domingo, 2 de outubro de 2016

COSMÓPOLIS ELEIÇÕES 2016


Com 100% das urnas apuradas, José Pivatto é eleito com 36,78% o novo prefeito de Cosmópolis. No total 11389 votos elegeram José Pivatto como prefeito. Na sequencia estão: Junior Felisbino 28,31 (8766 votos), Dr. Mauricio 17,93% (5551 votos), Dr. Zé Paulo 13,07% (4046 votos), Bobó Baiano da Oficina 2,10% (650 votos), Henrique Barrozo 1,82% (564 votos).

Os vereadores eleitos em Cosmópolis são:


Hiroshi (PT)= 906 votos - ELEITO

Zézinho da Farmácia (PV) = 879 votos ELEITO

Elcio Amancio da Farmacia (PMDB)= 726 votosREELEITO
André da MaqFran (PRB)= 639 votos ELEITO
5º Dr. Eugênio (PP) = 589 votos- ELEITO
6º Eliane Lacerda (PV)= 585 votosREELEITA
7º Mestre Aldenis Mateus (PMDB)= 573 VOTOSELEITO
8º Professora Cristiane Paes (PT) = 534 votosELEITA
Renato da Farmacia (PTN)= 507 votosELEITO
10º Radialista Edson Leite (PSDB) = 447 votosELEITO
11º Rafael Piaui = 371 votos (PT)= ELEITO
12º Renato Trevenzolli (PSDB)= 334 votos= ELEITO
Dois vereadores da atual administração foram reeleitos, Élcio Amancio e Eliane Lacerda.Sendo 9 vereadores de primeiro mandato, e Renato Trevenzolli reeleito novamente.

Fonte TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

sábado, 3 de setembro de 2016

VIº FESTA ALEMÃ ENTRE AMIGOS

Fotos Bruna Genaro


   Muito chopp, chucrutes, wurst, eisbein, doces e muitas outras comidas típicas aguardam você na “VIº Festa Alemã entre amigos”. O evento comemora os 119 anos da imigração alemã em Cosmópolis e, os 86 anos de fundação do salão de festas da Escola Alemã. A festa tem início neste sábado(3) às 19 horas, com a abertura do salão para o baile e venda de comidas e bebidas.
  As “mütter”, as mães alemães da festa, comercializam nos dois dias do evento a salada de kartoffel (uma gostosa mistura de legumes, ovos e batatas amassadas com ervas), chucrute (salada de repolho) e o famoso Wurst, o salsichão alemão. A mesa de doces está entre as mais concorridas, com diversos doces típicos, em destaque o apfelstrudel, doce austríaco de maça com massa folheada. Na aérea externa (coberta) várias opções de espetinhos de churrasco e bebidas.
  No domingo a festa continua às 12 horas com o tradicional almoço alemão, onde é vendido o eisbein (joelho de porco), prato principal da festa. O Eisbein é servido com a Wurst (Salsicha vermelha e branca), Sauerkraut (chucrutes), Kartoffel (Batatas), Senf (mostarda), pepino e pão preto. A receita e preparo do eisbein, é a mesma dos primeiros colonos alemães que chegaram a Cosmópolis no fim do século 19.

   A animação musical da festa é feita pela dupla Sandro Romig e Wilson Haffeman, vindos da cidade de Pomerode, Santa Catarina. No repertório músicas folclóricas alemães, cantadas no dialeto Plattdütsch e, sucessos caipiras e atuais interpretados ao som da inconfundível concertina germânica. No domingo haverá apresentação especial de danças alemães com o grupo Tranzgruppe Friedburg, da cidade de Indaiatuba.

   
Waldemar Fernandes (Tota) e Alcides Rolfsen, presidente e diretor da A.A.E.A
   O evento é organizado pelo A.A.E.A (Associação dos Amigos da Escola Alemã), grupo criado em 2008, para preservar uma das últimas edificações existentes do início da imigração germânica em Cosmópolis. O salão desde o início dos anos 2000 pertencente ao patrimônio público municipal.

  Não é apenas um resgate histórico, mas sim, um regaste de amigos, preservando nossas raízes e o maior patrimônio da nossa cidade: o povo cosmopolense. P.A.R.T.I.C.I.P.E.

   Mais informações sobre o histórico salão você confere na edição desta semana da ‘Folha de Cosmópolis’, página especial do Jornal de Paulínia. O jornal está disponível gratuitamente em 60 pontos de Paulínia e 36 pontos de Cosmópolis. Adquira já o seu exemplar.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

FOLHA DE COSMÓPOLIS É DESTAQUE EM PAULÍNIA


    A cidade de Cosmópolis agora é destaque em um dos jornais de maior credibilidade da região metropolitana, o Jornal de Paulínia. Com 49 anos de história jornalística, o Jornal de Paulínia, antigo semanário Jornal ACP (Abreviação de Artur Nogueira, Cosmópolis e Paulínia, um dos primeiros jornais regionais do Estado), volta a ter uma página exclusiva ao município, a “Folha de Cosmópolis”. O projeto inicialmente criado em 1967, traz nesta segunda edição da página, uma nova voz escrita para o povo cosmopolense, com um olhar apartidário e fiel aos acontecimentos.
  Semanalmente além de o leitor conferir as principais notícias que foram destaque em Paulínia e na região metropolitana, você poderá conferir as principais notícias de Cosmópolis.

  Na “Folha de Cosmópolis”, entre os principais destaques, você irá ler imperdíveis matérias históricas, verdadeiros resgates culturais da nossa cidade. Matérias exclusivas, “contadas” de um jeito que vocês amigos do Facebook, já conhecem a mais de 16 anos pelas páginas e blogs do Acervo Cosmopolense.

  A edição desta sexta-feira, dia 22 de julho, o Jornal de Paulínia traz na “Folha de Cosmópolis”, a história do “Doutor das Sanfonas”, o cosmopolense José Vakula. Um dos raros luthiers de sanfonas do estado de São Paulo, requisitado por sanfoneiros de todo o Brasil. Com mais de 50 anos dedicados a trazer vida a este incrível e complexo instrumento, Zé Vakula é referência no Estado no conserto e afinação de sanfonas.

