quinta-feira, 28 de abril de 2016

ADEUS PROFESSORA MARIAZINHA

Professora Maria Strazzacappa falece aos 97 anos 




Fotos Família Strazzacappa 


   “A primeira professora a gente nunca esquece”... Mas como esquecer alguém tão especial e importante para a história de Cosmópolis e várias gerações de cosmopolenses!? Quando tristemente recebi a notícia, essa foi minha reação, total indignação pela falta de respeito e interesse por nossa história. Os detentores da notícia esqueceram, ou, faltou espaço entre tantas matérias pagas e ocorrências, para lembrarem-se desta imensurável perca.

  Cosmópolis despediu-se no dia 8 de abril, uma triste manhã de sexta-feira, da sua eterna professorinha, Maria Aparecida de Toledo Strazzacappa, ou como era carinhosamente conhecida, Dona Mariazinha. Partiu para casa do Pai, aos 97 anos de idade, sendo seu corpo sepultado no Cemitério Municipal da Saudade, ao lado do esposo Orlando Strazzacappa. Dona Mariazinha e Orlando, tiveram seis filhos, Ana Maria, Marta, Cristina, Elizabeth, Luís (Neto) e Orlando (Filho). Dona Maria Strazzacappa foi professora em todos os sentidos da vida, sua paixão e o amor pelo magistério foram seu exemplo maior de vida, seguidos pelas filhas Ana Maria, Marta, Cristina, Elizabeth, professoras com muito orgulho, professando os mesmos passos da mãe, caminhado lado a lado com seus alunos, na estrada do conhecimento. Conhecidas em Cosmópolis, como "as professorinhas da Dona Maria".

Professora  Maria Strazzacappa rodeada das filhas, as professorinhas da Dona Maria.
Irmãos Strazzacappa.
   Maria Aparecida Rangel Toledo nasceu em 2 de março, em Cruzeiro, famosa cidade paulista do Vale do Paraíba, mudando-se ainda criança para a progressista Villa de Cosmópolis. A mudança da família Rangel Toledo, surgiu por um convite do Professor Felício Marmo, primeiro professor de Cosmópolis, responsável pela fundação da primeira Escola Público da Villa em 1905, inaugurada em uma pequena casa na Avenida Esther, existente até hoje, ao lado da Loja Seller. O convite, uma proposta de emprego para Dona Mariana Conceição Rangel Toledo, mãe de Dona Mariazinha, lecionar em um grupo escolar (reunião de várias escolas) que começava a ser construído na Rua Campos Salles, ao lado da Sub-prefeitura de Cosmópolis.

Dona Mariana Rangel (óculos), em um registro familiar no fim dos anos 50.


     Oficialmente em 1925, Dona Mariana Rangel e outros professores, inauguravam o “Grupo Escolar de Cosmópolis”, que na década de 40, foi então nomeado Grupo Escolar Rodrigo Octávio Langard de Menezes. Nesta primeira turma de alunos, Dona Mariana lecionou para sua filha, a pequena Maria Aparecida, então com 7 anos de idade. As aulas, naquele tempo, eram divididas em períodos, na parte da manhã os meninos, no período da tarde as meninas. Dona Mariana é considerada a primeira professora da “Escola do Rodrigo”, assim como a primeira professora contratada pela sub-prefeitura de Cosmópolis, distrito da cidade de Campinas.

  A jovem Maria Aparecida, ao terminar o ensino fundamental em 1928, mudou-se para Campinas, para então terminar os estudos e realizar seu maior sonho, ser professora como sua mãe. A menina ficava encantada com o magistério, a sala de aula, as palavras escritas com giz no velho quadro negro, os livros, os olhares deslumbrados dos pequeninos alunos, descobrindo o mundo através das aulas da sua mãe, tudo naquele mundo escolar lhe trazia fascinação.

Maria Aparecida Rangel de Toledo, registro de 1940, álbum dos formandos do "Instituto de Educação de Campinas".


   Em 1940, oficialmente a normalista tornava-se professora, diplomada pelo renomado “Instituto de Educação de Campinas”. Nas viagens entre os estudos em Campinas, e as visitas aos pais em Cosmópolis, Maria Aparecida conheceu o jovem Orlando Strazzacappa, filho do lendário fazendeiro Luiz Strazzacappa, dono de umas das terras mais produtivas de Cosmópolis, localizada onde hoje existem os bairros do Uirapuru, Saltinho e Quilombo. Em uma cerimonia reservada na velha Igreja Matriz de Santa Gertrudes, Maria Aparecida unia votos com Orlando, tornando-se então, Maria Aparecida de Toledo Strazzacappa.

   
 O casal Dona Maria Strazzacappa e Orlando Strazzacappa.

  
Luiz Strazzacappa.

    A vida era muito corrida, a rotina com os seis filhos e os demais alunos, os quais tratava como seus filhos, era extremamente cansativa, sempre ao seu lado, o esposo incentiva Maria em tudo. Enquanto Orlando tratava dos negócios da família, a esposa lecionava nas escolinhas rurais da região do Itapavussu, onde as aulas aconteciam durante dois dias da semana, sempre nas manhãs, e diariamente no período da tarde, no Grupo Escolar Rodrigo, lecionando durante anos, ao lado da mãe, Dona Mariana.

   Não podemos esquecer que Orlando Strazzacappa foi um dos emancipadores de Cosmópolis, lutando junto a outros idealistas, pela emancipação política e administrativa da cidade de Campinas. Um sonho que se tornou realidade em 30 de novembro de 1944; nesta data Cosmópolis deixava de ser Villa, para oficializar-se como município. Na primeira legislatura de Cosmópolis, onde foram empossados Moacir do Amaral e Caetano Achiles Avancini, primeiro prefeito e vice, Orlando Strazzacappa foi nomeado um dos primeiros vereadores do recém-criado município. Sendo eleito pelo voto novamente, na primeira eleição municipal, realizada em outubro de 1945.

Família Toledo Strazzacappa reunida, Dona Maria e Orlando, rodeados dos seis filhos.


