sábado, 14 de julho de 2018

AINDA ONTEM EM COSMÓPOLIS...

MEMÓRIA COMERCIAL


  Em julho de 1992, aos sons de picaretas e escavadeiras quebrando o asfalto, amanheciam os dias na região central.
Os paralelepípedos dos anos 1950, voltavam a surgir em trechos da Avenida Ester, envoltos de uma grossa camada de massa asfáltica que os cobriam.

Um mutirão de funcionários garantiam a agilidade das obras. Criterioso aos trabalhos e detalhes, o arquiteto Beto Spana, supervisionava a presteza dos serviços.

O prazo era corrido, tudo precisará estar pronto até o dia 17 de julho, para a grandiosa inauguração do “Calçadão da Avenida Ester”.

Seguindo o projeto do “calçadão”, os passeios públicos do então lado direito da via (atualmente seria o lado esquerdo), eram alargados, prolongando cerca de 6 metros.

As “costumeiras” sibipirunas plantadas nos anos 1960, entre piúvas rosas e ipês amarelos, eram cortados. Então necessário para ampliar o espaço de pedestres, outras espécies de árvores cresciam em novos espaços.

Os destaques principais, as palmeiras imperiais e coqueirinhos, contrastando entre os salgueiros chorões e impertinentes canelinhas. Gigantescos vasos de cimento recebiam mudas de flores diversas, predominando coração-roxo (trapoeraba), santolinas brancas e amarelas, volumosas e a ave do paraíso (Strelitzia).

As rústicas calçadas de tijolos revestidos de cimento, marcas dos tempos distritais de Cosmópolis, ficavam no passado. Ao menos, nos quarteirões do calçadão.

Caminhões de pedras de calcário preto e branco chegavam para revestir o calçadão e novas calçadas. Seguindo a tradição das calçadas portuguesas, habilidosos “mestres calceteiros” assentavam as pequenas pedras, formando nos contrastes das cores, a “logo marca” da administração municipal, intitulada “Governo Popular” ...

Podemos observar na foto, registro feito pelo mestre Bruno Petch, inúmeros comércios que marcaram épocas. Ao lado esquerdo, a famosa Vídeo Som, com seus produtos de alta tecnologia expostos na enorme vitrine.

Em evidência em fronte à Avenida, álbuns de fotografias com lindas capas estampadas, alto colantes e com proteção de plástico; filmes “Kodak” de até 36 fotos; e um cavalete propagava: “6 fotos para documentação reveladas em 48 horas”.

Ao lado a “Papelaria e Livraria Santa Terezinha”, que ainda não era divulgada como Papelaria do Brandão.

Na papelaria, um homem olha as manchetes dos jornais, enquanto dois senhores observam os trabalhos nas calçadas do “Escritório Pereira” e do famoso “Restaurante e Lanchonete Ranchão”.

As cores vermelhas e amarelas, símbolos da marca Caloi, demarcavam a tradicional loja dos irmãos bicicleteiros, a icônica “Sport Magossi”. Um homem andando de bicicleta desenhado na porta principal, secular símbolo da marca, oficializam a loja como autorizada Caloi.

Um gigantesco monte de pedras, enchem as frentes da “Karen Calçados” e “Roma Calçados e Confecções”.

Nosso olhar agora viaja ao lado direito da Avenida. Embora não possamos ver com nitidez no registro fotográfico, estão neste ponto a “Auto Escola Medeiros”, “Casa de Carnes Gaúcho” e “Alemão Games”.

Um grupo adentra a “Padaria e Confeitaria Estrela”, antiga Padaria Santo Antônio, então comandada pela família Marsoli.

Um luminoso de acrílico sublimado da “Skol cerveja Pilsen”, sobressai o nome “Sucão Lanchonete”. O toldo vermelho, traz o nome Sucão, sendo destacada a letra U como uma taça de suco, enaltecendo a marca e o nome comercial.

O olhar viaja no tempo, ao ver uma plaquinha amarela, demarcando o modesto espaço criado entre outros salões comerciais.

A placa de plástico rígido é dos anos 1960, letras desgastadas em baquelite, onde os números caíram com o tempo, ou simplesmente, não acompanharam o progresso da expansão telefônica.

Neste pequeno espaço, a placa anunciava somente “Distribuidor de Jornais, Revistas e Livros”. Não precisava de mais nada, os cosmopolenses e inúmeros outros “vileiros” da região, conheciam muito bem este local. Era a popular “Banca do Alaor!!

