quarta-feira, 25 de julho de 2018

LUTO COSMOPOLENSE

MEMÓRIA ESCOLAR

ADEUS DONA VILMA NOLANDI 
Professora, educadora da vida
Um dos últimos registros da professora, foto de Ana Maria Pacetti. Homenagem prestada na escola que recebe seu nome.

Mestra formadora de caráteres, professora das letras, educadora dos caminhos da vida. Entre as mais edificantes tutoras da profissão. Exemplo para muitos dos seus alunos, seguirem no ofício de professores.
Aos 84 anos de idade, faleceu nesta quarta-feira (25), Vilma Zenaide Nolandi Costa, a querida "professora Vilma". Inesquecível professora, com mais de 50 anos dedicados ao magistério em Cosmópolis.

VELÓRIO E SEPULTAMENTO 
O velório tem início às 8h00 desta quinta-feira (26), sendo realizado até as 17h00 no Velório Municipal de Cosmópolis. O sepultamento será no Cemitério da Saudade, em Campinas.

EDUCADORA DA VIDA 
Dona Vilma Nolandi recebendo um fraterno abraço da professora Helena Nallin

Professora Vilma, era filha de Dona Risoleta e Dr. Luís Nicolau Nolandi, notório casal que marcou época e fez história na cidade.

Viúva de José Esteves Costa, antigo gerente do "Banco Segurança", deixa os filhos Hamilton, Elisabeth, Miriam, e incontáveis filhos adotivos. Seus ex-alunos e crianças dos projetos que amparava como voluntária.

Nasceu em Cosmópolis, na Rua Alexandrina (atual Campos Salles), naquele casarão recentemente reformado, localizado em frente à Igreja Matriz de Santa Gertrudes.

Nos estudos no “Grupo Escolar Rodrigo”, as aulas da saudosa Dona Onélia Kalil Aun, despertavam seu amor e vocação ao magistério. Terminando os estudos no tradicional "Colégio Progresso", em Campinas, começou a lecionar nos anos 1950, nas escolas cosmopolenses.

Até sua aposentadoria em 2004, havia lecionado ou prestado serviços direcionais, na maioria das escolas municipais e estaduais cosmopolenses. Somente na Escola GEPAN , onde aposentou-se do magistério, foram mais de 40 anos de aulas .

Muitos dos seus educandos, seguindo como exemplo seu amor em ensinar, tornaram-se seus amigos e amigas de trabalho. No GEPAN, houve períodos que a maioria dos docentes foram ex-alunos da Dona Vilma. Lecionando na mesma escola, a mestra e seus alunos professores.

Em 1993, nas comemorações dos 49 anos do município de Cosmópolis, o então prefeito Mauro Pereira, ex-aluno da Dona Vilma, perpetuava uma justa homenagem à professora.

Era inaugurado no Jardim Independência, a “Escola Municipal de Ensino Infantil Professora Vilma Zenaide Nolandi Costa”.
Escola modelo, localizada na Avenida da Saudade, próximo do Supermercado Berton.
Ao lado da amiga e companheira de profissão, Professora Helena Curiacos Nallin, foi uma das percursoras da conceituada “Casa da Criança de Cosmópolis”. Um dos mais antigos projetos assistenciais do município, com quase 40 anos de serviços voluntários prestados.

GRATIDÃO PROFESSORA
Vila Nolandi Costa Professora Vilma, uma vida inteira dedicada ao magistério 

Nossa mais edificante tradução cosmopolense da palavra professora.
Nas tortuosas passagens da estrada do conhecimento, ensinou para muitos os primeiros passos.Transformando os percursos em suaves caminhos.

Gratidão benemérita professora, gratidão Dona Vilma Nolandi.

Descanse em paz professora, olhai e rogai por sua querida Cosmópolis!!! Suas aulas na terra até terminaram, mas seus ensinamentos deixados, estes serão eternos.

Texto Adriano da Rocha

terça-feira, 17 de julho de 2018

CALÇADÃO DA AVENIDA ESTER

MEMÓRIA COMERCIAL


AINDA ONTEM...
EM 17 DE JULHO DE 1992

  Em 17 de julho de 1992, há exatos 26 anos, oficialmente era inaugurado o “Calçadão da Avenida Ester”. Ao som da tradicional “Corporação Musical de Cosmópolis”, o então Prefeito José Pivatto ao lado de Vicente Morelli, representando os moradores da Avenida Ester, descerravam a placa de inauguração.

O projeto assinado pelo arquiteto cosmopolense Beto Spana, contemplava três quarteirões da Avenida Ester, iniciando no cruzamento com a Rua Campinas, terminando na Rua Santa Gertrudes.

