1975, há exatos 45 anos em Cosmópolis

 Bastidores do show baile realizado na A.D.M da Usina Ester, com a participação especial do cantor Martinho da Vila. Um dos inesquecíveis eventos realizados na Usina Ester, marcante para muitos da época, atraindo fãs de várias cidades da região.

Na foto, registrada na diretoria da A.D.M, estão da direita para esquerda: Tide Aranha, Alice Aranha, Martinho da Vila, Antônio Benedito de Souza (Negreira), Silvandira Toselli Pedrazzoli, Julieta Carone Trevenzoll , Silena de Souza e Antonio Alberto Stucki.

Vencedor de importantes festivais musicais da televisão, como o Festival Record, Martinho da Vila estava no auge do sucesso. Consagrado nacionalmente com inúmeros sucessos, destacando naquele ano de 1975, o samba “Canta canta minha gente”.

🎵Canta canta, minha gente, deixa a tristeza pra lá. Canta forte, canta alto, que a vida vai melhorar. Que a vida vai melhorar 🎶

Cantar, sempre um estimulo para esquecer as tristezas da vida, sobretudo, nos atuais tempos de pandemia mundial.

Texto Adriano da Rocha

Foto acervo Grupo Filhos da Terra


#Acervo13ano #TBT #Memória #MartinhodaVila #UsinaEster #EsterAgroindústrial #Cosmópolis #Samba #AcervoCosmopolense

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

MEMÓRIA ESPORTIVA ⚽️


Atenção respeitosa torcida dos pés de canas, é bota, é bota, é Botafogo no campo!!!


1938- Seleção do "Botafogo Futebol Clube" , nos primórdios do popular time usineiro , formado por moradores da extinta Colônia do Bota Fogo.


Quem serão estes coloninhos bons de bola?




 As paredes de tijolos à vista, assentados no barro, marcam o cenário da foto. Marcantes nos projetos das casas do complexo colonial da Fazenda Usina Ester. Será uma casa da Colônia Bota Fogo?

Repare nos uniformes, possivelmente, confeccionados usando sacos de algodão do açúcar Ester. Algodão grosso, traçado firme e puro, muito usado em vestimentas, roupas de cama, e até na confecção de colchões.


Não desmerecendo os colchões "ringidores"de palha, mas a preferência eram os enchidos de painas. Ficando ainda mais maciosos, sendo das inúmeras paineiras da Usina.


Para realçar os dribles no campo, "diferenciar" dos outros jogadores, meião preto até os joelhos.

Alguns jogadores mais caprichosos, para não estragar o penteado, com proteções de "redinhas" nos cabelos.


Um dia o "Foot ball" com os amigos, mas no domingo, "Footing" nos jardins, Avenida Esther e Largo da Matriz de Santa Gertrudes.


Preservar o penteado é essencial para impressionar as lindas cosmopolenses. E passa Brilhantina ou Trim, que fica até "alumiando"!!


Goleiro usa rendinhas nos cabelos, destacando-se pelo uniforme impecavelmente "clarado", até cândido de branco. Mostrando o capricho e zelo com suas roupas, sobretudo nos tempos das estradas e ruas de terra vermelha, ou "rossa", como dizia a italianada.


Com certeza, branqueado por horas de esfrega esfrega e clareada nas predarias do Jaguari.

Detalhe para o jovem mascote do Botafogo, orgulhoso segurando a pesada bola de couro. Quem será o menino?


Foto colorizada acervo Grupo Filhos da Terra
Texto Adriano da Rocha

#Acervo13anos #MemóriaEsportiva #Cosmópolis #UsinaEster #EsterAgroindustrial #AcervoCosmopolense

sábado, 1 de agosto de 2020

100 ANOS DE IDADE, EXALTADOS COM MUITA LUCIDEZ E MEMÓRIAS PARA CONTAR

CENTENÁRIO

 Memória viva, extremante lúcida e detalhista, testemunha e personagem de inúmeras histórias cosmopolenses, especialmente da velha Usina Ester. Neste dia 01 de agosto, completa exatos 100 anos de idade, Arfeu Tergulino, nosso altivo entrevistado.


Arfeu Tergulino, memória viva e lucida da nossa história 


Seguindo todas as normas de proteção, máscaras, distanciamento e muito álcool em gel, visitamos o estimado centenário. Residente desde 1967, em uma das primeiras casas do bairro Bela Vista, região loteada pela Usina Ester, beneficiando os antigos funcionários do grupo agrícola.


