sábado, 10 de novembro de 2018

IIIª CAMINHADA NA GRUTA CARRAPICHO

PATRIMÔNIO AMBIENTAL COSMOPOLENSE

Grupo participante da terceira edição da caminhada

 Realizada neste sábado (10). Foram 13,8 km de percurso, desbravando antigos acessos da Gruta, recolhendo lixo no percurso, despertando o amor pelo meio ambiente, nosso maior patrimônio, redescobrindo Cosmópolis.














Parabéns aos participantes. As próximas caminhadas, estão em estudo, para serem realizadas aos domingos.

Fotos Miler Adamo, Carlinhos Bandola e Grupo Gruta Carrapicho

terça-feira, 6 de novembro de 2018

FLORESCER DE ESPERANÇAS

    Em tudo, pode existir beleza na vida. Assim como a natureza, tudo recria-se continuamente. A transformação, está no olhar, como na motivação destas mudanças. Até o imperceptível aos olhos, pode transforma-se em um novo ângulo, uma nova perspectiva, para enxergarmos a vida.

Olhares da amiga Lana Freitas, mostrando que o simples, pode tornar-se grandioso, em outra visão. Basta mudarmos o foco, olhando não somente à frente, mas sim, em todas nossas voltas.




Qual será o maior destaque da foto, a Igreja, o florescer dos jardins, ou, você somente perceberá a falta de manutenção da praça?!
Tudo é visto, só não podemos perder as esperanças, e desacreditar no futuro da nossa cidade.
O progresso e retrocesso, não é determinado somente por políticos, mas sim, pelos eleitores conscientes do potencial de Cosmópolis. Afinal, os políticos, são nomeados pelo voto, como representantes de todos os cidadãos. Até daqueles que não elegeram os vitoriosos.
Nossa cidade precisa ser revista por novos ângulos e olhares. Despertando assim, novamente, o amor dos cosmopolenses por Cosmópolis.
Somente ama sua terra, quem conhece. Somente terá esperanças, quem olhar sua cidade, com os olhos do coração. Não somente com os olhares do ódio e mágoas.

📸 fotos Lana Freitas 
✍🏻 Texto Adriano da Rocha

“ESTHER, ESTÉR, DONA ESTER DO PROGRESSO E CARIDADE”

AINDA ONTEM
Texto e foto Adriano da Rocha


Em 06 de novembro de 1941, uma triste quinta-feira, há exatos 77 anos. Estridente o telefone de baquelite tocava no escritório, a telefonista transmitia uma mensagem de Campinas. Com triste pesar, a funcionária da “Companhia Sino Azul” noticiava à direção da Usina Ester: “Dona Esther Nogueira, acabou de falecer”

Era acionada a velha sirene da Usina, colonos e pessoas da Villa de Cosmópolis, ficavam alarmados com o incessante som. O povo cosmopolense, somente ouviu a sirene ecoar daquele jeito, nos tempos da Revolução de 1932.

A triste notícia espalhava-se, ainda mais que o som incessante da sirene, ecoando pelos canaviais. Ouvia-se em Arthur Nogueira, Limeira, Paulínia e Americana. Em pausados toques, dobrando o tom de luto, os sinos do campanário da Igreja Matriz de Santa Gertrudes, confirmavam a notícia.

Muitos cosmopolenses choravam, sem ao menos conhece-la pessoalmente. Eram as dores da gratidão, lágrimas em respeito à sua memória, sentimentos de um povo benevolente, assim como, a matriarca do progresso regional.

Em comovida homenagem, o jornal “O Estado de São Paulo”, noticiava com destaque o falecimento de Esther Nogueira.

O renomado professor Nicolau de Morais Barros, sobrinho do Presidente Prudente de Morais, expressava os sentimentos do povo paulista, pela triste perda. Abaixo, trechos da histórica publicação.

“Tinha uma personalidade marcante e de singular relevo. Oriunda de tradicional família paulista, nasceu em Campinas, e ali cresceu e se educou. Seu pai, José Paulino Nogueira, campineiro dos mais ilustres, ali vivera longos anos, amando e honrando sua terra natal, prestando-lhe assinalados serviços e cobrindo-se de benemerência, durante a epidemia de febre amarela, como presidente de sua municipalidade.