  Você confere também, uma entrevista com a ganhadora do concurso “Pontos e Memória”, organizado pela Secretaria de Cultura de Cosmópolis; e sobre as inscrições para as novas oficinas culturais neste segundo semestre. Vale a pena conferir.

  O Jornal de Paulínia, com a página “Folha de Cosmópolis”, está disponível gratuitamente em mais de 80 pontos de Paulínia, e inicialmente 1.000 exemplares são distribuídos em 30 novos pontos em Cosmópolis. Adquira já o seu exemplar GRATUITAMENTE.

terça-feira, 28 de junho de 2016

LUTO COSMOPOLENSE


 Depois de meses de luta contra o câncer, faleceu aos 64 anos de idade, no fim da tarde desta terça-feira (28), Celso Bueno de Oliveira, o querido Celso da Lanchonete Ponto de Encontro. Celso foi internado às pressas na Santa Casa de Limeira, mesmo com todos os procedimentos de emergência, não resistiu, falecendo por volta das 17h30.
  O sepultamento  será às 14h00 desta quarta-feira, dia 29 de junho, no Cemitério da Saudade. O corpo aguarda a presença dos amigos e familiares para última despedida no Velório Municipal.
  Referência na gastronima cosmopolense
 A história comercial da lanchonete Ponto de Encontro teve início na Rua 25 de Dezembro, próximo ao Hotel Vila Nova, antiga Lanchonete Rampazzo. Neste local, onde a área de alimentação possuía mesas de concreto e chão de cascalho fininho, a “Lanchonete Ponto de Encontro” funcionou durante poucos anos, mudando-se para a residência da família.
  Na própria casa, localizada na Rua Tiradentes, Celso começou uma nova fase, a qual teve inicio  em 1994.  O sonho de criar um ponto de encontro para reunir os amigos e exercer uma das suas paixões, a culinária, recomeçava em uma nova fase.


  Surgia então a nova  Lanchonete Ponto de Encontro, um modesto estabelecimento criado entre a garagem e o antigo jardim da sua residência. Ao longo de mais de 22 anos, o modesto local tornou-se uma referência na gastronomia cosmopolense, ampliando e modernizando as suas instalações, criando sua própria marca e história.

Lanche no prato, vitaminas e a famosa chuleta

 Quem não recorda do famoso lanche no prato criado pelo Celso, uma novidade em Cosmópolis, ou, a famosa pizza ponto de encontro servida em cubinhos!? Os lanches com frango desfiado, carne selecionada e molho especial, a chuleta, as porções e sobremesas, não esquecendo as vitaminas e sucos especiais. Referência na região, marcando época como o ponto de encontro da família cosmopolense.
Saudades dos amigos
Pessoa querida por todos, foi sempre atuante nos meios comerciais, sociais e religiosos; membro da ACICO (Associação Comercial e Industrial de Cosmópolis), conselheiro do Hospital Beneficente Santa Gertrudes, figura de destaque na Comunidade da Igreja Nossa Senhora Aparecida, sempre reconhecido pelo carisma e idoneidade.
Em nome do Grupo Filhos da Terras e amigos de Cosmópolis, os nossos sinceros sentimentos a família Bueno de Oliveira. Pedimos ao criador neste triste momento da despedida que traga o conforto e a misericórdia aos familiares. Grande Celso, vai com Deus estimado amigo. Os lanches e pizzas agora vai possuir um novo tempero: a saudade...
Foto Acervo familiar

segunda-feira, 27 de junho de 2016

LUTO COSMOPOLENSE



  Faleceu nesta segunda-feira, dia 27 de junho, aos 90 anos de idade, o último remanescente da primeira legislatura de Cosmópolis, o querido Leonel Rodrigues de Oliveira, popular Leonelzinho. Conhecida figura política e esportiva cosmopolense, admirado em todos os meios aos quais exerceu as funções públicas e administrativas. Leonel era aposentado como contador, função que exerceu durante mais de 40 anos na Cia Açucareira usina Esther.

  Seu corpo aguarda a presença de amigos e familiares no Velório do Cemitério Municipal da Saudade, onde será sepultado às 16h30. Leonel foi casado com Darcy Kroll de Oliveira, deixa filhos e netos. Nascido em 08 de Agosto de 1925, na famosa “Colônia do Ranchão”, uma das primeiras colônias da Fazenda Usina Esther, Leonel era filho de Armadão Rodrigues, lendário administrador da Colônia do Saltinho e responsável pelo “balanceio da cana”, uma gigantesca balança que registrava as toneladas de cana de açúcar cortadas pelos fornecedores da Usina.

  Continuando a história família Rodrigues de Oliveira, Leonel trabalhou a vida toda na Usina, assim como os quatro irmãos homens, exerceu durante mais de 40 anos os serviços contábeis da companhia açucareira, sendo o primeiro contador da Cooperativa dos funcionários, então inaugurada em 1944, demolida em 2015. Ao lado dos irmãos também trabalhou no importante escritório central da Usina Esther, localizado na então aérea nobre da capital bandeirante, esquina da Praça da República.

  A pedido do saudoso Guilherme Pompeu Nogueira, popular Guilherminho Nogueira, famoso diretor da Usina Esther, Leonel em 1946 disputou a primeira eleição direta da recém-emancipada cidade Cosmópolis. Eleito pelos votos da Usina Ester, assumiu o cargo em 1947, ao lado do primeiro prefeito eleito pelo voto, João Guilherme da Paz Hermann, popular “João da Dona América”.

  Nesta legislatura começou o famoso período da “cana e moenda”, onde até 1955, os prefeitos e vereadores eram eleitos pelos votos dos colonos da Usina Ester. O quadro mudou , quando José Garcia Rodrigues, Zé da Pegge, foi eleito pelos votos dos “Vileiros”, moradores da cidade e entornos rurais. No período da “cana e moenda”, disputavam as eleições funcionários escolhidos pela alta direção da Usina, eleitos pelos mais de 1.000 votos dos colonos.