A casa, localizada na aprazível Rua Eurides de Godoy, conserva toda sua arquitetura original, típica nos lares paulistas do anos 1960. Uma das várias casas edificadas pelo construtor Arno Blecha, entre os mais conceituados da época, responsável por centenas de obras em Cosmópolis, Artur Nogueira e Paulínia.


Impressiona os cuidados com a cinquentenária casa, resguardando intactos os peculiares portões baixos de ferro, gradil de vidros na garagem e varanda, revestimentos de pedras na fachada, azulejos e “pisinhos” cerâmicos, assentados em diversos tons pelos chãos e paredes.


Como não notar os tradicionais caquinhos paulistas, um dos maiores símbolos arquitetônicos do Estado, destacando com seu marcante tom vermelho em mosaicos pelos chãos, extremamente conservados pelos jardins e acessos à casa.


Nos guardados de Arfeu, estão os contratos de construção da casa, como os recebidos de pagamento do terreno.


Um dos loteamentos idealizados pelo saudoso “Guilhermino” Nogueira, entre os mais queridos diretores da Usina Ester.
Antes da chegada na “Villa”, Arfeu residia com a esposa e filhos na extinta Colônia Pinheiro, onde iniciou sua família em 1944.


Com a saudosa Júlia Fabri Tergulino, notória “campeã dos cortes de cana”, formou uma família de três filhos, Maria Madalena, Terezinha e Orlando (Tiquinho), responsáveis pela geração de cinco netos e cinco bisnetos.


FILHO DE ITALIANOS

1945 - Arfeu aos 25 anos de idade - Photo Studio Hasse - Cosmópolis

Arfeu Tergulino é um dos 11 filhos dos imigrantes italianos Conrado e Maria Ângela Dresde Tergulino, vindos para a região em 1900. O casal se conheceu em um gigantesco navio a vapor, entre centenas de imigrantes europeus, surgindo o namoro nos meses de viagem para o Brasil.


Os imigrantes fixavam moradia na pequena Vila José Paulino, atual cidade de Paulínia, residindo nas proximidades da Igreja de São Bento. Anexo com a casa da família, localizada na Rua do Comércio (Avenida José Paulino), Conrado prestava serviços de marcenaria e carpintaria, com especialidades em entalhes e marchetaria. Nesta localidade nascia Arfeu e os irmãos, sendo três homens e oito mulheres.


“Meu pai faleceu cedo, vitimado de um câncer na garganta, sofreu muito. Éramos todos crianças, eu tinha sete anos de idade, e naquele tempo, Paulínia não oferecia nada de trabalho, sem condições de continuarmos lá. Vivíamos de fubá, a única comida era polenta, nada mais.


Na construção do antigo “Sobrado” dos Nogueiras, entre outras obras, meu pai foi um dos carpinteiros contratados. A maioria dos trabalhadores eram italianos e descendentes, surgindo muitos amigos na Usina Ester, facilitando nossa vinda.


Cosmópolis sobrava serviços, faltando até mão de obra, era um colosso o progresso aqui. Então, uns irmãos seguiram na frente, arrumando emprego na Usina, e fomos seguindo atrás depois. Todos crianças, todos muito trabalhadores” (...).


Em 1928, os Tergulinos vendiam tudo em Paulínia, mudando-se para a Colônia Jaguari, trabalhando todos na Fazenda Usina Ester. Arfeu tinha oito anos de idade, residindo há 92 anos em Cosmópolis.


“A Usina Ester era como uma mãe, acolhedora, fraterna aos colaboradores, recebendo trabalhadores vindos de todos os lugares. Você cortava cana ouvindo as “prosa embrulhada” em italiano, alemão, russo, e até inglês, tinha uns vindos da Inglaterra nas colônias.

Mesmo assim, todos entendiam-se quando o assunto era trabalhar. O mesmo acontecia na Vila, em cada comércio um imigrante diferente, fazendo nova vida aqui, construindo Cosmópolis.

Cosmópolis era como ouvíamos falar, uma “Nova Campinas”, pequena, mas com um progresso gigante. Ficávamos fascinados quando chegávamos na Villa, tinha de tudo mesmo, comércio forte, e o povo muito unido” (...).


MEMÓRIA USINEIRA

1949 -  Usina Ester e parte do complexo colonial - Foto acervo E.N.F.A

Unicamente na Usina Ester, Arfeu trabalhou mais de 50 anos, iniciando aos 12 anos de idade nos serviços braçais canavieiros, corte e limpeza de terrenos.