Em parceria com os comerciantes e proprietários de imóveis, o calçamento dos entornos do projeto foram recriados, seguindo o mesmo padrão do Calçadão.

As obras tiveram início no dia 22 de abril de 1992, mudando totalmente a rotina da agitada região central. Até o término das obras, ficavam interditados parcialmente os acessos para Avenida Ester.

Aos sons de picaretas e escavadeiras quebrando o asfalto, amanheciam os dias na região central. Os paralelepípedos dos anos 1950, voltavam a surgir em trechos da Avenida Ester, envoltos de uma grossa camada de massa asfáltica que os cobriam.

Um mutirão de funcionários garantiam a agilidade das obras. Criterioso aos trabalhos e detalhes, o arquiteto Beto Spana e sua equipe, supervisionavam a presteza dos serviços.

No mesmo período, eram realizadas em conjunto com o Calçadão, a remodelação do Largo da Matriz de Santa Gertrudes, e criação da Praça Sérgio Rampazzo, obras também assinadas por Spana.
Os prazo eram corridos, tudo precisará estar pronto até o dia 17 de julho, para a grandiosa inauguração do “Calçadão da Avenida Ester”.

Seguindo o projeto do Calçadão, os passeios públicos do então lado direito da via (atualmente seria o lado esquerdo), eram alargados, prolongando cerca de 6 metros.

As “costumeiras” sibipirunas plantadas nos anos 1950 e 1960, entre piúvas rosas e ipês amarelos, eram cortados. Então necessário para ampliar o espaço de pedestres. Outras espécies de árvores cresciam plantadas em novos espaços.

Os destaques principais, as palmeiras imperiais e coqueirinhos, contrastando entre os salgueiros chorões e impertinentes canelinhas.

Gigantescos vasos de cimento recebiam mudas de flores diversas, predominando coração-roxo (trapoeraba), santolinas brancas e amarelas, volumosas e a ave do paraíso (Strelitzia).

Entre os jardins, sempre próximos das árvores, inúmeros bancos foram instalados. No quarteirão entre as ruas Antonio Carlos Nogueira e Santa Gertrudes, uma pequena praça foi criada, com vários bancos e mesas especiais para jogos e leitura.

A escolha deste espaço específico, é devido a maior concentração de pedestres gerada pelos Bancos Itaú, Banespa, Bradesco e Bamerindus (antigo Nacional). Outra pequena Praça, foi criada em frente a Caixa Econômica Paulista.
As rústicas calçadas de tijolos revestidos de cimento, marcas dos tempos distritais de Cosmópolis, ficavam no passado. Ao menos, nos quarteirões do Calçadão.

Caminhões de pedras de calcário preto e branco chegavam para revestir o Calçadão e novas calçadas. Seguindo a tradição das calçadas portuguesas, habilidosos “mestres calceteiros” assentavam as pequenas pedras, formando nos contrastes das cores, a “logo marca” da administração municipal, intitulada “Governo Popular”.

Em parceria com as Estatais TELESP (Companhia Telefônica Paulista) e CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz), que possuíam uns dos seus mais antigos escritórios em Cosmópolis, um projeto foi criado especialmente para o Calçadão. As fiações elétricas foram embutidas no solo, sendo instalados luminárias e refletores em pontos específicos.

Acompanhando o projeto modernista da obra, a TELESP instalou orelhões especiais para o Calçadão. Eram cabines de concreto com revestimentos em vidro temperado, com assentos e espaços de armazenamentos de objetos, como sacolas e bens pessoais dos usuários.

Em parceria com comerciantes e indústrias, foram instaladas inovadoras lixeiras nos entornos do calçadão.

Construídas em cimento, com revestimentos em madeiras reflorestadas, possuíam três armazenamentos acoplados para vários tipos de lixos. Nas laterais das lixeiras, as propagandas dos comerciantes que fizeram as doações ao patrimônio público.

O TRISTE FIM DA HISTÓRIA
Após 7 anos da sua criação, a então administração Joaquim Pedrozo (1997 a 2000), mudava a história do Calçadão. Sem manutenção, devido a uma das piores crises financeiras municipais, o Calçadão transforma-se em um vergonhoso “cartão postal” da Avenida Ester.

Árvores e coqueiros imperiais sem nenhuma conservação, com galhos mortos e folhas secas, devido as intempéries climáticas e podas indevidas.

Os jardins viraram pequenos matagais, ervas daninhas cobriam os canteiros e vasos, matando flores e árvores frutíferas.

