sexta-feira, 2 de novembro de 2018

DIA DO ETERNO AMOR

AINDA ONTEM EM COSMÓPOLIS
Texto Adriano da Rocha
Fotos Luizinho Ferreira

 02/11/1950Dia do eterno amor, em memória da saudade, na fé pelo reencontro. Uma quinta-feira, há exatos 68 anos, em Cosmópolis. Aqui publicamos, um conjunto de três fotos, perdidas entre um álbum repleto de preciosidades do cotidiano cosmopolense. As fotos registram o “dia de finados”, no Cemitério Municipal da Saudade.

Considerada uma das datas mais importantes da liturgia católica, as imagens são de autoria de um evangélico, o saudoso Luizinho Ferreira. Não era fotografo profissional, mas sim, um apaixonado por fotografar Cosmópolis.

Em cada foto, marcas da fé popular, tradições típicas de Cosmópolis, como as barraquinhas de melancia e abacaxi, as jardineiras “bardeando” passageiros, e principalmente o respeito, na memória dos saudosos sepultados.

Nos registros, o encontro nas sepulturas, dos amigos e familiares mortos, os reencontros dos amigos vivos, nas visitas aos finados.
“Na terra dos mortos, são revividas vidas”, já dizia meu finado pai, seu Juvenil da Rocha.

Revivendo essas vidas, através das fotos, recordo suas memórias desta data, as lembranças dos “dias de finados cosmopolenses”.

AS HISTÓRIAS NAS FOTOS
O antigo cruzeiro, velário das almas, ponto mais alto do cemitério, foi utilizado como base pelo fotografo na primeira foto.

Ainda, uma simples cruz de madeira, edificada sobre degraus, onde eram acessas as velas, localizada no centro do antigo “Cemitério Alemão”. Criando em 1896 por imigrantes do Núcleo Colonial, incorporado ao município de Campinas, em 1898.

Em 1951, o modesto cruzeiro foi totalmente demolido na primeira ampliação do cemitério municipal.

Obras do prefeito João Guilherme Paz Herrmann, João da América, construindo um novo cruzeiro e velário, ao lado da extinta casa do coveiro, popularizada como casa do “Dito Coveiro”.

No fim dos anos 1950, com a demolição da “igreja velha”, e construção da nova Matriz de Santa Gertrudes, o cruzeiro do Largo, foi transferido para o cemitério. Permaneceu no cemitério, até a nova ampliação das quadras, no fim dos anos 1970.

Observe, muitas pessoas caminhando, seguindo várias direções, chegando e saindo. Reencontro de amigos vivos nos corredores, conversando sobre a vida, “visita” aos finados amigos, relembrados com saudades e orações.

Movimento intenso de familiares, casais e crianças. Intenso como o sol, ressaltado pelos vários “guarda chuvas”.

Este ponto, era utilizado como o principal acesso as sepulturas, atual quadra 8, divisa entre as quadras infantil e adulta. Próximo deste acesso da foto, ficavam as barraquinhas.

Neste período, somente barracas de velas, flores naturais, vasos e arranjos, e a tradicional barraca das melancias e abacaxis.


TRADIÇÃO DA MELANCIA 

Na barraca das melancias era intenso o movimento, expostas no chão de terra, empilhadas em fileiras, uma sobre a outra. Na bancada os abacaxis ananás, pequenos e com grandes coroas.
O motivo da escolha destas frutas, assim como a tradição cosmopolense da melancia no dia de finados, eram as produções municipais. Cosmópolis durante décadas, foi uma das principais produtoras de abacaxis e melancias do Estado.
Com destaque em inúmeras propagandas do governo, jornais, e revistas como a “Fom Fom” e Cruzeiro
A proximidade do cemitério, com os bairros produtores destas frutas, como Santo Antônio, Campos Salles e “Vista Bela”, atraia os sitiantes à venderem na data.
Aproveitando o intenso movimento dos visitantes, criando essa típica tradição de comer melancia no dia de finados.
A revenda acontecia em outros cemitérios próximos, como o de Artur Nogueira, Paulínia e o cemitério rural dos Pires, em Limeira. Seguindo essa tradição, em outras cidades da região.
Era costume ir na missa das almas (celebrada próximo do cruzeiro), e trazer para casa melancias e abacaxis. Uma tradição ainda preservada por muitos cosmopolenses.
O progresso canavieiro, e principalmente, o surgimento da laranja, mudaram as produções agrícolas de muitos produtores. Há décadas, essas frutas não são produzidas em Cosmópolis.
Porém, mesmo sem produção local, as barracas das melancias continuavam nos acessos ao cemitério.
Neste ano de 2018, não encontrei melancias na região do cemitério da saudade. Somente em Artur Nogueira e Paulínia, ainda persistem as tradicionais barracas. Nestas cidades no caso, gigantescas tendas, com centenas de enormes melancias.