Ainda adolescente, começou a desempenhar sua mais conhecida profissão, o ofício de motorista. Exercida interruptamente, até os 93 anos de idade.


O motivo da aposentadoria, um violento assalto na região do Itapavussu, desanimando o habilidoso motorista com 7 3 anos de volante.


O início foi como tratorista do Grupo Agrícola Ester, um dos primeiros à dirigir os modernos tratores John Deere, ainda importados. Arfeu realiza serviços em todas as fazendas da família Nogueira, arando terras na São Quirino, Anhumas, Tabajara, e toda extensão da Usina Ester.


Arfeu relembra orgulhoso sobre as visitas dos proprietários nas terras, como Paulo de Almeida Nogueira, que gostava de admirar sua destreza nos serviços com tratores.


Com sua habilidade nos tratores e máquinas agrícolas, tornou-se requisitado profissional do inovador guindaste de cana (até então, o carregamento era totalmente manual), o qual, foi um dos responsáveis pelo transporte do porto de Santos à Cosmópolis.


CHOFER DE CONFIANÇA

1946 -  Arfeu transportando colonos para um baile em Cosmópolis

No fim dos anos 1940, era escolhido como chofer da família Nogueira, ficando reconhecido pela extrema confiança dos usineiros. Arfeu ficava à disposição da família, diretores e altos cargos do grupo, fazendo constante viagens buscando e levando passageiros.


Os destinos não eram somente à Usina Ester e São Quirino, muitas vezes as viagens para eventos sociais, reuniões políticas, empresarias, e grandes bailes no Jockey Clube de Campinas.


“Trabalhei como chofer para todos os Paulos da família Nogueira, percursores da Usina Ester. Paulo de Almeida Nogueira, esposo da dona Esther, os filhos, netos e bisnetos.

Em especial o Paulo Filho, famoso político paulista e empresário, e seus filhos José Bonifácio e Paulo Netto. Transportei até o governador Carvalho Pinto, entre outros políticos, nas visitas à Usina, e períodos eleitorais na região” (...).


TURMEIRO E CAMINHONEIRO
Quando não exercia os serviços de chofer aos Nogueiras, realizava os transportes das turmas canavieiras, marcando época neste setor. Com os caminhões da Usina, adaptados para o transporte de trabalhadores, percorria as colônias distantes, levando e entregando funcionários.


O mesmo caminhão, acostumado com as lidas nos canaviais, era lavado com muito esmero nos fins de semanas, transporte a “colonada” para os bailes na região.


Como poucos na empresa, conhecia as velhas estradas paulistas, ficando muitas vezes responsável pelas entregas do famoso “Açúcar Ester” na grande São Paulo. Arfeu realizada as entregas aos grandes distribuidores, como redes de restaurantes, padarias e mercados.


No fim dos anos 1960, aposentava-se dos trabalhos na Usina Ester, porém, continuava com a profissão de motorista, trabalhando como “chofer de praça” (taxista), no ponto da “Praça do Coreto”. No ponto dos jardins, como era conhecido, permaneceu por 25 anos.


GUERRA E REVOLUÇÃO

1944- Soldado Arfeu aos 24 anos de idade, representando Cosmópolis  na defesa nacional
1944- Soldado Arfeu aos 24 anos de idade, representando Cosmópolis  na defesa nacional

No período da Segunda Grande Guerra Mundial, fim dos anos 1930 até 1945, era escolhido para representar Cosmópolis na defesa nacional.


No período da guerra, o serviço militar era obrigatório aos homens com mais de 18 anos de idade, sendo de extrema importância naquele período. As seleções eram feitas pelo Exército brasileiro, que destinava os novos soldados para todas suas aéreas.


Arrimo de família, recém casado aos 24 anos de idade, prestou serviços militares no Estado, não embarcando para as lutas armadas na Europa.


Arfeu protegia as terras brasileiras de possíveis invasões nazistas, junto com milhares de jovens da região, permanecendo seis meses como soldado.


O fim do período, então indeterminado, era o fim da guerra com a rendição dos nazistas e fascista.

Sobre a Revolução Constitucionalista de 1932, revolta paulista contra o Ditador Getúlio Vargas, exigindo um nova constituição, suas memórias relembram a intensa movimentação na região. O Sobrado dos Nogueiras foi um dos quartéis generais da revolução, entre os principais do Estado, reunindo altas patentes e soldados.