Com falhas nas iluminações, ocasionadas pela falta de custeamento do local, o vandalismo tomou conta do Calçadão. A região ficou escura, surgindo pontos de uso de drogas e prostituição.

A maioria dos bancos estavam com seus madeiramentos quebrados, as cabines telefônicas com vidros estilhaçados, pichações e sem telefones. Lixeiras sem sacos plásticos, viravam entulhos de lixos e criadouros de insetos.

DEMOLIÇÕES FINANCIADAS POR COMERCIANTES
Comerciantes reuniam-se com representantes da Prefeitura, buscando soluções a vergonhosa situação do Calçadão.

A administração apresentava modificações no projeto, alegando erros nos espaços transversais de estacionamento. As mudanças nos fluxos das ruas, na época mais de 100 vias mudavam seus sentidos, alterava a Avenida Ester.

Para ampliar os espaços de estacionamentos de veículos, o Calçadão começava a ser destruído no quarteirão entre as ruas Campinas e Sete de Setembro. Até então, somente os estacionamentos transversais seriam modificados, mantendo parcialmente o Calçadão e os jardins.

Uma reunião organizada por um pequeno grupo de comerciantes, deliberava o fim de todo o Calçadão.

A diminuição nas vagas de estacionamentos, dificuldades nas entregas de mercadorias aos comércios, marcavam como os principais motivos da demolição do Calçadão.

Os comerciantes custeariam toda a demolição, reunindo recursos próprios para financiar as demolições e recapeamentos dos trechos.

Com apoio da Prefeitura e maioria dos vereadores, os comerciantes exigiam a demolição total do Calçadão, voltando ao projeto original da Avenida Ester.

Usando como embasamento uma pesquisa realizada pela Prefeitura, onde 76% da população apoiava a demolição, os vereadores Dário Conservani e João Maximiano entravam com o pedido oficial na Câmara.

ESCRITO NA HISTÓRIA
Em edição especial do Jornal Tribuna Popular, publicada no dia 09/07/1999, os autores do projeto expunham seus motivos para o “Fim do Calçadão”.

“Só fiquei sabendo da indicação no dia da votação. Eu não ia fazer essa indicação, mas quando o assunto é polêmico, colocam o nome dos outros.
Desmanchar o que está feito nunca é bom, tem muito mais coisas para fazermos com urgência na cidade. Mas, se os comerciantes resolveram pagar, não tem como ser contra”
, desabafava João Maximiano ao jornal.

“Já que estão mexendo no Calçadão, tira já. Pra mexer agora e mais pra frente, resolvemos tirar o Calçadão agora, seriam dois gastos’’, disse Dário Conservani.

O vereador declarava ao Jornal, que não ouviu formalmente nenhuma casa comercial. De acordo com Dário, a votação foi tomada com base em uma pesquisa da prefeitura.

O assunto movimentou a cidade, dividindo a população em favoráveis e contrários as medidas. Moradores organizavam manifestações no Calçadão, bancos eram revestidos com panos pretos, representando luto.

A comerciante Doroti Morelli, afirmava que a decisão não era da maioria dos comerciantes e moradores da Avenida Ester. Enfatizando ao Jornal, que não acreditava nos números da pesquisa. Segundo ela, o Calçadão era uma segurança aos comerciantes e referencial da região.

MARCAS DO PASSADO
Em 16 de julho de 1999, um dia antes do projeto completaria sete anos, o Calçadão estava totalmente demolido. Uma fina camada asfáltica cobria os espaços onde estava projetado o Calçadão.

Atendendo aos pedidos de comerciantes, as obras de demolição do Calçadão ceifavam as vidas de dezenas de árvores da Avenida Ester. Todas as árvores do atual lado esquerdo da via, foram cortadas nesta época.

Somente seis árvores restaram no lado direito, entre elas duas frondosas sibipirunas, preservadas graças ao empenho de moradores da Avenida Ester.

Nesta terça-feira, dia 17 de julho de 2018, o Calçadão completaria 26 anos da sua criação. Marcando nesta mesma semana, dia 16/07, 16 anos do triste fim da sua história.

Texto Adriano da Rocha

sábado, 14 de julho de 2018

FELIZ ANIVERSÁRIO CAMPINAS



  Há exatos 244 anos, Campinas era oficializada como Villa. O caminho bandeirante em busca do sonhado “Eldorado”, ressurgia como progressista Villa, a sonhada capital.

Nascia a “Princesinha do Oeste”, a mais importante porteira de acesso ao “Sertão Paulista”. Entre suas várias porteiras, dividindo e cortando seu progressista território, nasciam futuras cidades, em especial Cosmópolis, assim criada como a “Nova Campinas”.