  Na vida política, Leonel o “pequeno grande homem” (carinhoso apelido dado pelos amigos devido a sua baixa estatura, cerca de 1.50), foi um pioneiro nas legislações que esteve na vereança. Foi autor de vários projetos que beneficiaram o progresso habitacional de Cosmópolis, como a criação dos bairros e loteamentos da região da atual Praça do Rodrigo (atual Bela Vista, então pertencentes à Usina Esther) e Bairro da Sericultura (Região da Rodoviária e Escola Gepan), implantou no município os projetos campineiros como a planta popular, onde o projeto arquitetônico era único para as construções. Outro projeto que marcou época foi às construções utilizando meios tijolos, uma novidade para época.

  Nos esportes foi figura ativa dos clubes esportivos da Usina Esther, presidente, diretor, treinador, padrinho e até jardineiro, dos saudosos clubes do Bota Fogo, Carandina e Funilense. Em 1952, esteve a frente da importante conquista do Campeonato Amador Paulista, onde o Funilense Futebol Clube foi o campeão da importante disputa estadual.
Ao amigo que conheci nos tempos de rádio, quando recebi a doação de sua discoteca particular, fica a minha singela e sincera homenagem a este inesquecível filho da terra.

  O abraço fraterno nos familiares e amigos, pedindo a Deus que em sua infinita misericórdia conforte a todos neste triste momento da despedida.

Descanse em paz Leonelzinho, vai com Deus pequeno grande homem...
"Eu não tenho medo de morrer, tenho dó de perder o que o mundo tem de bom para me oferecer"

Palavras de Leonel Rodrigues, em entrevista concedida a jornalista Bruna Genaro, em 07/11/2012

Foto Mano Fromberg

domingo, 1 de maio de 2016

No dia consagrado aos trabalhadores...


   Os trabalhadores cosmopolenses "vivem" da esperança dos empregos em Paulínia. Sonhando com as promessas da eleição de 2012, onde o terreno da Urca seria transformado em um centro escolar profissionalizante.

A área industrial da Escola Alemã sairia do papel e receberia indústrias, fábricas e distribuidoras, um polo cosmopolenses de empregos.

  Hoje os mesmos políticos já ludibriam novamente os sonhadores trabalhadores cosmopolenses, prometendo até o que nunca poderão cumprir , como "obrigar" Paulínia a contratar até 70% de trabalhadores de Cosmópolis, exigir que o estado direcione indústrias para cidade...ué se podia , por que não fez antes?!Cada coisa heim...

  Pobre trabalhador cosmopolense, que amanhã acorda para realidade de madrugada, saindo exprimido nos velhos e lotados ônibus sentido Paulínia e outras cidades da região. Uns para trabalhar, outros milhares em busca de emprego, um futuro digno que na sua cidade não " existe".
  
  A única fábrica que surgiu da promessa , não contrata cosmopolenses por que aqui na cidade , falta qualificados para as vagas.

  Cuidado trabalhador , e sonhador desempregado, muito cuidado com as promessas em seu nome. Os políticos não estão lutando por você, e sim, para manterem-se empregados depois das eleições.

Adriano da Rocha

quinta-feira, 28 de abril de 2016

ADEUS PROFESSORA MARIAZINHA

Professora Maria Strazzacappa falece aos 97 anos 




Fotos Família Strazzacappa 


   “A primeira professora a gente nunca esquece”... Mas como esquecer alguém tão especial e importante para a história de Cosmópolis e várias gerações de cosmopolenses!? Quando tristemente recebi a notícia, essa foi minha reação, total indignação pela falta de respeito e interesse por nossa história. Os detentores da notícia esqueceram, ou, faltou espaço entre tantas matérias pagas e ocorrências, para lembrarem-se desta imensurável perca.

  Cosmópolis despediu-se no dia 8 de abril, uma triste manhã de sexta-feira, da sua eterna professorinha, Maria Aparecida de Toledo Strazzacappa, ou como era carinhosamente conhecida, Dona Mariazinha. Partiu para casa do Pai, aos 97 anos de idade, sendo seu corpo sepultado no Cemitério Municipal da Saudade, ao lado do esposo Orlando Strazzacappa. Dona Mariazinha e Orlando, tiveram seis filhos, Ana Maria, Marta, Cristina, Elizabeth, Luís (Neto) e Orlando (Filho). Dona Maria Strazzacappa foi professora em todos os sentidos da vida, sua paixão e o amor pelo magistério foram seu exemplo maior de vida, seguidos pelas filhas Ana Maria, Marta, Cristina, Elizabeth, professoras com muito orgulho, professando os mesmos passos da mãe, caminhado lado a lado com seus alunos, na estrada do conhecimento. Conhecidas em Cosmópolis, como "as professorinhas da Dona Maria".

Professora  Maria Strazzacappa rodeada das filhas, as professorinhas da Dona Maria.
Irmãos Strazzacappa.
   Maria Aparecida Rangel Toledo nasceu em 2 de março, em Cruzeiro, famosa cidade paulista do Vale do Paraíba, mudando-se ainda criança para a progressista Villa de Cosmópolis. A mudança da família Rangel Toledo, surgiu por um convite do Professor Felício Marmo, primeiro professor de Cosmópolis, responsável pela fundação da primeira Escola Público da Villa em 1905, inaugurada em uma pequena casa na Avenida Esther, existente até hoje, ao lado da Loja Seller. O convite, uma proposta de emprego para Dona Mariana Conceição Rangel Toledo, mãe de Dona Mariazinha, lecionar em um grupo escolar (reunião de várias escolas) que começava a ser construído na Rua Campos Salles, ao lado da Sub-prefeitura de Cosmópolis.

Dona Mariana Rangel (óculos), em um registro familiar no fim dos anos 50.


     Oficialmente em 1925, Dona Mariana Rangel e outros professores, inauguravam o “Grupo Escolar de Cosmópolis”, que na década de 40, foi então nomeado Grupo Escolar Rodrigo Octávio Langard de Menezes. Nesta primeira turma de alunos, Dona Mariana lecionou para sua filha, a pequena Maria Aparecida, então com 7 anos de idade. As aulas, naquele tempo, eram divididas em períodos, na parte da manhã os meninos, no período da tarde as meninas. Dona Mariana é considerada a primeira professora da “Escola do Rodrigo”, assim como a primeira professora contratada pela sub-prefeitura de Cosmópolis, distrito da cidade de Campinas.