Último ponto, da famosa bancada de jornais que marcou época em Cosmópolis. O velho Alaor, sempre sério e austero, foi um dos percursores na distribuição de jornais e revistas, permanecendo neste oficio, durante mais de 50 anos.

A velha banca começou no antigo Largo da Igreja Matriz de Santa Gertrudes, prosseguindo na Praça do Coreto, até seu último ponto na Avenida Ester.

Noticiou, divulgou e entregou histórias, sem saber que seus jornais, revistas e livros, ao serem lidos, escreviam a história do modesto jornaleiro, como marcação nas lembranças dos impressos vendidos por ele...
Texto Adriano da Rocha

Foto Bruno Petch (Arquivo Prefeitura de Cosmópolis)

sexta-feira, 13 de julho de 2018

DIA MUNDIAL DO ROCK

MEMÓRIA COMERCIAL
"Bar e Lanchonete Tabajara"

 No “Dia Mundial do Rock” (13/07), como esquecer do “Bar e Lanchonete Tabajara”, em especial do “botequeiro e roqueiro”, Luís Tabajara. Nesta data consagrada ao Rock, nossa homenagem ao saudoso “Taba”.
“Botequeiro” que despertou este gosto musical em várias gerações de cosmopolenses.
Lei aqui, a homenagem publicada no dia do seu falecimento, em 12 de agosto de 2017.


A HISTÓRIA COMERCIAL
Um feliz acaso, quem sabe criado pelo destino, trouxe os Felicianos para a cidade de Cosmópolis. O patriarca da família, Antônio Feliciano, estava para se aposentar da “Usina Tabajara”, em Limeira, onde trabalhou por mais de 40 anos como chefe de turmas nos canaviais.
Feliciano buscava na sua aposentadoria realizar um sonho de criança, ser patrão de si mesmo, abrindo seu próprio negócio.
O intenso movimento na região central de Limeira, chamava a atenção do novo empreendedor. Depois do “footing”, o passeio dos jovens no fim de semana, trazia centenas de pessoas as inovadoras lanchonetes limeirenses.
Seguindo o modelo americano, mas com jeitinho brasileiro, os antigos bares começavam a mudar seu cardápio, ao vender suculentos lanches feitos em pães de baguete, recheados com muito queijo, suculentos bifes de carne gorda, tomate, picles e alface.
Era a sensação na época, os bares que somente serviam porções de ovos cozidos, salgados fritos e pão com mortadela, perdiam freguesia aos comércios que mudavam seu letreiro escrevendo Bar e Lanchonete. Entusiasmado, Feliciano começou a procurar em Limeira um imóvel para abrir o seu comércio.

BAR E LANCHONETE TABAJARA
Antes de oficializar sua aposentadoria pela Tabajara, Feliciano foi chamado para levar uma carga de cana na Usina Ester, em Cosmópolis. Depois do trabalho feito, Feliciano resolveu parar no lendário “Bar Balone”, localizado na esquina da Avenida Esther com a Rua Santa Gertrudes.

O proprietário, Emilio Balone, comentava sobre um bar montado na Avenida, que ele estava vendendo o ponto. Era uma simples casa comercial, bar na frente e residência nos fundos, a localização e o valor chamavam a atenção de Feliciano.

Da porta do bar podia ser visto o imóvel, o ponto era excelente, próximo ao Cine Theatro Avenida e a poucas quadras da Praça do Coreto, famosos redutos da juventude cosmopolense.

A parada no Bar Balone mudava o destino da família, Antônio resolvia investir suas economias para realizar seu sonho em Cosmópolis. Surgia em 12 de fevereiro de 1962, o “Bar e Lanchonete Feliciano”, que popularizaria meses depois com o nome Tabajara.

O nome foi dado pela pergunta feita pelos clientes do bar: “Onde está seu pai menino?”.

Com tradicional avental azul, o qual lhe acompanhou por toda vida, o jovem de 16 anos dizia: “meu pai está na Tabajara”.

O pequeno “botequeiro” era Luiz Feliciano, que ao lado da mãe Dona Aparecida Silvestrine Feliciano, e a irmã Mafalda, trabalhava no Bar durante a semana, enquanto o pai cumpria seus últimos meses na Usina Tabajara. Antônio somente voltava para a Lanchonete no fim de semana, quando o movimento era intenso e sem igual na cidade.