Com orgulho fazemos parte destes 244 anos de história oficial, surgimos juntas no desbravar dos primeiras batelões bandeirantes pelos rios Atibaia, Jaguari e Pirapitingui.

Todo cosmopolense, tem a história de Campinas entrelaçada nas mais infindas memórias de sua vida. Todo Cosmopolense, tem um pouco de ti, nas origens ou lembranças, todos somos campineiros.

Vivas as Bandeiras de Barreto Leme, aos bugres e caboclos, vivas aos imigrantes e migrantes, edificadores do nascimento de Campinas.

A querida Campinas, nossa eterna “Mãe” Paulista, os fraternos abraços e parabéns dos seus filhos cosmopolenses.

CEDRO E JACARANDÁ COSMOPOLENSE
A Catedral Metropolitana de Campinas, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, tem grande parte das suas estruturas compostas por madeiras das matas cosmopolenses.

Das matas do Fundão, como Cosmópolis era conhecida no fim do século 17, as madeiras cosmopolenses são parte fundamental das estruturas e entalhes da Catedral, inaugurada oficialmente em 1883.

Nas estruturas Jacarandá Paulista e peroba rosa, nos entalhes dos altares e capelas, muito cedro cosmopolense.

As madeiras eram cortadas e lavradas nas serrarias do Serra Velha, por isso o nome do Bairro.

O corte preciso, das gigantescas torras de madeira, era feito totalmente manualmente, pelos habilidosos imigrantes alemães da família Tetzner, proprietários da Serraria.

Carros de boi, com mais de 16 juntas, abriam picadas nas matas, surgindo os caminhos da atual Rodovia Zeferino Vaz (SP-332).

Nos transportes dos carros de bois, caboclos paulistas nascidos na Fazenda do Funil, Bela Vista e Pinheirinho, os agrimensores das famílias Barbosa, Paes e Pinto (Frade).

Seguindo o caminho dos caboclos, despontavam na profissão de carreiro, os homens da família Lange, imigrantes recém chegados da Alemanha.

Pioneiros cosmopolenses dos carro de bois, responsáveis pelo surgimento de caminhos, ao levarem as bases do progresso arquitetônico de Campinas.

Texto Adriano da Rocha

Confira nos volumes da obra “História de Campinas”, escrita por Jolumá Britto, um dos principais historiadores campineiros, trechos como estes citados. Importantes referências cosmopolenses na construção da metrópoles Campinas...
Foto postal, Ilustração representando a Catedral Metropolitana de Campinas, então Matriz da Conceição, em 1878.

AINDA ONTEM EM COSMÓPOLIS...

MEMÓRIA COMERCIAL


  Em julho de 1992, aos sons de picaretas e escavadeiras quebrando o asfalto, amanheciam os dias na região central.
Os paralelepípedos dos anos 1950, voltavam a surgir em trechos da Avenida Ester, envoltos de uma grossa camada de massa asfáltica que os cobriam.

Um mutirão de funcionários garantiam a agilidade das obras. Criterioso aos trabalhos e detalhes, o arquiteto Beto Spana, supervisionava a presteza dos serviços.

O prazo era corrido, tudo precisará estar pronto até o dia 17 de julho, para a grandiosa inauguração do “Calçadão da Avenida Ester”.

Seguindo o projeto do “calçadão”, os passeios públicos do então lado direito da via (atualmente seria o lado esquerdo), eram alargados, prolongando cerca de 6 metros.

As “costumeiras” sibipirunas plantadas nos anos 1960, entre piúvas rosas e ipês amarelos, eram cortados. Então necessário para ampliar o espaço de pedestres, outras espécies de árvores cresciam em novos espaços.

Os destaques principais, as palmeiras imperiais e coqueirinhos, contrastando entre os salgueiros chorões e impertinentes canelinhas. Gigantescos vasos de cimento recebiam mudas de flores diversas, predominando coração-roxo (trapoeraba), santolinas brancas e amarelas, volumosas e a ave do paraíso (Strelitzia).

As rústicas calçadas de tijolos revestidos de cimento, marcas dos tempos distritais de Cosmópolis, ficavam no passado. Ao menos, nos quarteirões do calçadão.

Caminhões de pedras de calcário preto e branco chegavam para revestir o calçadão e novas calçadas. Seguindo a tradição das calçadas portuguesas, habilidosos “mestres calceteiros” assentavam as pequenas pedras, formando nos contrastes das cores, a “logo marca” da administração municipal, intitulada “Governo Popular” ...