   Cortando pelas centenárias estradas rurais de Cosmópolis, “lai vem à professorinha”. Com seu impecável vestido de linho branco, um lindo chapéu na cabeça, seguia Dona Maria em seu trolinho entre as lavouras. Cortava as “picadas” (nome paulista as estradas abertas por carros de bois nos tempos dos Bandeirantes) apressada, levantando a poeira vermelha das estradas do Uirapuru, Itapavussu, Saltinho, Nova Campinas e Fazenda Usina Ester. Lugares distantes, estradas até mesmo intransitáveis, mas com coragem e muito amor aos seus alunos, seguia Dona Maria.

   
   Uma professora dos livros e letras, uma professora da vida, conselheira e amiga dos seus filhos escolares. Depois de mais de 30 anos de ensinamentos, oficialmente aposentou-se, com todos os méritos e honras, na Escola do Rodrigo.Escola que viu nascer seus sonhos, onde sua mãe foi à primeira professora. Em vida recebeu uma eterna homenagem da prefeitura, com seu nome enaltecendo uma escola infantil no bairro Cidade Alta.

Dona Maria lecionando aulas de piano aos seus alunos.
2014...Dona Maria, então com 95 anos, interpretando em um teclado algumas notas.

    Pioneira como sua mãe Dona Mariana, a primeira professora da Escola Rodrigo, Dona Maria Strazzacappa, herdou o magnifico dom de ensinar, seguindo outro marco da família: ensinar música. Ainda criança apreendeu com mãe a tocar piano, acompanhando os vários alunos que Dona Mariana recebia em sua velha casa na Rua Antônio Carlos Nogueira, próxima a antiga “Companhia Paulista de Electricidade”.

  São tantas referências de uma história fascinante, um livro que muito bem poderia ser intitulado: “Eterno amor por Cosmópolis”.



   
  Na Igreja Matriz de Santa Gertrudes, Dona Maria foi responsável por uma das mais tradicionais festas cosmopolenses, a famosa e extinta “Festa de Santo Antônio”, realizada anualmente no Largo da Matriz. Dona Maria e outras dezenas de senhoras da comunidade, organizam durante todo o mês de maio, a celebração da festa no dia 12 de junho. As trezenas começavam no fim de maio. A festa foi no seu tempo, um dos maiores eventos da região, com barracas típicas, intenso leilão de prendas e gado, animado pelos saudosos leiloeiros Zuza Nallin e Sérgio Rampazzo.

Maria Strazzacappa., em um dos últimos registros familiares.


    Fica aqui nossa homenagem, pequena comparada com a grandeza de nossa querida professorinha. Em nome do povo cosmopolense, muito obrigado Dona Maria Strazzacappa. Descanso merecido a uma eterna guerreira, a filha que escolheu Cosmópolis como seu berço, orgulhando em todos os seus 97 anos a nossa cidade. Os sinceros sentimentos aos milhares de alunos, o abraço em cada familiar, a nossa eterna saudade. As glórias de Deus e de Cosmópolis a Dona Maria...

Fotos Família Strazzacappa 

terça-feira, 26 de abril de 2016

DOMINGUEIRAS FUTEBOLÍSTICAS

Texto e foto  Adriano da Rocha


  1959... Uma típica manhã de domingo em Cosmópolis. Arquibancadas cheias, repletas de famílias de torcedores, homens, mulheres e crianças, que, ao sair da missa na Igreja Matriz de Santa Gertrudes e, do culto na Igreja Luterana, tinham seu destino certo: O “Estádio Thelmo de Almeida”. Nos impecáveis gramados do “Alviverde Cosmopolense”, todos os domingos a tradição era seguida, os velhos portões de madeira, construídos com antigas dormentes da “Cia Funilense”, ringiam pontualmente às 9h00, um som estridente que parecia dizer: “Sejam bem vindos ao Cosmopolitano”.

   Nas Ruas Campinas e Moacir do Amaral, ainda de terra batida, ansiosos torcedores aguardavam o início da “peleja futebolística”. Fordinhos, impontes Chevrolet’s e Chrysler’s, dividiam espaço nas ruas de terra com charretes, carroças e troles. As calçadas possuíam um ponto para “apiar”, um estaca de madeira possuindo na ponta uma argola de aço, onde o condutor amarrava as rédeas dos animais . Somente o passeio público era cimentado, nas calçadas do Estádio ficavam as famílias, crianças, mocinhas e senhoritas. Do outro lado, nas calçadas do “Bar do Ibi e Dona Esmeralda”, concentravam-se os rapazes, em dezenas de Calois e Monarks de barra circular.

   As bicicletas sempre impecavelmente limpas, enfeitados com fitas e sinais refletivos inusitados destacavam os “paralamas”; item obrigatório para não sujar as roupas “claradas” com “Anil”, ou quem sabe, o vestido da linda cosmopolense sentada na “garupa”.

   O registro fotográfico do fim dos anos 50 eterniza um pouco deste relato das “domingueiras futebolísticas” de Cosmópolis. Uma tradição que surgiu por intermédio dos funcionários da saudosa “Companhia Sorocabana”, percursores do “Football” no interior paulista, modalidade que chegou aos gramados da Villa de Cosmópolis no fim do século 19. A foto marca um domingo de jogo entre “Cosmopolitano e Botafogo Futebol Clube”. Uma disputa acirrada entre os reis dos gramados da Villa e da Usina, ou como diziam na época, “vileiros e colonos “rancando” até “toceira” na peleja da bola”.

  Um detalhe nesta foto para sua saudade, outras lembranças da velha Cosmópolis surgiram na sua mente. Repare no lado esquerdo da foto, o famoso carinho de doces e pipocas do “Ferruccio”. O carrinho chama atenção e saudade, por sua vitrine alta, feita de ferro forjado e revestido de vidro, onde eram expostas as pipocas que “saltitavam” na panela de alumínio batido, que reluzia de tão “arriada”, visto os cuidados com a limpeza e o amor pelo trabalho.

  Nos domingos de futebol, “Ferruccio pipoqueiro” era figurava cativa entre os torcedores, assim como o Xavier dos sorvetes (esqueci seu apelido, pai do Poly), os irmãos Bocaiuva vendendo amendoim torrado, o velho Ortiz e meu saudoso amigo Sodinha (esposo da Nega Vieira), vendendo pipoca doce e cocadas da Campineira. Doceiros, pipoqueiros, sorveteiros, não faltavam, a domingueira atraia futebolistas de toda região, paulinenses, nogueirenses e campineiros, tinham roteiro certos aos domingos.