  A jovem Maria Aparecida, ao terminar o ensino fundamental em 1928, mudou-se para Campinas, para então terminar os estudos e realizar seu maior sonho, ser professora como sua mãe. A menina ficava encantada com o magistério, a sala de aula, as palavras escritas com giz no velho quadro negro, os livros, os olhares deslumbrados dos pequeninos alunos, descobrindo o mundo através das aulas da sua mãe, tudo naquele mundo escolar lhe trazia fascinação.

Maria Aparecida Rangel de Toledo, registro de 1940, álbum dos formandos do "Instituto de Educação de Campinas".


   Em 1940, oficialmente a normalista tornava-se professora, diplomada pelo renomado “Instituto de Educação de Campinas”. Nas viagens entre os estudos em Campinas, e as visitas aos pais em Cosmópolis, Maria Aparecida conheceu o jovem Orlando Strazzacappa, filho do lendário fazendeiro Luiz Strazzacappa, dono de umas das terras mais produtivas de Cosmópolis, localizada onde hoje existem os bairros do Uirapuru, Saltinho e Quilombo. Em uma cerimonia reservada na velha Igreja Matriz de Santa Gertrudes, Maria Aparecida unia votos com Orlando, tornando-se então, Maria Aparecida de Toledo Strazzacappa.

   
 O casal Dona Maria Strazzacappa e Orlando Strazzacappa.

  
Luiz Strazzacappa.

    A vida era muito corrida, a rotina com os seis filhos e os demais alunos, os quais tratava como seus filhos, era extremamente cansativa, sempre ao seu lado, o esposo incentiva Maria em tudo. Enquanto Orlando tratava dos negócios da família, a esposa lecionava nas escolinhas rurais da região do Itapavussu, onde as aulas aconteciam durante dois dias da semana, sempre nas manhãs, e diariamente no período da tarde, no Grupo Escolar Rodrigo, lecionando durante anos, ao lado da mãe, Dona Mariana.

   Não podemos esquecer que Orlando Strazzacappa foi um dos emancipadores de Cosmópolis, lutando junto a outros idealistas, pela emancipação política e administrativa da cidade de Campinas. Um sonho que se tornou realidade em 30 de novembro de 1944; nesta data Cosmópolis deixava de ser Villa, para oficializar-se como município. Na primeira legislatura de Cosmópolis, onde foram empossados Moacir do Amaral e Caetano Achiles Avancini, primeiro prefeito e vice, Orlando Strazzacappa foi nomeado um dos primeiros vereadores do recém-criado município. Sendo eleito pelo voto novamente, na primeira eleição municipal, realizada em outubro de 1945.

Família Toledo Strazzacappa reunida, Dona Maria e Orlando, rodeados dos seis filhos.


   Cortando pelas centenárias estradas rurais de Cosmópolis, “lai vem à professorinha”. Com seu impecável vestido de linho branco, um lindo chapéu na cabeça, seguia Dona Maria em seu trolinho entre as lavouras. Cortava as “picadas” (nome paulista as estradas abertas por carros de bois nos tempos dos Bandeirantes) apressada, levantando a poeira vermelha das estradas do Uirapuru, Itapavussu, Saltinho, Nova Campinas e Fazenda Usina Ester. Lugares distantes, estradas até mesmo intransitáveis, mas com coragem e muito amor aos seus alunos, seguia Dona Maria.

   
   Uma professora dos livros e letras, uma professora da vida, conselheira e amiga dos seus filhos escolares. Depois de mais de 30 anos de ensinamentos, oficialmente aposentou-se, com todos os méritos e honras, na Escola do Rodrigo.Escola que viu nascer seus sonhos, onde sua mãe foi à primeira professora. Em vida recebeu uma eterna homenagem da prefeitura, com seu nome enaltecendo uma escola infantil no bairro Cidade Alta.

Dona Maria lecionando aulas de piano aos seus alunos.
2014...Dona Maria, então com 95 anos, interpretando em um teclado algumas notas.

    Pioneira como sua mãe Dona Mariana, a primeira professora da Escola Rodrigo, Dona Maria Strazzacappa, herdou o magnifico dom de ensinar, seguindo outro marco da família: ensinar música. Ainda criança apreendeu com mãe a tocar piano, acompanhando os vários alunos que Dona Mariana recebia em sua velha casa na Rua Antônio Carlos Nogueira, próxima a antiga “Companhia Paulista de Electricidade”.

  São tantas referências de uma história fascinante, um livro que muito bem poderia ser intitulado: “Eterno amor por Cosmópolis”.



   
  Na Igreja Matriz de Santa Gertrudes, Dona Maria foi responsável por uma das mais tradicionais festas cosmopolenses, a famosa e extinta “Festa de Santo Antônio”, realizada anualmente no Largo da Matriz. Dona Maria e outras dezenas de senhoras da comunidade, organizam durante todo o mês de maio, a celebração da festa no dia 12 de junho. As trezenas começavam no fim de maio. A festa foi no seu tempo, um dos maiores eventos da região, com barracas típicas, intenso leilão de prendas e gado, animado pelos saudosos leiloeiros Zuza Nallin e Sérgio Rampazzo.

Maria Strazzacappa., em um dos últimos registros familiares.


    Fica aqui nossa homenagem, pequena comparada com a grandeza de nossa querida professorinha. Em nome do povo cosmopolense, muito obrigado Dona Maria Strazzacappa. Descanso merecido a uma eterna guerreira, a filha que escolheu Cosmópolis como seu berço, orgulhando em todos os seus 97 anos a nossa cidade. Os sinceros sentimentos aos milhares de alunos, o abraço em cada familiar, a nossa eterna saudade. As glórias de Deus e de Cosmópolis a Dona Maria...