Podemos observar na foto, registro feito pelo mestre Bruno Petch, inúmeros comércios que marcaram épocas. Ao lado esquerdo, a famosa Vídeo Som, com seus produtos de alta tecnologia expostos na enorme vitrine.

Em evidência em fronte à Avenida, álbuns de fotografias com lindas capas estampadas, alto colantes e com proteção de plástico; filmes “Kodak” de até 36 fotos; e um cavalete propagava: “6 fotos para documentação reveladas em 48 horas”.

Ao lado a “Papelaria e Livraria Santa Terezinha”, que ainda não era divulgada como Papelaria do Brandão.

Na papelaria, um homem olha as manchetes dos jornais, enquanto dois senhores observam os trabalhos nas calçadas do “Escritório Pereira” e do famoso “Restaurante e Lanchonete Ranchão”.

As cores vermelhas e amarelas, símbolos da marca Caloi, demarcavam a tradicional loja dos irmãos bicicleteiros, a icônica “Sport Magossi”. Um homem andando de bicicleta desenhado na porta principal, secular símbolo da marca, oficializam a loja como autorizada Caloi.

Um gigantesco monte de pedras, enchem as frentes da “Karen Calçados” e “Roma Calçados e Confecções”.

Nosso olhar agora viaja ao lado direito da Avenida. Embora não possamos ver com nitidez no registro fotográfico, estão neste ponto a “Auto Escola Medeiros”, “Casa de Carnes Gaúcho” e “Alemão Games”.

Um grupo adentra a “Padaria e Confeitaria Estrela”, antiga Padaria Santo Antônio, então comandada pela família Marsoli.

Um luminoso de acrílico sublimado da “Skol cerveja Pilsen”, sobressai o nome “Sucão Lanchonete”. O toldo vermelho, traz o nome Sucão, sendo destacada a letra U como uma taça de suco, enaltecendo a marca e o nome comercial.

O olhar viaja no tempo, ao ver uma plaquinha amarela, demarcando o modesto espaço criado entre outros salões comerciais.

A placa de plástico rígido é dos anos 1960, letras desgastadas em baquelite, onde os números caíram com o tempo, ou simplesmente, não acompanharam o progresso da expansão telefônica.

Neste pequeno espaço, a placa anunciava somente “Distribuidor de Jornais, Revistas e Livros”. Não precisava de mais nada, os cosmopolenses e inúmeros outros “vileiros” da região, conheciam muito bem este local. Era a popular “Banca do Alaor!!

Último ponto, da famosa bancada de jornais que marcou época em Cosmópolis. O velho Alaor, sempre sério e austero, foi um dos percursores na distribuição de jornais e revistas, permanecendo neste oficio, durante mais de 50 anos.

A velha banca começou no antigo Largo da Igreja Matriz de Santa Gertrudes, prosseguindo na Praça do Coreto, até seu último ponto na Avenida Ester.

Noticiou, divulgou e entregou histórias, sem saber que seus jornais, revistas e livros, ao serem lidos, escreviam a história do modesto jornaleiro, como marcação nas lembranças dos impressos vendidos por ele...
Texto Adriano da Rocha

Foto Bruno Petch (Arquivo Prefeitura de Cosmópolis)

sexta-feira, 13 de julho de 2018

DIA MUNDIAL DO ROCK

MEMÓRIA COMERCIAL
"Bar e Lanchonete Tabajara"

 No “Dia Mundial do Rock” (13/07), como esquecer do “Bar e Lanchonete Tabajara”, em especial do “botequeiro e roqueiro”, Luís Tabajara. Nesta data consagrada ao Rock, nossa homenagem ao saudoso “Taba”.
“Botequeiro” que despertou este gosto musical em várias gerações de cosmopolenses.
Lei aqui, a homenagem publicada no dia do seu falecimento, em 12 de agosto de 2017.


A HISTÓRIA COMERCIAL
Um feliz acaso, quem sabe criado pelo destino, trouxe os Felicianos para a cidade de Cosmópolis. O patriarca da família, Antônio Feliciano, estava para se aposentar da “Usina Tabajara”, em Limeira, onde trabalhou por mais de 40 anos como chefe de turmas nos canaviais.
Feliciano buscava na sua aposentadoria realizar um sonho de criança, ser patrão de si mesmo, abrindo seu próprio negócio.
O intenso movimento na região central de Limeira, chamava a atenção do novo empreendedor. Depois do “footing”, o passeio dos jovens no fim de semana, trazia centenas de pessoas as inovadoras lanchonetes limeirenses.
Seguindo o modelo americano, mas com jeitinho brasileiro, os antigos bares começavam a mudar seu cardápio, ao vender suculentos lanches feitos em pães de baguete, recheados com muito queijo, suculentos bifes de carne gorda, tomate, picles e alface.
Era a sensação na época, os bares que somente serviam porções de ovos cozidos, salgados fritos e pão com mortadela, perdiam freguesia aos comércios que mudavam seu letreiro escrevendo Bar e Lanchonete. Entusiasmado, Feliciano começou a procurar em Limeira um imóvel para abrir o seu comércio.