  Terminando o jogo, os vendedores como Ferruccio, já preparavam seus carrinhos para pontualmente às 16h00, ir para o “footing” na Praça do Coreto, concentrando uma parte dos vendedores na Praça e outra turma no "Cine Theatro Avenida". O ponto principal do Ferruccio, era a calçada do extinto cinema, que deste tempo só resta a velha Sibipiruna, a qual faz sombra aos pedestres que passam pela calçada da Loja Seller.

  Não esquecendo, que as “domingueiras da bola” aconteciam em dois Estádios, revezando a cada domingo as disputas entre o Estádio Thelmo de Almeida e na Usina Esther no “Estádio Dr. Sérgio Coutinho Nogueira”, históricos gramados da União Esportiva Funilense.
  
  Como o Thelmo de Almeida, impiedosamente destruído em nome do “progresso”, o Estádio do Funilense segue o mesmo triste fim. Em nome do “progresso”, com a aval dos detentores do patrimônio particular e os “responsáveis” pelo patrimônio histórico cosmopolense, os verdes gramados darão lugar a um imenso canavial, sendo divido pela Usina, em terrenos para a plantação de cana de açúcar e ponto de armazenamento de bagaço e frota...
   
  É pois é, hoje as manhãs de futebol em Cosmópolis, ficaram somente nas lembranças, visto pelas dezenas de ocorrências policias, que até em campinho de várzea é perigoso “jogar bola” em Cosmópolis. Quando não é carrapato estrela, transmitindo febre maculosa , é “nóia noiado” roubando de bola, chuteira e celular. Fica o registro e o somente a saudade, já que nem estádio e paz temos mais...

Texto e foto Adriano da Rocha

terça-feira, 29 de março de 2016

"Rans Piter Maque Lauer": Adeus ao Miguézinho

Texto e fotos Adriano da Rocha
Seu Migué, Miguézinho ou Miguézão. Arquivo A.R 2008
     Sem muito alarde, homenagens ou lembranças emocionadas nas redes sociais, faleceu na segunda-feira (28), um famoso e querido “anônimo” das ruas de Cosmópolis. Aos 74 anos, morreu no “Lar dos Idosos Irmã Rosália”, Miguel Romero Filho, o sempre alegre e sorridente “Miguézinho do Asilo”. Seu sepultamento aconteceu na tarde de segunda-feira (28), no Cemitério Municipal de Caraguatatuba, cidade onde residem seus familiares.

  Uma figura única, com seu jeitão bem peculiar ao falar e andar, percorria diariamente as ruas e avenidas da cidade, com sua inseparável bicicleta do banco todo “danado”, traduzindo do paulista, quebrado, lascado, ou como ele dizia: “pegando na bunda”. Quando alguém perguntava seu nome, sério ele respondia: "Meu nome é  Rans Piter Maque Lauer ". A maioria não entendia, com cara de bravo fazendo graça, retrucava: "é isso mesmo que o senhor não entendeu
Rans Piter Maque Lauer".



  Nas filas das lotéricas sua presença era sempre fiel nos dias de sorteios da Mega, Loto fácil e Esportiva, chegava falando alto e cumprimentando a todos.

  Mesmo pelas dificuldades da vida, nunca perdeu a esperança de ter a sorte grande novamente e fazer a sua “fezinha”, enfim, “mudar” de vida. Uma vida que ele reclamava apenas das dores nas pernas, nunca dos erros. Era cheio de superstições no jogo, tirava uma nota da sua carteira velha, cheia de papéis de anotações e, quase nenhum dinheiro, e pedia para a moça da lotérica fazer o jogo. Dobrava várias vezes, como um ritual, colocava na carteira sem ver os números, abrindo o bilhete somente no dia do sorteio.

  “Sou um véio feio, barbudo e suado, vou me juntar aos outros véios iguais a mim nessa fila”, dizia Migué ao entrar nas filas preferências da vida. Para ganhar uns “trocados”, fazia serviços de pagamentos para o asilo, comerciantes do centro e amigos. Suas credências ao oferecer o serviço: “sou véio, todo lascado e fedido, então de um jeito ou de outro, passo rapidinho na fila”.

  Mulher bonita ele chamava de “Cláudia Raia",  "Sofia Loren", ou carinhosamente "minha abelha rainha"; os  homem de “Janiquine” alusão ao famoso galã Reynaldo Gianecchini, ou , Pepino de Caprio, famoso galã italiano da década de 60. Quando a pessoa fosse de “mais idade”, com seu jeitão brincalhão dizia: “Eh parceiro, tu tá igual a mim, só que mais feio”.

  Nos tempos do antigo Banespa, e sua extinta “muretinha” ,um sobressalto do jardim na frente do banco (derrubada devido aos constantes roubos de bicicletas), reuniam aposentados e amigos para conversar todas as tardes naquele local. Guardava-se as bicicletas nos fundos do banco, embaixo de uma enorme mangueira, depois de pagar as contas nos bancos, o pessoal sentava para “assuntar” na murretinha. As figuras típicas da “muretinha” eram os saudosos Poka, Lisão, Bikudo, Tuka com suas “coisinhas”, entre todos que descansavam as pernas na “muretinha” usada como “banco no Banco Banespa”.

  Migué tinha na “muretinha” um lugar cativo para sentar e falar das notícias da cidade e do mundo, ao derrubar a muretinha seu banco de repouso tornou-se a escadaria da “Farmaxima”, ou nos degraus da loja da Dorothy Moreli. Adorava “noticiar notícias noticiadas”, principalmente de saúde. Falava, falava, falava e não deixava ninguém falar, enquanto não termina sua notícia, vista sempre no Globo Repórter ou Ana Maria Braga, seus programas preferidos. 

  
Saindo do Rocha na Rua Monte Castelo, depois de horas de prosa com  "Edson Celulari", como carinhosamente chamava o amigo Juvenil da Rocha. Foto Arquivo A.R 2008



   Foi um dos últimos “Papai Noel” da Avenida Esther, com sua barba branca, voz grossa de tanto fumar, não precisava incorporar o personagem, só ter controle na hora de entrar as balas, por causa da sua diabetes, e uma boa sombra ao “verão natalino cosmopolense”. “Isso aqui “suá” mais que bunda de padeiro”, brincando sobre a roupa de veludo grosso, típica do Papai Noel.