Em pouco tempo o novo comércio tornou-se uma referência na região central, sendo parada obrigatória depois dos passeios no jardim e das sessões do Cine Theatro Avenida.

RECEITAS ÚNICAS E SEM IGUAIS
Antônio e Dona Cida criaram suas próprias receitas de salgados e lanches, o cardápio era simples, mas chamava atenção dos paladares pelo inconfundível tempero e preparo dos alimentos.

Nos lanches o tradicional bife era trocado pelo hambúrguer, uma mistura de carnes moídas, apresuntado e bacon em tiras, algo único e totalmente diferente na pequena Cosmópolis. Outros pratos atraiam fregueses de toda cidade, como os croquetes de carne, o camarão de mineiro (torresmo frito), e os icônicos enroladinhos feitos com massa de pastel, com recheio de presunto, queijo e tomate.

Os salgados tornaram-se uma referência do Tabajara, sendo copiados por renomados bares da região, porém nunca igualados no exato preparo dos ingredientes. Perguntando ao Luiz o segredo das receitas, sempre bem humorado dizia:

“O segredo é o cortador de frios manual, a bacia para fazer a massa, o tacho para fritar, e preparar a mesma receita com os mesmos utensílios há mais de 50 anos no mesmo lugar. É a mesmice, tendeu!!! ”.

49 ANOS DE ETERNAS HISTÓRIAS
Em novembro de 2011, após 49 anos ininterruptos de funcionamento, o Bar e Lanchonete Tabajara fechava as portas. Uma festa organizada por gerações de clientes, marcava a “triste despedida” do Bar. A despedida fechou o quarteirão na Avenida Ester, reunindo mais de 800 pessoas ao som de muito rock antigo, som preferido do “Taba”.

ENQUANTO EXISTIR BOTECO NUNCA SERÁ ESQUECIDO
Sempre sorridente e disposto a fazer sorrir, não transparecia a tristeza em seu rosto. Com o mesmo sorriso que abria as portas, fechava ao sair o último cliente.

Atendia sua vasta freguesia sem distinção, a consumação, vestimenta ou situação financeira, não definiam o seu atendimento. O cliente que chegava pela primeira vez no bar, tinha a mesma consideração do cliente que ajudou a inaugurar o boteco.

O freguês que chegava de bicicleta, consumindo uma KS no balcão, recebia igual atendimento do cliente que consumia doses de whisky e enchia uma folha de comanda. *Atualmente, coisa rara em muitos botecos de Cosmópolis*.

Era destes “butequeiros” que mesmo com pouco estudo, exercia atrás do balcão os mais diversos ofícios, como: psicólogo (tentando entender a mente), psiquiatra (ouvindo e tentando aconselhar), jornalista (informando e descobrindo notícias), e o mais nobre oficio de botequeiro, o de farmacêutico, remediando com doses e garrafadas todos os males.

Ser doutor é muito fácil, qualquer faculdade ensina. O difícil é aprender na vida, a ser doutor de boteco. O Luiz Tabajara foi bacharel, um dos únicos com “Honoris Causa” em Cosmópolis. Nobre título, concedido não por uma renomada faculdade, mas pelo povo, nos seus mais de 49 anos de balcão.

O balcão não era seu fadário, sua obrigação diária para sua sobrevivência e da família. O bar era sua paixão, assim como foi o amor do seu pai, um visionário empreendedor que mudou a história comercial de Cosmópolis.

Na lembrança, fica o jaleco de brim azul claro, com enormes bolsos (onde guardava de tudo e fazia suas mágicas), e seu inseparável pano alvejado que trazia firme no ombro. Não esquecendo a caneta guardada nas costas da orelha, utilizada para fazer com exatidão as somas das comandas.

O malabarismo com os copos americanos, os truques com moedas, as pegadinhas usando as “bisnagas” de Ketchup e mostarda, onde mesmo conhecendo a brincadeira, todos sempre caiam na “falsa” espirada de molho. Tudo acompanhado pelas velhas e conhecidas piadas do Tabajara, com temas sempre cosmopolenses, ou adaptados para a cidade.

Seu nome de batismo ele até esquecia, mas jamais seu nome de botequeiro. Tinha o “Cai uma”, “Revortoso”, “Segura essa”, “Pode não”, “Bebe e chora”, “Inchadinho”, entre tantos únicos e inconfundíveis nomes. Os meus eram “Rochinha” e Noticioso (esse surgiu ao entrevista-lo).