BAR E LANCHONETE TABAJARA
Antes de oficializar sua aposentadoria pela Tabajara, Feliciano foi chamado para levar uma carga de cana na Usina Ester, em Cosmópolis. Depois do trabalho feito, Feliciano resolveu parar no lendário “Bar Balone”, localizado na esquina da Avenida Esther com a Rua Santa Gertrudes.

O proprietário, Emilio Balone, comentava sobre um bar montado na Avenida, que ele estava vendendo o ponto. Era uma simples casa comercial, bar na frente e residência nos fundos, a localização e o valor chamavam a atenção de Feliciano.

Da porta do bar podia ser visto o imóvel, o ponto era excelente, próximo ao Cine Theatro Avenida e a poucas quadras da Praça do Coreto, famosos redutos da juventude cosmopolense.

A parada no Bar Balone mudava o destino da família, Antônio resolvia investir suas economias para realizar seu sonho em Cosmópolis. Surgia em 12 de fevereiro de 1962, o “Bar e Lanchonete Feliciano”, que popularizaria meses depois com o nome Tabajara.

O nome foi dado pela pergunta feita pelos clientes do bar: “Onde está seu pai menino?”.

Com tradicional avental azul, o qual lhe acompanhou por toda vida, o jovem de 16 anos dizia: “meu pai está na Tabajara”.

O pequeno “botequeiro” era Luiz Feliciano, que ao lado da mãe Dona Aparecida Silvestrine Feliciano, e a irmã Mafalda, trabalhava no Bar durante a semana, enquanto o pai cumpria seus últimos meses na Usina Tabajara. Antônio somente voltava para a Lanchonete no fim de semana, quando o movimento era intenso e sem igual na cidade.

Em pouco tempo o novo comércio tornou-se uma referência na região central, sendo parada obrigatória depois dos passeios no jardim e das sessões do Cine Theatro Avenida.

RECEITAS ÚNICAS E SEM IGUAIS
Antônio e Dona Cida criaram suas próprias receitas de salgados e lanches, o cardápio era simples, mas chamava atenção dos paladares pelo inconfundível tempero e preparo dos alimentos.

Nos lanches o tradicional bife era trocado pelo hambúrguer, uma mistura de carnes moídas, apresuntado e bacon em tiras, algo único e totalmente diferente na pequena Cosmópolis. Outros pratos atraiam fregueses de toda cidade, como os croquetes de carne, o camarão de mineiro (torresmo frito), e os icônicos enroladinhos feitos com massa de pastel, com recheio de presunto, queijo e tomate.

Os salgados tornaram-se uma referência do Tabajara, sendo copiados por renomados bares da região, porém nunca igualados no exato preparo dos ingredientes. Perguntando ao Luiz o segredo das receitas, sempre bem humorado dizia:

“O segredo é o cortador de frios manual, a bacia para fazer a massa, o tacho para fritar, e preparar a mesma receita com os mesmos utensílios há mais de 50 anos no mesmo lugar. É a mesmice, tendeu!!! ”.

49 ANOS DE ETERNAS HISTÓRIAS
Em novembro de 2011, após 49 anos ininterruptos de funcionamento, o Bar e Lanchonete Tabajara fechava as portas. Uma festa organizada por gerações de clientes, marcava a “triste despedida” do Bar. A despedida fechou o quarteirão na Avenida Ester, reunindo mais de 800 pessoas ao som de muito rock antigo, som preferido do “Taba”.

ENQUANTO EXISTIR BOTECO NUNCA SERÁ ESQUECIDO
Sempre sorridente e disposto a fazer sorrir, não transparecia a tristeza em seu rosto. Com o mesmo sorriso que abria as portas, fechava ao sair o último cliente.

Atendia sua vasta freguesia sem distinção, a consumação, vestimenta ou situação financeira, não definiam o seu atendimento. O cliente que chegava pela primeira vez no bar, tinha a mesma consideração do cliente que ajudou a inaugurar o boteco.

O freguês que chegava de bicicleta, consumindo uma KS no balcão, recebia igual atendimento do cliente que consumia doses de whisky e enchia uma folha de comanda. *Atualmente, coisa rara em muitos botecos de Cosmópolis*.