   Antes de “aparecer” em Cosmópolis, Miguélzinho foi figura de destaque na cidade de Campinas, nome respeitado na aérea comercial e alta sociedade campineira nas décadas de 60 e 70, apelidado de o “Rei do Jeans”. O apelido surgiu por ser um dos maiores varejistas de calças jeans da região central. Sua loja na Avenida Treze de Maio, próximo à antiga Casa Campos, era uma referência para comprar as famosas calças Lee e Staroup.

  Foi conselheiro e fanático torcedor futebolista da Ponte Preta, até um dia brigar com Emerson Leão, então goleiro do Palmeiras, que disputava contra a “Macaca” em Campinas. Migué desconcentrou o goleiro Leão brincando sobre sua masculinidade, dando vantagem para um gol da ponte. Advertido pela presidência, foi suspenso do clube, pegou “raiva” , quando viu o goleiro e jogadores da Ponte todos juntos tomando uma choupada animada no Giovanetti. Assim me disse um dia: “Trouxa é quem se mata por time de futebol, a paixão de jogador é dinheiro e não bola”.

   Participou ativamente da sociedade campineira, atuando na Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC), entidades filantrópicas e grupos religiosos, até...praticamente mudar de vida totalmente, com as mulheres , jogos e bebidas. Perdeu tudo, sozinho, sem família e amigos, encontrou em Cosmópolis um abrigo e uma nova família no Asilo e pelas ruas da cidade.

   Há cerca de 6 anos, uma irmã descobriu onde Migué estava, os irmãos estavam separados por “coisas da vida” por mais de 30 anos . Sua irmã saiu de Campinas na década de 70, tornando-se empresaria em Caraguatatuba. “Vivi e revivi na vida, comecei e recomecei, não me arrependo de nada. O importante nisso, em perder tudo, é saber quem é amigo de verdade. Só assim, se f.. para saber quantos amigos são amigos de você e, não do seu dinheiro”. Assim ele me disse, e guardo a frase como uma lição d real da vida.

  Descanse em paz “Véio Migué”, por mais que fosse seus pecados a balança de São Miguel, irá pender por suas virtudes e bondades. Saudades dos vários e vários amigos que deixas em Cosmópolis. Vai com Deus Miguel, seus amigos Zé Honorato, Juvenil da Rocha, Arthur Suzan, Valter da Farmácia, entre tantos saudosos amigos cosmopolenses aguardam a sua chegada à casa do Pai.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Luto Cosmopolense: Adeus José Honorato Fozzati

  Texto e fotos Adriano da Rocha
Aos 73 anos, faleceu na madrugada de segunda-feira(28), um dos maiores defensores de Cosmópolis



  Faleceu na madrugada desta segunda-feira ( 28), aos 73 anos de idade , José Honorato Fozzati , ou, popularmente como era conhecido, “ Zé Norato do Ecin”, vitima de um infarto , decorrente de várias complicações de saúde que enfrentava nos últimos anos. Seu corpo será velado para a última despedida, na “Loja Maçônica 31 de março”, localizada na Rua Antônio Carlos Nogueira, 1860, saída para Paulínia/Campinas. O corpo despede-se da “Grande Loja” às 16h00, saindo em cortejo para o sepultamento no Cemitério Municipal da Saudade. Autoridades municipais decretaram luto oficial de três dias, pavilhão cosmopolense hasteado a meio mastro.

   Em 1943, nos fundos da antiga casa comercial dos Fozzati, uma loja de armários e alfaiataria da família, localizada na Rua Campinas, esquina com a Rua Campos Salles, local onde funcionou durante décadas a primeira Lotérica de Cosmópolis, nascia José Honorato, o 4ª filho do casal Dinorah Frungilo e Honorato Fozzati, o popular Honorato alfaiate. O menino muito tímido e reservado (traços que o acompanharam por toda a vida), começou a trabalhar ainda criança para ajudar a família. Aos 7 anos de idade, seu primeiro emprego foi como ajudante de marceneiro da lendária “ Oficina de Marcenaria e Carpintaria Tavano”, comandada pelo mestre Paulo Tavano.

   
Final dos anos 50, José Honorato (terceiro de roupas brancas), junto aos irmãos e familiares, em frente a Alfaiataria e armarinhos Fozzati, localizado na Rua Campinas esquina com a Rua Campos Salles. O prédio ainda resiste aos mais de 70 anos de sua construção, assim como o esplendoroso pé de manga, que pode ser visto no lado direito da foto ao fundo.

  O menino franzino ficou pouco tempo neste ofício, os trabalhos eram extremamente árduos para uma criança, foi quando o saudoso casal Constantino Ferreira , “Tita Bichara” e sua esposa Dona Júlia, convidaram José Honorato para trabalhar na “Loja do Tita”, onde permaneceu como ajudante durante anos. Os trabalhos na Loja do Tita começavam somente à tarde, depois de sair das aulas no “Grupo Escolar Rodrigo Octávio Langard de Menezes”, Escola do Rodrigo. Quando o tio Milton Frugilo tocava a sineta anunciando o término das aulas, José descia correndo a Campos Salles para almoçar e, rapidamente já ir para as ocupações na Loja do Tita. Na loja que tinha de tudo, Fozzati, montava móveis, vendia pregos por quilo, cortava tecidos, fazia de tudo, uma verdadeira escola, com o velho Titia, um dos mais habilidosos comerciantes de Cosmópolis.
  
  
 A velha Cosmópolis crescia as margens da Cia Sorocabana, em um progresso comercial incrível, o velho Honorato já não dava conta dos inúmeros pedidos de ternos e calças, clientes de toda a região procuravam seus serviços e do irmão Tharcílio Fozzati. Profissionais do corte e costura, “moldados” pelos mestres da alfaiataria Irmãos Nallin. Para ajudar o pai, José deixou a Loja do Tita e começou a aprender o oficio de alfaiate, trabalhando ao lado do irmão Antônio Carlos e das irmãs Maria Therezinha, Maria José e Maria Aparecida.
Final dos anos 50...Alfaiataria Fozzati, com suas maquinhas Singer "a toda pedaladas", movimentadas pelos irmãos Fozzati, comandados pelo mestre Honorato Fozzati, patriarca da família. José é o primeiro ao lado esquerdo.