Fica na memória detalhes do seu “templo” de oficio, que assim como seu dono sempre serão imortais nas nossas mais inesquecíveis recordações. O piso reluzente de cerâmica vermelha, o mural desenhado no azulejo, a parede repleta de quadros de bandas de rock e carros.

Nas prateleiras sobrepostas e fixas na parede, eram estocadas e expostas as bebidas quentes, como também suas coleções de “munições” dos tempos que serviu o exército, e uma incrível quantidade de latinhas que alcançava o teto.

Como esquecer as cadeiras giratórias de baquelite, as conversas debruçado no enorme balcão refrigerado, com detalhes sem iguais, revestido de formica nas cores branca e no tom que um dia foi vermelho.

Sobre o balcão a estufa dos apetitosos salgados, vidros de conservas, e dois enormes baleiros giratórios, repletos de opções de doces. Ao girar o baleiro, surgia um som inconfundível: a melodia da infância.

A única “modernidade’’ do bar era uma enorme televisão com DVD, onde Rolling Stones, Pink Floyd, Dire Straits, entre outros “monstros consagrados” do rock, faziam seus “shows” particulares diariamente aos frequentadores.

Quantas memórias heim Tabajara!!! Mais um amigo, um irmão de balcão, um guerreiro a menos para lutar por nossa Cosmópolis. Como você mesmo dizia:

“A gente até chora, eu sei que não é fácil. Mas prefiro que bebam por mim!!! Não tem nada mais bonito, que o “tim tim” de dois copos batendo, homenageando esse botequeiro”.

Em quanto existir cerveja e botecos em Cosmópolis, sempre o Tabajara será lembrado. Descanse em paz velho amigo, esteja com Deus Luiz Tabajara...

Texto Adriano da Rocha
Vídeo Acervo Cosmopolense
Música: Wish You Were Here - Pink Floyd

quarta-feira, 11 de julho de 2018

SOBRADO VELHO “A ÚLTIMA COLÔNIA”


A derradeira colônia cosmopolense, fora de Cosmópolis

 O intenso tom vermelho nos tijolos à vista, portas e janelas pintadas em um azul único, telhados baixos, pequenos jardins indicando a divisão das casas unidas por paredes. 

Demarcando as modestas moradias, cercas de bambu e ripas, uma porteira feita de dois troncos de madeira. Flamboyants, sibipirunas, entre outras árvores plantados em uma extensa fileira.

Traços marcantes da Colônia do Sobrado Velho, último conjunto de casas coloniais existente na região. Edificações reminiscentes do maior complexo colonial do estado de São Paulo, construídas pela Usina Esther no início do século passado.

Localizada em território pertencente a cidade de Americana (SP), a Colônia está há 8 quilômetros distante de Cosmópolis. Seguindo o mesmo processo que extinguiu as colônias cosmopolenses, a Sobrado Velho somente não foi demolida graças a união dos moradores de Americana. 

120 ANOS DE HISTÓRIA CANAVIEIRA
Caminhos estreitos, entre barracos e muita cana, seguem para Americana na centenária estradinha canavieira. O chão é de terra batida, cascalhada e até bem cuidada, sinal que as colheitadeiras e caminhões de cana transitam sempre na estrada.

Um gigantesco Flamboyant marca o principal acesso as casas, suas raízes saltam do chão. Em seus frondosos galhos um balanço, feito com cordas e um pneu usado. Duas tábuas de peroba usam as raízes como base, é um banco improvisado, com certeza feito por amigos, onde na sobra da árvore “matutam” conversas infindas sobre a vida. 

Quem viu nos últimos anos a demolição de mais de 200 casas, colônias do Bota Fogo, Quebra Canela, Saltinho, Cooperativa, e até mesmo o lendário Sobrado dos patrões, ficará emocionado ao ver essas casinhas.

As casas seguem o projeto colonial de 1898, elabora pelo renomado escritório de Arquitetura e Engenharia Ramos de Azevedo. A construção é simples, casa de colono não tem luxo, todas as edificações seguem a mesma concepção e material.

Os tijolos são todos aparentes, grandes e vermelhos, feitos de terra “massapé”, na mesma olaria que edificou a Usina Esther e a primeira Igreja Matriz de Santa Gertrudes. 