JARDINEIRA, TROLES, CHARRETES E CARROÇAS

A maioria dos visitantes, chegavam ao cemitério pela velha estrada do Núcleo Colonial Campos Salles, popular caminho da “Escola Alemã” e Ponte Preta (ponte férrea da Funilense).

Nesta estrada, o acesso era direto ao cemitério, como diziam: “um retão só, com muita poeira vermelha, pomares e canaviais”.

O caminho da Escola, era utilizado pelos moradores da Villa, colonos da Usina, e região rural do Nova Campinas.

No dia de finados, o movimento de troles, com suas elegantes rodas de dois tamanhos, charretes, carroças, cavaleiros, e as icônicas jardineiras, era intenso.

As jardineiras da Auto Viação Cosmópolis, passavam o dia inteiro “bardeando” passageiros aos cemitérios da região.

Até então, o acesso pela Avenida da Saudade, era utilizado basicamente, como principal acesso dos moradores dos sítios daquela região.

Cosmopolenses do Itapavussu, Coqueiro, Saltinho, Uirapuru, utilizavam a antiga estrada do Quilombo, que acessava os fundos do cemitério.


FOTÓGRAFO DO COTIDIANO 
Sepultura de Luizinho Ferreira no Cemitério da Saudade, localizada na antiga quadra 1

Importantes registros fotográficos, como a Estação da Sorocaba (antiga Funilense), construções públicas (Castelo d´água, Praça do Coreto, pontes sobre rios, escolas), e inúmeras cenas do cotidiano cosmopolense, são de autoria do Luizinho Ferreira.

Comprou a máquina usada, modelo até moderno para época, daquelas de fole, com o zoom calculado por distância.

Foi um dos primeiros funcionários públicos de Cosmópolis, dos tempos da sub prefeitura à municipalidade, trabalhando com todos os prefeitos eleitos do seu tempo.

Amador na arte fotográfica, criou suas próprias técnicas de enquadramento, perspectiva e foco. Apaixonado pela profissão e Cosmópolis, registrou seus dias, sem imaginar, que ficariam registrados eternamente, como imagens da nossa história.

Luizinho Ferreira, faleceu aos 90 anos de idade, em 2007. Um dos irmãos do saudoso Constantino Ferreira, o inimitável, Tita da "Loja do Queima".

Era casado com Dona Elídia, casal conhecidos carinhosamente pelas crianças, como os donos da Casa dos anõezinhos, localizada na Ramos de Azevedo. Em breve, merecidas lembranças deste saudoso casal.

As fotos em destaque, foram digitalizadas pelo historiador Mano Fromberg.

Texto Adriano da Rocha
Fotos Luizinho Ferreira

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

TBT/ AINDA ONTEM EM COSMÓPOLIS

DIA DA SAUDADE

Será que era a Rua Santa Gertrudes que começava na Matriz, ou, a Matriz de Santa Gertrudes que terminava a Rua?!


  O céu está turvo, escuro, quase furta-cor, vai chover. O sacristão, “passando” as correntes que limitam o começo e fim da rua, faz o sinal da cruz. Católico fervoroso, olhando a tempestade que principia nos céus, diz: “Valei-me Santa Bárbara, dos raios e tempestades”.

Calma!!! Chuva braba, só vem em Cosmópolis, quando forma lá para os lados de Americana. Nuvem escura, formando no Coqueiro e Morro Amarelo, é benção para terra. Deixa chover!!

O escuro dos céus, envoltos de nuvens carregadas de chuvas, contrastam com o tom pêssego da Matriz. Os marcantes alto falantes das portas, memoráveis pelas tristes notas de falecimento, ainda funcionavam simultâneos com a torre, ecoando os anúncios ao som da Ave Maria.

Colunas, arcos, arabescos, e a simbólica cruz, imponente no campanário, destacam o branco na pintura.

Cândidos, como a porcelana branca reluzente, do icônico chafariz tulipa.