Proclamada a república, e nomeados ministros Francisco Glicério e Campos Salles, amigos diletos dos quais nunca se separou, Campinas se revestiu de galas para receber os filhos vitoriosos.

Coube a menina Esther, então com 12 anos de idade, trajada de república e ostentando o barrete frígio na cabeça, cingir a fronte de Glicério com a coroa de louros simbólica, dirigir-lhe uma saudação de glórias, pronunciada com ênfase e vibração patriótica.

Foi mãe extremosa e desvelada de seus oito irmãos, o mais novo dos quais contava com meses de vida.

Repartiu-se entre o pai, o marido, os irmãos e os dois filhos que lhe vieram. Desdobrou-se em carinhos e cuidados, com uns e com outros, fez-se o centro da família, e tornou-se o ídolo da casa. Um símbolo de caridade para toda sociedade.

Possuía Dona Esther, em alto grau e perfeito equilíbrio, as edificantes virtudes femininas. Mas o traço característico de sua personalidade, a essência de sua formação moral, era a bondade.

Bondade espantosa, irreprimível e transbordante. Bondade que fluía das palavras que lhe afloravam aos lábios, que irradiava do seu olhar mortiço e doce, que inspirava os menores atos e gestos de sua vida e que a fez tão benquista dos que lhe aproximaram.

Muito caridosa, ela praticava a filantropia e de acordo com o preceito evangélico, escondida e ignorada.

Sua bolsa nunca se fechou a um pedido. Bem poucos, dentro dos seus íntimos, conheciam a extensa lista dos seu protegidos, aos quais prodigalizava, além do auxílio pecuniário mensal, interesse solicito e assistência material e moral.

Dotada de inteligência aguda e clara, e notável memoria, ela se deleitava em rememorar fatos e episódios dos seus tempos de moça, em Campinas, e os sabia contar com surpreendente minucia nos detalhes.

Muito sensível aos agrados e carinhos que recebia, não era o menos aos que se lhe recusavam. Magoava-se, doía-se, mas...perdoava

Presa ao seu leito de dores e sofrimento, por longos e intermináveis meses, ela teve os males do corpo agravados pela saudade torturante de um filho ausente, que sonhava rever, antes de fechar os olhos. Quis o destino que esse sonho não se realizasse!!

A sua morte despertou, na sociedade paulista, um sentimento generalizado de pesar. O seu funeral, constitui-se de uma tocante consagração, já pela desusada influência de pessoas amigas, já pela profusão das flores que envolveram o seu esquife” (...).

DORES DAS SAUDADES
A saudade marcante do filho Paulo Nogueira Filho, Paulito, foi um dos mais agravantes motivos da sua morte. Por ordem do ditado Getúlio Vargas, os combatentes paulista da Revolução Constitucionalista de 1932, foram expulsos do Brasil.

Paulito, estava entre os principais responsáveis pela revolução paulista, escolhia-se o exílio fora do país, a condenação de morte. Estava vivo, porém, enquanto o ditador Vargas continua-se no poder, nunca mais poderia voltar ao Brasil.

Os familiares não podiam revelo, podendo serem condenados por conspiração ao regime do ditador Vargas. A mãe chorava a ausência do filho vivo, sem saber o dia, que poderia revelo novamente.

Essa angustia, debilitava a forte Esther, o filho estava exilado na Europa, que enfrentava a Segunda Guerra Mundial.
Qual amorosa mãe, não adoeceria nesta situação!!. Esther, faleceu aos 64 anos de idade.

Paulito e outros combatentes paulistas de 1932, somente voltavam ao Brasil no fim da ditadura Vargas, em 1945.

OLHAR FOTOGRÁFICO 
A foto em destaque, é o último registro de Dona Esther em vida, feito na varanda da Fazenda São Quirino. Na varanda, quando encontrava forças, ficava contemplando o horizonte da grandiosa fazenda. Olhando distante, na esperança de ver o filho regressando. O registro foi feito pelo neto, José Bonifácio Coutinho Nogueira.

Texto Adriano da Rocha

sábado, 3 de novembro de 2018

IIIª CAMINHADA NA GRUTA CARRAPICHO

Chegou o esperado dia!!! Acontece neste sábado (10), a caminhada à Gruta Carrapicho, com concentração e saída, às 7h15, da Guarita Municipal, próximo ao trevo da Usina Ester.
O percurso, ida e volta, é estimado em 10 quilômetros, podendo ocorrer alterações nos trajetos, devido ao condicionamento dos participantes.