Era destes “butequeiros” que mesmo com pouco estudo, exercia atrás do balcão os mais diversos ofícios, como: psicólogo (tentando entender a mente), psiquiatra (ouvindo e tentando aconselhar), jornalista (informando e descobrindo notícias), e o mais nobre oficio de botequeiro, o de farmacêutico, remediando com doses e garrafadas todos os males.

Ser doutor é muito fácil, qualquer faculdade ensina. O difícil é aprender na vida, a ser doutor de boteco. O Luiz Tabajara foi bacharel, um dos únicos com “Honoris Causa” em Cosmópolis. Nobre título, concedido não por uma renomada faculdade, mas pelo povo, nos seus mais de 49 anos de balcão.

O balcão não era seu fadário, sua obrigação diária para sua sobrevivência e da família. O bar era sua paixão, assim como foi o amor do seu pai, um visionário empreendedor que mudou a história comercial de Cosmópolis.

Na lembrança, fica o jaleco de brim azul claro, com enormes bolsos (onde guardava de tudo e fazia suas mágicas), e seu inseparável pano alvejado que trazia firme no ombro. Não esquecendo a caneta guardada nas costas da orelha, utilizada para fazer com exatidão as somas das comandas.

O malabarismo com os copos americanos, os truques com moedas, as pegadinhas usando as “bisnagas” de Ketchup e mostarda, onde mesmo conhecendo a brincadeira, todos sempre caiam na “falsa” espirada de molho. Tudo acompanhado pelas velhas e conhecidas piadas do Tabajara, com temas sempre cosmopolenses, ou adaptados para a cidade.

Seu nome de batismo ele até esquecia, mas jamais seu nome de botequeiro. Tinha o “Cai uma”, “Revortoso”, “Segura essa”, “Pode não”, “Bebe e chora”, “Inchadinho”, entre tantos únicos e inconfundíveis nomes. Os meus eram “Rochinha” e Noticioso (esse surgiu ao entrevista-lo).

Fica na memória detalhes do seu “templo” de oficio, que assim como seu dono sempre serão imortais nas nossas mais inesquecíveis recordações. O piso reluzente de cerâmica vermelha, o mural desenhado no azulejo, a parede repleta de quadros de bandas de rock e carros.

Nas prateleiras sobrepostas e fixas na parede, eram estocadas e expostas as bebidas quentes, como também suas coleções de “munições” dos tempos que serviu o exército, e uma incrível quantidade de latinhas que alcançava o teto.

Como esquecer as cadeiras giratórias de baquelite, as conversas debruçado no enorme balcão refrigerado, com detalhes sem iguais, revestido de formica nas cores branca e no tom que um dia foi vermelho.

Sobre o balcão a estufa dos apetitosos salgados, vidros de conservas, e dois enormes baleiros giratórios, repletos de opções de doces. Ao girar o baleiro, surgia um som inconfundível: a melodia da infância.

A única “modernidade’’ do bar era uma enorme televisão com DVD, onde Rolling Stones, Pink Floyd, Dire Straits, entre outros “monstros consagrados” do rock, faziam seus “shows” particulares diariamente aos frequentadores.

Quantas memórias heim Tabajara!!! Mais um amigo, um irmão de balcão, um guerreiro a menos para lutar por nossa Cosmópolis. Como você mesmo dizia:

“A gente até chora, eu sei que não é fácil. Mas prefiro que bebam por mim!!! Não tem nada mais bonito, que o “tim tim” de dois copos batendo, homenageando esse botequeiro”.

Em quanto existir cerveja e botecos em Cosmópolis, sempre o Tabajara será lembrado. Descanse em paz velho amigo, esteja com Deus Luiz Tabajara...

Texto Adriano da Rocha
Vídeo Acervo Cosmopolense
Música: Wish You Were Here - Pink Floyd

quarta-feira, 11 de julho de 2018

SOBRADO VELHO “A ÚLTIMA COLÔNIA”


A derradeira colônia cosmopolense, fora de Cosmópolis

 O intenso tom vermelho nos tijolos à vista, portas e janelas pintadas em um azul único, telhados baixos, pequenos jardins indicando a divisão das casas unidas por paredes. 

Demarcando as modestas moradias, cercas de bambu e ripas, uma porteira feita de dois troncos de madeira. Flamboyants, sibipirunas, entre outras árvores plantados em uma extensa fileira.

Traços marcantes da Colônia do Sobrado Velho, último conjunto de casas coloniais existente na região. Edificações reminiscentes do maior complexo colonial do estado de São Paulo, construídas pela Usina Esther no início do século passado.