Altivo, com seu pedestal revestido de pequenos azulejos, ladrilhos, nas cores branco e azul celestial.

Nas bases, as marcantes cerâmicas paulistas, popular vermelhão. Assentados como soleiras, envoltos de “sempre verdes” e flores.

Antes eram dois Tulipas, imponentes, um de cada lado da Rua Santa Gertrudes. Iguais, mesmo fabricante e ano de construção, do saudoso Tulipa, do chafariz dos "Jardins" do Coreto.

Depois de muitas reclamações de zelosas mães, as coroas de Cristo foram arrancadas dos jardins. Na época, tradição na jardinagem interiorana, seguiam os arredores dos jardins, e os entornos da Matriz.

Destacados entre os revestimentos cerâmicos, assentados como “guarda peito”, segura sujeira, nas bases da Igreja. Realçados na foto, pelo intenso tom avermelhado dos azulejos.

Os arbustos, eram temidos por seus espinhos (por isso o nome, alusão a cora de espinhos usada por Cristo na crucificação), e principalmente, pelo veneno branco das folhas. 

Queimava a boca, inchava os beiços. Uma senhora, amedrontando as crianças, dizia que uma menina morreu lá em Guaiquica (Engenheiro Coelho).

A molecada atentada, cortava as folhas e galhos, só para ver o caldo branco vertendo. “Um sacrilégio fazer isso”, já esconjurava uma carola.
As portas estão abertas, o relógio funcionava, pontualmente marcava três horas. Igual um carrilhão, badalava os sinos nas horas cheias e meias.

Acompanha a Rua até os degraus da Matriz, o calçamento de pedras portuguesas. Seguem bancos de granilite com propagandas comercias, e postes de iluminação com seus chapeuzinhos esmaltados, apelidados de chinesinhos.

Muitas quaresmeiras nos jardins, tons roxos e rosas, e um solitário "flamboaiã". Como dizia um senhor da Usina: "flamboriam, sombreiros da Baronesa".

O sentido viário da rua, segue para Rua Campos Salles, antiga Alexandrina. Uma caminhonete surge, rodando em direção à Rua Campos Salles, que então, seguia para Rua Expedicionários.

O portão da casa de esquina, residência do casal Tereza e Albino Scorcione, está aberto. Será que aguarda a caminhonete?!

Não sei, preciso ir embora, até o Vila Nova é um estirão. Já começou a garoar, pingando mais que os balcões do Tabajara e Mirto Davinha, em tempos de peãozada na Petrobras.

Vou cantar os pneus da minha Caloi, quero chegar rápido, para comer ainda quentinho meu cachorro quente do Dadá , com o suco de laranja de litrão, que antes era Cr$ 1,00 cruzado novo, agora já são mil cruzeiros do Rondon.

Essa “tabelação” da URV, está mudando os preços todas as semanas. Não reclamo, antes do Itamar, era tão “mar”, que mudava todo dia. Uma carestia só!!!

Espero que o tal do real, mude para melhor as coisas do Brasil.

Importante, que ainda sobrou dinheiro dos meus dez mil cruzeiros. Neste fim de semana, quero assistir “meu primeiro amor” no Cine Theatro Avenida.

Quem sabe, não vejo minha paquera, que mudou do EEPG de Cosmópolis, para Escola do Comércio.

Dinheiro vai ser contado, mas o drops dulcora está garantido. Vai que no escurinho do cinema, não imitamos a história do filme. Né não!!!

Texto e foto Adriano da Rocha

terça-feira, 16 de outubro de 2018

PASSADO, PRESENTE E FUTURO


Os tons de verde são intensos, contrastando com o laranja das ferragens. As chuvas transformam, trazendo vida com suas águas. 

É a natureza renascendo constantemente, recriando a paisagem. 

Tudo muda na paisagem, são as fases da natureza. Só a velha estrutura inglesa da ponte ainda é a mesma. Com mais de 100 anos de história sobre o Rio Jaguari.

📸 Foto Alex Ribeiro

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

RELEMBRANDO A “TUCA DA MÉLICA”

DIA DA SAUDADE
2008/ TBT/ Ainda ontem... 



Olha ela!!! Nossa saudosa “Tuca da Mélica”. Uma das personagens mais marcantes da história popular cosmopolense.