O término é previsto para às 12h30, retornando ao ponto de partida na Guarita. Outros pontos da Fazenda Usina Ester serão visitados pelos participantes, sendo escolhidos, no decorrer da caminhada.
A caminhada é livre, com atividades voluntárias de limpeza no percurso, recolhendo lixo e detritos dos pontos visitados.
É recomendado aos participantes utilizarem calçados fechados, calças, boné ou chapéu, protetor solar e repelentes.
Não esquecendo de levar água para seu consumo !!!
Agradecimento especial à Usina Ester, pela liberação e o livre acesso aos participantes

P.A.R.T.I.C.I.P.E
Conheça Cosmópolis, e surpreenda-se com nossa natureza. O maior patrimônio do cosmopolense, é sua terra!!!

CEMITÉRIO DAS SAUDADES E MEMÓRIAS

122 ANOS DE SEPULTAMENTOS
Primeiras quadras do cemitério, datadas de 1896 à 1930. Ao lado direito da foto, o segunda quadra infantil . Ao fundo o novo cruzeiro e velário, construído sobre a antiga edificação e "casa do coveiro"

 Na semana marcada pelo “dia de finados”, registros do secular Cemitério Municipal da Saudade, em Cosmópolis. Surgiu em 1896, por iniciativa de imigrantes dos núcleos coloniais.
Em 1897, o governador Campos Salles, decretou a incorporação do cemitério ao município de Campinas.
A principal razão, o crescente número de mortos vitimados pela febre amarela, e a extrema necessidade, do governo realizar os serviços de vigilância e sepultamentos.



FEBRE AMARELA E TIFOIDE
Monumento criado na antiga área de isolamento dos mortos de febre amarela. Erroneamente, registrada como "peste bubônica "
Um salvo engano, nunca existiram vítimas de peste bulbônica em Cosmópolis, como erradamente está escrito no cemitério.
No espaço, enaltecido como vítimas da peste bulbônica, estão sepultados isoladamente, vítimas da febre amarela e tifóide.
O projeto, criação do espaço isolado, é descrito em documentos da Câmara Municipal de Campinas, sendo seguidos em outros cemitérios das Villas, como Artur Nogueira, Americana e Paulínia.
O espaço de isolamento, seguia as novas normas de combate à febre amarela, criadas pelo médico sanitarista Adolfo Lutz.
O renomado médico, esteve em várias ocasiões em Cosmópolis, descritas, no livro comemorativo ao centenário do instituto Adolfo Lutz.

OLHAR FOTOGRÁFICO 
Sibipiruna florida, contrastando suas cores em todo o cemitério


Entre os destaques dos registros, o encontro entre a vida e a morte, no florecer das sibipirunas.
O intenso amarelo das flores, contrastam por todo cemitério. Assim como, os tapetes de flores, espalhados pelas sepulturas.




"Capela da Ressurreição", atual espaço ecumênico 


Um saudoso finado, sempre lembrado nesta data, é o popular Argemiro.

Personagem singular das ruas cosmopolense, recordado em inúmeras histórias dos anos 1960,70 e 80.

Novo calçamento construído pela prefeitura, área utilizada como estacionamento, foi "cascalhada" 
Obs: Parabéns à prefeitura municipal, pela construção do calçamento e plantio de árvores. Depois de décadas de requerimentos e pedidos populares, enfim, o projeto saiu do papel.

Texto e fotos Adriano da Rocha

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

DIA DO ETERNO AMOR

AINDA ONTEM EM COSMÓPOLIS
Texto Adriano da Rocha
Fotos Luizinho Ferreira

 02/11/1950Dia do eterno amor, em memória da saudade, na fé pelo reencontro. Uma quinta-feira, há exatos 68 anos, em Cosmópolis. Aqui publicamos, um conjunto de três fotos, perdidas entre um álbum repleto de preciosidades do cotidiano cosmopolense. As fotos registram o “dia de finados”, no Cemitério Municipal da Saudade.

Considerada uma das datas mais importantes da liturgia católica, as imagens são de autoria de um evangélico, o saudoso Luizinho Ferreira. Não era fotografo profissional, mas sim, um apaixonado por fotografar Cosmópolis.