Nas janelas e portas um marcante destaque das coloninhas, tijolos assentados na transversal, um charme na modesta construção. No alto dos telhados, entre as telhas portuguesas, gigantescas antenas parabólicas, trazem um pouco de modernidade ao isolado lugar. 

O quintal é imenso, existindo em algumas casas velhos poços d’água (a maioria inutilizado), plantações de hortaliças, legumes, pequenos parreiras de uva e figo, e é claro as icônicas jabuticabeiras.

As pesadas portas e janelas, lavradas em madeira de lei (peroba rosa, jacarandá paulista e pinho), conservam o mesmo tom azul claro. A cor padrão das construções na época áurea da Usina, hoje a cor é o símbolo da saudade entre os colonos. 

Na entrada das casas muitas plantas e pequenas árvores, sempre ao gosto de cada morador. Em cada casa um capricho diferente no pequeno jardim, formado entre a rua de terra batida e o calçamento das casas. 

Espalham-se pelo chão e seguem crescendo subindo sem destino, flores como craveiras, roseiras, orquídeas do mato, cosmo laranja (popular flor do mato), crista de galo, entre uma infinidade de espécies e aromas, que desabrocham e perfumam todo ambiente.

Será que sonhei demais, viajei nas lembranças ao escrever esse relato?! Não, com extrema felicidade pode garantir, as palavras descrevem perfeitamente esse “paraíso” perdido. 

Você que não é nascido aqui, neste chão cosmopolense pode até dizer: “Mano, você exagerou chamar isso de paraíso”.

Mas amigo de outras terras, pode ter certeza, quem aqui nasceu ao ver essas imagens a palavra exata será paraíso. 

As lembranças marcantes vividas nestas modestas casinhas, transformam a derradeira colônia, em um local ainda mais perfeito que qualquer outro paraíso do mundo. 

Relatei com o olhar da alma, descrito pelo coração, e como diria um colono: “Tudo é igual como antes, o “disgranhento” “progresso” ainda não passou por lá “. 

Texto Adriano da Rocha

Música:
Bachianinha nº 1
Interprete e autor
Paulinho Nogueira
(Campinas, 8/10/1927 — São Paulo, 02/ 08/ 2003)

Leia matéria completa no link:

#Acervo11anos #SobradoVelho #Colônias #Colonias #Cosmópolis #Americana #UsinaEster#SaltoGrande #históriapaulista #Memóriacosmopolense 

domingo, 8 de julho de 2018

UM PASSEIO EM 1991


  “Um dia de domingo em Cosmópolis”, um passeio na Avenida Ester, do cruzamento com a Rua Campinas, até a Rua Santa Gertrudes.
Uma parada, no comecinho da Rua Santa Gertrudes, olhando o antigo Largo da Matriz pela Rua Ramos de Azevedo, e terminando nossa viagem, na divisa municipal com a Fazenda Usina Ester.
Espero que gostem do passeio em 1991, como também, da trilha sonora de nossa viagem ao passado cosmopolense. Uma viagem de muitas lembranças, nos caminhos das nossas saudades..

Direção e criação Adriano da Rocha
Música Floraux (Ernesto Nazareth)
Interpretes Cacai Nunes e Regional Chora Viola

quarta-feira, 6 de junho de 2018

UMA VIDA DEDICADA À CARIDADE

IRMÃS CALVARIANAS
Texto e foto Paróquia Santa Gertrudes

Quem é essa missionária que atravessando os mares dedicou sua vida durante 45 anos aos povos do Continente africano?




  Cecília Speglich nasceu em Valinhos-SP, no dia 19 de abril de 1927. Era a terceira filha de cinco irmãos. O ambiente familiar era Cristão e favoreceu o surgimento de sua vocação religiosa.

Tendo feito contato com as irmãs Calvarianas, inicio o postulado com 20 anos de idade. Terminada sua formação inicial, fez seus primeiros votos no dia 25 de janeiro de 1950 e recebeu o nome de Irmã Marta Maria.

Sua primeira missão foi em Catanduva, dedicando sua vida na catequese e no trabalho junto às crianças.

Em 1952 foi enviada para São Paulo, onde assumiu a catequese da Paróquia Santa Teresinha. Neste tempo foi criada a escola primária, junto à casa das irmãs e precisava de espaço físico para se instalar.

Foi então iniciada a construção do prédio da Casa Provincial para acolher a comunidade e o Noviciado ,deixando o antigo prédio para a escola.
Irmã Marta se empenhou com persistência, entusiasmo e coragem nessa construção que se tornou o coração da Província Brasileira.