Fotos Família Strazzacappa 

terça-feira, 26 de abril de 2016

DOMINGUEIRAS FUTEBOLÍSTICAS

Texto e foto  Adriano da Rocha


  1959... Uma típica manhã de domingo em Cosmópolis. Arquibancadas cheias, repletas de famílias de torcedores, homens, mulheres e crianças, que, ao sair da missa na Igreja Matriz de Santa Gertrudes e, do culto na Igreja Luterana, tinham seu destino certo: O “Estádio Thelmo de Almeida”. Nos impecáveis gramados do “Alviverde Cosmopolense”, todos os domingos a tradição era seguida, os velhos portões de madeira, construídos com antigas dormentes da “Cia Funilense”, ringiam pontualmente às 9h00, um som estridente que parecia dizer: “Sejam bem vindos ao Cosmopolitano”.

   Nas Ruas Campinas e Moacir do Amaral, ainda de terra batida, ansiosos torcedores aguardavam o início da “peleja futebolística”. Fordinhos, impontes Chevrolet’s e Chrysler’s, dividiam espaço nas ruas de terra com charretes, carroças e troles. As calçadas possuíam um ponto para “apiar”, um estaca de madeira possuindo na ponta uma argola de aço, onde o condutor amarrava as rédeas dos animais . Somente o passeio público era cimentado, nas calçadas do Estádio ficavam as famílias, crianças, mocinhas e senhoritas. Do outro lado, nas calçadas do “Bar do Ibi e Dona Esmeralda”, concentravam-se os rapazes, em dezenas de Calois e Monarks de barra circular.

   As bicicletas sempre impecavelmente limpas, enfeitados com fitas e sinais refletivos inusitados destacavam os “paralamas”; item obrigatório para não sujar as roupas “claradas” com “Anil”, ou quem sabe, o vestido da linda cosmopolense sentada na “garupa”.

   O registro fotográfico do fim dos anos 50 eterniza um pouco deste relato das “domingueiras futebolísticas” de Cosmópolis. Uma tradição que surgiu por intermédio dos funcionários da saudosa “Companhia Sorocabana”, percursores do “Football” no interior paulista, modalidade que chegou aos gramados da Villa de Cosmópolis no fim do século 19. A foto marca um domingo de jogo entre “Cosmopolitano e Botafogo Futebol Clube”. Uma disputa acirrada entre os reis dos gramados da Villa e da Usina, ou como diziam na época, “vileiros e colonos “rancando” até “toceira” na peleja da bola”.

  Um detalhe nesta foto para sua saudade, outras lembranças da velha Cosmópolis surgiram na sua mente. Repare no lado esquerdo da foto, o famoso carinho de doces e pipocas do “Ferruccio”. O carrinho chama atenção e saudade, por sua vitrine alta, feita de ferro forjado e revestido de vidro, onde eram expostas as pipocas que “saltitavam” na panela de alumínio batido, que reluzia de tão “arriada”, visto os cuidados com a limpeza e o amor pelo trabalho.

  Nos domingos de futebol, “Ferruccio pipoqueiro” era figurava cativa entre os torcedores, assim como o Xavier dos sorvetes (esqueci seu apelido, pai do Poly), os irmãos Bocaiuva vendendo amendoim torrado, o velho Ortiz e meu saudoso amigo Sodinha (esposo da Nega Vieira), vendendo pipoca doce e cocadas da Campineira. Doceiros, pipoqueiros, sorveteiros, não faltavam, a domingueira atraia futebolistas de toda região, paulinenses, nogueirenses e campineiros, tinham roteiro certos aos domingos.

  Terminando o jogo, os vendedores como Ferruccio, já preparavam seus carrinhos para pontualmente às 16h00, ir para o “footing” na Praça do Coreto, concentrando uma parte dos vendedores na Praça e outra turma no "Cine Theatro Avenida". O ponto principal do Ferruccio, era a calçada do extinto cinema, que deste tempo só resta a velha Sibipiruna, a qual faz sombra aos pedestres que passam pela calçada da Loja Seller.

  Não esquecendo, que as “domingueiras da bola” aconteciam em dois Estádios, revezando a cada domingo as disputas entre o Estádio Thelmo de Almeida e na Usina Esther no “Estádio Dr. Sérgio Coutinho Nogueira”, históricos gramados da União Esportiva Funilense.
  
  Como o Thelmo de Almeida, impiedosamente destruído em nome do “progresso”, o Estádio do Funilense segue o mesmo triste fim. Em nome do “progresso”, com a aval dos detentores do patrimônio particular e os “responsáveis” pelo patrimônio histórico cosmopolense, os verdes gramados darão lugar a um imenso canavial, sendo divido pela Usina, em terrenos para a plantação de cana de açúcar e ponto de armazenamento de bagaço e frota...
   
  É pois é, hoje as manhãs de futebol em Cosmópolis, ficaram somente nas lembranças, visto pelas dezenas de ocorrências policias, que até em campinho de várzea é perigoso “jogar bola” em Cosmópolis. Quando não é carrapato estrela, transmitindo febre maculosa , é “nóia noiado” roubando de bola, chuteira e celular. Fica o registro e o somente a saudade, já que nem estádio e paz temos mais...

Texto e foto Adriano da Rocha

terça-feira, 29 de março de 2016

"Rans Piter Maque Lauer": Adeus ao Miguézinho

Texto e fotos Adriano da Rocha
Seu Migué, Miguézinho ou Miguézão. Arquivo A.R 2008
     Sem muito alarde, homenagens ou lembranças emocionadas nas redes sociais, faleceu na segunda-feira (28), um famoso e querido “anônimo” das ruas de Cosmópolis. Aos 74 anos, morreu no “Lar dos Idosos Irmã Rosália”, Miguel Romero Filho, o sempre alegre e sorridente “Miguézinho do Asilo”. Seu sepultamento aconteceu na tarde de segunda-feira (28), no Cemitério Municipal de Caraguatatuba, cidade onde residem seus familiares.

  Uma figura única, com seu jeitão bem peculiar ao falar e andar, percorria diariamente as ruas e avenidas da cidade, com sua inseparável bicicleta do banco todo “danado”, traduzindo do paulista, quebrado, lascado, ou como ele dizia: “pegando na bunda”. Quando alguém perguntava seu nome, sério ele respondia: "Meu nome é  Rans Piter Maque Lauer ". A maioria não entendia, com cara de bravo fazendo graça, retrucava: "é isso mesmo que o senhor não entendeu
Rans Piter Maque Lauer".