Em cada foto, marcas da fé popular, tradições típicas de Cosmópolis, como as barraquinhas de melancia e abacaxi, as jardineiras “bardeando” passageiros, e principalmente o respeito, na memória dos saudosos sepultados.

Nos registros, o encontro nas sepulturas, dos amigos e familiares mortos, os reencontros dos amigos vivos, nas visitas aos finados.
“Na terra dos mortos, são revividas vidas”, já dizia meu finado pai, seu Juvenil da Rocha.

Revivendo essas vidas, através das fotos, recordo suas memórias desta data, as lembranças dos “dias de finados cosmopolenses”.

AS HISTÓRIAS NAS FOTOS
O antigo cruzeiro, velário das almas, ponto mais alto do cemitério, foi utilizado como base pelo fotografo na primeira foto.

Ainda, uma simples cruz de madeira, edificada sobre degraus, onde eram acessas as velas, localizada no centro do antigo “Cemitério Alemão”. Criando em 1896 por imigrantes do Núcleo Colonial, incorporado ao município de Campinas, em 1898.

Em 1951, o modesto cruzeiro foi totalmente demolido na primeira ampliação do cemitério municipal.

Obras do prefeito João Guilherme Paz Herrmann, João da América, construindo um novo cruzeiro e velário, ao lado da extinta casa do coveiro, popularizada como casa do “Dito Coveiro”.

No fim dos anos 1950, com a demolição da “igreja velha”, e construção da nova Matriz de Santa Gertrudes, o cruzeiro do Largo, foi transferido para o cemitério. Permaneceu no cemitério, até a nova ampliação das quadras, no fim dos anos 1970.

Observe, muitas pessoas caminhando, seguindo várias direções, chegando e saindo. Reencontro de amigos vivos nos corredores, conversando sobre a vida, “visita” aos finados amigos, relembrados com saudades e orações.

Movimento intenso de familiares, casais e crianças. Intenso como o sol, ressaltado pelos vários “guarda chuvas”.

Este ponto, era utilizado como o principal acesso as sepulturas, atual quadra 8, divisa entre as quadras infantil e adulta. Próximo deste acesso da foto, ficavam as barraquinhas.

Neste período, somente barracas de velas, flores naturais, vasos e arranjos, e a tradicional barraca das melancias e abacaxis.


TRADIÇÃO DA MELANCIA 

Na barraca das melancias era intenso o movimento, expostas no chão de terra, empilhadas em fileiras, uma sobre a outra. Na bancada os abacaxis ananás, pequenos e com grandes coroas.
O motivo da escolha destas frutas, assim como a tradição cosmopolense da melancia no dia de finados, eram as produções municipais. Cosmópolis durante décadas, foi uma das principais produtoras de abacaxis e melancias do Estado.
Com destaque em inúmeras propagandas do governo, jornais, e revistas como a “Fom Fom” e Cruzeiro
A proximidade do cemitério, com os bairros produtores destas frutas, como Santo Antônio, Campos Salles e “Vista Bela”, atraia os sitiantes à venderem na data.
Aproveitando o intenso movimento dos visitantes, criando essa típica tradição de comer melancia no dia de finados.
A revenda acontecia em outros cemitérios próximos, como o de Artur Nogueira, Paulínia e o cemitério rural dos Pires, em Limeira. Seguindo essa tradição, em outras cidades da região.
Era costume ir na missa das almas (celebrada próximo do cruzeiro), e trazer para casa melancias e abacaxis. Uma tradição ainda preservada por muitos cosmopolenses.
O progresso canavieiro, e principalmente, o surgimento da laranja, mudaram as produções agrícolas de muitos produtores. Há décadas, essas frutas não são produzidas em Cosmópolis.
Porém, mesmo sem produção local, as barracas das melancias continuavam nos acessos ao cemitério.
Neste ano de 2018, não encontrei melancias na região do cemitério da saudade. Somente em Artur Nogueira e Paulínia, ainda persistem as tradicionais barracas. Nestas cidades no caso, gigantescas tendas, com centenas de enormes melancias.


JARDINEIRA, TROLES, CHARRETES E CARROÇAS

A maioria dos visitantes, chegavam ao cemitério pela velha estrada do Núcleo Colonial Campos Salles, popular caminho da “Escola Alemã” e Ponte Preta (ponte férrea da Funilense).