  No fim dos anos 50, José Honorato e cerca de cem alunos, inauguravam o Ginásio Estadual Dr. Paulo de Almeida Nogueira, o popular Gepan, a turma constituíram os primeiros formandos ginasiais de Cosmópolis. Aos 19 anos, José Honorato ingressou os estudos no tradicional “Grupo Escolar Culto a Ciência”, centenária escola campineira, responsável pela formação acadêmica de vários imortais paulistas, como governadores, deputados e senadores . Para ajudar o pagamento das mensalidades escolares, José era contrato como escriturário do primeiro escritório de contabilidade de Cosmópolis, a “Aldohir Miguéis Contabilidade e Advocacia”. Nascia em 1962 às primeiras linhas da sua maior paixão a contabilidade, ramo comercial que dedicou intensamente todos os dias de sua vida.
  
1958..."Ginásio  Estadual  Paulo Almeida Nogueira", popularmente conhecido pela abreviação GEPAN. Foto oficial do ano de inauguração da escola, que recebia o nome de um dos principais diretores da Usina Ester, Dr Paulo Nogueira, esposo de Ester Coutinho Nogueira, genro de José Paulino Nogueira.

  Em 1965 ingressou os estudos na PUCC Campinas, formando-se anos depois em Ciências Econômicas pela instituição. Neste período acadêmico, José estudava e residia em uma pensão em Campinas, voltando para Cosmópolis somente quando sobrava algum dinheiro, para pegar a famosa “poeirinha”, nome das jardineiras que faziam o trajeto, ou odisseia, devido a condições das estradas de terra que ligavam Campinas à Cosmópolis, o apelido “poeirinha” era por esse motivo.

  Formado pela PUCC, em 1967 recebia o convite de Osvaldo Heitor Nallin, para trabalhar na administração do Escritório de Contabilidade Irmãos Nallin, o popularmente conhecido “ECIN Contabilidade”. Nascia então uma amizade e uma parceria, surgia José Honorato no ECIN para rescrever a história comercial cosmopolense, desta empresa que há quase 60 anos é um dos escritórios mais respeitados da região, responsável pela contabilidade fiscal, tributária e administrativa, de milhares de empresas da cidade e região.
  
  Confesso que ainda estou conturbado pela notícia de seu falecimento, escrevi essas linhas recordando os fatos que ouvi de sua vida, contados por ele mesmo em nossas conversas no ECIN, e outras demais prosas as quais durante horas conversava com meu pai, também saudoso, Juvenil da Rocha. Meu pai estudou com José, uma amizade que teve início nos anos 50, quando meu pai entregava carnes para o açougue do Garutti, e José Honorato entregava de casa em casa, revistas e jornais da banca do Alaor.
Em 2015,  alunos da Escola Rodrigo, homenageavam o ex aluno e defensor do antigo Grupo Escolar. Já debilitado pela doença, Fozzati buscou forças, desceu com ajuda as escadarias do Ecin e, foi ouvir a "Fanfara do Rodrigo", a qual tem José Honorato Fozzati como seu patrono. Foi está uma das últimas homenagens que José Honorato recebeu em vida. (Foto Ismael Silva)

  Um político que não era político, foi candidato uma única vez, atendo a pedidos de amigos e do sócio Osvaldo Nallin. Naquela época praticamente era obrigado pessoas ligadas ao comercio serem filiadas a um partido, no caso ARENA ou MDB. José Fozzati foi candidato a prefeito pelo MDB em 1972, perdendo para Orlando Kiosia. Com muita sabedoria e orgulho ouvi do amigo: “Por muita sorte não venci, não sou político, mas se tivesse, nunca que a estação seria demolida ”. Em 1973, por caprichos políticos de um grupo da cidade, a antiga Estação da Funilense foi totalmente demolida, para na época dar lugar a nova Rodoviária, projeto que nunca saiu do papel.

  Cada geração de cosmopolenses  terá uma lembrança do José Honorato, a geração 70 e 80, turminha da minha mãe, lembraram-se do Fozzati na extinta “Escola do Comércio “, como professor de matérias extremamente técnicas, como matemática, contabilidade e administração, as quais lecionava com verdadeira paixão pelos números e seus cálculos. Os alunos lembraram-se do professor e, também do querido Diretor Escolar do Comércio, sempre compreensivo e tolerante, um administrador escolar, consolidador e conselheiro das centenas de alunos da renomada Escola Técnica de Cosmópolis.

  A quem se lembrará do empreendedor, do conselheiro e amigo comercial de Cosmópolis, o Zé do Ecin ou Zé da Acico. Na Associação Industrial e Comercial de Cosmópolis (Acico), ao lado do saudoso Milvio José Di Sacco, o Milvio da Utilar Magazine, foi um dos percursores da instituição, responsável pela construção da Sede da Associação , e graças a sua luta o não fechando da Acico no final da década de 80, que enfrentava uma grave crise financeira.

  Na Loja 31 de Março, foi um dos fundadores da Sede e da oficialização da Maçonaria em Cosmópolis, ao lado de Frederico Capraro, Sidney Crepaldi, Miguéis e outros veneráveis. História maçônica cosmopolense ,que começou em um pequeno barracão comercial ao lado da casa de sua irmã Maria Fozzati, na Avenida Ester, local onde funciona atualmente uma Loja de Embalagens. Na loja, foi Aprendiz, Vigilante e Venerável Mestre. Aos cosmopolenses, a memória das grandes festas da “Feira Comercial e Industrial de Cosmópolis”, organizadas por José Honorato e irmãos, para construção da Loja 31 de Março, onde se apresentaram cantores como Jessé, Sérgio Reis, Chacrinha e suas Chacretes, Jair Rodrigues, entre inúmeros “astros dos discos e televisão”.
Março de 2016..No registro fotográfico a reunião da família Morais Fozzati: Mariana Fozzati, Aparecida Moarais, Daniel Fozzati e José Honorato Fozzati.

  José Fozzati, participou intensamente da vida comercial e filantrópica cosmopolense, dentro e fora do Ecin, foi presidente da ACICO, do Hospital Beneficente Santa Gertrudes (cargo que ocupou quando estava extremamente debilitado ), presidente do antigo Grêmio, Lions, conselheiro, fiscal e demais cargos no Cosmopolitano, uma lista imensa de contribuições às instituições cosmopolenses.