Cedinho ela já estava pelas ruas, percorrendo a cidade inteira com sua enorme cesta de palha, repleta dos seus famosos produtos, suas “coisinhas” e “negocinhos”, como ela dizia, “baratinhos para você me ajudar”.

“Tudo bem colega?! Heim, trouxe umas coisinhas “procê” me ajudar freguesa. Tem de tudo um pouquinho, dá uma “oiádinha” e compra pra ajudar eu”.

Com paciência, mostrava cada item ao cliente, enaltecendo com seu jeitinho único de falar, as qualidades e funcionalidades das “coisinhas”.

Na “cesta da Tuca”, na maioria produtos importados da china, trazidos por um familiar de São Paulo.

Nas palavras da “Tuca da Mélica”:” oiá tem chaveiros, canetas e canetinhas, lapiseiras, pulseiras, presilhas, “piranha que é de cabelo”, “coisinho para amarrar o cabelo”, muitas coisinhas e negocinhos bonitos, procê comprar e ajudar eu”.

O produto mais pedido e vendido, seu mais popular item, os imãs de geladeira, as “bonequinhas da Tuca”.

Eram pequenas bonequinhas de plástico, destas utilizadas em maquetes escolares e decoração de festas, o diferencial, a confecção artesanal das vestimentas.

Já surge na mente a Tuca, em frente sua casa na Avenida Ester, região da antiga rodoviária, tricotando. Parando à todo momento, acenando aos “fregueses amigos”, transitando pela movimentada Avenida.

Com extremo cuidado, a Tuca e familiares, confeccionavam roupinhas de tricô para cada bonequinha.
Surgiam “saiotinhos” e “chapelotes” nas pequeninas bonecas, tricotados em várias cores, roxos, vermelhos, amarelos, azuis, nas bordas, detalhes em fios brancos.

Um trabalho artesanal, feito com admirável minucia nos modestos detalhes, realçados com ornamentados de lantejoulas.

Com muito capricho e delicadeza, ela prendia parte dos produtos nas alças da cesta, cheinha dos seus “coisinhos” e “negocinhos”.

Cesta no braço, saia cedinho de casa, voltando com o balaio praticamente vazio. Tinha seus truques de venda, cativava com o olhar e a simplicidade, até conquistar a compra do cliente.

Resmungava sim, quando menosprezavam seus produtos, mas igual uma criança, não guardava magoas. Até dos zombares, como ela dizia “os caçoadores”, reprimia falando: “Deus tá vendo viu!!”.

Caminhando com seu modo bem peculiar, com um braço para traz e outro segurando à cesta, andava “ligeira” nos passos. Sequelas de um acidente, e marcas genéticas da sua formação congênita.

Os traços acentuados no rosto, a gesticulação ao conversar, seus “joínhas” ao cumprimentar e agradecer, o sorrisinho tímido, a voz de um timbre sem igual, são marcantes na memória dos cosmopolenses.

ETERNA MENINA DAS RUAS
Desde criança, possuía uma incrível disposição para as vendas, tudo que encontrava pelas ruas revendia.

Nos tempos do matadouro municipal, as sobras rejeitadas dos bois e porcos, como as vísceras, ela limpava com muita calma e cuidados, revendendo nas casas.

Os pesados baldes de alumínio, carregavam as carnes limpas, percorrendo os arredores oferecendo o peculiar produto.

As frutas das matas da Usina, ou das árvores das ruas, móveis, sucata, tudo transformava-se em produtos revendidos pela Tuca.

Sempre disposta, não rejeitava nada, distância ou cansaço, nunca serviram como impedimentos e desculpas.

Era seu jeito de ajudar à família nas despesas da casa, não por obrigação, mas por amor à sua “profissão de vendedora das ruas”. Foram mais de 50 anos, dedicados ao seu varejo popular, orgulhos da nossa menina das ruas.

Somente no fim da vida, acamada pelas complicações geradas pela diabetes, a irmã por cuidado, não aceitava suas saídas. A visão não era a mesma, as pernas cansavam facilmente, tombos começavam a ser constantes.

Aos 58 anos, a nossa menina terminou seu percurso na terra, encerrando sua missão de vida. Falecia Maria de Fátima Paes,  no dia 11 de maio de 2013, há exatos 5 anos, no Hospital Beneficente Santa Gertrudes.

Marcou época com sua história pessoal de vida, simples, humilde e até sofrida, mas dignificante em muitas passagens.
Participou sem perceber da sua importância, na criação de outras milhares histórias de vidas cosmopolenses.