Nesta estrada, o acesso era direto ao cemitério, como diziam: “um retão só, com muita poeira vermelha, pomares e canaviais”.

O caminho da Escola, era utilizado pelos moradores da Villa, colonos da Usina, e região rural do Nova Campinas.

No dia de finados, o movimento de troles, com suas elegantes rodas de dois tamanhos, charretes, carroças, cavaleiros, e as icônicas jardineiras, era intenso.

As jardineiras da Auto Viação Cosmópolis, passavam o dia inteiro “bardeando” passageiros aos cemitérios da região.

Até então, o acesso pela Avenida da Saudade, era utilizado basicamente, como principal acesso dos moradores dos sítios daquela região.

Cosmopolenses do Itapavussu, Coqueiro, Saltinho, Uirapuru, utilizavam a antiga estrada do Quilombo, que acessava os fundos do cemitério.


FOTÓGRAFO DO COTIDIANO 
Sepultura de Luizinho Ferreira no Cemitério da Saudade, localizada na antiga quadra 1

Importantes registros fotográficos, como a Estação da Sorocaba (antiga Funilense), construções públicas (Castelo d´água, Praça do Coreto, pontes sobre rios, escolas), e inúmeras cenas do cotidiano cosmopolense, são de autoria do Luizinho Ferreira.

Comprou a máquina usada, modelo até moderno para época, daquelas de fole, com o zoom calculado por distância.

Foi um dos primeiros funcionários públicos de Cosmópolis, dos tempos da sub prefeitura à municipalidade, trabalhando com todos os prefeitos eleitos do seu tempo.

Amador na arte fotográfica, criou suas próprias técnicas de enquadramento, perspectiva e foco. Apaixonado pela profissão e Cosmópolis, registrou seus dias, sem imaginar, que ficariam registrados eternamente, como imagens da nossa história.

Luizinho Ferreira, faleceu aos 90 anos de idade, em 2007. Um dos irmãos do saudoso Constantino Ferreira, o inimitável, Tita da "Loja do Queima".

Era casado com Dona Elídia, casal conhecidos carinhosamente pelas crianças, como os donos da Casa dos anõezinhos, localizada na Ramos de Azevedo. Em breve, merecidas lembranças deste saudoso casal.

As fotos em destaque, foram digitalizadas pelo historiador Mano Fromberg.

Texto Adriano da Rocha
Fotos Luizinho Ferreira

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

TBT/ AINDA ONTEM EM COSMÓPOLIS

DIA DA SAUDADE

Será que era a Rua Santa Gertrudes que começava na Matriz, ou, a Matriz de Santa Gertrudes que terminava a Rua?!


  O céu está turvo, escuro, quase furta-cor, vai chover. O sacristão, “passando” as correntes que limitam o começo e fim da rua, faz o sinal da cruz. Católico fervoroso, olhando a tempestade que principia nos céus, diz: “Valei-me Santa Bárbara, dos raios e tempestades”.

Calma!!! Chuva braba, só vem em Cosmópolis, quando forma lá para os lados de Americana. Nuvem escura, formando no Coqueiro e Morro Amarelo, é benção para terra. Deixa chover!!

O escuro dos céus, envoltos de nuvens carregadas de chuvas, contrastam com o tom pêssego da Matriz. Os marcantes alto falantes das portas, memoráveis pelas tristes notas de falecimento, ainda funcionavam simultâneos com a torre, ecoando os anúncios ao som da Ave Maria.

Colunas, arcos, arabescos, e a simbólica cruz, imponente no campanário, destacam o branco na pintura.

Cândidos, como a porcelana branca reluzente, do icônico chafariz tulipa.

Altivo, com seu pedestal revestido de pequenos azulejos, ladrilhos, nas cores branco e azul celestial.

Nas bases, as marcantes cerâmicas paulistas, popular vermelhão. Assentados como soleiras, envoltos de “sempre verdes” e flores.

Antes eram dois Tulipas, imponentes, um de cada lado da Rua Santa Gertrudes. Iguais, mesmo fabricante e ano de construção, do saudoso Tulipa, do chafariz dos "Jardins" do Coreto.