  Nas filas das lotéricas sua presença era sempre fiel nos dias de sorteios da Mega, Loto fácil e Esportiva, chegava falando alto e cumprimentando a todos.

  Mesmo pelas dificuldades da vida, nunca perdeu a esperança de ter a sorte grande novamente e fazer a sua “fezinha”, enfim, “mudar” de vida. Uma vida que ele reclamava apenas das dores nas pernas, nunca dos erros. Era cheio de superstições no jogo, tirava uma nota da sua carteira velha, cheia de papéis de anotações e, quase nenhum dinheiro, e pedia para a moça da lotérica fazer o jogo. Dobrava várias vezes, como um ritual, colocava na carteira sem ver os números, abrindo o bilhete somente no dia do sorteio.

  “Sou um véio feio, barbudo e suado, vou me juntar aos outros véios iguais a mim nessa fila”, dizia Migué ao entrar nas filas preferências da vida. Para ganhar uns “trocados”, fazia serviços de pagamentos para o asilo, comerciantes do centro e amigos. Suas credências ao oferecer o serviço: “sou véio, todo lascado e fedido, então de um jeito ou de outro, passo rapidinho na fila”.

  Mulher bonita ele chamava de “Cláudia Raia",  "Sofia Loren", ou carinhosamente "minha abelha rainha"; os  homem de “Janiquine” alusão ao famoso galã Reynaldo Gianecchini, ou , Pepino de Caprio, famoso galã italiano da década de 60. Quando a pessoa fosse de “mais idade”, com seu jeitão brincalhão dizia: “Eh parceiro, tu tá igual a mim, só que mais feio”.

  Nos tempos do antigo Banespa, e sua extinta “muretinha” ,um sobressalto do jardim na frente do banco (derrubada devido aos constantes roubos de bicicletas), reuniam aposentados e amigos para conversar todas as tardes naquele local. Guardava-se as bicicletas nos fundos do banco, embaixo de uma enorme mangueira, depois de pagar as contas nos bancos, o pessoal sentava para “assuntar” na murretinha. As figuras típicas da “muretinha” eram os saudosos Poka, Lisão, Bikudo, Tuka com suas “coisinhas”, entre todos que descansavam as pernas na “muretinha” usada como “banco no Banco Banespa”.

  Migué tinha na “muretinha” um lugar cativo para sentar e falar das notícias da cidade e do mundo, ao derrubar a muretinha seu banco de repouso tornou-se a escadaria da “Farmaxima”, ou nos degraus da loja da Dorothy Moreli. Adorava “noticiar notícias noticiadas”, principalmente de saúde. Falava, falava, falava e não deixava ninguém falar, enquanto não termina sua notícia, vista sempre no Globo Repórter ou Ana Maria Braga, seus programas preferidos. 

  
Saindo do Rocha na Rua Monte Castelo, depois de horas de prosa com  "Edson Celulari", como carinhosamente chamava o amigo Juvenil da Rocha. Foto Arquivo A.R 2008



   Foi um dos últimos “Papai Noel” da Avenida Esther, com sua barba branca, voz grossa de tanto fumar, não precisava incorporar o personagem, só ter controle na hora de entrar as balas, por causa da sua diabetes, e uma boa sombra ao “verão natalino cosmopolense”. “Isso aqui “suá” mais que bunda de padeiro”, brincando sobre a roupa de veludo grosso, típica do Papai Noel.

   Antes de “aparecer” em Cosmópolis, Miguélzinho foi figura de destaque na cidade de Campinas, nome respeitado na aérea comercial e alta sociedade campineira nas décadas de 60 e 70, apelidado de o “Rei do Jeans”. O apelido surgiu por ser um dos maiores varejistas de calças jeans da região central. Sua loja na Avenida Treze de Maio, próximo à antiga Casa Campos, era uma referência para comprar as famosas calças Lee e Staroup.

  Foi conselheiro e fanático torcedor futebolista da Ponte Preta, até um dia brigar com Emerson Leão, então goleiro do Palmeiras, que disputava contra a “Macaca” em Campinas. Migué desconcentrou o goleiro Leão brincando sobre sua masculinidade, dando vantagem para um gol da ponte. Advertido pela presidência, foi suspenso do clube, pegou “raiva” , quando viu o goleiro e jogadores da Ponte todos juntos tomando uma choupada animada no Giovanetti. Assim me disse um dia: “Trouxa é quem se mata por time de futebol, a paixão de jogador é dinheiro e não bola”.

   Participou ativamente da sociedade campineira, atuando na Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC), entidades filantrópicas e grupos religiosos, até...praticamente mudar de vida totalmente, com as mulheres , jogos e bebidas. Perdeu tudo, sozinho, sem família e amigos, encontrou em Cosmópolis um abrigo e uma nova família no Asilo e pelas ruas da cidade.

   Há cerca de 6 anos, uma irmã descobriu onde Migué estava, os irmãos estavam separados por “coisas da vida” por mais de 30 anos . Sua irmã saiu de Campinas na década de 70, tornando-se empresaria em Caraguatatuba. “Vivi e revivi na vida, comecei e recomecei, não me arrependo de nada. O importante nisso, em perder tudo, é saber quem é amigo de verdade. Só assim, se f.. para saber quantos amigos são amigos de você e, não do seu dinheiro”. Assim ele me disse, e guardo a frase como uma lição d real da vida.