Enfim, tanta história para contar deste homem que fez história e, adorava resgatar e contar a história de Cosmópolis. José Honorato, foi o pioneiro a resgatar a história de Cosmópolis, digitalizando antigas fotos de amigos e clientes do ECIN. Um resgate que se tornou uma de suas maiores paixões da vida, exposta em todas as paredes do seu escritório, contada em dois livros que escreveu, “As Crônicas de uma cidade chamada Universo”, que virou até peça teatro nos palcos da “Escola Paulo Freire”, ou escrito semanalmente na coluna que escreveu durante anos no jornal “Gazeta de Cosmópolis”.
Na Gazeta de Cosmópolis, com certeza José Honorato trouxe com sua coluna, ou entrevistas especiais falando sobre a “antiga Cosmópolis”, um dos mais importantes resgates históricos de nossa cidade. Semanalmente na Gazeta, Fozatti semeava em palavras o amor e respeito a nossa história, imensuravelmente um trabalho magnifico sem precedentes. Trabalho o qual tive a oportunidade de contribuir, e hoje luto para perdurar com o mesmo afinco e amor, com o nosso “Acervo Cosmopolense”.
2015\ Prédio do Escritório Ecin na Avenida Ester, neste local Prédio Ana Victória, desde o início dos anos 2000, são realizados os trabalhos empresariais da equipe de Fozzati. (Foto  Ecin)

  Faltam palavras neste momento, Cosmópolis está de luto. A cidade perdeu um dos seus maiores defensores, o filho que amou intensamente a Mãe Cosmópolis, por 73 anos de sua vida neste chão. Aqui nasceu e escolheu Cosmópolis, para dedicar sua vida a construir a história de seus filhos, através do seu trabalho, e escrever e rescrever a nossa história. Merece o descanso velho guerreiro, os braços do Grande Arquiteto Do Universo esperam a sua chegada.

  Interceda por  sua querida Cosmópolis junto a Deus, assim como fez aqui na terra, com o mesmo amor e dedicação. Ficarão desmedidas saudades, assim como um colossal legado de honra e respeito à Cosmópolis. Em nome do povo cosmopolense, OBRIGADO José Honorato Fozzati. Vai em paz velho amigo.

domingo, 27 de março de 2016

Prece cosmopolense de Páscoa

   Meu Senhor Onipotente me desculpe se brasvemo nas palavras, mas por sermos filhos do mesmo Pai, neste livre arbítrio, escrevo a ti. Diz a tradição que Jesus Cristo visita todos os lares no almoço deste domingo de Páscoa.
   
  Ao visitar Cosmópolis peço que o Senhor tome muito cuidado, fostes traído por Judas , um único apóstolo que tinhas muita confiança; seus irmãos cosmopolenses foram traídos por dois falsos Messias , "Santo Tonhão" e "Santo Vicente Engarlatti", e outros doze apóstolos (vereadores) , sim doze Judas nos traíram.
  
  Caso o Senhor venha de carro, carruagem ou com o velho burrico que entrou em Jerusalém no dia de Ramos, cuidado Jesus, nossas ruas estão um "pecado" de buracos. Buracos tão grandes, como o descaso dos responsáveis por tamanha buracada.

 Venha preparado Jesus , traga seus Anjos , chame São Jorge com seu cavalo, venha preparado com chicote e porrete, que Cosmópolis está cheia de "Barabáz" pela cidade; roubando sem nenhuma piedade, até a casa do nosso Pai (igreja ) já roubaram a fiação e o cofre de esmolas, para comprar a mardita droga.
  
  Cuidado Jesus Cristo, tem muita gente sem crença e fé, que pode tentar fazer judiação e crucifica-lo novamente. Corre o risco do Senhor "morrer" outra vez , com a mesma humilhação e desumanidade, caso seja atendido no Hospital Santa Gertrudes.
  
 Senhor Jesus, novamente lhe peço desculpas nas palavras, nosso almoço vai ser simples espero que goste, esse ano nosso Brasil está em crise. O pouco dinheiro que tinha paguei o iptu e a conta de água, tirei da boca dos filhos para pagar os impostos, tudo para os políticos encherem o bucho hoje de ovo de Páscoa.
  
 Jesus Cristo rogai por nós seus irmãos cosmopolenses. Seja bem vindo Jesus , só não repare a bagunça.
   
 Ao voltar a casa do Pai, avisa lá o pessoal que contabiliza os pecados e aumentar o espaço do caderno para anotar tanta coisa errada, prepara a balança dos pecados que corre o risco dela quebrar por tanto pecado a cobrar dos políticos cosmopolenses. 

Amém 
Boa Páscoa irmãos

ZÉ Lindo

quinta-feira, 24 de março de 2016

Um novo Hospital está a surgir !?

   Enquanto a Policia Federal está “Lavando a Jato” famosos políticos da região, a nova diretoria do Hospital Beneficente Santa Gertrudes está limpando a vassouradas a sujeira do Hospital. A nova presidência e diretoria foram eleitas no domingo (19), mesmo ainda não tomando posse oficial dos cargos, já “chegou chegando” nesta semana nas dependências do HBSG.

   O que a antiga administração em anos não teve competência e, principalmente vergonha na cara para “ver” e constatar, ou, até sabia só “não fazia nada”, o grupo comandado por Pachecão e a Dra. Marlene, descobriu na primeira “olhada”. Coisas bem coisadas que os mais de 60 mil usuários do único hospital de Cosmópolis, já sabiam e sentiam vergonhosamente na pele há anos.
 A listagem de irregularidade e desvios, assim como os vários envolvidos, será do nível da Lava jato. A operação “Vassourada cosmopolense”, já está causando pânico nos envolvidos nas “sem-vergonhices”.
  O lamaçal já está escorrendo pelas “berradas” do hospital, quem sujou e lambuzou tudo, está agora com o rabo todo sujo tentando disfarçar o cheiro. Mas não adianta, a cidade inteira já sentia a carniça, agora a fedentina está sendo averiguada pelos novos “donos da casa”.
Espero confiante, que todo esse “azedum” desapareça com a breve visita dos faxineiros da Polícia Federal.
  Vai na vassourada Pachecão e Marlene, o povo cosmopolense ansioso há anos espera essa faxina, para somente assim, o “nosso” Hospital venha a ser realmente beneficente a toda a população, e não beneficente apenas a um grupinho de sacripantas.
Roubar é crime, agora roubar dinheiro destinado para a saúde, é um pecado ainda maior que roubar mistura do prato da mãe. Cadeia é pouco , bando de disgranhentos...