Arfeu tinha 12 anos de idade, ainda residindo na Vila José Paulino. Deste período, cerca de quatro intensos meses, recorda a passagem das tropas paulistas seguindo para Cosmópolis e região, passando por dentro de Paulínia.


“Não sabíamos ao certo de nada, era muito criança, o entendimento só aconteceu quando adulto. As mídias eram censuradas, o Getúlio inventava muita mentira, confundindo a população contra São Paulo.

Aqueles jovens soldados, entregando suas vidas por São Paulo, lutavam pela liberdade, autonomia e direitos do povo’ (...).


Arfeu nunca frequentou uma escola, sua motivação era somente os trabalhos para o sustento da numerosa família. Como disse, aprendeu o básico para enfrentar o mundo dignamente, escrever o nome, ler e fazer contas. Ensinamentos compartilhados pelos saudosos amigos Frederico Decreci e Davi Sala.


Mesmo sem estudos acadêmicos, diplomas e certificações, Arfeu é um mestre único, bacharel nas ciências da vida. Um professor com cem anos de escola da vida, sem dúvida, entre os mais importantes a lecionar em Cosmópolis.





Existe um segredo para longevidade, especialmente, com a mente lúcida? Perguntei ao prezado centenário, que respondeu com o toda sua serenidade.


“Não existe segredo, porém, é para poucos. É ser uma pessoa de caráter, honesta e direita com todos. Quem é assim, vive mais, por não ter a preocupação em carregar na sua consciência, os erros cometidos aos outros”.


Texto e fotos Adriano da Rocha


01/09/2010 - Arfeu rodeado dos netos e bisnetos celebrando os 100 anos de idade 


Matéria impressa no jornal “O Cromo”, edição deste sábado(01). Distribuição gratuita em Cosmópolis e Paulínia.


Matéria publicada na edição especial do "Dia dos Pais", sexta-feira (07)  no jornal impresso e site da "Gazeta de Cosmópolis".


quinta-feira, 30 de julho de 2020

MEMÓRIA ESPORTIVA ⚽️


"Pé de cana", com muito orgulho, e pés de bola !!!




 1952- Seleção da Usina Ester, "esquadrão dos canaviais", campeões da disputadíssima Zona Funilense.

ADM Usina Ester , em pé: Nelsi Salmistraro, Daniel Ignácio (Neco), Pierin Zanetti, Antônio Grassi, Robertinho Queiroz (goleiro) , Arlindão Ignácio, Mário Sperindioni e Luizão Furlanetto ( treinador).

Agachados: Zé Ferreira, Ermírio Pedro, Ezequiel Zerbinatti, Ari Peres e Fê-lo.


Foto Acervo Grupo Filhos da Terra

 Texto e colorização Adriano da Rocha


Agradecimentos Valber Kowalesky e Rui Moraes, responsáveis pela identificação dos craques cosmopolenses


#Acervo13anos #MemóriaEsportiva #UsinaEster #Funilense #Cosmópolis #AcervoCosmopolense

"CASA REDONDA"


2011 - #TBT – Ainda ontem em Cosmópolis...

 Demolição da icônica “Casa Redonda”, então localizada por mais de 100 anos na Rua João Aranha, em frente à ‘’ Praça dos Estudantes”, popular "Praça do Relógio do Sol". As imagens são de 18 outubro de 2011, há 8 anos passados.


Mesmo extinta, sobrando somente os portões de ferro forjado como resquícios, a “Casa Redonda” ainda é marcante nas memórias de incontáveis gerações.


HISTÓRIA

A edificação foi construída no início dos anos 1900, obras encomendadas por um conceituado químico suíço, então contratado pela Usina Ester. O projeto era único, extremamente inovador aos padrões da época, sobretudo para a pequena Villa de Cosmópolis, que surgia nas imediações da Estação Funilense.


As obras de construção foram feitas pelo construtor João Pulz e encarregados, seguindo o projeto encomendado pelo proprietário, autorizado pela prefeitura de Campinas. O imigrante germânico João Pulz, um dos primeiros moradores do Núcleo Colonial Campos Salles, possuía uma grande olaria nas imediações da Estação, localizada no atual “Bosquinho”.


Os enormes tijolos com as iniciais J.P (João Pulz), madeiramentos para os telhados, portas e assoalhos, vindos das matas cosmopolenses, foram os únicos materiais obtidos na região.


O restante dos materiais foram importados da Europa, como cimento da Inglaterra, enviado em enormes barricas, vidros bisotes e telhas da França, mármores italianos, azulejos e cerâmicas portuguesas.