Depois de muitas reclamações de zelosas mães, as coroas de Cristo foram arrancadas dos jardins. Na época, tradição na jardinagem interiorana, seguiam os arredores dos jardins, e os entornos da Matriz.

Destacados entre os revestimentos cerâmicos, assentados como “guarda peito”, segura sujeira, nas bases da Igreja. Realçados na foto, pelo intenso tom avermelhado dos azulejos.

Os arbustos, eram temidos por seus espinhos (por isso o nome, alusão a cora de espinhos usada por Cristo na crucificação), e principalmente, pelo veneno branco das folhas. 

Queimava a boca, inchava os beiços. Uma senhora, amedrontando as crianças, dizia que uma menina morreu lá em Guaiquica (Engenheiro Coelho).

A molecada atentada, cortava as folhas e galhos, só para ver o caldo branco vertendo. “Um sacrilégio fazer isso”, já esconjurava uma carola.
As portas estão abertas, o relógio funcionava, pontualmente marcava três horas. Igual um carrilhão, badalava os sinos nas horas cheias e meias.

Acompanha a Rua até os degraus da Matriz, o calçamento de pedras portuguesas. Seguem bancos de granilite com propagandas comercias, e postes de iluminação com seus chapeuzinhos esmaltados, apelidados de chinesinhos.

Muitas quaresmeiras nos jardins, tons roxos e rosas, e um solitário "flamboaiã". Como dizia um senhor da Usina: "flamboriam, sombreiros da Baronesa".

O sentido viário da rua, segue para Rua Campos Salles, antiga Alexandrina. Uma caminhonete surge, rodando em direção à Rua Campos Salles, que então, seguia para Rua Expedicionários.

O portão da casa de esquina, residência do casal Tereza e Albino Scorcione, está aberto. Será que aguarda a caminhonete?!

Não sei, preciso ir embora, até o Vila Nova é um estirão. Já começou a garoar, pingando mais que os balcões do Tabajara e Mirto Davinha, em tempos de peãozada na Petrobras.

Vou cantar os pneus da minha Caloi, quero chegar rápido, para comer ainda quentinho meu cachorro quente do Dadá , com o suco de laranja de litrão, que antes era Cr$ 1,00 cruzado novo, agora já são mil cruzeiros do Rondon.

Essa “tabelação” da URV, está mudando os preços todas as semanas. Não reclamo, antes do Itamar, era tão “mar”, que mudava todo dia. Uma carestia só!!!

Espero que o tal do real, mude para melhor as coisas do Brasil.

Importante, que ainda sobrou dinheiro dos meus dez mil cruzeiros. Neste fim de semana, quero assistir “meu primeiro amor” no Cine Theatro Avenida.

Quem sabe, não vejo minha paquera, que mudou do EEPG de Cosmópolis, para Escola do Comércio.

Dinheiro vai ser contado, mas o drops dulcora está garantido. Vai que no escurinho do cinema, não imitamos a história do filme. Né não!!!

Texto e foto Adriano da Rocha

terça-feira, 16 de outubro de 2018

PASSADO, PRESENTE E FUTURO


Os tons de verde são intensos, contrastando com o laranja das ferragens. As chuvas transformam, trazendo vida com suas águas. 

É a natureza renascendo constantemente, recriando a paisagem. 

Tudo muda na paisagem, são as fases da natureza. Só a velha estrutura inglesa da ponte ainda é a mesma. Com mais de 100 anos de história sobre o Rio Jaguari.

📸 Foto Alex Ribeiro

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

RELEMBRANDO A “TUCA DA MÉLICA”

DIA DA SAUDADE
2008/ TBT/ Ainda ontem... 



Olha ela!!! Nossa saudosa “Tuca da Mélica”. Uma das personagens mais marcantes da história popular cosmopolense.

Cedinho ela já estava pelas ruas, percorrendo a cidade inteira com sua enorme cesta de palha, repleta dos seus famosos produtos, suas “coisinhas” e “negocinhos”, como ela dizia, “baratinhos para você me ajudar”.

“Tudo bem colega?! Heim, trouxe umas coisinhas “procê” me ajudar freguesa. Tem de tudo um pouquinho, dá uma “oiádinha” e compra pra ajudar eu”.

Com paciência, mostrava cada item ao cliente, enaltecendo com seu jeitinho único de falar, as qualidades e funcionalidades das “coisinhas”.