ZÉ Lindo

quarta-feira, 23 de março de 2016

Terceiro Tempo relembra Nito Nallin

Foto acervo Nito Nallin: Belíssimo registro, pela Ponte, comemorando gol. Foto enviada por Lizandra Nallin, neta de Nito

  "Que fim levou", um dos quadros esportivos mais famosos da televisão brasileira,  do popular programa  Terceiro Tempo, conta a história do cosmopolense Helynito José Nalin, ou como era conhecido nos campos, o Nito, o querido Nito Alfaiate. Fora o erro na escrita do sobrenome na matéria, vale a pena ler essa homenagem, lindo resgate do futebol da nossa região.


O antes, nos tempos da mocidade nos campos campineiros do Guarani Futebol Clube", a foto atual, nos trabalhos como alfaiate na Rua Campinas, em Cosmópolis. Tradição  familiar no corte e costura, de mais de 80 anos. (Foto montagem: Terceiro Tempo)

Nito, aos 79 anos, em 2016, trabalhando como alfaiate, ofício que aprendeu com seu pai, ainda menino. Foto enviada por Lizandra Nallin, neta de Nito (Texto e foto Terceiro Tempo)

Confira mais fotos, a história futebolística e profissional de Nito no link da matéria abaixo:




segunda-feira, 30 de novembro de 2015

FELIZ ANIVERSÁRIO


Feliz aniversário terra querida
Apesar dos pesares, ainda temos muito a sonhar e lutar para que estes sonhos transformem-se em realidade.




sexta-feira, 30 de outubro de 2015

HALLOWEEN EM COSMÓPOLIS


  No país dos “modismos”, onde tudo é lindo visto de longe, eis que chega o “Dia das Bruxas”. Uma “criançada”, daquelas da calça baixa e cueca alta, membros da irmandade “manos e minas”, se vestiu de monstros e saíram pelas ruas de Cosmópolis. Cabulosamente fantasiados, seguindo a tradição americana do Halloween, pediam doces nas casas para acalmar os “espíritos do mal”. Em uma casa, depois de muito tempo esperando, o receoso proprietário resolveu sair e abir o portão. Ao serem atendidos falaram a celebre frase tão ouvida nos filmes de Hollywood: Doces ou travessuras?
  
  O senhor calmamente respondeu: “Bem meninos, o Brasil está em crise. O dólar subiu o açúcar também, e para não ser demitido, o patrão diminuiu meu salário. Estou adoçando o café com as balas que recebi de troco na padaria. Fora a crise, o dólar, existem as leis brasileiras. Se eu der algum doce a vocês, poderão dizer que estou usando os doces como troca de algum favor sexual. No final poderei ser preso como pedófilo, e virar Maria no cadeião de Hortolândia, por isso nada de doces”.
   
  A “criançada”, ou monstrinhos, responderam: “Então é assim tiozim!! Se tu não der os doces à gente vai fazer umas travessuras aqui, tendeu maluco? Tipo assim playboy, quebrar toda a sua casa, e fazer um limpa nos seus bagúio, e não vamos ser presos por que “semu di menor”. E aí que tu prefere tiozin, doces ou travessuras??.... Por essa e por outras, que esse tal de Halloween não vai dar muito certo no Brasil.

ZÉ Lindo

domingo, 18 de outubro de 2015

CORREIO POPULAR RELEMBRA A FUNILENSE


    Edição deste domingo (18) da Revista Metrópole, exemplar especial do Jornal Correio Popular de Campinas. Publicação que fui entrevistado pelo jornalista Rogério Verzignasse, na sua famosa coluna Baú de Histórias. O amigo das letras e prosas conta um pouco da história do meu acervo particular, criado em 1993 com meu pai Juvenil da Rocha, com destaque para as páginas a Companhia Carril Funilense. O assunto é bem extenso, mas foi muito bem resumido. Em um misto com fotos do meu acervo, uma viagem pela história e os trilhos de uma das mais importantes ferrovias do Brasil, hoje praticamente desconhecida por muitos.

  Obrigado ao amigo Rogério, ao fotografo Leandro Ferreira, e toda equipe do Correio Popular, pelo reconhecimento e atenção a este trabalho de amor pela região metropolitana de Campinas, em especial a minha cidade Cosmópolis. Energia, positividade das boas para continuar com o coração vibrante com essa paixão pela cultura e raízes da nossa terra.
Segue o link aos amigos para visualizar a versão digital da entrevista:


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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

117 ANOS DA CIA FUNILENSE

Texto e foto Adriano da Rocha


     Em 5 de outubro de 1898, uma terça-feira, há exatos 117 anos, oficialmente era inaugurada pela Companhia Carril Funilense, a Estação Barão Geraldo, que futuramente em 1905, mudaria o nome para Estação Cosmópolis. O progresso era proclamado na pequena povoação, que nascia às margens da linha da companhia, sendo anunciada na região como a “Nova Campinas”.

  Porém, as linhas de ferro chegaram antes, em 1890, com o inicio da criação da Companhia nas terras da Fazenda do Funil, o nome da Cia uma alusão à famosa fazenda da família Barbosa. Um projeto audacioso e pioneiro de seis campineiros, os fazendeiros João Manuel de Almeida Barbosa (Proprietário da Fazenda Funil- atual cidade de Cosmópolis), Barão Geraldo de Resende (Fazenda Santa Genebra), João Batista de Barros Aranha (Fazendas Itapavussu, Saltinho e interventor de Campinas -prefeito) Francisco de Paula Camargo (fazenda São Bento- atual cidade de Paulínia) José Guatemozin Nogueira (fazendeiro e comerciante) e José de Salles Leme (Fazendeiro). Um sonho que nasceu em um almoço na sede da Fazenda Funil, localizada há 120 anos, onde hoje são as instalações da Usina Açucareira Esther, demolida em 1896 para a construção da Usina.