Quanto sacrifícios para obter ajuda, pois os recursos eram escassos. Irmã Marta não conhecia descanso.

Em 1962, respondendo ao apelo da Igreja e da Congregação, e tomada por um grande ardor missionário, Irmã Marta partiu confiante naquele que a enviou em missão para o Continente Africano.

Em seu trabalho de evangelização se colocou inteira a serviço do povo africano. Enfrentou com amor e generosidade, o calor, cansaço, malária, a língua e os costumes diferentes, a alimentação, as longas distâncias.

Seu grande amor a Jesus Cristo sustentou-a nas dificuldades inerentes à missão, seja no aspecto cultural, religioso e social.

Esteve na Costa do Marfim durante 32 anos como missionária. Mas seu zelo missionário levava mais longe.

Em 1994 Irmã Marta foi enviada a Boké, na Guiné-Conakri, onde permaneceu firme doando sua vida na missão, ainda por mais 13 anos.
Tendo regressado ao Brasil, em 2007, continuou a sua missão em Cosmópolis.

IRMÃ DOS COSMOPOLENSES 
Seus limites de saúde não lhe permitiram realizar suas longas caminhadas ao encontro das pessoas.
Assumiu então a catequese de adultos da Paróquia Santa Gertrudes. E com carinho ela ajeitava os horários de cada um, para que pudessem ser preparados para os sacramentos!

Graças a ela, muitos foram batizados e crismados. Quantos tiveram a alegria de receberam o sacramento da reconciliação e da Eucarístia pela primeira vez.
Outra ocupação da Irmã Marta foi a Pastoral das Vocações, tanto na Àfrica como no Brasil.

Em Cosmópolis não podendo ser presença direta junto aos jovens organizou grupos de bordados e corte e costura para mulheres.
Esses grupos tinham dupla finalidade: aprendizagem e colaboração.

A cada ano organizava um grande bingo com os trabalhos que esses grupos produziam cuja renda era orientada para a Pastoral Vocacional.

Esta incansável missionária Calvariana soube viver as recomendações do nosso fundador o Beato Pierre Bonhomme: “Ganhemos almas! Repousaremos no céu!”

Obrigado Irmã Marta por sua paixão Missionária, por sua fidelidade ao apelo do Senhor em sua vida e pelo grande amor aos pobres, aos pequenos, aos necessitados.

Agora na casa do Pai, interceda por seus familiares, pela Família Calvariana e por todas as pessoas que passaram por sua vida e se beneficiaram com sua ajuda, com seus ensinamentos e com seu exemplo de Maria Santíssima !

Eternas saudades e nossa eterna gratidão...”.
Paróquia Santa Gertrudes de Cosmópolis !

terça-feira, 5 de junho de 2018

LUTO COSMOPOLENSE

IRMÃS CALVARIANAS

ADEUS IRMÃ MARTA
Texto Adriano da Rocha
Foto Acervo Congregação Nossa Senhora do Calvário


   Uma vida inteira dedica a fé e caridade, sendo mais de 70 anos consagrados à Cristo. Entre as Irmãs Calvarianas, o edificante significado da ordem em Cosmópolis.
Aos 91 anos de idade, faleceu nesta segunda-feira (5), a caridosa Irmã Marta, uma das irmãs da Congregação Nossa Senhora do Calvário.

MISSA DE CORPO PRESENTE E SEPULTAMENTO
O corpo será velado na Igreja Matriz de Santa Gertrudes, com chegada prevista às 21h30. Serão realizadas duas missas de corpo presente (Exéquias), nesta noite às 22h00, e na manhã de terça-feira (06), às 10h30.
Após término da celebração litúrgica, o corpo será transportado para Campinas, onde acontecerá o sepultamento no Cemitério da Saudade.

NOSSA GRATIDÃO E ORAÇÕES
Irmã Marta foi escolhido como seu novo nome, mestra no seu significado aramaico, nome da irmã de Maria e Lázaro, uma das mulheres que acompanharam Jesus Cristo, do seu Calvário à Ressureição.

O nome, transcreve com todos seus significados, a vida desta irmã de todos, que dedicou sua existência aos seus irmãos.

Enérgica pastora da fé, pregadora da palavra divina, exercendo os sagrados ensinamentos, nos seus atendimentos aos aflitos. Foram quase 10 anos desta vida religiosa, destinados ao povo cosmopolense.