Localizada em território pertencente a cidade de Americana (SP), a Colônia está há 8 quilômetros distante de Cosmópolis. Seguindo o mesmo processo que extinguiu as colônias cosmopolenses, a Sobrado Velho somente não foi demolida graças a união dos moradores de Americana. 

120 ANOS DE HISTÓRIA CANAVIEIRA
Caminhos estreitos, entre barracos e muita cana, seguem para Americana na centenária estradinha canavieira. O chão é de terra batida, cascalhada e até bem cuidada, sinal que as colheitadeiras e caminhões de cana transitam sempre na estrada.

Um gigantesco Flamboyant marca o principal acesso as casas, suas raízes saltam do chão. Em seus frondosos galhos um balanço, feito com cordas e um pneu usado. Duas tábuas de peroba usam as raízes como base, é um banco improvisado, com certeza feito por amigos, onde na sobra da árvore “matutam” conversas infindas sobre a vida. 

Quem viu nos últimos anos a demolição de mais de 200 casas, colônias do Bota Fogo, Quebra Canela, Saltinho, Cooperativa, e até mesmo o lendário Sobrado dos patrões, ficará emocionado ao ver essas casinhas.

As casas seguem o projeto colonial de 1898, elabora pelo renomado escritório de Arquitetura e Engenharia Ramos de Azevedo. A construção é simples, casa de colono não tem luxo, todas as edificações seguem a mesma concepção e material.

Os tijolos são todos aparentes, grandes e vermelhos, feitos de terra “massapé”, na mesma olaria que edificou a Usina Esther e a primeira Igreja Matriz de Santa Gertrudes. 

Nas janelas e portas um marcante destaque das coloninhas, tijolos assentados na transversal, um charme na modesta construção. No alto dos telhados, entre as telhas portuguesas, gigantescas antenas parabólicas, trazem um pouco de modernidade ao isolado lugar. 

O quintal é imenso, existindo em algumas casas velhos poços d’água (a maioria inutilizado), plantações de hortaliças, legumes, pequenos parreiras de uva e figo, e é claro as icônicas jabuticabeiras.

As pesadas portas e janelas, lavradas em madeira de lei (peroba rosa, jacarandá paulista e pinho), conservam o mesmo tom azul claro. A cor padrão das construções na época áurea da Usina, hoje a cor é o símbolo da saudade entre os colonos. 

Na entrada das casas muitas plantas e pequenas árvores, sempre ao gosto de cada morador. Em cada casa um capricho diferente no pequeno jardim, formado entre a rua de terra batida e o calçamento das casas. 

Espalham-se pelo chão e seguem crescendo subindo sem destino, flores como craveiras, roseiras, orquídeas do mato, cosmo laranja (popular flor do mato), crista de galo, entre uma infinidade de espécies e aromas, que desabrocham e perfumam todo ambiente.

Será que sonhei demais, viajei nas lembranças ao escrever esse relato?! Não, com extrema felicidade pode garantir, as palavras descrevem perfeitamente esse “paraíso” perdido. 

Você que não é nascido aqui, neste chão cosmopolense pode até dizer: “Mano, você exagerou chamar isso de paraíso”.

Mas amigo de outras terras, pode ter certeza, quem aqui nasceu ao ver essas imagens a palavra exata será paraíso. 

As lembranças marcantes vividas nestas modestas casinhas, transformam a derradeira colônia, em um local ainda mais perfeito que qualquer outro paraíso do mundo. 

Relatei com o olhar da alma, descrito pelo coração, e como diria um colono: “Tudo é igual como antes, o “disgranhento” “progresso” ainda não passou por lá “. 

Texto Adriano da Rocha

Música:
Bachianinha nº 1
Interprete e autor
Paulinho Nogueira
(Campinas, 8/10/1927 — São Paulo, 02/ 08/ 2003)

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domingo, 8 de julho de 2018

UM PASSEIO EM 1991


  “Um dia de domingo em Cosmópolis”, um passeio na Avenida Ester, do cruzamento com a Rua Campinas, até a Rua Santa Gertrudes.
Uma parada, no comecinho da Rua Santa Gertrudes, olhando o antigo Largo da Matriz pela Rua Ramos de Azevedo, e terminando nossa viagem, na divisa municipal com a Fazenda Usina Ester.
Espero que gostem do passeio em 1991, como também, da trilha sonora de nossa viagem ao passado cosmopolense. Uma viagem de muitas lembranças, nos caminhos das nossas saudades..

Direção e criação Adriano da Rocha
Música Floraux (Ernesto Nazareth)
Interpretes Cacai Nunes e Regional Chora Viola