Nossa menina, “Tuca da Mélica”, o motivo de infindas saudade e recordações. Merecidamente sim, resgatada neste dia consagrado mundialmente, como a “quinta-feira da saudade”.

Oh coisinha, Tuca, saudade de ti menina!!!

Texto e fotos Adriano da Rocha

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

LUARES COSMOPOLENSES

PELOS OLHOS DOS MEUS FILHOS



Olha, a noite 🌝 ‼️
Um verdadeiro encontro com a lua. Registro feito em Cosmópolis, pelo olhar fotográfico do Anastácio Filho


...

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

AINDA ONTEM EM COSMÓPOLIS

MEMÓRIA COSMOPOLENSE


Há 12 anos...
   
  Inconfundível, polêmica e glamorosa, simplesmente a Rafaela. Entre as figuras populares mais queridas de Cosmópolis, registrada em uma das suas “andanças” diárias pela região central.

Popular entre a maioria da população, consciente da sua história de vida pessoal e familiar. Impopular, nos olhares daqueles que desconhecem sua trajetória, por preconceito e intolerância.

Nascido Rafael Guimaro, tornou-se conhecido como Rafaela nos anos de 1980. A mudança feminina do nome, surgiu de modo pejorativo nas ruas, como agressão verbal por sua condição sexual.

A infeliz brincadeira, trazia sua revolta, deixando seu carrinho de papelão onde fosse, para ir embravecido atrás do afrontoso chamado.

Quando foi expulso de casa, assumiu-se totalmente como Rafaela, a transformação foi intensa e constante. Dormia onde encontrava uma sombra no relento, não escolhia lugares depois de descobrir o álcool, ingerido como um refúgio as dificuldades da vida.

O nome feminino, antes gritado como um modo de ofensa, tornou seu nome próprio, respondendo com orgulho: “Oláá colega, sou eu mesma!!! “.

Sempre extravagante nas vestimentas, criava sua própria moda com as inúmeras doações de roupas e utensílios que recebia.

Delicada do seu jeito, não ficava sem seus batons e esmaltes, guardados no improviso entre as roupas, ou em uma bolsinha doada.

"MARCELA DA RAFA, RAFA DA MARCELA"
Discreta nos amores assumidos, teve muitos namorados pelas ruas, ou companheiros como ela dizia. Destas afeições das ruas, surgiu sua inesquecível filha, a inseparável Marcela.

Uma pequena vira latas, herança de um “ex amor”, a qual Rafaela cuidava como fosse sua filha. Sempre cheia de mimos e carinhos, dividia tudo com ela, menos as pingas.

Marcela na verdade, era sua guardiã, companheira e defensora nas ruas. Em quase 8 anos de convivência, as duas marcaram época por onde passavam.

Quem não lembrasse das duas comendo um “dogão do Dadá”, dividindo o mesmo lanche, sentadas nos bancos da Matriz?

Não esquecendo das cenas tristes, das várias convulsões da Rafaela pelas ruas, onde quem clamava por ajuda (latindo sem parar), era a intrépida Marcela.

Em uma das internações da Rafaela, em clínicas de reabilitação psicológica e química, Marcela foi adotada por uma família. A separação foi necessária, para uma mudança benéfica nas vidas das duas amigas.

O fim da história da Marcela é desconhecido, só não, das suas inúmeras crias. São incontáveis “netinhos da Rafa” espalhados pela cidade, como carinhosamente mencionava os filhotes da Marcela.

Você pergunta agora, onde está a Rafaela?
Desde 2015, a Rafaela está em uma clínica especializada na recuperação de pacientes com transtornos químicos e mentais, localizada na região do Uirapuru.

Com os cuidados diários de medicações e alimentação, ela está totalmente diferente da antiga Rafaela das ruas.

Gordinha, com cabelos loiros longos, o sorriso constante e o jeitinho único de falar, demostram que está muito bem cuidada.

Como disse aos amigos do Conselho Tutelar: “Estou bemm e feliz,abraços à todos de Cosmópolis. Estou com muitas saudades das minhas colegas!!!”.

Uma notícia feliz aos incontáveis amigos da Rafaela, a sempre querida Rafa. Na próxima, com autorização da Clínica, postaremos um vídeo desta figura inigualável de Cosmópolis.