  Descanse em paz “Véio Migué”, por mais que fosse seus pecados a balança de São Miguel, irá pender por suas virtudes e bondades. Saudades dos vários e vários amigos que deixas em Cosmópolis. Vai com Deus Miguel, seus amigos Zé Honorato, Juvenil da Rocha, Arthur Suzan, Valter da Farmácia, entre tantos saudosos amigos cosmopolenses aguardam a sua chegada à casa do Pai.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Luto Cosmopolense: Adeus José Honorato Fozzati

  Texto e fotos Adriano da Rocha
Aos 73 anos, faleceu na madrugada de segunda-feira(28), um dos maiores defensores de Cosmópolis



  Faleceu na madrugada desta segunda-feira ( 28), aos 73 anos de idade , José Honorato Fozzati , ou, popularmente como era conhecido, “ Zé Norato do Ecin”, vitima de um infarto , decorrente de várias complicações de saúde que enfrentava nos últimos anos. Seu corpo será velado para a última despedida, na “Loja Maçônica 31 de março”, localizada na Rua Antônio Carlos Nogueira, 1860, saída para Paulínia/Campinas. O corpo despede-se da “Grande Loja” às 16h00, saindo em cortejo para o sepultamento no Cemitério Municipal da Saudade. Autoridades municipais decretaram luto oficial de três dias, pavilhão cosmopolense hasteado a meio mastro.

   Em 1943, nos fundos da antiga casa comercial dos Fozzati, uma loja de armários e alfaiataria da família, localizada na Rua Campinas, esquina com a Rua Campos Salles, local onde funcionou durante décadas a primeira Lotérica de Cosmópolis, nascia José Honorato, o 4ª filho do casal Dinorah Frungilo e Honorato Fozzati, o popular Honorato alfaiate. O menino muito tímido e reservado (traços que o acompanharam por toda a vida), começou a trabalhar ainda criança para ajudar a família. Aos 7 anos de idade, seu primeiro emprego foi como ajudante de marceneiro da lendária “ Oficina de Marcenaria e Carpintaria Tavano”, comandada pelo mestre Paulo Tavano.

   
Final dos anos 50, José Honorato (terceiro de roupas brancas), junto aos irmãos e familiares, em frente a Alfaiataria e armarinhos Fozzati, localizado na Rua Campinas esquina com a Rua Campos Salles. O prédio ainda resiste aos mais de 70 anos de sua construção, assim como o esplendoroso pé de manga, que pode ser visto no lado direito da foto ao fundo.

  O menino franzino ficou pouco tempo neste ofício, os trabalhos eram extremamente árduos para uma criança, foi quando o saudoso casal Constantino Ferreira , “Tita Bichara” e sua esposa Dona Júlia, convidaram José Honorato para trabalhar na “Loja do Tita”, onde permaneceu como ajudante durante anos. Os trabalhos na Loja do Tita começavam somente à tarde, depois de sair das aulas no “Grupo Escolar Rodrigo Octávio Langard de Menezes”, Escola do Rodrigo. Quando o tio Milton Frugilo tocava a sineta anunciando o término das aulas, José descia correndo a Campos Salles para almoçar e, rapidamente já ir para as ocupações na Loja do Tita. Na loja que tinha de tudo, Fozzati, montava móveis, vendia pregos por quilo, cortava tecidos, fazia de tudo, uma verdadeira escola, com o velho Titia, um dos mais habilidosos comerciantes de Cosmópolis.
  
  
 A velha Cosmópolis crescia as margens da Cia Sorocabana, em um progresso comercial incrível, o velho Honorato já não dava conta dos inúmeros pedidos de ternos e calças, clientes de toda a região procuravam seus serviços e do irmão Tharcílio Fozzati. Profissionais do corte e costura, “moldados” pelos mestres da alfaiataria Irmãos Nallin. Para ajudar o pai, José deixou a Loja do Tita e começou a aprender o oficio de alfaiate, trabalhando ao lado do irmão Antônio Carlos e das irmãs Maria Therezinha, Maria José e Maria Aparecida.
Final dos anos 50...Alfaiataria Fozzati, com suas maquinhas Singer "a toda pedaladas", movimentadas pelos irmãos Fozzati, comandados pelo mestre Honorato Fozzati, patriarca da família. José é o primeiro ao lado esquerdo.


  No fim dos anos 50, José Honorato e cerca de cem alunos, inauguravam o Ginásio Estadual Dr. Paulo de Almeida Nogueira, o popular Gepan, a turma constituíram os primeiros formandos ginasiais de Cosmópolis. Aos 19 anos, José Honorato ingressou os estudos no tradicional “Grupo Escolar Culto a Ciência”, centenária escola campineira, responsável pela formação acadêmica de vários imortais paulistas, como governadores, deputados e senadores . Para ajudar o pagamento das mensalidades escolares, José era contrato como escriturário do primeiro escritório de contabilidade de Cosmópolis, a “Aldohir Miguéis Contabilidade e Advocacia”. Nascia em 1962 às primeiras linhas da sua maior paixão a contabilidade, ramo comercial que dedicou intensamente todos os dias de sua vida.
  
1958..."Ginásio  Estadual  Paulo Almeida Nogueira", popularmente conhecido pela abreviação GEPAN. Foto oficial do ano de inauguração da escola, que recebia o nome de um dos principais diretores da Usina Ester, Dr Paulo Nogueira, esposo de Ester Coutinho Nogueira, genro de José Paulino Nogueira.

  Em 1965 ingressou os estudos na PUCC Campinas, formando-se anos depois em Ciências Econômicas pela instituição. Neste período acadêmico, José estudava e residia em uma pensão em Campinas, voltando para Cosmópolis somente quando sobrava algum dinheiro, para pegar a famosa “poeirinha”, nome das jardineiras que faziam o trajeto, ou odisseia, devido a condições das estradas de terra que ligavam Campinas à Cosmópolis, o apelido “poeirinha” era por esse motivo.

  Formado pela PUCC, em 1967 recebia o convite de Osvaldo Heitor Nallin, para trabalhar na administração do Escritório de Contabilidade Irmãos Nallin, o popularmente conhecido “ECIN Contabilidade”. Nascia então uma amizade e uma parceria, surgia José Honorato no ECIN para rescrever a história comercial cosmopolense, desta empresa que há quase 60 anos é um dos escritórios mais respeitados da região, responsável pela contabilidade fiscal, tributária e administrativa, de milhares de empresas da cidade e região.
  