Na “cesta da Tuca”, na maioria produtos importados da china, trazidos por um familiar de São Paulo.

Nas palavras da “Tuca da Mélica”:” oiá tem chaveiros, canetas e canetinhas, lapiseiras, pulseiras, presilhas, “piranha que é de cabelo”, “coisinho para amarrar o cabelo”, muitas coisinhas e negocinhos bonitos, procê comprar e ajudar eu”.

O produto mais pedido e vendido, seu mais popular item, os imãs de geladeira, as “bonequinhas da Tuca”.

Eram pequenas bonequinhas de plástico, destas utilizadas em maquetes escolares e decoração de festas, o diferencial, a confecção artesanal das vestimentas.

Já surge na mente a Tuca, em frente sua casa na Avenida Ester, região da antiga rodoviária, tricotando. Parando à todo momento, acenando aos “fregueses amigos”, transitando pela movimentada Avenida.

Com extremo cuidado, a Tuca e familiares, confeccionavam roupinhas de tricô para cada bonequinha.
Surgiam “saiotinhos” e “chapelotes” nas pequeninas bonecas, tricotados em várias cores, roxos, vermelhos, amarelos, azuis, nas bordas, detalhes em fios brancos.

Um trabalho artesanal, feito com admirável minucia nos modestos detalhes, realçados com ornamentados de lantejoulas.

Com muito capricho e delicadeza, ela prendia parte dos produtos nas alças da cesta, cheinha dos seus “coisinhos” e “negocinhos”.

Cesta no braço, saia cedinho de casa, voltando com o balaio praticamente vazio. Tinha seus truques de venda, cativava com o olhar e a simplicidade, até conquistar a compra do cliente.

Resmungava sim, quando menosprezavam seus produtos, mas igual uma criança, não guardava magoas. Até dos zombares, como ela dizia “os caçoadores”, reprimia falando: “Deus tá vendo viu!!”.

Caminhando com seu modo bem peculiar, com um braço para traz e outro segurando à cesta, andava “ligeira” nos passos. Sequelas de um acidente, e marcas genéticas da sua formação congênita.

Os traços acentuados no rosto, a gesticulação ao conversar, seus “joínhas” ao cumprimentar e agradecer, o sorrisinho tímido, a voz de um timbre sem igual, são marcantes na memória dos cosmopolenses.

ETERNA MENINA DAS RUAS
Desde criança, possuía uma incrível disposição para as vendas, tudo que encontrava pelas ruas revendia.

Nos tempos do matadouro municipal, as sobras rejeitadas dos bois e porcos, como as vísceras, ela limpava com muita calma e cuidados, revendendo nas casas.

Os pesados baldes de alumínio, carregavam as carnes limpas, percorrendo os arredores oferecendo o peculiar produto.

As frutas das matas da Usina, ou das árvores das ruas, móveis, sucata, tudo transformava-se em produtos revendidos pela Tuca.

Sempre disposta, não rejeitava nada, distância ou cansaço, nunca serviram como impedimentos e desculpas.

Era seu jeito de ajudar à família nas despesas da casa, não por obrigação, mas por amor à sua “profissão de vendedora das ruas”. Foram mais de 50 anos, dedicados ao seu varejo popular, orgulhos da nossa menina das ruas.

Somente no fim da vida, acamada pelas complicações geradas pela diabetes, a irmã por cuidado, não aceitava suas saídas. A visão não era a mesma, as pernas cansavam facilmente, tombos começavam a ser constantes.

Aos 58 anos, a nossa menina terminou seu percurso na terra, encerrando sua missão de vida. Falecia Maria de Fátima Paes,  no dia 11 de maio de 2013, há exatos 5 anos, no Hospital Beneficente Santa Gertrudes.

Marcou época com sua história pessoal de vida, simples, humilde e até sofrida, mas dignificante em muitas passagens.
Participou sem perceber da sua importância, na criação de outras milhares histórias de vidas cosmopolenses.

Nossa menina, “Tuca da Mélica”, o motivo de infindas saudade e recordações. Merecidamente sim, resgatada neste dia consagrado mundialmente, como a “quinta-feira da saudade”.

Oh coisinha, Tuca, saudade de ti menina!!!

Texto e fotos Adriano da Rocha