Na cidade escolhida pela Igreja, como seu novo testemunho da fé, exerceu as mais beneméritas funções.
Irmã Marta, foi professora da palavra, catequista responsável pela formação de centenas de jovens, pastora nas capelas e igrejas, consoladora dos enfermos, “mãe” dos necessitados.

Exercia a comunhão aos enfermos, mesmo com as complicações geradas pela idade, prestando assistência domiciliar onde fosse chamada, atendendo com paciência e total dedicação aos acamados.

Sua presença no Asilo Irmã Rosália, e nos leitos do antigo Hospital Santa Gertrudes, tinham sempre a companhia da querida Irmã Lúcia (94 anos), fiel amiga e irmã de congregação. Suas presenças, sempre sorridentes, traziam paz e esperanças aos visitantes.

Quem nas ruas de Cosmópolis, sentiu o triste misto da fome com o frio, recebeu de suas mãos caridosas o alimento e o agasalho. Acompanhada das outras irmãs e voluntários da comunidade, durante anos, foi uma das responsáveis pela distribuição de roupas e sopão nas noites.

Antes da vinda para Cosmópolis, Irmã Marta exerceu serviços voluntários em diversas cidades, estando durantes anos prestando missões pastorais de ajuda na África.

ROGAI POR NÓS Neste triste momento da despedida, nossa homenagem e orações, a filha que volta aos braços do Pai.
Quem crê nas palavras ensinadas pela Irmã Marta, tem a certeza, que sua morte é apenas uma passagem, assim Cristo nos garantiu.

Sim, a saudade machucará nossos peitos, mas traz consigo a esperança do reencontro.

Com a frase de antigo canto litúrgico, muitas vezes exaltado nas missas do amor eterno, dedicada aos nossos entes queridos, encerro nossa homenagem a Irmã Marta.

Está mesma canção, glorificada na Igreja Matriz de Santa Gertrudes, nos traz a esperança deste reencontro com a Irmã Marta, e um balsamo nas dores.

“Vem, e eu mostrarei que o meu caminho te leva ao Pai, guiarei os passos teus e junto a ti hei de seguir. Sim, eu irei e saberei como chegar ao fim. De onde vim, aonde vou: por onde irás, irei também”.

Intercedei Irmã Marta junto à Deus por seus irmãos, assim como fizestes em vida, rogai pelo povo cosmopolense, igualmente como nós fazemos por vós agora e sempre, Amém...

Texto Adriano da Rocha
Foto Paróquia Santa Gertrudes


sábado, 2 de junho de 2018

LUTO COSMOPOLENSE


MEMÓRIA COMERCIAL
ADEUS ADÍLSON TERGOLINO
Texto Adriano da Rocha
Fotos Acervo familiar


 Botequeiros e colonada de luto, Cosmópolis perde um dos mais fiéis trabalhadores do comércio popular, referência da região central, querido personagem de muitas histórias.
Na baixada da Avenida Ester, o “Bar dos Tergolinos” está fechado, novamente a velha porta de aço recebe um cartaz. Escrito com profunda tristeza, as poucas palavras que transcrevem a dor do coração:” Fechado por Luto”.

O mais triste anúncio, exposto em um comércio aos clientes e amigos, a morte de um dos seus proprietários. O Bar que representa a continuidade de uma tradição familiar, nesta manhã de sábado, representa a dor da despedida.

Aos 79 anos de idade, faleceu na sexta-feira (01), o querido Adílson Tergolino, um dos irmãos do tradicional “Bar dos Tergolinos”.

VELÓRIO E SEPULTAMENTO
O corpo aguarda aos familiares e amigos no Velório municipal, o sepultamento será realizado às 14h30, no Cemitério da Saudade, em Cosmópolis. Adílson deixa viúva Dona Elga, filhos e netos


COLONO, OPERÁRIO E BOTEQUEIRO
Em fevereiro de 2018, o “Bar Irmãos Tergolino” completou 73 anos de fundação, marcando quase dois anos da morte do saudoso Osmar, falecido em setembro de 2016.

Prosseguindo a história iniciada pelo patriarca José Tergolino, continuavam os trabalhos nos balcões, os irmãos Odair, Adílson e filhos.