   A estação Barão Geraldo, construída em tijolos aparentes, relembrava as construções inglesas do período industrial europeu, um projeto do renomado “Escritório de Arquitetura e Engenharia Ramos de Azevedo”, feito sob encomenda do Barão Geraldo de Rezende, primeiro presidente da Cia Funilense, e do Fazendeiro Francisco de Paula Camargo, primo do renomado arquiteto. As estações seguiam um padrão único em todas as “baldeações”, tijolos aparentes bem queimados, produzidos em pequenas olarias próximas da construção. No caso da Estação Barão Geraldo (Cosmópolis), na região da antiga Biquinha, atual Rua Baronesa Geraldo de Rezende, onde hoje existe o Bosquinho. Na olaria trabalhavam “ex escravos” alforriados, que na atual Rua Coronel Silva Telles, com as sobras dos tijolos e telhas da construção da estação, edificaram uma pequena vila, apelidando o local como Rua dos pretos.

   A estação seguia um padrão novo para época na sua edificação, os tijolos eram assentados com cimento importado, algo único em tempos de construções de taipa misturadas com barro e esterco de bois. O madeiramento dos dormentes das linhas, ornamentos da construção e bases do telhado, era extraído das enormes matas dos recém criados Núcleos Coloniais, chegando por carros de bois, vindo de uma antiga serraria de alemães que hoje é bairro rural da Serra Velha.
   Do escritório central da Funilense, a Estação Guanabara, atual Mercadão de Campinas, saiu uma grande comitiva para a inauguração das estações de José Paulino (atual cidade de Paulínia) e Barão Geraldo (cidade de Cosmópolis). O percurso entre a Estação Guanabara à Estação José Paulino foi de cerca de 4 horas, isso mesmo quatro horas de viagem entre Campinas e Paulínia, algo feito nos dias de hoje, no máximo meia hora.

  Ao inaugurar à Estação José Paulino, a comitiva seguiu no trem Número 01 da Funilense, rumo a Estação Barão Geraldo.
Uma enorme delegação de ilustres passageiros, muito bem acomodados nos vagões especiais da linha Funilense, os famosos vagões da classe A, “apiava” na nova Estação.

  Nos luxuosos vagões, os presidentes e sócios da Funilense, Barão Geraldo e a Baronesa Maria Geraldo de Rezende, Coronel Silva Telles, João Manuel de Almeida Barbosa (proprietário da Fazenda Funil), presidente da Câmara de vereadores de Campinas, João Batista de Barros Aranha; acompanhados do interventor de Campinas Francisco Glicério, José Paulino Nogueira e seus irmãos Sidrack, Major Arthur Nogueira, Luiz Nogueira, e Paulo Nogueira e esposa Esther Nogueira e família (proprietários da Usina Esther), representantes do presidente Campos Salles, em grande comitiva, formada por senadores, governadores e ministros, como o senhor Alfredo Guedes, Ministro da Agricultura, o Senador Adriano de Barros Vieira Bueno; entre embaixadores suíços e alemães que iriam conhecer os recém criados Núcleos Colônias Campos Salles e Santo Antônio, em destaque o Consul Cesar Bierrenbach e o ministro alemão Dr. Eschke.

   A Estação Barão Geraldo estava em festa, toda enfeita com bandeirolas e flores, carinhosamente ornamentada pelos moradores do pequeno vilarejo. Entre pequenos sitiantes, fazendeiros, caboclos e capiaus descendentes dos primeiros bandeirantes paulistas, muito imigrantes de várias nacionalidades, italianos, libaneses, espanhóis e portugueses, o os recém-chegados imigrantes suíços e alemães. Povos entre povos, culturas, sotaques, idiomas, tudo misturado aguardando ansiosos a chegada do progresso, tornando a Estação em uma verdadeira cosmopolita, um prefacio do que seria o seu nome anos mais tarde, o universo em cidade.

   Uma pequena missa campal foi celebrada no antigo recreio dos Bandeirantes, local onde hoje é a Praça do Coreto, secular caminho aberto pelos Bandeirantes, que ali repousavam para “criar” forças para seguir as “picadas” rumo a Limeira e Piracicaba. Autoridades religiosas abençoavam liturgicamente, cada um com seu modo peculiar da sua doutrina Cristã, as instalações da Estação. Em um ato ecumênico, Luteranos e Católicos, junto a Presbiterianos, rogavam a Deus para abençoar, abrindo os caminhos ao progresso nas terras da futura cidade de Cosmópolis, berço da primeira Companhia Agrícola Carril do Brasil, a lendária Funilense.

   Passados 117 anos da sua fundação, da pioneira e progressista Funilense, resta apenas a velha Ponte de Ferro, usada como “trampolim” de votos em época de eleição e, como fuga do famigerado pedágio; e o velho trenzinho canavieiro, exposto ao lado da casa do povo, a casa de leis de Cosmópolis, a Câmara do Vereadores. O trenzinho é o vergonhoso espelho da atual situação política e administrativa da cidade, usado como abrigo de “vagabundos” e biqueira de drogas. Foi queimado por um usuário de entorpecentes, que em uma noite de frio “ascendeu” uma fogueira dentro do pavilhão histórico, destruindo parte da sua estrutura de ferro forjado na Inglaterra.

   Nesta manhã estive no velho trenzinho com a  uma equipe  de reportagem , para uma matéria  especial contando a história da lendária linha Funilense. Presenciamos um senhor de meia idade, dormindo em um velho colchão dentro do trenzinho. Visivelmente alcoolizado, estava envolto de fezes humanas e animais, um cheiro indescritível e insuportável. No velho trem, testemunha da história de uma região e seu povo, muita sujeira gerada pelo uso de drogas e , mato alto cobrindo suas engrenagens enferrujadas.

  Tristes sinas do descaso com um dos únicos patrimônios oficialmente pertencente ao povo cosmopolense. Doado pela Usina Esther em 1997, para marcar o local como a Praça dos Ferroviários, com o trenzinho exposto como um símbolo do progresso da cidade considerada no passado a Nova Campinas Paulista.

  Hoje o trenzinho canavieiro da Funilense é o símbolo maior da decadência de uma cidade, e a vergonhosa incompetência politica de Cosmópolis, e ainda mais vergonho,hoje é a marca expressiva da omissão do povo da cidade de Cosmópolis. Sua marca vergonhosa por não lutar por sua terra, honrando o passado para a gloria no futuro.

Viva ao passado, lembrando a nossa história. Muitas preces, orações e muita fé para mudarmos o triste presente no futuro...