Texto e foto Adriano da Rocha

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

SERENOU, DEIXA SERENAR!!!

PELOS OLHOS DOS MEUS FILHOS

Em destaque, Largo da Matriz de Santa Gertrudes


 Serenou!!! Registros da manhã desta quarta-feira (8), na “Praça do Rodrigo” e Largo da Matriz de Santa Gertrudes.

"Praça do Rodrigo", registro feito no cruzamento das ruas Expedicionários e Moacir do Amaral

Entre pequenas palmeiras, o chafariz da Praça Paulo de Almeida Nogueira

Frio e muita garoa na madrugada, cerração na alvorada e termômetros registrando 15c•, e neste momento, sol predominante, com previsões de até 26c•.
Intempéries climáticas cosmopolenses, varias estações em um só dia!!!


📸 Fotos Lana Freitas

domingo, 5 de agosto de 2018

"CASINHA DO PAREDÃO"

USINA ESTER
 Casinha” das máquinas, das águas do Rio Pirapitingui em turbilhões, e dos destemidos “saltimbancos” de domingo.

Foto Conceição Tetzner








sexta-feira, 3 de agosto de 2018

"CHUVA DE IRRESPONSABILIDADES"




 Revolta, indignação e a mesma indagação de décadas: até quando isso será rotina na vida de milhares de cosmopolenses?

Ônibus sucateados, na maioria sem condições de atender com dignidade os usuários; constantes falhas mecânicas, decorrentes dos anos de uso e falta de manutenção regular; sobrelotação de passageiros, acomodações precárias para usuários e trabalhadores; conservação sanitária duvidosa, visível em toda área interna do veículo; goteiras, falta de sistema de ar condicionado, janelas danificadas; poltronas extremamente desconfortáveis, muitas destruídas pelo vandalismo e tempo de uso (...)

São as várias reclamações, postadas diariamente por milhares de usuários das linhas intermunicipais. Ônibus responsáveis pelos percursos Cosmópolis à Paulínia, Limeira, Campinas e bairros, transportando diariamente moradores de Cosmópolis, e demais cidades circunvizinhas, como Artur Nogueira.

A foto, é um dos registros feitos nesta manhã de sexta-feira (03). Em meio a incessante chuva, dezenas de trabalhadores cosmopolenses aguardam o conserto do ônibus intermunicipal da VB Transportes. Passageiros aguardam socorro mecânico do ônibus, no acostamento da SP-332, rodovia que liga Cosmópolis à Paulínia.

A cena transmite revolta e indignação, por ser a rotina diária de milhares de usuários das linhas intermunicipais. Recentemente, usando como argumento o reajuste de R$ 0,20 nas tarifas dos pedágios, a empresa aumentou em R$ 0,30 as passagens.

Mesmo com os descontos no diesel e impostos, alcançados com as greves de maio, a empresa realizou os aumentos das passagens.

Atualmente os serviços de cobrança dos ônibus foram modernizados pela empresa, sendo dispensados os cobradores. A medida adotada pela empresa, visa a modernização dos sistemas de cobranças.

Com o pagamento via cartões, diminuíram os índices de assaltos nas linhas, mas também, trouxe o fim dos cobradores.

Texto Adriano da Rocha
Foto Vitor Mattos

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

AINDA ONTEM EM COSMÓPOLIS

ACERVO DO ACERVO



#TBT Agosto de 2006/ 

  Há 12 anos, a Arara Alice e os ipês rosas, eram como marcas cosmopolenses no mês de agosto. Nossos cartões postais naturais, atraindo olhares admirados e surpresos, pela singular beleza destes encontros.

Em destaque, sua visita aos frondosos ipês da "Casa da Agricultura". Um conjunto de ipês bolinhas, famosos por suas exuberantes floradas.

As visitas da Alice aos ipês, eram motivo de orgulho aos funcionários da Secretária Municipal, fascínio aos motoristas e pedestres da região do Hospital.

A “peralta” mascote, tinha nos ipês seu refúgio, morada e descanso nas noites, mas principalmente, uma saborosa refeição. Alice adorava refestelar as flores, retirando com paciência, o néctar das “piúvas”.

Quem não lembra da Alice no ipê central da “Praça do Rodrigo”? O gigantesco ipê da Praça era um dos seus preferidos, nestes baquetes floridos de agosto.

Texto Adriano da Rocha
Foto Casa da Agricultura de Cosmópolis