  Confesso que ainda estou conturbado pela notícia de seu falecimento, escrevi essas linhas recordando os fatos que ouvi de sua vida, contados por ele mesmo em nossas conversas no ECIN, e outras demais prosas as quais durante horas conversava com meu pai, também saudoso, Juvenil da Rocha. Meu pai estudou com José, uma amizade que teve início nos anos 50, quando meu pai entregava carnes para o açougue do Garutti, e José Honorato entregava de casa em casa, revistas e jornais da banca do Alaor.
Em 2015,  alunos da Escola Rodrigo, homenageavam o ex aluno e defensor do antigo Grupo Escolar. Já debilitado pela doença, Fozzati buscou forças, desceu com ajuda as escadarias do Ecin e, foi ouvir a "Fanfara do Rodrigo", a qual tem José Honorato Fozzati como seu patrono. Foi está uma das últimas homenagens que José Honorato recebeu em vida. (Foto Ismael Silva)

  Um político que não era político, foi candidato uma única vez, atendo a pedidos de amigos e do sócio Osvaldo Nallin. Naquela época praticamente era obrigado pessoas ligadas ao comercio serem filiadas a um partido, no caso ARENA ou MDB. José Fozzati foi candidato a prefeito pelo MDB em 1972, perdendo para Orlando Kiosia. Com muita sabedoria e orgulho ouvi do amigo: “Por muita sorte não venci, não sou político, mas se tivesse, nunca que a estação seria demolida ”. Em 1973, por caprichos políticos de um grupo da cidade, a antiga Estação da Funilense foi totalmente demolida, para na época dar lugar a nova Rodoviária, projeto que nunca saiu do papel.

  Cada geração de cosmopolenses  terá uma lembrança do José Honorato, a geração 70 e 80, turminha da minha mãe, lembraram-se do Fozzati na extinta “Escola do Comércio “, como professor de matérias extremamente técnicas, como matemática, contabilidade e administração, as quais lecionava com verdadeira paixão pelos números e seus cálculos. Os alunos lembraram-se do professor e, também do querido Diretor Escolar do Comércio, sempre compreensivo e tolerante, um administrador escolar, consolidador e conselheiro das centenas de alunos da renomada Escola Técnica de Cosmópolis.

  A quem se lembrará do empreendedor, do conselheiro e amigo comercial de Cosmópolis, o Zé do Ecin ou Zé da Acico. Na Associação Industrial e Comercial de Cosmópolis (Acico), ao lado do saudoso Milvio José Di Sacco, o Milvio da Utilar Magazine, foi um dos percursores da instituição, responsável pela construção da Sede da Associação , e graças a sua luta o não fechando da Acico no final da década de 80, que enfrentava uma grave crise financeira.

  Na Loja 31 de Março, foi um dos fundadores da Sede e da oficialização da Maçonaria em Cosmópolis, ao lado de Frederico Capraro, Sidney Crepaldi, Miguéis e outros veneráveis. História maçônica cosmopolense ,que começou em um pequeno barracão comercial ao lado da casa de sua irmã Maria Fozzati, na Avenida Ester, local onde funciona atualmente uma Loja de Embalagens. Na loja, foi Aprendiz, Vigilante e Venerável Mestre. Aos cosmopolenses, a memória das grandes festas da “Feira Comercial e Industrial de Cosmópolis”, organizadas por José Honorato e irmãos, para construção da Loja 31 de Março, onde se apresentaram cantores como Jessé, Sérgio Reis, Chacrinha e suas Chacretes, Jair Rodrigues, entre inúmeros “astros dos discos e televisão”.
Março de 2016..No registro fotográfico a reunião da família Morais Fozzati: Mariana Fozzati, Aparecida Moarais, Daniel Fozzati e José Honorato Fozzati.

  José Fozzati, participou intensamente da vida comercial e filantrópica cosmopolense, dentro e fora do Ecin, foi presidente da ACICO, do Hospital Beneficente Santa Gertrudes (cargo que ocupou quando estava extremamente debilitado ), presidente do antigo Grêmio, Lions, conselheiro, fiscal e demais cargos no Cosmopolitano, uma lista imensa de contribuições às instituições cosmopolenses.

Enfim, tanta história para contar deste homem que fez história e, adorava resgatar e contar a história de Cosmópolis. José Honorato, foi o pioneiro a resgatar a história de Cosmópolis, digitalizando antigas fotos de amigos e clientes do ECIN. Um resgate que se tornou uma de suas maiores paixões da vida, exposta em todas as paredes do seu escritório, contada em dois livros que escreveu, “As Crônicas de uma cidade chamada Universo”, que virou até peça teatro nos palcos da “Escola Paulo Freire”, ou escrito semanalmente na coluna que escreveu durante anos no jornal “Gazeta de Cosmópolis”.
Na Gazeta de Cosmópolis, com certeza José Honorato trouxe com sua coluna, ou entrevistas especiais falando sobre a “antiga Cosmópolis”, um dos mais importantes resgates históricos de nossa cidade. Semanalmente na Gazeta, Fozatti semeava em palavras o amor e respeito a nossa história, imensuravelmente um trabalho magnifico sem precedentes. Trabalho o qual tive a oportunidade de contribuir, e hoje luto para perdurar com o mesmo afinco e amor, com o nosso “Acervo Cosmopolense”.
2015\ Prédio do Escritório Ecin na Avenida Ester, neste local Prédio Ana Victória, desde o início dos anos 2000, são realizados os trabalhos empresariais da equipe de Fozzati. (Foto  Ecin)

  Faltam palavras neste momento, Cosmópolis está de luto. A cidade perdeu um dos seus maiores defensores, o filho que amou intensamente a Mãe Cosmópolis, por 73 anos de sua vida neste chão. Aqui nasceu e escolheu Cosmópolis, para dedicar sua vida a construir a história de seus filhos, através do seu trabalho, e escrever e rescrever a nossa história. Merece o descanso velho guerreiro, os braços do Grande Arquiteto Do Universo esperam a sua chegada.

  Interceda por  sua querida Cosmópolis junto a Deus, assim como fez aqui na terra, com o mesmo amor e dedicação. Ficarão desmedidas saudades, assim como um colossal legado de honra e respeito à Cosmópolis. Em nome do povo cosmopolense, OBRIGADO José Honorato Fozzati. Vai em paz velho amigo.