Adílson era o mais reservado dos quatro irmãos Tergolinos, sempre sereno e paciente nos atendimentos. Começou ainda adolescente seus trabalhos nos balcões, quando no início dos anos de 1950, o pai comprava à parte dos sócios, tornando o comercio familiar.

O Bar, surgiu em fevereiro de 1945, quando a direção da Usina Ester, abriu espaço para criação de um bar e mercearia, onde seriam atendidos colonos e visitantes.

Adílson trabalhava no bar e Usina, revezando seus afazeres com os irmãos, também funcionários da indústria açucareira.

Nos balcões atendendo a colonada e gente da Villa, os irmãos Odair, Adilson, José e Osmar, nos comandos os pais, Zé Tergolino e Dona Gioconda Marascalchi.

O modesto bar possuía uma das cadernetas mais extensas de toda Cosmópolis, com mais de 500 clientes registrados.

Raramente, os compradores não honravam os pagamentos das contas, afirmavam sempre os irmãos. O colono recebia em uma fila na Usina, e na mesma hora, entrava em outra fila no bar, para pagar suas despesas.

E como não comprar, o bar vendia de tudo, dos doces da Campineira, peças gigantesca de mortadela, mozarela e salame, figurinhas esportivas, bolinhas de gude, bodoques, “maçãzinha” da Scorcione, pinga do Salto grande, Conhaque Presidente, cerveja Columbia de Campinas e produtos da Companhia Antarctica Paulista. Não esquecendo dos salgados, conservas e comportas de doces, produzidos pela família.

O bar permaneceu ao lado do campo da Funilense, até os anos de 1990, quando a nova administração da Usina Ester, exigia a entrada do antigo prédio.

Em 1997, depois de 52 anos de história no local, Adílson e os irmãos, entregavam o prédio para empresa. Seguindo o novo projeto de ampliação da Usina, o prédio e todo complexo de festas, seriam demolidos anos depois.

21 ANOS NA VILLA
Os três irmãos Osmar, Odair e Adilson, começavam a nova história do bar na cidade, ou como dizia a colonada, na Vila. Em 1997 era reinaugurado o "Bar Irmãos Tergolino" na Avenida Esther, esquina com a Rua Max Herget.

O ponto degastado e esquecido, era recriado pelos irmãos, surgia uma nova freguesia, a família trazia credibilidade e respeito ao local. O bar tornava-se um reduto de ex colonos, uma verdadeira referência fora da Usina.

Em 20 anos da nova história na “villa”, Adílson e os irmãos, tornaram-se uma nova referência na cidade. O Bar Tergolino transformou-se em uma pequena colônia de amigos, um reduto de saudosistas da velha Cosmópolis e Usina Ester.

Por motivos de saúde, Adílson estava afastado do exaustivo trabalho nos balcões. Mas como impedir um “botequeiro” com mais de 60 anos de balcão, de não exercer seu oficio?

Sempre que possível, ele voltava aos balcões, nem que fosse para supervisionar os preparos do inigualável “torresmo dos Tergolinos”. A iguaria mais famosa do tradicional boteco, marca dos irmãos na cidade, assim como as porções mistas, e o atendimento sempre amigo e cordial.

MEMÓRIAS E SAUDADES
Cosmópolis realmente perde um querido personagem, um “patrimônio” da história da Usina Ester. Adílson não foi apenas um dono de bar, servia aos cliente exercendo com muita paciência, a função de conselheiro das mais infindas situações.

Ouvia com calma e atenção, as histórias contadas por cada cliente, fosse sobre a situação da cidade ou do time favorito, era imparcial, porém nunca omisso nas opiniões sobre os assuntos.

Atendia à todos com afetividade, as histórias contadas no seu balcão, eram ouvidas por uma pessoa que viveu cada palavra.

Os sinceros sentimentos aos familiares e amigos, principalmente a grande “família Usina Ester”. Adílson foi um dos nossos mais dignos trabalhadores do comércio, pessoa que fez história em Cosmópolis, orgulhando sua terra.

Vá em paz Adílson, olhai por todos aqui, não esquecendo da sua querida Cosmópolis. Forças aos familiares!!! Coragem Odair, para continuar firme à história do Bar Irmãos Tergolino, tenha certeza, rogando por ti seus irmãos estão no céu!!!

Adeus Adílson, não esqueça de pedir ao Criador por nossa Cosmópolis, e que você possa servir essas bênçãos aí de cima!!!
Texto Adriano da Rocha
Fotos Acervo familiar
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