A localização era privilegiada, em frente à Estação e principais vias de Cosmópolis, valorizando ainda mais a edificação. O casarão abrigaria o químico e sua esposa, recém casados, sendo a obra, o símbolo da nova vida no Brasil.


Desentendimentos entre o casal, supostamente ciúmes, mudavam a história da edificação, vendida anos depois da mudança.


Até sua demolição em 2011, a “Casa Redonda” passou por diversas modificações, como diminuição do terreno, adequações para construir prédios comerciais anexos, trocas das telhas importadas, pisos e vidros.


Entre seus principais proprietários estão as famílias Hergert, André Madsen, Virgílio Scorsoni e irmãos, e Barreto.


PEDAÇOS DO PASSADO

Com a demolição em 2011, realizada em etapas nos meses de setembro e outubro, os proprietários venderam partes dos materiais estruturais. Entre tijolos, telhas, madeiramentos e objetos estruturais, muitos materiais foram reaproveitados.


As icônicas janelas que marcavam a fachada, portas, balaústres, ferragens e madeiramentos, foram adquiridos pela empresária Vânia Sala, compondo partes do Espaço Guaiçara.


Neste mesmo espaço de festas e eventos, foram reaproveitados tijolos e madeiramentos das extintas colônias da Usina Ester, antigas lojas da Avenida Ester, e prédios históricos de Cosmópolis.


São pedaços do passado, sobretudo da história cosmopolense, ainda preservados no presente.


Texto e fotos Adriano da Rocha


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domingo, 26 de julho de 2020

Aos vovôs e imigrantes alemães

 Ontem, sábado (25), “dia do imigrante alemão”, neste domingo (26), “dia dos avôs”. Na construção da nossa história nacional e vidas, os imigrantes alemães e avôs, são imprescindíveis personagens.


Imigrantes responsáveis pelos desbravamentos de inúmeros setores da história brasileira, sobretudo cosmopolense. Avôs que são bases e exemplos, os edificadores de seres humanos para o mundo.


OLHAR NA FOTO
No registro fotográfico de 1932, com exatos 88 anos de história, nossas memórias e homenagens as duas datas.Em destaque, uma das primeiras famílias de imigrantes alemães do estado de São Paulo, com mais de 150 anos de histórias em Cosmópolis e região.


A foto, registra um encontro na casa dos avôs, uma propriedade rural dos primórdios coloniais germânicos, localizada entre os atuais municípios de Artur Nogueira e Cosmópolis.


Era o famoso sítio São João das Palmeiras, marco na história de gerações do velho “Henrich barbudo”, como carinhosamente era conhecido, reduto da prole de filhos, netos, bisnetos e tataranetos, umas das maiores famílias alemães da região.


É visível na foto, como não atrair os olhares, a felicidade em estar na casa do vovô.


Na foto estão, esquerda para direita, Henrique Steckelberg ( o avô de barbas longas), Mina Kowalesky (dona Mina parteira), Margarida Kowalesky, Betty Steckelberg (neta), e Arthur Steckelberg.


Pioneiro imigrante 🇩🇪
Henrique Steckelberg, com sua marcante barba, foi um importante personagem na estruturação das colônias alemães na região, sendo atuante, em todas as comunidades germânicas.


Participou da criação de todas as bases sociais do Núcleo Colonial Campos Salles, um dos fundadores e construtores da extinta escola alemã (Deutsche Eiche ), salão de bailes (patrimônio histórico cosmopolense), igreja luterana, entre outras importantes redutos da comunidade.


Figura ativa na comunidade germânica, foi mestre musical, professor de alemão, e chefe de ofícios.

Era muito querido entre as crianças, sendo lembrado como “Papai Noel alemão”. Os motivos, não era somente a longa barba branca e fisionomia, mas sim, por
vestir-se anualmente de “Papai Noel”.


Um meio de manter vivas as tradições natalinas alemães na comunidade, marcando época em Cosmópolis. Sempre visionário e empreendedor, produzia cervejas e cachaças, considerado um dos percursores deste setor em Cosmópolis.


📸 Foto colorizada, com base em original do acervo da família Steckelberg

Texto Adriano da Rocha


Confira a história da família Steckelberg no livro digital escrito por Jose Henrique Steckelberg Filho , um dos muitos descendentes do Henrich, o alemão de coração brasileiro.


https://drive.google.com/…/1mTwQC74isKUnpRu0cneaWoxKk…/view…

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